Monday, September 29, 2008
A queda do império
Mais do que uma trapalhada, o erro da Ferrari no pit stop de Felipe Massa revela uma equipe em decadência. Esta é a minha opinião, em detalhes no GPTotal. E a sua, qual é?
Saturday, September 27, 2008
Adeus, Doc Hudson

Paul Newman gostava tanto de corridas que tornou-se até dono de uma equipe, na Fórmula Indy. Mais: participou de corridas como piloto, como está bem descrito aqui, no texto de quem mais entende desse negócio de corridas.
Símbolo de beleza masculina para a geração da minha mãe, Paul Newman era, para mim, um belo senhor de olhos azuis que sempre me divertia em suas entrevistas, com um mau humor delicioso, como aconteceu uma vez no talk show de David Letterman, outro apaixonado por automobilismo.
Desde 2006, na minha casa, Paul Newman passou a ser simplesmente a voz de Doc Hudson, talvez o personagem mais mítico do filme "Carros", protagonista da cena que mais me emocionou no filme, quando o veterano carro de corridas retorna a um circuito depois de muitos anos e é ovacionado pela platéia. Quando "Carros" foi lançado, lembro de ter dito que nenhum outro ator poderia ter feito a voz do velho Hudson Hornett. Se fizerem continuação, vai ser difícil substituir.
RIP, Doc Hudson.
Friday, September 26, 2008
Cidade-estado

Malásia, Turquia, China, Bahrein. Depois de fincar sua bandeira, nos últimos anos, em países que nunca tinha recebido provas de Fórmula 1, a categoria chegou neste final de semana a Cingapura. De todos, foi o que me despertou maior curiosidade.
Ler sobre Cingapura me fez voltar aos tempos de colégio, quando o termo cidade-estado era mencionado no capítulo da Grécia Antiga. Mas, hoje, a denominação de Cingapura como cidade-estado está relacionada ao fato de que ela, a cidade, é ao mesmo tempo todo o país. Um país minúsculo encravado na Malásia, com alto nível de desenvolvimento econômico.
Para não ficar só na base do Google, fui buscar informações junto a quem conheceu o país recentemente. Meu amigo Geraldo Caldeira, médico especialista em Reprodução Humana, esteve no país para o Congresso Mundial de Ginecologia e Obstetrícia do ano passado. Na época, contou-me sobre a viagem e resolvi retomar suas impressões sobre o lugar.
Impressionado é pouco para descrever dr. Geraldo quando voltou da viagem. Começou pelo aeroporto, um dos maiores do mundo. Achou que o número do portão estava errado na passagem - A80. "Não é possível, deve ser 8, ou 18". Era 80 mesmo. Imagina a singeleza do lugar.
Ao sair pelas ruas, novo espanto. Cingapura foi colônia inglesa até a metade do século passado, por isso conserva a mão de direção trocada nas ruas e nos volantes dos veículos. Outro dado impressionante para o médico foi a limpeza do país. Lá, a lei impõe multas pesadíssimas a quem jogar sujeira na rua. O mesmo vale para qualquer tipo de vandalismo.
Ele comentou uma história muito popular no país sobre o tema. Um norte-americano foi pego pixando um muro e recebeu como pena levar vinte chibatadas em praça pública. O presidente dos EUA à época, Bill Clinton, interveio em favor do compatriota, alegando que esse tipo de gesto era comum no Ocidente, visto como liberdade de expressão. As autoridades do país torceram o nariz mas atenderam o ex-presidente. Diminuíram a pena do cabra para apenas dez chibatas. E deportaram-no na seqüência!
Meu querido Luis Fernando Ramos, o Ico, que está em Cingapura, cobrindo in loco pelo sistema Band de rádio e pelo jornal Lance! que se cuide...
Wednesday, September 24, 2008
Só falta ver Deus

Desde seus tempos de GP2, sempre gostei de Lewis Hamilton. Sua estréia na Fórmula 1 foi acachapante, principalmente por desempenhos como no GP do Japão, sob chuva intensa, e pela regularidade entre os primeiros colocados ao longo de quase todo o campeonato. É certo que ele parecia favorecido dentro da equipe e mesmo fora dela, com decisões algo questionáveis de uma Fórmula 1 que se mostrava, como eu mesma, encantada pelo ímpeto do rapaz.
Na polêmica acerca da ultrapassagem sobre Raikkonen, na Bélgica, alinhei-me junto dos que consideraram injusta a punição. Eu, Lauda, Emerson e outros achamos que sim, Hamilton levou vantagem, mas devolveu a posição, o que deveria, na nossa opinião, encerrar o assunto.
Mas eis que a McLaren apela da decisão, a FIA convoca uma audiência, Hamilton vai depor e se sai com a seguinte frase, em um bate-boca com um dos advogados da Ferrari: "Sou piloto desde os oito anos de idade e sei muito bem como ultrapassar, e é por isso que sou o melhor no que faço."
Penso que auto-confiança é um ingrediente fundamental do sucesso. Só é vitorioso quem, antes de tudo, se considera capaz. Acreditar que é o melhor, invencível, insuperável por ser um combustível poderoso, mas entre acreditar nisso e apregoar isso, ultrapassa-se o limite da auto-confiança para a arrogância.
A conduta de Hamilton, dentro e fora da pista, muitas vezes tem suscitado comparações com Ayrton Senna. E esse tipo de reação, que me perdoem os sennistas radicais, também os aproxima. Senna também se considerava o melhor, ungido por Deus para ser campeão de tudo e reagia a toda derrota como se fosse uma grande injustiça, uma cena fora do script divino.
Se o inglês continuar seguindo a mesma cartilha, vai acabar vendo Deus em alguma saída de curva logo, logo.
Tuesday, September 23, 2008
Ela é Barbara
Não era sem tempo! A jornalista Barbara Gancia tem agora seu blog, com suas tiradas venenosas, sua antena ligadíssima e várias referências à Fórmula 1. Já pra lá, moçada!
Monday, September 22, 2008
Massa mudou
Em 26 de março deste ano, eu disse que não acreditava em Massa. E agora? O que eu digo? Quer saber? Vai até o GPTotal, e depois comente.
Monday, September 15, 2008
Não é, mas parece

