
Mônaco e Indianápolis no mesmo domingo. Tem sido comum a coincidência e, sinceramente, haja traseiro para aguentar tanto sofá. Quase duas horas de Fórmula 1 pela manhã e mais de três horas de Indy à tarde... Neste 2009, outra coincidência: as duas provas consagraram dois pilotos considerados, em momentos diferentes, cartas fora do baralho.
Button, cinco vitórias em seis corridas na atual temporada da Fórmula 1, parecia caminhar, até o ano passado, pela mesma trilha que levou várias ex-promessas da categoria à frustração permanente. No GP do Brasil do ano passado, seu combalido Honda pegou fogo ao final da prova. Seu pai, o já folclórico John Button, teria dito, entre jocoso e resignado: "Deixa queimar essa m...".
Se, naquele momento, alguém dissesse que Button teria o desempenho arrasador deste ano, a bordo de um carro da Brawn GP, o interlocutor perguntaria: "O que é Brawn GP?". Se soubesse que Brawn GP seria a sucessora da Honda, a incredulidade poderia dar lugar ao deboche.
Enquanto os supostos oponentes da Brawn se revezam (Red Bull, Toyota, agora Ferrari), a equipe de Button e Barrichello vai somando pontos. Uma lavada no Mundial de Construtores (86 pontos da Brawn contra 41 da Red Bull, 26,5 da Toyota e 17 da Ferrari). Ainda faltam onze corridas, mas nada, por enquanto, faz pensar que a Brawn possa ser ameaçada. E, Button, cinco em seis, deve rir por último bem antes do fim do campeonato.
Poucas horas depois da consagração de Button em Monte Carlo, o brasileiro Helio Castroneves viveu uma virada histórica. 37 dias após ser julgado inocente das acusações de sonegação de impostos nos Estados Unidos, Helinho venceu as 500 Milhas de Indianápolis pela terceira vez em sua carreira. Subiu no alambrado, como nas primeiras vezes, o que lhe rendeu o apelido de Homem Aranha, bebeu o tradicional leite da vitória (tenho certo nojinho dessa cena recorrente), e desabou no carro, chorando. Para quem já era dado como presidiário, por grande parte da imprensa, com a perspectiva de cumprir 35 anos no xadrez, foi mais que uma vitória. Foi uma verdadeira redenção.
Victor Martins fez uma excelente cobertura das 500 Milhas deste ano. Vale a pena visitar o blog do jovem repórter. As fotos deste post são de duas feras das lentes brasileiras. A de Button, do Luca Bassani. A de Helinho, do Beto Issa.












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