
Foi um sábado e tanto aquele, a tarde inteira churrasqueando com a turma da equipe de corrida. Não tente procurar lógica nem incoerência. Somos fitness e fazemos churrasco, somos contradições ambulantes. Achei que não agüentaria acordada até o final. The Police na TV, que sono o quê. Olhos grudados na tela, do começo ao fim.
Para começo de conversa, registre-se: Stewart Copeland está velho, Andy Summers está gordo, Sting está lindo. Lindo como sempre, magro e sarado, cabelo um pouco mais ralo, nada que o despeje do Olimpo. Sempre preciso parar para lembrar como é o nome verdadeiro do cantor. Depois lembro. Ah, é Apolo...
Assisti ao show de abertura, com Paralamas do Sucesso, escolha acertadíssima. O trio brasileiro, como o inglês, nasceu da simplicidade espartana do conjunto baixo-guitarra-bateria. Não pára por aí a semelhança. Como The Police, os Paralamas caíram de boca na levada de reggae popularizada pelo trio inglês no final dos 70, começo dos 80. Bom o show do Paralamas, bom ver Herbert Viana, aquela fênix, tocando sua guitarra com a destreza de sempre.
Mas quando The Police assumiu o palco, o frisson deu lugar ao encantamento. Espartanos ingleses, baixo, guitarra, bateria. Nada de metais, de backing vocals, de passarelas que avançam pela platéia, de palcos que sobem, descem, abrem, de fogos de artifício. Sting, Copeland, Summers e um telão. Ou seja, The Police e nada mais. Para quê? O minimalismo do The Police disse tudo.

A voz de Sting pode não ser mais a mesma. Aos 55, com tudo em cima, há que perdoar a falha do famoso falsete. Mas ver Copeland correr da percussão para a bateria, como no início de "The king of pain", foi um show à parte. "Tiozão" Andy Summers nem quis brincar de sair do palco. Depois de "Every breath you take", enquanto os outros dois se refugiavam no backstage para escutar o pedido de bis, o guitarrista nem se deu ao trabalho. Lá ficou e solou, sozinho, anunciando o início de "Next to you".

Sting, que já veio ao Brasil várias vezes, inclusive por causas ambientais - lembram do cacique Raoni? - falou à platéia sempre em esforçado português. Há uns vinte anos, quando esteve por aqui e lançou uma música cantada em português ("Frágil"), Sting deu uma das melhores respostas que já vi alguém perpetrar em uma entrevista coletiva. O repórter do jornal moderninho, em sua pergunta-julgamento, comentou que o português do cantor era sofrível. Resposta de Apolo: "So is your English" ("Seu inglês também"). Toma, papudo!
Os que gostam de criticar costumam maldizer a volta de bandas em suas formações originais. Que não fazem nada de novo, que só estão aí para faturar uns trocados. Não tenho nada a ver com isso. Se já secou a fonte, toquem os velhos hits, não me importo, eu não vi nada disso ao vivo 25, 30 anos atrás. Aliás, quero mesmo os velhos hits, que sei cantar, que me povoam a memória, que me fazem lembrar de mim mesma. E se vão ganhar trocados, ora bolas, é disso que vivem, a música é deles, quem tem mais direito de dar uma faturadinha?
























