Saturday, October 13, 2007

Corintiana aposentada



Há exatos trinta anos, caí aos seus pés. Inexoravelmente, irremediavelmente, sofredora e maloqueiramente. Não fosse minha auto-estima tanta, teria até pena de mim mesma. Coitada, tão menina ainda, sete anos só, e já enlaçada desse jeito...

13 de outubro de 1977. Parece mesmo coisa de destino, mandiga ou sei lá. Morávamos na casa da minha avó, por uma daquelas circunstâncias da vida que nunca ficam bem explicadas. A avó ficou viúva e não queria sair da casa, mas também não queria ficar sozinha. Mudamos para lá. Era um casarão, coitado, que também já não existe mais. Pois eu fiquei sozinha na sala vendo o jogo, sozinha naquele casarão enorme. Meu pai, que acordava cedo e não torcia por você, foi dormir. Minha mãe o acompanhou. Meu irmão tinha só dois anos. Sobrei eu. Por quê?

Talvez porque eu já tivesse o dom de farejar notícia, coisa histórica, marcos indeléveis da humanidade. Ou porque sofria a influência determinante dos meus tios Edgar e Edson, este último já adulto, pai de família e sem nunca ter visto você campeão. Ou porque eu já me sabia com pendor inato para o masoquismo dos que te veneram. Fiquei e vi.

Vi aquela bola desgraçada que não entrava de jeito nenhum. Vi pela primeira vez o que é um bololô na área e vi quando a distinta finalmente achou o caminho da rede. Vi que o autor do gol se chamava Basílio, e achei graça porque era o mesmo nome do elefante do Érico Veríssimo, personagem principal do primeiro livro que li na vida, naquele mesmo ano. Viu? Eu tinha só sete anos e um único livro lido, e já estava fascinada por você.

Vi Dulcídio Wanderley Boschillia apitar o fim do jogo e vi a multidão invadir o campo. Vi a Polícia Militar fazer um cordão de isolamento e ir marchando pelo gramado, varrendo os loucos mais loucos que eu que atravessavam o campo de joelhos. Vi a taça ser erguida, vi minha mãe e meu pai descerem, acordados pelos fogos. Não vi, mas ouvi uns doidos passando pela rua, gritando algo que me soou altamente transviado, transgressor, além de pornográfico: “êta, êta, êta, pau no c... da Ponte Preta.”

Naquela noite, há trinta anos, você me capturou e estampou em mim o selo da fidelidade total. Uma fidelidade canina, que me fazia cada vez mais adorar você, seus símbolos, o branco e o preto, e cada vez mais rechaçar tudo o que não fosse você, especialmente qualquer coisa que tivesse verde. Passei anos sem ter uma única peça de roupa verde no guarda-roupa. Minha cozinha é preta e branca, minha sala de TV, também. Quando meu filho era bebê, no afã de incutir-lhe a mesma repulsa a seu maior rival, eu candidamente dizia a ele, enquanto trocava suas fraldas sujas de detritos sólidos: “Vamos tirar essa palmeirice do bumbum...”.

Não vou negar, tivemos momentos maravilhosos juntos. Depois da quebra do tabu, em 1977, a primeira conquista marcante foi o bicampeonato paulista, 1982/1983, com aquele time da “Democracia Corintiana”. Vínhamos, os brasileiros, do trauma da Copa da Espanha, e nós, corintianos, pelo menos nos redimimos com aquele título tão gostoso de ganhar, em cima do São Paulo, com bola no meio das pernas do goleiro e tudo. Sócrates, Casagrande, Wladimir, Zenon, Biro Biro...



A década de 1990 também nos foi próspera. Começou com o primeiro título brasileiro, também em cima do São Paulo, um campeonato de um homem só – Neto. Talvez seu título mais festejado por mim tenha sido o Paulista de 1995, em cima do Palmeiras, com a final disputada em Ribeirão Preto (e Branco?). Pouco depois, o bi brasileiro, uma vez em cima do Cruzeiro. A outra, do Atlético.

Tivemos, como em toda relação, fases menos felizes, por exemplo, as derrotas para nosso maior rival na Libertadores. Lembro também, com o peito apertado, da derrota na final do Paulista de 1987, para o São Paulo, depois de uma reação fulminante que nos levou da lanterna para o vice. Altos e baixos, normal, todo relacionamento longo tem disso.

