Friday, August 29, 2008

Phil Hill 1927-2008

Morreu ontem o campeão mundial de Fórmula 1 de 1961, o norte-americano Phil Hill. Como forma de homenageá-lo, o GPTotal republica hoje uma coluna minha chamada "Tim Randolhp não gosta de Grand Prix". Para quem leu o texto original, para quem está chegando agora, a caixa de comentários está aberta, como sempre.

Friday, August 22, 2008

Menina de ouro


O título não é original, mas a façanha de Maurren Maggi, sim. A primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha de ouro em esporte individual em uma Olimpíada.

Gosto de mulheres pioneiras. Gosto de pessoas que superam situações adversas, seguram barras pesadas, que escolhem o caminho mais difícil, porém mais efetivo, para suas grandes conquistas.

Parabéns, Maurren!

Sunday, August 17, 2008

Gente que corre

Não é que a Olimpíada de Pequim não tenha me empolgado até agora. Esporte na TV é algo que sempre me atrai e, apesar do fuso horário complicado, até que vi bastante coisa desses Jogos Olímpicos disputados na China. Antes de começar o evento, cheguei a me perguntar se eu torceria contra ou a favor da quebra do recorde de Mark Spitz, pelo fenômeno Michael Phelps.

Por um lado, eu não gostaria que a o único marco positivo da Olimpíada de Munique fosse superado. Afinal, Munique sobreviveu na memória coletiva pelo recorde de Spitz e pelo atentado contra os atletas israelenses. Agora, sobra o atentado. Por outro lado, confesso, gosto de ser testemunha de fatos históricos. Sempre acho que vi ao vivo pouca coisa realmente interessante, e acho que esta impressão persiste apenas, e sobretudo, porque não vi Pelé jogar. Então, se é Phelps que nos resta, torci pela quebra do recorde.



Mas interesse mesmo, de mudar planos para poder assistir algo ao vivo, eu demonstrei quando começaram as provas de atletismo. O final de semana reservou três eventos marcantes para mim. Começou com o acachapante desempenho do jamaicano Usain Bolt nos 100 metros rasos. No ato, aquilo me fez lembrar de Ben Johnson, na Olimpíada de Seul, 1988. Uma distância absurda para todos os outros. E o jamaicano ainda se deu o direito de olhar para o lado, balançar os braços e bater no peito! Isso tudo antes de cruzar a linha de chegada. Ora, não tivesse feito isso, tenho certeza, baixaria ainda mais o recorde mundial, que assinalou na histórica disputa. É surpreendente pensar que, até o início deste ano, Bolt era praticamente desconhecido da mídia, com todo o favoritismo depositado em dois nomes - do norte-americano Tyson Gay e do também jamaicano Asafa Powell.



Eu tinha acabado de voltar do meu treino na Cidade Universitária. Um treino de arrancar o couro, e acabei me atrasando um pouco para um compromisso às 11h30, mas não se perde a prova mais nobre dos Jogos Olímpicos, por isso fiquei esperando os 100 metros rasos. À noite, eu estava caindo pelas tabelas quando me deparei com o final da Maratona feminina da Olimpíada. Mais uma meia-zebra, com a vitória da romena Constantina Tomescu-Dita. As apostas, antes, recaíam sobre a queniana Catherine Ndereba, que acabou ficando com a medalha de prata. Constantina entrou soberana no estádio, para a volta final de 400 metros, que concluiu 20 segundos à frente de Ndereba. A disputa pela prata, no entanto, foi emocionante, com a queniana superando a chinesa Zhou Chunxiu nos metros finais. Gostei muito da vitória de Constantina, que é descrita como uma "mãe de 38 anos", ou seja, a mesma coisa que eu - só que com uma medalha de ouro no peito.

A nota triste da Maratona feminina foi, mais uma vez, o desempenho decepcionante da britânica Paula Radcliffe. Detentora do recorde mundial da maratona desde 2003, com 2h15min25, Paula liderou boa parte da corrida em Pequim, mas terminou apenas em 23º. De maneira inusitada, ela parou pouco depois do quilômetro 20 para fazer pipi! Terminou a prova vertendo mais água - nesse caso, lágrimas mesmo. Foi a segunda Olimpíada em que a britânica chega como favorita e acaba fazendo água. Literalmente.