Antes de qualquer coisa, quero pedir desculpas aos leitores deste blog pela negligência nos últimos tempos. O excesso de trabalho, basicamente, não permitiu que eu desse a atenção merecida nem à produção de novos posts, nem às respostas aos comentários. Vou tentar compensar nos próximos dias.
Começo fazendo algo que há muito eu não fazia - escrever sobre música.
A idéia é inaugurar uma nova seção - "Não é, mas parece" - comparando músicas de certos artistas que parecem feitas por outros. Vamos ver como rola, podendo estender o conceito também para outras formas de manifestação cultural - livros, por exemplo.
Inauguro a seção - já convidando os leitores a comentar e acrescentar à vontade - falando sobre... The Beatles!
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Antigamente - e quando digo antigamente estou me referindo a séculos atrás - era comum artistas consagrados assinarem obras de seus pupilos, como prova do bom trabalho feito pelos jovens aprendizes. Quem assistiu ao filme Camille Claudel há de se lembrar com que afinco a bela aluna perseguiu a honra de ter uma peça sua assinada pelo professor, Auguste Rodin. (É certo que ela também queria que ele "deixasse sua marca" em vários outros sentidos, e acabou ficando lelé por causa do gênio, mas isso é outra história.)
Nos tempos modernos, tal hábito não se mantém, mas há autores reconhecidos como geniais que talvez sentissem orgulho em assinar obras de artistas que os sucederam. Selecionei duas músicas, compostas por dois grupos diferente, e em épocas muito distintas, que revelam, na minha opinião, fortíssima influência dos Beatles. Lennon & McCartney, aliás, continuam se espalhando por obras diversas nos últimos quarenta anos. As duas selecionadas servem mais como pontapé inicial, e foram escolhidas justamente por virem de grupos tão diferentes entre si.
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Virgínia - Mutantes
Quase contemporânea dos Beatles (a música foi lançada em 1971, no ano seguinte ao fim do quarteto inglês), Virgínia tem tudo de Beatles - a melodia lembra, levemente, "Martha, my dear". A letra, inspirada na irmã de Rita Lee, a própria Virginia, tem a melancolia das "silly love songs" dos primeiros anos. E o arranjo, de Rogerio Duprat, incorpora os naipes de metal que os Beatles começaram a usar depois de Sgt. Pepper´s. Um detalhe curioso sobre o lançamento desta canção: a primeira gravação aconteceu em Paris, em 1970, para o disco "Technicolor", com letra em inglês. O disco não foi lançado na época, permanecendo inédito até o ano 2000. Na volta ao Brasil, os Mutantes capturaram algumas músicas gravadas em Paris e as lançaram no álbum "Jardim Elétrico" (a própria Technicolor, El justiciero e também Virginia, gravada dessa vez em português). Na letra em português, há a seguinte menção: "eu me lembro de janeiro, quando o sol me deu você". Vertendo-a para o inglês, Arnaldo, Sergio e Rita tiveram o cuidado de adaptar o conteúdo à estação do ano, e o verso ficou assim: "I remember January, when the sky was gray and cloudy" (ou seja, "eu me lembro de janeiro, quando o céu estava cinzento e nublado"). Como descendente de norte-americanos e fluente em inglês desde a infância, desconfio que a sacada da letra em inglês foi toda da dona Rita. Entre 2006 e 2007, quando voltaram a se apresentar juntos, sem Rita, os Mutantes sempre incluíam Virginia em seus shows, cantando-a de um jeito bem simpático, na maioria das vezes - mesclando a letra em inglês com a letra em português.
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Stuck in a moment you can´t get out of - U2
A banda irlandesa U2 nem está entre as mais comparadas aos Beatles. Nos tempos mais recentes, o cetro sem dúvida iria para o Oasis, nem tanto pelo que se assemelham aos Fab4, mas pelo que querem parecer (ui, que maldade!). O U2 tem personalidade própria e, ao longo dos últimos 25 anos, sempre soube se reinventar, inclusive arriscando em sonoridades por vezes estranhas - como fizerm em "Achtung Baby", disco de 1991 cheio de dissonâncias. Em 2000, lançaram o álbum "All that you can´t leave behind", com megasucessos como "Beautiful Day" e "Walk on", além dessa "Stuck in a moment you can´t get out of" que, na minha opinião, não faria feio se estivesse, por exemplo, entre as canções de "Let it be", dos Beatles. Bono talvez nem tenha tido a intenção, mas quando pronuncia frases como "I never thought you were a fool, but darling, look at you", praticamente revive John Lennon e seus conselhos edificantes.
Agora, é com vocês. Que músicas de outros artistas poderiam ser "assinadas" pelos Beatles?
Sunday, September 14, 2008
O futuro chegou