O problema é que, nos últimos anos, começou a bater um cansaço, um desânimo e, pior, uma indisfarçável vergonha. São trinta anos de dedicação, sinto-me o funcionário exemplar que, ao final da carreira, percebe que deu mais do que recebeu. Talvez seja uma sensação reforçada pelos últimos e lamentáveis tempos. Não fico tão chateada por pensar que sua diretoria nos deixou sem time e sem títulos. Dói é saber que ela nos deixou sem argumentos. Não posso mais rebater acusações de que ganhamos roubado. Seu presidente admitiu isso, vou eu negar?

Talvez eu simplesmente esteja deslocada. Coisa de empregado antigo, cheio de lembranças e de certa melancolia. Não é que eu esteja com raiva de você, nem que vá mudar de time. Serei mesmo como o funcionário aposentado, que apenas não está mais no dia-a-dia da empresa. Pode me convidar para as datas especiais, compareço com o maior prazer. Mas, agora, vou descansar. Abro mão de assistir e/ou escutar todos os jogos, menos ainda vou me dedicar a discutir e argumentar em seu favor, onde quer que eu esteja. Não vou jogar fora o top que uso para treinar na academia, com seu escudo estampado no peito. Mas também não me nego mais a usar uma ou outra peça de roupa verde. Uma ou outra, porque também não é assim...

Trinta anos, Corinthians, e eu permaneci aqui, impávida, sofredora, maloqueira, fiel. Estou me aposentando, mas estarei por perto. Como acontece em muitas empresas, às vezes os velhinhos são chamados a retornar. Caso você arrume tudo por aí, pode me chamar, vamos conversar. Na mesa de negociação, não esqueça de apresentar a única coisa da qual não abro mão para voltar: sua dignidade.

25 comments:

Véio Gagá - BH said...

Clap, clap, clap, clap... Há tempos eu não comento, mas todos os dias passo aqui. Parabéns pelo texto. Também eu vivi aquele 13 de outubro de 77 e consolidei de vez minha paixão, tatuando em minha alma que sou, sempre fui e sempre serei, "Corinthiano, Maloqueiro e Sofredor" (graças a Deus!) Festejei a Democracia Corinthiana, sou eternamente grato ao Neto, sofri com o "Palmeiras Parmalat"(eles não conseguiriam nos vencer se não fosse o dinheiro da empresa - desonesta, acompanhamos os fatos - italiana), estive nos dois jogos em Ribeirão Preto, já daqui de BH me senti superior a Cruzeirenses e Atleticanos, comemorei o Mundial Interclubes Fifa (???). Ainda não comemorei uma Libertadores e tampouco um mundial do jeito que estamos acostumados. Mas como você, hoje sinto que fui traído por quem teve toda minha fidelidade. Sei perdoar, afinal quem ama perdoa. Mas a mágoa, ah esta demora a desparecer. O que me conforta é o a frase final que ouvi ontem no programa do ilustre Corinthiano Juca Kfouri, ratificado pelo não menos ilustre Corinthiano Celso Unzelte. É algo assim: "Todo time tem uma torcida. Os Corinthianos têm um time." E é precisamente por isso que sei que essa mágoa e essa vergonha vão passar e novamente seremos felizes para sempre, na tristeza (que nunca faltará) e nas poucas - mas plenas, transbordantes e entorpecentes - alegrias. Agora, quanto ao verde é bom evitar. Abração e parabéns a todos nós Corinthianos, Maloqueiros e Sofredores (graças a Deus!)

Ron Groo said...

Eu não tinha idade, e pelo que vejo hoje ainda não tenho 'bagagem' suficiente para entender o que é 'ser corinthiano'. São tantos e tantos os meus amigos, tão diferentes entre si (palestinos, israelenses) e todos unidos por esta paixão que é ser 'corinthiano'. Eu não costumo brincar com times de futebol, dada a intolerância de suas torcidas. Sou santista, assisto sempre que posso e vou ao estádio quando dá. Geralmente não dá. Este título, o de 77 é um marco. A perseverança do Basílio (meia boca ele, não?), a festa que se seguiu e segue até hoje. Incrível. Acho que é o unico clube que comemora um campeonato regional como se fosse a maior gloria de sua existencia. Viu, é por isto que digo que ainda terei de viver mais duas vidas para saber o que é 'ser corinthiano'. Sendo santista (que me orgulho) não dá!.
Ps. deixei uma resposta embaixo de seu comentário...

rafael duarte said...