Para terminar, uma prova arrasa-quarteirão da Jamaica nos 100 metros rasos para mulheres, disputada no domingo. Não bastasse o ouro de Usain Bolt na véspera, as jamaicanas ganharam ouro, prata e bronze. Shelley-Ann Fraser venceu e viu as compatriotas Sherone Simpson e Kerron Stewart dividirem o segundo lugar, em uma decisão atípica - como as duas empataram no tempo e nem a foto da chegada foi capaz de definir quem havia sido a segunda, concederam duas medalhas de prata, uma para cada.



A expectativa, agora, fica por conta da Maratona para os homens, prova que tradicionalmente encerra todos os Jogos Olímpicos. O Brasil tem três representantes: Marilson Gomes dos Santos, José Teles de Souza e Franck Caldeira. Marilson, vencedor da Maratona de Nova York em 2006, é um dos favoritos. Seria de lavar a alma ver um brasileiro conquistar esse ouro, depois do non-sense da Maratona da Olimpíada de Atenas, quando Wanderlei Cordeiro de Lima perdeu o primeiro lugar depois de ser atacado por um pseudo-padre que se jogou à frente do brasileiro para protestar sabe lá Deus contra o quê.

Corre, Brasil!

Wednesday, August 13, 2008

Eu não sou cachorro, não

O motor de Felipe Massa estourou. Foi o que bastou para parte da platéia enxergar sabotagem da Ferrari contra o brasileiro. Uma breve análise do eterno complexo de vira-lata, lá no GPTotal.

Sunday, August 10, 2008

Correndo na pipoca

Nunca fui atrás do trio elétrico, mas sei que é preciso vestir uma camiseta especial para poder brincar no espaço reservado aos foliões agregados a cada bloco. Parece que, no Carnaval de Salvador, a tal camiseta, chamada de mortalha, custa uma fortuna. Quem não quer pagar pela mortalha segue o trio elétrico do lado de lá do cordão de isolamento. Quem pula fora do cordão, diz a gíria, pula "na pipoca". Nas corridas de rua, existe algo parecido.

Quem se inscreve em uma corrida ganha um kit que, normalmente, contém o número de identificação, conhecido como número de peito, o chip que deve ser amarrado ao tênis para registrar a passagem do corredor e, conseqüentemente, marcar seu tempo, e uma camiseta. Ao final da prova, devolvendo o chip, o atleta ganha sua medalha. Entre os integrantes da equipe Conexão, foi absorvida a gíria do carnaval baiano. Quem corre sem inscrição, para nós, corre "na pipoca".

Sempre me inscrevo para todas as provas, pelo prazer de ver meu tempo oficial registrado e, principlmente, para ganhar a medalha. Em geral, não dou bola para a camiseta, porque corremos sempre com o uniforme da equipe. Pois neste domingo, corri "na pipoca". Aconteceu o seguinte: a Corrida do Centro Histórico, organizada pela Corpore, é patrocinada por duas entidades ligadas aos advogados e, por isso, grande parte das inscrições é reservadas a essa categoria de profissionais. Quando fui me inscrever, na mesma semana em que abriram-se as inscrições, elas estavam esgotadas. Mesmo assim, como a equipe já tinha se programado para participar e como eu adoro correr no Centro Histórico, fui "na pipoca".

Costumo me auto-definir como uma paulistana de araque. Conheço pouco do centro da cidade, pouco mesmo, a ponto de me perder. Nunca transitei muito pelo centro e, nos últimos anos, a passagem por ali se resume a essa corrida, tradicionalmente disputada no segundo domingo de agosto. Na verdade, acho isso lamentável. O centro de uma cidade deveria ser sempre seu lugar mais valorizado e bem cuidado. Deveria ser ponto de encontro para o lazer. No entanto, o centro de São Paulo há muitos anos está longe dessa descrição, embora, pelo que dizem seus freqüentadores mais contumazes, esteja melhorando nos últimos tempos.