A primeira vitória de Sebastian Vettel na Fórmula 1, hoje, no GP da Itália, foi o prenúncio de uma carreira de títulos e recordes. Não tenho receio em fazer tal afirmação.
Como eu disse na transmissão da Band News/Bandeirantes AM, piloto bom chega "chegando". Nestes quase 25 anos de Fórmula 1, primeiro como espectadora e, depois, como jornalista, vi isso outras vezes. Poucas vezes. Vi Ayrton Senna, Michael Schumacher, Lewis Hamilton. O inglês, diga-se, beneficia-se de ter estreado por uma equipe de ponta. Senna, Schumacher e Vettel vieram do fundo do grid e não tomaram conhecimento dos medalhões.
O bônus de Vettel, sobre Senna e Schumacher, é sua extrema simpatia, sua alegria em correr. Senna e Schumacher, cada um a seu jeito, pareciam soldados carregando o fardo de vencer a qualquer custo. Vettel não parece carregar fardo nenhum. Em sua primeira vitória, expressava apenas felicidade. Nesse aspecto, aproxima-se muito mais de Valentino Rossi.
Para o campeonato, o GP da Itália foi excelente. Hamilton e Felipe Massa à frente, separados apenas por um ponto. Hamilton, comendo adversários impiedosamente na pista de Monza, saltando de 15º na largada para sétimo, no final. Massa, sexto no grid, sexto na chegada, fez o que lhe bastava para se manter vivo na luta. Chegou à frente de Hamilton. Em resumo, e as palavras são dele, pilotou mais uma vez como "um bundão". Vejo a cautela de Massa como sinal de amadurecimento. Sua natureza é a do piloto rápido, pé pesado, arrojado. Pilotar como um bundão deve estar lhe doendo na alma, mas perder o título por afobação certamente doeria mais.
No pódio, ao lado de Vettel, outros dois bundões - Kovalainen e Kubica. Sem espetáculo, sem erro. A Fórmula 1, afinal, já consagrou diversos bundões - Alain Prost como o maior deles. Não é mau negócio, portanto, ter traseiro grande nesse mundo em que é preciso pedir desculpas por quase toda ultrapassagem.
Monday, September 08, 2008
O bom e o marvado
O sujeito chega à briga de galo e pergunta ao caipira: "Qual desses aí é o bom?" O caipira aponta um dos galos e o sujeito aposta no bicho indicado, que leva uma sova de dar dó. Terminada a luta, o bacana vai se queixar com o caipira. "Você me falou que esse era o bom!", ao que o caipira responde: "Pois é. O bom é esse. O outro é o marvado." Quem seria o galo marvado da Fórmula 1 atual? No GPTotal, minha análise do GP da Bélgica. Vai lá, vai.
Tuesday, September 02, 2008
No mundo do Lua
Já está no ar o programa que gravei para a RaceTV, com o simpático Carlos Cintra Mauro, o Lua. É só acessar aqui e me ver lá. Para quem não tem cadastro na RaceTV, é rapidinho. E daí você já fica com acesso para assistir a vários programas legais desse canal de corridas pela internet. Vai lá, vai.
Friday, August 29, 2008
Phil Hill 1927-2008
Morreu ontem o campeão mundial de Fórmula 1 de 1961, o norte-americano Phil Hill. Como forma de homenageá-lo, o GPTotal republica hoje uma coluna minha chamada "Tim Randolhp não gosta de Grand Prix". Para quem leu o texto original, para quem está chegando agora, a caixa de comentários está aberta, como sempre.
Friday, August 22, 2008
Menina de ouro

O título não é original, mas a façanha de Maurren Maggi, sim. A primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha de ouro em esporte individual em uma Olimpíada.
Gosto de mulheres pioneiras. Gosto de pessoas que superam situações adversas, seguram barras pesadas, que escolhem o caminho mais difícil, porém mais efetivo, para suas grandes conquistas.
Parabéns, Maurren!
Sunday, August 17, 2008
Gente que corre
Não é que a Olimpíada de Pequim não tenha me empolgado até agora. Esporte na TV é algo que sempre me atrai e, apesar do fuso horário complicado, até que vi bastante coisa desses Jogos Olímpicos disputados na China. Antes de começar o evento, cheguei a me perguntar se eu torceria contra ou a favor da quebra do recorde de Mark Spitz, pelo fenômeno Michael Phelps.
Por um lado, eu não gostaria que a o único marco positivo da Olimpíada de Munique fosse superado. Afinal, Munique sobreviveu na memória coletiva pelo recorde de Spitz e pelo atentado contra os atletas israelenses. Agora, sobra o atentado. Por outro lado, confesso, gosto de ser testemunha de fatos históricos. Sempre acho que vi ao vivo pouca coisa realmente interessante, e acho que esta impressão persiste apenas, e sobretudo, porque não vi Pelé jogar. Então, se é Phelps que nos resta, torci pela quebra do recorde.

Mas interesse mesmo, de mudar planos para poder assistir algo ao vivo, eu demonstrei quando começaram as provas de atletismo. O final de semana reservou três eventos marcantes para mim. Começou com o acachapante desempenho do jamaicano Usain Bolt nos 100 metros rasos. No ato, aquilo me fez lembrar de Ben Johnson, na Olimpíada de Seul, 1988. Uma distância absurda para todos os outros. E o jamaicano ainda se deu o direito de olhar para o lado, balançar os braços e bater no peito! Isso tudo antes de cruzar a linha de chegada. Ora, não tivesse feito isso, tenho certeza, baixaria ainda mais o recorde mundial, que assinalou na histórica disputa. É surpreendente pensar que, até o início deste ano, Bolt era praticamente desconhecido da mídia, com todo o favoritismo depositado em dois nomes - do norte-americano Tyson Gay e do também jamaicano Asafa Powell.

Eu tinha acabado de voltar do meu treino na Cidade Universitária. Um treino de arrancar o couro, e acabei me atrasando um pouco para um compromisso às 11h30, mas não se perde a prova mais nobre dos Jogos Olímpicos, por isso fiquei esperando os 100 metros rasos. À noite, eu estava caindo pelas tabelas quando me deparei com o final da Maratona feminina da Olimpíada. Mais uma meia-zebra, com a vitória da romena Constantina Tomescu-Dita. As apostas, antes, recaíam sobre a queniana Catherine Ndereba, que acabou ficando com a medalha de prata. Constantina entrou soberana no estádio, para a volta final de 400 metros, que concluiu 20 segundos à frente de Ndereba. A disputa pela prata, no entanto, foi emocionante, com a queniana superando a chinesa Zhou Chunxiu nos metros finais. Gostei muito da vitória de Constantina, que é descrita como uma "mãe de 38 anos", ou seja, a mesma coisa que eu - só que com uma medalha de ouro no peito.
A nota triste da Maratona feminina foi, mais uma vez, o desempenho decepcionante da britânica Paula Radcliffe. Detentora do recorde mundial da maratona desde 2003, com 2h15min25, Paula liderou boa parte da corrida em Pequim, mas terminou apenas em 23º. De maneira inusitada, ela parou pouco depois do quilômetro 20 para fazer pipi! Terminou a prova vertendo mais água - nesse caso, lágrimas mesmo. Foi a segunda Olimpíada em que a britânica chega como favorita e acaba fazendo água. Literalmente.

Para terminar, uma prova arrasa-quarteirão da Jamaica nos 100 metros rasos para mulheres, disputada no domingo. Não bastasse o ouro de Usain Bolt na véspera, as jamaicanas ganharam ouro, prata e bronze. Shelley-Ann Fraser venceu e viu as compatriotas Sherone Simpson e Kerron Stewart dividirem o segundo lugar, em uma decisão atípica - como as duas empataram no tempo e nem a foto da chegada foi capaz de definir quem havia sido a segunda, concederam duas medalhas de prata, uma para cada.