Ola ola!

Tenho o mesmo sentimento que voce, Alessandra. Nasci em Porto Alegre, sendo eu e minha irma os unicos gauchos da familia. Colorado para contrariar meu irmao gremista, sempre tive paixao pelo Internacional.
Aos 13 anos de idade, nos mudamos pra SP, e por influencia do meu ate hoje primo predileto, passei a vestir a camisa preta e branca. Tenho dois times, fazer o que? Coisas da vida.
Mas a apatia diante da situacao corinthiana atualmente é dificil de negar. Vergonha, como voce mesma escreveu. A paixao esfriou, e creio que só voltara a esquentar com a volta da dignidade.

Voce falou (escreveu) tudo. Como sempre, textos nota A+.

Depois de uma semana de trabalho equino, volto entao com a prometida:

Update de Espanha!

Vamos sair um pouco do circuito das grandes publicacoes e tomar como fonte um jornal local da regiao aonde moro:

...............................

La Voz de Galicia

Principais manchetes:

- Scumacher se siente "honrado y encantado" por recibir el Premio Principe de Asturias.

O alemao ira receber o Premio Principe de Asturias diretamente das maos do Principe Felipe no proximo dia 26 de outubro no teatro Campoamor, em Oviedo.

- El diario "Bild" asegura que Alonso ha firmado tres años con Renault.

Segundo o Bild, Alonso ja assinou com a Renault. Eles descartam a possibilidade de o Espanhol seguir para a Ferrari por causa do Raikkonen, pois assim ele nao teria prioridades nem seria o #1 na equipe.

- Solo el asturiano repite motor en el trio de cabeza.

O periodico informa que, dentre os 3 candidatos ao titulo, Alonso sera o unico a correr com o mesmo motor. Raikkonen e Hamilton vao de motor novo a Interlagos. O periodico ressalta que isso nao vem a ser um problema, ja que o ritmo na prova de Shanghai nao foi tao forte por causa da chuva, e porque Alonso andou em um ritmo mais fraco por boa parte da prova enquanto estava atras do Massa.

O jornal informa ainda que o "The Guardian" vem tentando prejudicar a imagem de Alonso. Segundo eles, o periodico ingles vem publicando que Hamilton é o que tem mais direito de levar a taça, e que a pressao da decisao é toda de Alonso, e nao de Hamilton.

Bom, é isso... Imprensa espanhola cutucando a inglesa e vice versa, mas isso é mais do que normal. Tirei as informacoes diretamente do jornal (papel), entao por isso nao tenho a opiniao dos leitores quanto as mesmas (ainda bem...rs)

Abraco!

Marcus said...

Que texto lindo.

O que nos deixa tristes é que justamente no futebol, paixão nacional, as coisas não evoluíram e o povinho que faz o time ser o que é não tem voz nenhuma nas decisões.

Um time pode perder com dignidade, cair em pé. O mal do Corinthians não é a falta de dinheiro ou os jogadores fracos, mas essa gangue que não tem respeito por esses milhões de apaixonados.

Groo said...

Ah e pra terminar sobre seu comentário eu não poderia deixar passar esta:
Eu acho que este assunto é uma corrente, e coerentemente assino em baixo...
(genial este Chico)

Marcio Gaspar said...

o texto tá ótimo, alessandra, mas tenho que dizer o seguinte: se fosse na italia ou na espanha, o seu time já teria perdido oficialmente o título do brasileiro de 2005 e sido imediatamente rebaixado para a série B por pelo menos dois anos. é mais uma vergonha nacional que absoutamente ninguém (com exceção do j.kfouri, e mesmo assim timidamente) tenha levantado essa lebre... lamentável...

Celinho Boy said...