A Corrida do Centro Histórico tem algumas particularidades. Em vez dos habituais dez quilômetros, esta tem nove. Outro charme dessa prova: em vários pontos, espalham-se grupos de músicos tocando estilos variados para corredores e transeuntes. Na largada, um tenor entoando sucessos consagrados de cantores como Fred Mercury e Andrea Bocceli. Depois, uma cantora de voz agradável mandando ver em uma canção de Marina Lima. No Pátio do Colégio, sempre colocam um grupo de música de câmara. Este ano, um combinação bem original - um quinteto de cordas tocando música renascentista. Mas, que legal!, entre os instrumentos do quinteto, uma guitarra. Se os astros pops passaram, nos últimos anos, a fazer versões "unplugged" de seus sucessos, porque os músicos clássicos não podem subverter essa fórmula e fazer versões eletrificadas de clássicos centenários?

A prova do Centro Histórico tem outra característica perene - muita gente para pouco espaço. São cerca de seis mil atletas, espremidos em ruas estreitas, em um percurso cheio de curvas. Até o quilômetro três, antes de chegar à Avenida Ipiranga, é cotovelada para todo lado. Com isso, passei todos esses trechos acima dos cinco minutos por quilômetro. Eu não estava muito preocupada com o tempo, justamente por saber da dificuldade de correr com tanta gente em volta. Mas, depois do quilômetro três, ao ganhar avenidas um pouco mais largas, fazer o quê? Eu não estava preocupada em fazer tempo, mas comecei a achar espaços e fui aumentando o ritmo.

Correr no centro da cidade é, por vezes, uma aventura meio bizarra. Além de desviar das manchas de óleo deixadas pelos ônibus, desta vez tive de passar por cima de um rato morto e de uma calça jeans (!). Teve gente, na equipe, que afirma ter pulado por cima de um sutiã preto. Isso eu não vi. Mas tem sempre uns grupos de mendigos que fazem festa para os corredores, e uma turma que grita "olha o rapa" quando passamos por ela.

Já depois do quilômetro sete, passei por uma dupla formada por um deficiente visual e por um guia voluntário. Estávamos no meio de uma subida e o cego perguntou ao guia: "Já está acabando a ladeira, né?". Fiquei me perguntando se o fato de não saber onde termina a subida ajudava ou atrapalhava o desempenho do valente corredor. Só consegui concluir o que sempre me vem à mente: como admiro esses deficientes que correm e como respeito a dedicação de quem se propõe a guiá-los.

Embora não estivesse com idéia fixa no tempo, percebi que tinha conseguido recuperar bastante a desvantagem do início. Ia fazendo contas e percebendo que seria possível passar abaixo dos 45 minutos, o que por si só representaria meu novo recorde pessoal para a distância. No ano passado, terminei essa prova em 45min38, ou 5min04 por quilômetro. Quando cheguei à Rua Libero Badaró e zerei o cronômetro do meu relógio, ele marcava 44min35, ou seja, consegui baixar meu tempo em mais de um minuto. Fiquei feliz pelo resultado, claro, mas meio desapontada por não ganhar medalha, desta vez, e por não ver meu nome nos resultados oficiais.

Depois, para comemorar mais uma corrida em equipe, fomos tomar uma café no conhecido Bar do Estadão, tradicionalíssima casa paulistana, famosa por seu sanduíche de pernil, à qual a paulistana de araque aqui nunca tinha ido. Não encarei a louvada iguaria, mas meus colegas fizeram a honra da equipe. Benza Deus!

Wednesday, August 06, 2008

O sonho, o milhão e... o tatame?*



*atualizado depois da correção do leitor

Não é a primeira vez que tenho um sonho premonitório. Nem sempre se concretiza, diga-se. Mas, no ano passado, por exemplo, sonhei em julho que Kimi Raikkonen seria campeão, o que parecia absurdo naquela altura do campeonato da Fórmula 1. E ele foi.

Nesta noite, sonhei que o piloto Thiago Camilo tinha vencido a "Corrida do Milhão", prova da Copa Nextel de Stock Car que acontece no próximo dia 31 de agosto, no Rio. O vencedor levará US$ 1 milhão.

Pode ser que eu tenha ficado com o nome do Camilo na cabeça porque ontem, assistindo a um telejornal, vi uma entrevista com o judoca* Tiago Camilo, desembarcando em Pequim. E pensei que o moço do tatame* tinha o mesmo nome do piloto.

* atualizado depois da correção do leitor

Por via das dúvidas, que fique registrado.