A expectativa, agora, fica por conta da Maratona para os homens, prova que tradicionalmente encerra todos os Jogos Olímpicos. O Brasil tem três representantes: Marilson Gomes dos Santos, José Teles de Souza e Franck Caldeira. Marilson, vencedor da Maratona de Nova York em 2006, é um dos favoritos. Seria de lavar a alma ver um brasileiro conquistar esse ouro, depois do non-sense da Maratona da Olimpíada de Atenas, quando Wanderlei Cordeiro de Lima perdeu o primeiro lugar depois de ser atacado por um pseudo-padre que se jogou à frente do brasileiro para protestar sabe lá Deus contra o quê.
Corre, Brasil!
Por um lado, eu não gostaria que a o único marco positivo da Olimpíada de Munique fosse superado. Afinal, Munique sobreviveu na memória coletiva pelo recorde de Spitz e pelo atentado contra os atletas israelenses. Agora, sobra o atentado. Por outro lado, confesso, gosto de ser testemunha de fatos históricos. Sempre acho que vi ao vivo pouca coisa realmente interessante, e acho que esta impressão persiste apenas, e sobretudo, porque não vi Pelé jogar. Então, se é Phelps que nos resta, torci pela quebra do recorde.

Mas interesse mesmo, de mudar planos para poder assistir algo ao vivo, eu demonstrei quando começaram as provas de atletismo. O final de semana reservou três eventos marcantes para mim. Começou com o acachapante desempenho do jamaicano Usain Bolt nos 100 metros rasos. No ato, aquilo me fez lembrar de Ben Johnson, na Olimpíada de Seul, 1988. Uma distância absurda para todos os outros. E o jamaicano ainda se deu o direito de olhar para o lado, balançar os braços e bater no peito! Isso tudo antes de cruzar a linha de chegada. Ora, não tivesse feito isso, tenho certeza, baixaria ainda mais o recorde mundial, que assinalou na histórica disputa. É surpreendente pensar que, até o início deste ano, Bolt era praticamente desconhecido da mídia, com todo o favoritismo depositado em dois nomes - do norte-americano Tyson Gay e do também jamaicano Asafa Powell.

Eu tinha acabado de voltar do meu treino na Cidade Universitária. Um treino de arrancar o couro, e acabei me atrasando um pouco para um compromisso às 11h30, mas não se perde a prova mais nobre dos Jogos Olímpicos, por isso fiquei esperando os 100 metros rasos. À noite, eu estava caindo pelas tabelas quando me deparei com o final da Maratona feminina da Olimpíada. Mais uma meia-zebra, com a vitória da romena Constantina Tomescu-Dita. As apostas, antes, recaíam sobre a queniana Catherine Ndereba, que acabou ficando com a medalha de prata. Constantina entrou soberana no estádio, para a volta final de 400 metros, que concluiu 20 segundos à frente de Ndereba. A disputa pela prata, no entanto, foi emocionante, com a queniana superando a chinesa Zhou Chunxiu nos metros finais. Gostei muito da vitória de Constantina, que é descrita como uma "mãe de 38 anos", ou seja, a mesma coisa que eu - só que com uma medalha de ouro no peito.
A nota triste da Maratona feminina foi, mais uma vez, o desempenho decepcionante da britânica Paula Radcliffe. Detentora do recorde mundial da maratona desde 2003, com 2h15min25, Paula liderou boa parte da corrida em Pequim, mas terminou apenas em 23º. De maneira inusitada, ela parou pouco depois do quilômetro 20 para fazer pipi! Terminou a prova vertendo mais água - nesse caso, lágrimas mesmo. Foi a segunda Olimpíada em que a britânica chega como favorita e acaba fazendo água. Literalmente.

Para terminar, uma prova arrasa-quarteirão da Jamaica nos 100 metros rasos para mulheres, disputada no domingo. Não bastasse o ouro de Usain Bolt na véspera, as jamaicanas ganharam ouro, prata e bronze. Shelley-Ann Fraser venceu e viu as compatriotas Sherone Simpson e Kerron Stewart dividirem o segundo lugar, em uma decisão atípica - como as duas empataram no tempo e nem a foto da chegada foi capaz de definir quem havia sido a segunda, concederam duas medalhas de prata, uma para cada.