Maravilha de texto. Tenho pena de torcedoras e torcedores conscientes e sérios. Não tanto os que se devaneiaram com "supostos" títulos. E muito menos ainda com os cartolas e torcedores vestido de jornalistas imparciais. Tenho pena de pessoas que vão ao estádio na esperança de que a dignidade vai voltar ao seu time e pior que nem mesmo a bela e humilde dignidade aparece. Fico imaginando aquele torcedor que deixa de comer um almoço de domingo para ir ao Pacaembu ou qualquer outro estádio do Brasil para muitas vezes se sentar naquela arquibancada fria e muitas vezes fedida. E ainda com o vento úmido e aquela gároa que molha mais que muitos dilúvios. Talvez ocorra dilúvios para se reunir o que temos de bom para voltar a encarar a vida. Bahia, Grêmio, Palmeiras, Botafogo, Fluminense e inúmeros grandes times do futebol passaram por verdadeiras turbulências e muitas vezes passaram por elas. Mas em outros casos, eles não conseguiram e caíram. Muitos tiveram suas vidas modificadas para sempre. Positiva ou negativamente. E aqueles que ganharam asas com força externa ou com as próprias forças.
Hoje, no dia da grande conquista corintiana, me lembro também que o tricolor também passou a agonia de 8 títulos para seu maior rival. Sempre que me lembro do Basílio fazendo o gol para mais de 120 mil pessoas, me lembro do Catimba saindo do campo machucado depois de tentar um salto mortal após marcar o gol dourado. Só que sou de 1979.
Alessandra, também passei por esta agonia por 3 anos consecutivos, seja para fugir, seja para voltar.
Será que uma invencibilidade de 3 jogos paga a dignidade de algum torcedor? Abraços.
PS - Tua Lusa veceu de novo e voltou ao G-4 da Série B. To torceno por ela por causa tua, pode?

João Carlos said...

E a Xenofobia, pode?

Vi muito estardalhaço quanto ao racismo dos espanhóis... mas e a xenofobia dos ingleses? Perdoada? Aliás, sabem que anda acontecendo?

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O site "Grandprix.com", um dos maiores e melhores em termos de F1, que anda dizendo coisas como: "The Spaniard", ao invés de "Spanish". E Spaniard está para spanish assim como nigger para black, só p'ra constar.

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Agora alguns coentários em vídeos do youtube:

No vídeo com a narração da TV espanhola no GP da China, ao abandono de Hamilton:


winekrush (2 weeks ago) said:

FERNANDO + SPAIN = FAG


tomamadaca (14 hours ago) said:

spanish people are so sick!


adgta (3 days ago) said:

Eh up, it's another one from the stupid spaniards.


Nobodywantsme (3 days ago) said:

these three commentators are idiots with no idea of commenting... two are mute and the third is Alonso's particular cocksucker.

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No video com as imagens dos treinos na Hungria:


deathcon15 (2 months ago) said:

10 bad habits of a Spanish

1: don't show intelligence
2: selfish
3: arrogant
4: don't know what is right and wrong? they're no human!
5: talk too fast, but think too slow!
6: racist
7: always ignorant
8: cheating is in there Genes!
9: they can't stop sticking dildo's up their ass crack
10: 99% of Spain's people are mentally retarded except
their monkey's ;p.

Lewis New world champ... Alonso= f1's little jealous bitch.

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E aí? Xenofobia é diferente de racismo? É Aceitável?

Espero que não...

rafael duarte said...

Poxa Joao Carlos...

Pegaram pesado hein? Mas somemte te corrigindo em uma coisa: Spanish and Spaniard tem o mesmo significado. Nao eh nada pejorativo nao. A diferenca eh que "spanish" eh mais usado no sentido coletivo ou em coisas referentes ao Pais, enquanto "spaniard" eh mais usado para descrever determinado individuo... Vai ai o "tira-teima":

Spanish:
–adjective 1. of or pertaining to Spain, its people, or their language.
–noun 2. the Spanish people collectively.

Spaniard:
–noun a native or inhabitant of Spain.

Mas agora sobre o resto... Poxa, aonde voce leu isso? Como minha avo dis: "Benza Deus"!!!

Abraco!

Alessandra Alves said...

véio gagá: que alegria tê-lo de volta! sinto que parte dos leitores deste blog não se interessam tanto pelos temas da fórmula 1, e prometo a vocês que, passado o gp do brasil, no próximo domingo, retomo outros assuntos com mais freqüência. é um compromisso!

puxa, véio, você me deu uma saudável inveja, pois se há um jogo que eu gostaria de ter visto in loco é aquela final de 95! de virada, então, que sofrimento maravilhoso (olha o masoquismo aqui...). meu sentimento em relação ao corinthians é exatamente esse que você descreveu. sei que não vou apagá-lo da minha memória, do meu coração. por isso resolvi me aposentar, não abdicar por completo. aposentados podem voltar à ativa, né?