Tenho muita simpatia por vários pilotos da Stock, especialmente pelo Cacá Bueno, meu colega nas transmissões de Fórmula 1 da Bandeirantes, e pelo Ricardo Maurício, tradicional consultor da Porsche Cup Challenge Brasil. Também por Marcos e Pedro Gomes, que vi correr desde que eram adolescentes. A todos, boa sorte. Ao Camilo, se vencer, lembre-se de mim!

Sunday, August 03, 2008

Sorte prostiana


Desta vez, não estou escalada para fazer a análise da corrida de Fórmula 1 pelo GPTotal, mas não resisto a um breve comentário. O GP da Hungria teve uma das mais belas ultrapassagens da Fórmula 1 dos últimos tempos, quando Felipe Massa, largando em terceiro, colocou sua Ferrari por fora, travou os pneus em uma freada retardada e superou o inglês Lewis Hamilton, que largara na pole. Massa, hoje, correu mais que o carro. A Ferrari sempre esteve atrás da McLaren no final de semana em Budapeste, sinalizando um claro favoritismo do time inglês.

Massa reverteu essa aparente desvantagem com um arrojo que lhe é peculiar. É certo que o excesso de ímpeto às vezes lhe traz dissabores, mas não hoje. Massa vinha fazendo tudo certo, e também a Ferrari, que parece ter acertado na estratégia, programando um terceiro trecho mais curto da corrida, depois do segundo pit stop.

Enquanto isso, Hamilton, que parecia imbatível até essa largada desde já mítica, viu a mão pesada do infortúnio sobre seus ombros, quando teve um pneu furado. Tudo parecia bem frustrante para o inglês, que além de perder a corrida, perdia também a liderança do campeonato para Massa. Até que o motor de Massa estourou.

Restando sete provas para o final da temporada, a falta de sorte de Massa parece diametralmente oposta à estrela brilhante de Hamilton. Ainda que as coisas saiam errado para o inglês, o destino parece encarregar-se de consertar. Lembra, cada vez mais, a sorte de Alain Prost, especialmente no Mundial de 1986.

E, a propósito, Kovalainen venceu.

Saturday, July 26, 2008

Para gostar de ler - Travessuras da menina má


Pensei muito antes de escrever este post - e de abrigá-lo na seção "Para gostar de ler". Fundamentalmente, porque não gostei desse romance de Mario Vargas Llosa, e me pareceu desonesto apresentar a obra como um exemplo que possa inspirar qualquer um a gostar de ler. Mas a reflexão acerca do tema ressaltou um aspecto: o fato de eu não ter gostado do livro não o torna necessariamente ruim, e havia percepções da obra que eu gostaria muito de compartilhar com os leitores, daí sua presença aqui.

Ao contrário dos outros livros da seção, esse não foi degustado recentemente. Li-o em janeiro de 2007, durante uma viagem a Maceió. Antes de falar sobre o livro, admito que não sou grande conhecedora de Vargas Llosa, e tenho razões, digamos, ideológico-sentimentais para isso. Quem se interessa um pouco sobre literatura latino-americana há de saber que existe um antigo contencioso entre o peruano Vargas Llosa, transformado com o tempo em um representante da intelectualidade neo-liberal, e o colombiano Gabriel García Márquez, sempre afeito às forças de esquerda. Quem lê este blog com alguma frequência sabe que García Márquez está entre meus escritores preferidos, talvez o número 1 da lista. Ora, a antipatia por Vargas Llosa nasceu na base do "inimigo do meu amigo". Se gosto de García Márquez e García Márquez não gosta de Vargas Llosa, não gosto de Vargas Llosa.

Até que um dia desafiei-me a ler um de seus romances - "O paraíso na outra esquina" - que na verdade são dois romances escritos em seqüência, numa construção primorosa de dois personagens unidos pelos laços de sangue, afastados pelo tempo e pela geografia, mas umbilicalmente ligados pela ânsia de liberdade. Adorei o livro e me lancei sem medo em "Travessuras da menina má".

Não há como negar, é um livro bem escrito. Vargas Llosa tem uma prosa de fluência invejável e vai enredendo o leitor com elegância. Os fatos encadeados são prosaicos, não há um traço de fantasia exagerada na trama, o que aproxima o leitor daqueles personagens, fazendo-o mais íntimo à medida que a história se desenrola porque, afinal de contas, aquelas situações poderiam ter acontecido com qualquer um.