A expectativa, agora, fica por conta da Maratona para os homens, prova que tradicionalmente encerra todos os Jogos Olímpicos. O Brasil tem três representantes: Marilson Gomes dos Santos, José Teles de Souza e Franck Caldeira. Marilson, vencedor da Maratona de Nova York em 2006, é um dos favoritos. Seria de lavar a alma ver um brasileiro conquistar esse ouro, depois do non-sense da Maratona da Olimpíada de Atenas, quando Wanderlei Cordeiro de Lima perdeu o primeiro lugar depois de ser atacado por um pseudo-padre que se jogou à frente do brasileiro para protestar sabe lá Deus contra o quê.
Corre, Brasil!
Wednesday, August 13, 2008
Eu não sou cachorro, não
O motor de Felipe Massa estourou. Foi o que bastou para parte da platéia enxergar sabotagem da Ferrari contra o brasileiro. Uma breve análise do eterno complexo de vira-lata, lá no GPTotal.
Sunday, August 10, 2008
Correndo na pipoca
Nunca fui atrás do trio elétrico, mas sei que é preciso vestir uma camiseta especial para poder brincar no espaço reservado aos foliões agregados a cada bloco. Parece que, no Carnaval de Salvador, a tal camiseta, chamada de mortalha, custa uma fortuna. Quem não quer pagar pela mortalha segue o trio elétrico do lado de lá do cordão de isolamento. Quem pula fora do cordão, diz a gíria, pula "na pipoca". Nas corridas de rua, existe algo parecido.
Quem se inscreve em uma corrida ganha um kit que, normalmente, contém o número de identificação, conhecido como número de peito, o chip que deve ser amarrado ao tênis para registrar a passagem do corredor e, conseqüentemente, marcar seu tempo, e uma camiseta. Ao final da prova, devolvendo o chip, o atleta ganha sua medalha. Entre os integrantes da equipe Conexão, foi absorvida a gíria do carnaval baiano. Quem corre sem inscrição, para nós, corre "na pipoca".
Sempre me inscrevo para todas as provas, pelo prazer de ver meu tempo oficial registrado e, principlmente, para ganhar a medalha. Em geral, não dou bola para a camiseta, porque corremos sempre com o uniforme da equipe. Pois neste domingo, corri "na pipoca". Aconteceu o seguinte: a Corrida do Centro Histórico, organizada pela Corpore, é patrocinada por duas entidades ligadas aos advogados e, por isso, grande parte das inscrições é reservadas a essa categoria de profissionais. Quando fui me inscrever, na mesma semana em que abriram-se as inscrições, elas estavam esgotadas. Mesmo assim, como a equipe já tinha se programado para participar e como eu adoro correr no Centro Histórico, fui "na pipoca".
Costumo me auto-definir como uma paulistana de araque. Conheço pouco do centro da cidade, pouco mesmo, a ponto de me perder. Nunca transitei muito pelo centro e, nos últimos anos, a passagem por ali se resume a essa corrida, tradicionalmente disputada no segundo domingo de agosto. Na verdade, acho isso lamentável. O centro de uma cidade deveria ser sempre seu lugar mais valorizado e bem cuidado. Deveria ser ponto de encontro para o lazer. No entanto, o centro de São Paulo há muitos anos está longe dessa descrição, embora, pelo que dizem seus freqüentadores mais contumazes, esteja melhorando nos últimos tempos.
A Corrida do Centro Histórico tem algumas particularidades. Em vez dos habituais dez quilômetros, esta tem nove. Outro charme dessa prova: em vários pontos, espalham-se grupos de músicos tocando estilos variados para corredores e transeuntes. Na largada, um tenor entoando sucessos consagrados de cantores como Fred Mercury e Andrea Bocceli. Depois, uma cantora de voz agradável mandando ver em uma canção de Marina Lima. No Pátio do Colégio, sempre colocam um grupo de música de câmara. Este ano, um combinação bem original - um quinteto de cordas tocando música renascentista. Mas, que legal!, entre os instrumentos do quinteto, uma guitarra. Se os astros pops passaram, nos últimos anos, a fazer versões "unplugged" de seus sucessos, porque os músicos clássicos não podem subverter essa fórmula e fazer versões eletrificadas de clássicos centenários?
A prova do Centro Histórico tem outra característica perene - muita gente para pouco espaço. São cerca de seis mil atletas, espremidos em ruas estreitas, em um percurso cheio de curvas. Até o quilômetro três, antes de chegar à Avenida Ipiranga, é cotovelada para todo lado. Com isso, passei todos esses trechos acima dos cinco minutos por quilômetro. Eu não estava muito preocupada com o tempo, justamente por saber da dificuldade de correr com tanta gente em volta. Mas, depois do quilômetro três, ao ganhar avenidas um pouco mais largas, fazer o quê? Eu não estava preocupada em fazer tempo, mas comecei a achar espaços e fui aumentando o ritmo.
Correr no centro da cidade é, por vezes, uma aventura meio bizarra. Além de desviar das manchas de óleo deixadas pelos ônibus, desta vez tive de passar por cima de um rato morto e de uma calça jeans (!). Teve gente, na equipe, que afirma ter pulado por cima de um sutiã preto. Isso eu não vi. Mas tem sempre uns grupos de mendigos que fazem festa para os corredores, e uma turma que grita "olha o rapa" quando passamos por ela.
Já depois do quilômetro sete, passei por uma dupla formada por um deficiente visual e por um guia voluntário. Estávamos no meio de uma subida e o cego perguntou ao guia: "Já está acabando a ladeira, né?". Fiquei me perguntando se o fato de não saber onde termina a subida ajudava ou atrapalhava o desempenho do valente corredor. Só consegui concluir o que sempre me vem à mente: como admiro esses deficientes que correm e como respeito a dedicação de quem se propõe a guiá-los.
Embora não estivesse com idéia fixa no tempo, percebi que tinha conseguido recuperar bastante a desvantagem do início. Ia fazendo contas e percebendo que seria possível passar abaixo dos 45 minutos, o que por si só representaria meu novo recorde pessoal para a distância. No ano passado, terminei essa prova em 45min38, ou 5min04 por quilômetro. Quando cheguei à Rua Libero Badaró e zerei o cronômetro do meu relógio, ele marcava 44min35, ou seja, consegui baixar meu tempo em mais de um minuto. Fiquei feliz pelo resultado, claro, mas meio desapontada por não ganhar medalha, desta vez, e por não ver meu nome nos resultados oficiais.
Depois, para comemorar mais uma corrida em equipe, fomos tomar uma café no conhecido Bar do Estadão, tradicionalíssima casa paulistana, famosa por seu sanduíche de pernil, à qual a paulistana de araque aqui nunca tinha ido. Não encarei a louvada iguaria, mas meus colegas fizeram a honra da equipe. Benza Deus!
Quem se inscreve em uma corrida ganha um kit que, normalmente, contém o número de identificação, conhecido como número de peito, o chip que deve ser amarrado ao tênis para registrar a passagem do corredor e, conseqüentemente, marcar seu tempo, e uma camiseta. Ao final da prova, devolvendo o chip, o atleta ganha sua medalha. Entre os integrantes da equipe Conexão, foi absorvida a gíria do carnaval baiano. Quem corre sem inscrição, para nós, corre "na pipoca".
Sempre me inscrevo para todas as provas, pelo prazer de ver meu tempo oficial registrado e, principlmente, para ganhar a medalha. Em geral, não dou bola para a camiseta, porque corremos sempre com o uniforme da equipe. Pois neste domingo, corri "na pipoca". Aconteceu o seguinte: a Corrida do Centro Histórico, organizada pela Corpore, é patrocinada por duas entidades ligadas aos advogados e, por isso, grande parte das inscrições é reservadas a essa categoria de profissionais. Quando fui me inscrever, na mesma semana em que abriram-se as inscrições, elas estavam esgotadas. Mesmo assim, como a equipe já tinha se programado para participar e como eu adoro correr no Centro Histórico, fui "na pipoca".
Costumo me auto-definir como uma paulistana de araque. Conheço pouco do centro da cidade, pouco mesmo, a ponto de me perder. Nunca transitei muito pelo centro e, nos últimos anos, a passagem por ali se resume a essa corrida, tradicionalmente disputada no segundo domingo de agosto. Na verdade, acho isso lamentável. O centro de uma cidade deveria ser sempre seu lugar mais valorizado e bem cuidado. Deveria ser ponto de encontro para o lazer. No entanto, o centro de São Paulo há muitos anos está longe dessa descrição, embora, pelo que dizem seus freqüentadores mais contumazes, esteja melhorando nos últimos tempos.
A Corrida do Centro Histórico tem algumas particularidades. Em vez dos habituais dez quilômetros, esta tem nove. Outro charme dessa prova: em vários pontos, espalham-se grupos de músicos tocando estilos variados para corredores e transeuntes. Na largada, um tenor entoando sucessos consagrados de cantores como Fred Mercury e Andrea Bocceli. Depois, uma cantora de voz agradável mandando ver em uma canção de Marina Lima. No Pátio do Colégio, sempre colocam um grupo de música de câmara. Este ano, um combinação bem original - um quinteto de cordas tocando música renascentista. Mas, que legal!, entre os instrumentos do quinteto, uma guitarra. Se os astros pops passaram, nos últimos anos, a fazer versões "unplugged" de seus sucessos, porque os músicos clássicos não podem subverter essa fórmula e fazer versões eletrificadas de clássicos centenários?
A prova do Centro Histórico tem outra característica perene - muita gente para pouco espaço. São cerca de seis mil atletas, espremidos em ruas estreitas, em um percurso cheio de curvas. Até o quilômetro três, antes de chegar à Avenida Ipiranga, é cotovelada para todo lado. Com isso, passei todos esses trechos acima dos cinco minutos por quilômetro. Eu não estava muito preocupada com o tempo, justamente por saber da dificuldade de correr com tanta gente em volta. Mas, depois do quilômetro três, ao ganhar avenidas um pouco mais largas, fazer o quê? Eu não estava preocupada em fazer tempo, mas comecei a achar espaços e fui aumentando o ritmo.
Correr no centro da cidade é, por vezes, uma aventura meio bizarra. Além de desviar das manchas de óleo deixadas pelos ônibus, desta vez tive de passar por cima de um rato morto e de uma calça jeans (!). Teve gente, na equipe, que afirma ter pulado por cima de um sutiã preto. Isso eu não vi. Mas tem sempre uns grupos de mendigos que fazem festa para os corredores, e uma turma que grita "olha o rapa" quando passamos por ela.
Já depois do quilômetro sete, passei por uma dupla formada por um deficiente visual e por um guia voluntário. Estávamos no meio de uma subida e o cego perguntou ao guia: "Já está acabando a ladeira, né?". Fiquei me perguntando se o fato de não saber onde termina a subida ajudava ou atrapalhava o desempenho do valente corredor. Só consegui concluir o que sempre me vem à mente: como admiro esses deficientes que correm e como respeito a dedicação de quem se propõe a guiá-los.
Embora não estivesse com idéia fixa no tempo, percebi que tinha conseguido recuperar bastante a desvantagem do início. Ia fazendo contas e percebendo que seria possível passar abaixo dos 45 minutos, o que por si só representaria meu novo recorde pessoal para a distância. No ano passado, terminei essa prova em 45min38, ou 5min04 por quilômetro. Quando cheguei à Rua Libero Badaró e zerei o cronômetro do meu relógio, ele marcava 44min35, ou seja, consegui baixar meu tempo em mais de um minuto. Fiquei feliz pelo resultado, claro, mas meio desapontada por não ganhar medalha, desta vez, e por não ver meu nome nos resultados oficiais.
Depois, para comemorar mais uma corrida em equipe, fomos tomar uma café no conhecido Bar do Estadão, tradicionalíssima casa paulistana, famosa por seu sanduíche de pernil, à qual a paulistana de araque aqui nunca tinha ido. Não encarei a louvada iguaria, mas meus colegas fizeram a honra da equipe. Benza Deus!
Wednesday, August 06, 2008
O sonho, o milhão e... o tatame?*