quanto ao querido amigo celso unzelte, é sem dúvida o jornalista que mais entende da história do futebol brasileiro. queria vê-lo presidente do corinthians, depois que o olivetto cumprisse uns dois mandatos e entregasse a casa arrumada para ele. pensou?

véio, e a sofia, como está?

ron groo: puxa, rapaz, mas que rasgo de honestidade tão raro de se ver! fiquei comovida com a sua colocação, porque não é comum ver torcedores de outros times tratar o corinthians de outra forma que não seja o desdém ou o desrespeito puro. entendo que seu comentário não é exatamente sobre o corinthians, mas sobre ser corintiano, o que são coisas bem diferentes. outro dia, eu estava conversando com o locutor oscar ulisses, da globo, e ele me perguntou se, além de fórmula 1, eu gostava de futebol. eu disse que sim, muito, apesar de ser corintiana. e ele falou o seguinte: "mas corinthians não tem nada a ver com futebol". foi uma evidente tirada de sarro, mas fiz outra leitura. essa paixão fiel que acomete os sofredores como eu não tem necessariamente a ver com o que acontece no gramado, muito menos com a bandalheira dos bastidores. é uma fidelidade a princípios e conceitos, como superação, amor incondicional...

rafael: caramba, e como ficou seu coração naquele brasileiro de 2005? eu tenho grandes reservas contra os dois times mais famosos do sul, justamente pelas derrotas que aplicaram ao corinthians. especialmente o brasileiro de 76, no caso do inter (que não vi, mas li depois e doeu mesmo assim), e, no caso do grêmio, pelo período dos anos 90, com felipão ao comando.

obrigada pelas informações da imprensa espanhola. schumacher agora será príncipe aí, é? segura o alemão!

marcus: obrigada, amigo. é justamente por causa dessa gente que peguei o boné...

groo: e eu comentei em cima do seu comentário!
"só mesmo embriagado ou muito louco, pra contestar ou pra botar defeito".

marcio: não vou contestar nada do que você escreveu. se o corinthians tivesse a dignidade de entregar o título de 2005 eu talvez pensasse duas vezes em relação à aposentadoria. é a vergonha que me empurra para longe do timão.

celinho boy: às vezes eu penso se um estágio na segundona faria bem ao corinthians. sinceramente, duvido. os coitados que vendem o almoço para pagar o jantar continuariam indo atrás do time, para vê-lo jogar com marília ou vitória, mas a bandalheira continuaria a mesma. pelo menos neste panorama atual... e viva a lusa! ai, jesus...

joão carlos: nojo e tristeza são as palavras que me vêm à mente diante desse tipo de manifestação, seja racista ou xenófoba. para mim, sinceramente, tanto faz. são abjetas do mesmo jeito. eu não tinha tido acesso a esses conteúdos, agradeço muito. como escrevi na coluna do gptotal, qualquer radicalismo turva a visão. pior ainda quando o exemplo vem dos chamados formadores de opinião, que arrastam as massas em reações destemperadas. eu já disse porque acho que nem hamilton nem alonso merecem ser campeões, e minha postura não tem nada de pessoal contra um ou contra outro, mas contra o fato de que a mclaren, equipe de ambos, foi flagrada em atitude anti-ética e anti-desportiva, ficando tudo por isso mesmo (ou quase, porque a punição à equipe foi pouco mais que uma piada).

particularmente, eu acho alonso o melhor piloto da atualidade. torço para que ele permaneça na fórmula 1 por muitos anos e que solidifique de vez o automobilismo na espanha. mas, neste ano, diante de tudo o que aconteceu, continuo achando que a mclaren não merece levar esse título de pilotos. é só uma opinião, lembre-se, a minha opinião.

rafael: obrigada pelas definições.

João Carlos said...

Valeu, Rafael. Eu achei que "Spaniard" era pejorativo, pois o número de referências a Alonso dessa maneira é excessivamente menor do que "Spanish", e só em casos muito particulares. E, como num dos comentários que reproduzi, foi usado justamente junto ao "stupid"... Então, pensei ser pejorativo. Mas não é, e te agradeço pela correção. Eu li isso em vídeos do youtube, nos comentários...

Bem, minha intenção ao mostrar isso foi somente mostrar que o preconceito/ódio não é unilateral. Não quis defender os espanhóis quanto às suas atitudes, de modo nenhum. Só que não pareça que os ingleses são vítimas. Os jornais (tanto MArca/ As, ou The Guardian/The Sun/etc) estão incitando a isso, de maneira sutil e implícita. Sempre aquela "Notinha desfavorável", o "disse que disse que disse..." fomenta esse tipo de coisa. A gente sabe como é...