O enredo é o seguinte: um jovem peruano apaixona-se por uma garota - a menina má do título - na adolescência. Ela exerce um poder intenso sobre ele, de maneira quase cruel, e o abandona. Desiludido, ele se muda para Paris, para trabalhar com tradutor. Anos depois, reecontra a garota, que passa a cruzar novamente sua vida de tempos em tempos, cada vez em uma condição diferente - desertora de um grupo militante em Cuba, depois casada com um francês, depois vivendo com um inglês, depois dominada por um japonês. Ela sempre volta, ele sempre a aceita, e ela sempre o descarta. A história segue nessa toada, que uma hora se torna previsível, até alcançar seu desfecho sob os desígnios do deus-autor, em um ato de ajuste de contas com a personagem-título.

À medida que lia o romance, eu enxergava no protagonista um alter-ego do próprio Vargas Llosa. Embora ele mesmo tenha se mudado para Paris já casado, era impossível dissociar o jovem peruano que domina línguas do autor que também floresceu profissionalmente na capital parisiense. Quando seu destino cruza com a menina má em Tóquio e ele a vê dominada por um empresário japonês sádico, a identificação se ampliou. Eu não apenas via Vargas Llosa em Ricardo, o personagem central, como via o personagem japonês como alegoria do ex-presidente peruano Alberto Fujimori. Vargas Llosa, em sua incursão política, perdeu a eleição presidencial para Fujimori, em 1990.



Passei, então, a ver a menina má não mais como a personificação de uma paixão dilacerada, mas também como uma alegoria do próprio Peru na vida do autor. Ele se afasta dela, vai morar na Europa, mas ela permanece vívida em sua lembrança, e o segue, onde quer que ele esteja - Paris, Londres, Tóquio, Madri. Pois esta não é a referência habitual de todo expatriado? Sentir-se estrangeiro em toda parte, retomando a todo o tempo sua origem? E mais ainda: ao ver a menina má (o Peru?) entregue nas mãos de um japonês sádico (Fujimori?), não está Vargas Llosa purgando seu próprio inconformismo de ver sua garota (seu país?) entregando-se voluntariamente (pela força das urnas?) a alguém que só se compraz em maltratá-la?

Era esta, principalmente, a impressão que eu gostaria de compartilhar com os leitores do blog. Quem aí leu esse livro? Concorda com esta leitura ampliada?

Mas, afinal, preciso explicar por que não gostei do livro, apesar de reconhecê-lo como bem escrito. Basicamente, porque o autor/narrador/personagem toma para si, todo o tempo, uma condição vitimizada. Fica evidente que, no capítulo seguinte, a menina má vai retornar, seduzir e reconquistar o mártir, para depois abandoná-lo. Ele segue nessa rotina auto-punitiva como se preparasse o desfecho, usando a mão de um deus onipotente que recompensa seu sofrimento com a punição irregovável da menina má. Como se ele pudesse, com sua pena, mostrar à menina (ao Peru?) como ela errou ao se entregar nas mãos do japonês pervertido.

Monday, July 21, 2008

Fora do script

Saiu tudo ao contrário do que Lewis Hamilton tinha planejado. Mesmo assim, deu certo. E mais ao contrário ainda, e melhor impossível, para Nelsinho Piquet. E Massa, hein? Lá no GPTotal, a análise do GP da Alemanha. Vai lá, vai.

Sunday, July 13, 2008

Mulheres na frente



Na noite de sábado, a brasileira Bia Figueiredo entrou para a história, tornando-se a primeira mulher do país a vencer uma corrida de carros fora da América do Sul. A vitória de Bia aconteceu na corrida de Nashville, válida pelo campeonato da Fórmula Indy Lights, categoria de jovens pilotos, aspirantes à Fórmula Indy.

Bia, que agora quer ser chamada de Ana Beatriz, para facilitar a pronúncia dos norte-americanos, tem mostrado potencial há alguns anos, destacando-se nas categorias de base do Brasil, como na Fórmula Renault. Chegou à Indy Lights neste ano e ontem conseguiu sua primeira vitória.

O dia foi histórico para o automobilismo brasileiro por conta da façanha de Bia, cuja corrida foi relatada com detalhes pela repórter Evelyn Guimarães, do site Grande Prêmio. (Outros sites também deram destaque para a vitória de Bia, como o Tazio, mas eu não poderia deixar de destacar este texto, escrito por uma mulher, concordam?).