*atualizado depois da correção do leitor
Não é a primeira vez que tenho um sonho premonitório. Nem sempre se concretiza, diga-se. Mas, no ano passado, por exemplo, sonhei em julho que Kimi Raikkonen seria campeão, o que parecia absurdo naquela altura do campeonato da Fórmula 1. E ele foi.
Nesta noite, sonhei que o piloto Thiago Camilo tinha vencido a "Corrida do Milhão", prova da Copa Nextel de Stock Car que acontece no próximo dia 31 de agosto, no Rio. O vencedor levará US$ 1 milhão.
Pode ser que eu tenha ficado com o nome do Camilo na cabeça porque ontem, assistindo a um telejornal, vi uma entrevista com o judoca* Tiago Camilo, desembarcando em Pequim. E pensei que o moço do tatame* tinha o mesmo nome do piloto.
* atualizado depois da correção do leitor
Por via das dúvidas, que fique registrado.
Tenho muita simpatia por vários pilotos da Stock, especialmente pelo Cacá Bueno, meu colega nas transmissões de Fórmula 1 da Bandeirantes, e pelo Ricardo Maurício, tradicional consultor da Porsche Cup Challenge Brasil. Também por Marcos e Pedro Gomes, que vi correr desde que eram adolescentes. A todos, boa sorte. Ao Camilo, se vencer, lembre-se de mim!
Sunday, August 03, 2008
Sorte prostiana