Mas "all-in-all", eu estou torcendo pelo Alonso, e acho que o título dele seria merecido sim. Tudo bem que a punição da McLaren foi brincadeirinha de criança, mas acho que o calvário dele dentro da euqipe já está sendo suficiente. E ele, de fato, é o melhor piloto. Lembro de sua coluna apostando nele já ano passado. Acho que a McLaren se beneficiou muito mais dele do que das informações da Ferrari...

Vamos aguardar.

Abraços!

Herik said...

Mais uma vez, belo texto.
Acho que o que acontece hoje com o Corinthians - e com o futebol em geral - é o mesmo fenômeno que ocorre na F1. Dinheiro, marketing, negócios, empresas... tudo acima do esporte. E quando os valores que prevalecem são os do vil metal e do poder acabam acontecendo os "vale-tudo" da vida.
Quanto ao Corinthians em si, lembro de um acontecimento lemantável que ocorreu em 97, salvo engano. O "timão" estava na rabeira do Brasileirão - junto com o Cruzeiro - e foi jogar contra o Goiás no Serra Dourada precisando da vitória. Caso contrário, cairia. E o que se viu foi um espetáculo grotesco, com o time verde andando em campo e entregando, literaalmente, o jogo. Lembro que o Juca Kfouri disse que não foi marmelada, foi "goiasbada".
Esse foi um caso de um verde que ajudou seu Corinthians.
Abração.

Diego said...

Esse era um jogo que gostaria de ter visto ao vivo, no campo ou na TV, tanto faz. Nasci 7 anos depois, e só vi esse jogo em VT há 2 ou 3 anos atrás.

Em relação ao Corinthians atual, não sei se são essas palhaçadas dos dirigentes ou se estou ficando velho mesmo, o Corinthians não me comove mais como me comovia a 5 anos atrás, queria assistir todos os jogos, e hoje, tanto faz se eu vi ou não, prefiro ver outras coisas ou fazer outras coisas, não me importo em não assistir o jogo. Acho que perdi um pouco da paixão pelo Corinthians que eu tinha quando era garoto. Quando vejo Andrés Sanchez, defensor da MSI e amigo de Kia, Dualib e companhia falando do Corinthians, sinto certo nojo. É muita coisa errada. Quando era criança, pedia pra minha mãe de aniversário camisa do Corinthians ou bola com o símbolo de Corinthians, em vez de brinquedo ou outra coisa. Hoje, não gasto um centavo pra comprar camisa (que são caras) ou outras coisas em relação ao Corinthians. Ajudar esses bandidos nem pensar.

Valeria said...

Alessandra, quando tinha 10 anos de idade, e vi esse jogo, fiquei feliz da vida.
Hoje o Corinthians joga e fico indiferente. Ele provavelmente irá pra segundona, e isso não me deixa mal.
Desde o título de 2005 que não sinto orgulho do Corinthians. Seu Dualib finalmente conseguiu o que parecia impossível: fazer a torcida corintiana se sentir envergonhada.
Mas, como a gente pode mudar tudo, menos de time, serei eternamente corintiana, sofredora e maloqueira.

Véio Gagá - BH said...

Alê, estive sumido mesmo, mas dos comentários. Seu blog está nos meus favoritos e o leio absolutamente todos os dias. Só deixei de comentar um pouco, mas sempre me divirto, reflito e viajo com seu texto. Não deixe de escrever sobre F1, afinal foi assim que a conheci e seus comentários sempre ponderados, apaixonados não por um ou outro, mas pelo esporte e pelos esportistas da elite do automobilismo estão sem dúvida entre os melhores dos blogs e sites sobre o assunto. A Sofia está linda! A cada dia uma surpresa. Beijo em você e na sua família.

Lolo said...

Estarrecido. Foi assim que me senti lendo o seu texto, belíssimo e coerente por sinal, Alê. Mas sinto-me no direito de comentá-lo sem ao menos ter passado os olhos nos outros posts.

É preciso definir um paradoxo inevitável com raízes na gênese do futebol brasileiro (e mundial, em menor escala). A dicotomia entre clube e time assentam-se desde os primórdios deste esporte nas plagas brasileiras.