Desta vez, não estou escalada para fazer a análise da corrida de Fórmula 1 pelo GPTotal, mas não resisto a um breve comentário. O GP da Hungria teve uma das mais belas ultrapassagens da Fórmula 1 dos últimos tempos, quando Felipe Massa, largando em terceiro, colocou sua Ferrari por fora, travou os pneus em uma freada retardada e superou o inglês Lewis Hamilton, que largara na pole. Massa, hoje, correu mais que o carro. A Ferrari sempre esteve atrás da McLaren no final de semana em Budapeste, sinalizando um claro favoritismo do time inglês.
Massa reverteu essa aparente desvantagem com um arrojo que lhe é peculiar. É certo que o excesso de ímpeto às vezes lhe traz dissabores, mas não hoje. Massa vinha fazendo tudo certo, e também a Ferrari, que parece ter acertado na estratégia, programando um terceiro trecho mais curto da corrida, depois do segundo pit stop.
Enquanto isso, Hamilton, que parecia imbatível até essa largada desde já mítica, viu a mão pesada do infortúnio sobre seus ombros, quando teve um pneu furado. Tudo parecia bem frustrante para o inglês, que além de perder a corrida, perdia também a liderança do campeonato para Massa. Até que o motor de Massa estourou.
Restando sete provas para o final da temporada, a falta de sorte de Massa parece diametralmente oposta à estrela brilhante de Hamilton. Ainda que as coisas saiam errado para o inglês, o destino parece encarregar-se de consertar. Lembra, cada vez mais, a sorte de Alain Prost, especialmente no Mundial de 1986.
E, a propósito, Kovalainen venceu.
Saturday, July 26, 2008
Para gostar de ler - Travessuras da menina má

Pensei muito antes de escrever este post - e de abrigá-lo na seção "Para gostar de ler". Fundamentalmente, porque não gostei desse romance de Mario Vargas Llosa, e me pareceu desonesto apresentar a obra como um exemplo que possa inspirar qualquer um a gostar de ler. Mas a reflexão acerca do tema ressaltou um aspecto: o fato de eu não ter gostado do livro não o torna necessariamente ruim, e havia percepções da obra que eu gostaria muito de compartilhar com os leitores, daí sua presença aqui.
Ao contrário dos outros livros da seção, esse não foi degustado recentemente. Li-o em janeiro de 2007, durante uma viagem a Maceió. Antes de falar sobre o livro, admito que não sou grande conhecedora de Vargas Llosa, e tenho razões, digamos, ideológico-sentimentais para isso. Quem se interessa um pouco sobre literatura latino-americana há de saber que existe um antigo contencioso entre o peruano Vargas Llosa, transformado com o tempo em um representante da intelectualidade neo-liberal, e o colombiano Gabriel García Márquez, sempre afeito às forças de esquerda. Quem lê este blog com alguma frequência sabe que García Márquez está entre meus escritores preferidos, talvez o número 1 da lista. Ora, a antipatia por Vargas Llosa nasceu na base do "inimigo do meu amigo". Se gosto de García Márquez e García Márquez não gosta de Vargas Llosa, não gosto de Vargas Llosa.
Até que um dia desafiei-me a ler um de seus romances - "O paraíso na outra esquina" - que na verdade são dois romances escritos em seqüência, numa construção primorosa de dois personagens unidos pelos laços de sangue, afastados pelo tempo e pela geografia, mas umbilicalmente ligados pela ânsia de liberdade. Adorei o livro e me lancei sem medo em "Travessuras da menina má".
Não há como negar, é um livro bem escrito. Vargas Llosa tem uma prosa de fluência invejável e vai enredendo o leitor com elegância. Os fatos encadeados são prosaicos, não há um traço de fantasia exagerada na trama, o que aproxima o leitor daqueles personagens, fazendo-o mais íntimo à medida que a história se desenrola porque, afinal de contas, aquelas situações poderiam ter acontecido com qualquer um.
O enredo é o seguinte: um jovem peruano apaixona-se por uma garota - a menina má do título - na adolescência. Ela exerce um poder intenso sobre ele, de maneira quase cruel, e o abandona. Desiludido, ele se muda para Paris, para trabalhar com tradutor. Anos depois, reecontra a garota, que passa a cruzar novamente sua vida de tempos em tempos, cada vez em uma condição diferente - desertora de um grupo militante em Cuba, depois casada com um francês, depois vivendo com um inglês, depois dominada por um japonês. Ela sempre volta, ele sempre a aceita, e ela sempre o descarta. A história segue nessa toada, que uma hora se torna previsível, até alcançar seu desfecho sob os desígnios do deus-autor, em um ato de ajuste de contas com a personagem-título.
À medida que lia o romance, eu enxergava no protagonista um alter-ego do próprio Vargas Llosa. Embora ele mesmo tenha se mudado para Paris já casado, era impossível dissociar o jovem peruano que domina línguas do autor que também floresceu profissionalmente na capital parisiense. Quando seu destino cruza com a menina má em Tóquio e ele a vê dominada por um empresário japonês sádico, a identificação se ampliou. Eu não apenas via Vargas Llosa em Ricardo, o personagem central, como via o personagem japonês como alegoria do ex-presidente peruano Alberto Fujimori. Vargas Llosa, em sua incursão política, perdeu a eleição presidencial para Fujimori, em 1990.

Passei, então, a ver a menina má não mais como a personificação de uma paixão dilacerada, mas também como uma alegoria do próprio Peru na vida do autor. Ele se afasta dela, vai morar na Europa, mas ela permanece vívida em sua lembrança, e o segue, onde quer que ele esteja - Paris, Londres, Tóquio, Madri. Pois esta não é a referência habitual de todo expatriado? Sentir-se estrangeiro em toda parte, retomando a todo o tempo sua origem? E mais ainda: ao ver a menina má (o Peru?) entregue nas mãos de um japonês sádico (Fujimori?), não está Vargas Llosa purgando seu próprio inconformismo de ver sua garota (seu país?) entregando-se voluntariamente (pela força das urnas?) a alguém que só se compraz em maltratá-la?
Era esta, principalmente, a impressão que eu gostaria de compartilhar com os leitores do blog. Quem aí leu esse livro? Concorda com esta leitura ampliada?
Mas, afinal, preciso explicar por que não gostei do livro, apesar de reconhecê-lo como bem escrito. Basicamente, porque o autor/narrador/personagem toma para si, todo o tempo, uma condição vitimizada. Fica evidente que, no capítulo seguinte, a menina má vai retornar, seduzir e reconquistar o mártir, para depois abandoná-lo. Ele segue nessa rotina auto-punitiva como se preparasse o desfecho, usando a mão de um deus onipotente que recompensa seu sofrimento com a punição irregovável da menina má. Como se ele pudesse, com sua pena, mostrar à menina (ao Peru?) como ela errou ao se entregar nas mãos do japonês pervertido.
Monday, July 21, 2008
Fora do script
Saiu tudo ao contrário do que Lewis Hamilton tinha planejado. Mesmo assim, deu certo. E mais ao contrário ainda, e melhor impossível, para Nelsinho Piquet. E Massa, hein? Lá no GPTotal, a análise do GP da Alemanha. Vai lá, vai.
Sunday, July 13, 2008
Mulheres na frente

Na noite de sábado, a brasileira Bia Figueiredo entrou para a história, tornando-se a primeira mulher do país a vencer uma corrida de carros fora da América do Sul. A vitória de Bia aconteceu na corrida de Nashville, válida pelo campeonato da Fórmula Indy Lights, categoria de jovens pilotos, aspirantes à Fórmula Indy.
Bia, que agora quer ser chamada de Ana Beatriz, para facilitar a pronúncia dos norte-americanos, tem mostrado potencial há alguns anos, destacando-se nas categorias de base do Brasil, como na Fórmula Renault. Chegou à Indy Lights neste ano e ontem conseguiu sua primeira vitória.
O dia foi histórico para o automobilismo brasileiro por conta da façanha de Bia, cuja corrida foi relatada com detalhes pela repórter Evelyn Guimarães, do site Grande Prêmio. (Outros sites também deram destaque para a vitória de Bia, como o Tazio, mas eu não poderia deixar de destacar este texto, escrito por uma mulher, concordam?).
As mulheres estão conquistando inequívoco espaço no automobilismo da América do Norte. Há pouco mais de dois meses, a norte-americana Danica Patrick tornou-se a primeira mulher a vencer uma corrida da Fórmula Indy, disputada no circuito japonês de Motegi.
Peço carona à Bia, desde já eleita heroína deste blog, para contar brevemente minha pequena façanha. Neste domingo, disputei a Corrida do Inverno do Circuito das Estações, no Pacaembu. Quem lê este blog pode se lembrar que foi na Corrida do Verão, há quase sete meses, que bati meu recorde para provas de 10 km, com a marca de 49min00.

Da esquerda para a direita: o palmeirense Nilton, Zoca, Simone, Zé Eduardo, Alessandra, Patrícia, Alexandra e Fábio
De lá para cá, não tinha conseguido igualar o tempo, chegando no máximo a 49min16, em prova disputada no bairro do Ipiranga, há quinze dias. A corrida do Pacaembu tem muito mais trechos planos que a do Ipiranga, o que me fazia ter esperança de chegar perto do recorde desta vez.
Na tarde de sábado, recebi um e-mail do meu colega Henry Hanada, o japonês que me “puxou” na prova de dezembro, dizendo que desta vez não poderia correr, mas que eu carregava a responsabilidade de fazer a prova na casa dos 48 minutos. Este, na verdade, já era meu objetivo, mas preferi ficar “na moita”, sem alardear os planos, principalmente porque meu técnico, José Eduardo Pompeu, não gosta que criemos esse tipo de expectativa.
A manhã estava bem fria na hora da largada, às 8h. Um termômetro público, na Praça Charles Muller, marcava 14°. Cerca de cinco mil pessoas largaram, o que não é nenhum exagero para essa prova, que é disputada a maior parte do tempo em vias largas, como o Pacaembu e o Elevado Costa e Silva, o famoso Minhocão, esse verdadeiro horror arquitetônico de São Paulo.
Seguindo a orientação do Zé, fui aquecendo nos dois primeiros quilômetros, sem forçar muito, mas já fazendo cada trecho de mil metros abaixo dos cinco minutos. Quando virei no quilômetro cinco, estava na faixa de 24 minutos, ou seja, era questão de manter o mesmo ritmo para ficar na casa dos 48 minutos.
Depois de fazer este percurso seis vezes, já tenho alguns conceitos bem definidos sobre ele. O mais óbvio, que no entanto só se percebe quando se corre a pé ali pela primeira vez, é o fato de que a chegada, na Praça Charles Muller, representa uma leve mas contínua subida. Outra constatação, cristalizada hoje, é a do ponto crítico da prova – entre os quilômetros seis e sete, ainda sobre o Minhocão, com uma subida forte e o componente psicológico contrário, de se começar a perceber o cansaço, com mais de quatro quilômetros para o final.
Mesmo ali, entre o seis e o sete, eu continuava com o ritmo forte, passando abaixo dos cinco minutos a cada quilômetro, mantendo uma freqüência cardíaca próxima dos 180 bpm o tempo todo. (Na prova do Verão, eu sempre diminuía o ritmo quando chegava a esse pico, para voltar ao estágio dos 177 bpm, que já é alto, mas me garantia mais conforto em dezembro. O que me deixou feliz na prova deste domingo, também, foi a constatação de que estou conseguindo manter um ritmo forte, traduzido na freqüência cardíaca, durante um longo período.)
Voltando à avenida Pacaembu, no quilômetro oito, chequei o cronômetro e encontrei 38 minutos, ou seja, eu poderia manter o ritmo pouco abaixo dos cinco minutos que atingiria a meta. Foi o que fiz, porque sabia que não conseguiria melhorar o desempenho com a ligeira subida do final da prova. Quando cheguei à Praça Charles Muller, percebi que havia passado a corrida inteira sem ter nenhum insight para escrever o relato, como habitualmente acontece. Eu estava cem por cento concentrada na corrida, o que talvez ajude a explicar o bom desempenho.
Bom, na verdade, não. Parei o cronômetro com a marca de 48min26, meu novo recorde para provas de 10 km! Fui 39ª entre todas as mulheres, a 6ª na minha faixa etária. Com a licença da Bia Figueiredo, que chegou à frente dos homens da categoria no sábado, eu fiz o mesmo em relação aos marmanjos da minha equipe. Com todo respeito, senhores, esqueçam aquela história de que “atrás de um grande homem” etc. etc....
(Com o tradicional agradecimento ao colega Nilton Hayashi da Cruz, pela foto.)
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