Quem está em crise moral? O time e os torcedores ou o clube com seus dirigentes? Eu, assim como você e tantos outros torcedores sem carteirinha, pouco se interessam pelas piscinas, quadra de esportes ou até mesmo pelo nosso estádio que nunca saiu do papel. Nossa missão sempre foi torcer com o pior dos times pela vitória do alvinegro. Já vi muitos pernas-de-pau passarem pelo nosso time e nem assim deixei de celebrar uma vitória frente ao time do Parque Antarctica ou do Morumbi.

O momento é ruim, sim. A dignidade está abalada, sim. É fato! É decepcionante assisitir a um jogo, com certeza. Mas acho que o epíteto Fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, ainda devem prevalecer para quem ainda ama esse time - estou falando do time e não do clube.

Compreensível dizer que não há mais emoção, que os tempos são outros, que o Corínthians não é mais aquele... Mas é bom não nos esquecermos que um escrete fundado por operários, sapateiros e comerciantes, em 1910, foi um dos primeiros a romper com a hegemonia racial em suas equipes. O mesmo time (ou clube) que não aceitou compactuar com as políticas fascistas européias. Foi o time que gerou a primeira torcida organizada do país em plena ditadura. Que elegeu um sociólogo para presidente vinte anos antes de FHC (rsrs), que investiu nas Diretas Já através da Democracia Corintiana. Que se tornou o primeiro Campeão Mundial da FIFA.

Visionário ou premonitório quem sabe, também foi o primeiro a despontar com os grandes esquemas de corrupção do futebol mundial, para nossa infelicidade e vergonha.

A visibilidade da cafajestagem é uma mancha sim, mas será que vai ficar para sempre? Acredito nas pessoas de bem que um dia hão de trazer a dignidade de volta. Perder nunca foi problema para nós, masoquistas profissionais, diferentemente da indignidade que nos atormenta.

Todos andamos meio desencantados sim. Mas tenhamos em mente que uma história de quase 100 anos não pode se resumir aos últimos três, nem aos tinta que a nobre articulista pontua. Seria como deixar na hora em que mais precisa o amante à moda antiga e que ainda entrega flores, por ter chegado aos 97 anos de idade e Alzheimer porque apareceu com uma mancha de batom no colarinho.

Estou envergonhado também, mas acho que estamos nos sentindo muito mais assim por nossa própria consciência que pelo dedo inquisdor de nossos adversários.

Que o Corínthians nos honre sempre. É por isso que, não à toa, somos chamados de a Fiel Torcida.

Boa aposentadoria, Lelê!

Fernando de Lucena said...

Um belo texto! São belas as histórias de como alguem enlaçou a um time. Eu, Sãopaulino por admirar a camisa pendurada no varal.

É lamentável o que passa o Corinthians, mas aqui em Salvador, não poderia deixar de observar - Imagine o que não tem passado por longos anos a torcida do Bahia...

Mauro Chazanas said...

Alessandra, sempre fui Santos, não sei a razão. Mas, e isso talvez tire o prazer de torcedoras adversárias, torcedores adversários, não torço "contra" ninguém, torço a favor do Santos. E gostaria de ver o Corinthians, sem mutreta, campeão da Libertadores. Gostaria mesmo. Dois entre tantos motivos:1) Morumbi, rodada dupla (é, gente, tinha isso, e com um time grande pelo menos em cada jogo, acreditam?). O meu Santos já havia jogado, ficamos eu e meu pai para ver o jogo do Corinthians. Lembro-me que naquele tempo eu dava a volta inteirinha no estádio com meu uniforme e com a bandeira (é, pessoal, sem acontecer nada, acreditam? Era, já foi, assim). O Corinthians vinha ruim mas naquela tarde de domingo estava especialmente horrível, tinha levado dois do adversário que não me lembro quem era e perigava tomar o terceiro. Cheguei perto de um senhor, talvez de seus setenta anos, me diz a memória, e dois lances das arquibancadas pra baixo - naquele ponto do estádio só tinha eles - dois jovens, sem camiseta mas com a bandeira. Os dois ficaram irritados com um lance do ataque e jogaram a bandeira no chão e iam pisar. Tarde fria de domingo, pré-garoa, o vanto batia na alma. A voz daquele senhor ate hoje ecoa em mim: "Zifio, faz isso não. Timão, zifio, timão". Até hoje me arrepia aquele tom de dignidade, adevertência sóbria, admoestação, súplica, respeito mais que ao time, ao símbolo, à paixão, à história, ao Timão. 2) Meu pai, são paulino fanático, me contando há uns quinze anos que lá pelos anos 40 sentiu-se mal no Pacaembu, Corinthians x São Paulo, teve quase um desmaio e ficou deitado. Foi levado pro serviço médico do Estádio, onde foi tratado. Quem o levou? Membros da torcida corintiana. Como não gostar de voces? Como não respeitar voces? Brinco, tento falar coisas engraçadas sobre o Corinthians, mas, que nem escreveu o Erasmo Carlos, "do fundo do meu coração", um beijo pra torcida corintiana. E, em sua homenagem, Corinthians, torcida e torcedora Alessandra, "J'attendrai", com Rina Kettty.

Anonymous said...

Alessandra, legal essa devoção e amor que você tem pelo seu timão tão bem traduzidos nesse texto impecável. Confesso que, mesmo sendo tricolor do Morumbi desde pequeno como você, prefereria ver o seu time em outra situação, afinal, ele é parte integrante da história do futebol paulista de tantas e tantas glórias. Pelo menos resta a solidariedade que deve existir entre esportistas. Bola pra frente! Saudações tricolores. Ed/Bsb

Speed Arosi said...

Sentimentos tais como, amor ou ódio, paixão ou desilusão, sentimentos que aparecem e as vezes desaparecem de nossas vidas, mas estão ali, são sentimentos, que vc de forma pura expõe aqui.
Obrigado por me fazer lembrar que eles existem. Seja no futebol, seja na corrida a pé, seja na corrida de carro, seja em qualquer esporte, são os sentimentos que nos levam a viver o esporte e nossa vida. Mais uma vez, obrigado

Anselmo / São Bernardo do Campo

Anonymous said...

Nada de aposentadoria!
Tire ferias ,o simbolo ,o nome a historia continuaram vivos para sempre ,enquanto as pessoas que passam por lá ,essas sim ,são passageiras ,principalmente as negativas.
Chorei muito em 77 ,essa lembrança boa ninguém me tira ,esperei 19 anos para ver a Ferrai ser campeã novamente.
Ainda acho que vale a pena.

Obs:Vendo a foto de 77 ,lembrei do Russo ,que tinha um grande amor pelo time ,adorava ver sua forma de comemorar um gol ,mandando beijos para a torcida.
Este estará sempre no coração dos corintianos .
Um tipo de Regazzoni para os Ferraristas.

Jonny'O

Julyana Travaglia said...

Estou (ainda bem) bastante longe de ser corintiana. Mas não tem como não bater palmas para esse texto. Demais!

Ive said...

Muito bom o texto, msm sendo são paulina!!!!

Posso deixar um aviso??? `ra vc e para os leitores que vão na GP Brasil, fiquei sabendo que tá rolando o I Festival de Areia em Sampa. Um dos artistas esculpiu carros de F1, pilotos, pneus.. Vale muito a pena ir! Será na msm data do GP, na avenida interlagos, Domínio Marajoara (Jardim Marajoara), até dia 21 de outubro. Vale a pena passear por lá e relaxar antes do clima tenso que estará no autódromo!

Beijos, Ive (ivegodoy@gmail.com)

Celinho Boy said...

Alessandra, falando em glórias corintianas, não deverias esquecer daquele paulistão de 2001 em que vcs estavam na lanterna e depois começaram a ganhar jogo atrás de jogo e chegar a final do paulistão e da Copa do Brasil. Isso sem falar que os colorados desde 1995 nos corneteiam por causa daquele gol do Marcelinho Carioca e o implacácel Célio Silva, campeã pelo arquirival 3 anos antes num penal duvidoso e no meio do gol.

Alessandra, me corrige se estou errado, mas o timão não teve que disputar a Taça de Prata de 1982, pois não se classificou no Paulistão. A tal taça seria uma espécie de segundona da época. Os campeões disputavam a Taça de Ouro do ano seguinte. Mas no ano de 82 eles mudaram a regra e os melhores já disputavam na fase decisiva da Taça de Ouro. Se for assim, o Timão foi longe. Foi semifinalista, sendo derrotado pelo Grêmio. E no mesmo ano se sagrou campeão paulista.

Sobre as manifestações racistas por parte dos ingleses. Também condenáveis. Beijos Alessandra

Adriana said...

Adorei o lance do Festival de Areia, um programa super diferente!