As mulheres estão conquistando inequívoco espaço no automobilismo da América do Norte. Há pouco mais de dois meses, a norte-americana Danica Patrick tornou-se a primeira mulher a vencer uma corrida da Fórmula Indy, disputada no circuito japonês de Motegi.

Peço carona à Bia, desde já eleita heroína deste blog, para contar brevemente minha pequena façanha. Neste domingo, disputei a Corrida do Inverno do Circuito das Estações, no Pacaembu. Quem lê este blog pode se lembrar que foi na Corrida do Verão, há quase sete meses, que bati meu recorde para provas de 10 km, com a marca de 49min00.



Da esquerda para a direita: o palmeirense Nilton, Zoca, Simone, Zé Eduardo, Alessandra, Patrícia, Alexandra e Fábio

De lá para cá, não tinha conseguido igualar o tempo, chegando no máximo a 49min16, em prova disputada no bairro do Ipiranga, há quinze dias. A corrida do Pacaembu tem muito mais trechos planos que a do Ipiranga, o que me fazia ter esperança de chegar perto do recorde desta vez.

Na tarde de sábado, recebi um e-mail do meu colega Henry Hanada, o japonês que me “puxou” na prova de dezembro, dizendo que desta vez não poderia correr, mas que eu carregava a responsabilidade de fazer a prova na casa dos 48 minutos. Este, na verdade, já era meu objetivo, mas preferi ficar “na moita”, sem alardear os planos, principalmente porque meu técnico, José Eduardo Pompeu, não gosta que criemos esse tipo de expectativa.

A manhã estava bem fria na hora da largada, às 8h. Um termômetro público, na Praça Charles Muller, marcava 14°. Cerca de cinco mil pessoas largaram, o que não é nenhum exagero para essa prova, que é disputada a maior parte do tempo em vias largas, como o Pacaembu e o Elevado Costa e Silva, o famoso Minhocão, esse verdadeiro horror arquitetônico de São Paulo.

Seguindo a orientação do Zé, fui aquecendo nos dois primeiros quilômetros, sem forçar muito, mas já fazendo cada trecho de mil metros abaixo dos cinco minutos. Quando virei no quilômetro cinco, estava na faixa de 24 minutos, ou seja, era questão de manter o mesmo ritmo para ficar na casa dos 48 minutos.

Depois de fazer este percurso seis vezes, já tenho alguns conceitos bem definidos sobre ele. O mais óbvio, que no entanto só se percebe quando se corre a pé ali pela primeira vez, é o fato de que a chegada, na Praça Charles Muller, representa uma leve mas contínua subida. Outra constatação, cristalizada hoje, é a do ponto crítico da prova – entre os quilômetros seis e sete, ainda sobre o Minhocão, com uma subida forte e o componente psicológico contrário, de se começar a perceber o cansaço, com mais de quatro quilômetros para o final.

Mesmo ali, entre o seis e o sete, eu continuava com o ritmo forte, passando abaixo dos cinco minutos a cada quilômetro, mantendo uma freqüência cardíaca próxima dos 180 bpm o tempo todo. (Na prova do Verão, eu sempre diminuía o ritmo quando chegava a esse pico, para voltar ao estágio dos 177 bpm, que já é alto, mas me garantia mais conforto em dezembro. O que me deixou feliz na prova deste domingo, também, foi a constatação de que estou conseguindo manter um ritmo forte, traduzido na freqüência cardíaca, durante um longo período.)

Voltando à avenida Pacaembu, no quilômetro oito, chequei o cronômetro e encontrei 38 minutos, ou seja, eu poderia manter o ritmo pouco abaixo dos cinco minutos que atingiria a meta. Foi o que fiz, porque sabia que não conseguiria melhorar o desempenho com a ligeira subida do final da prova. Quando cheguei à Praça Charles Muller, percebi que havia passado a corrida inteira sem ter nenhum insight para escrever o relato, como habitualmente acontece. Eu estava cem por cento concentrada na corrida, o que talvez ajude a explicar o bom desempenho.

Bom, na verdade, não. Parei o cronômetro com a marca de 48min26, meu novo recorde para provas de 10 km! Fui 39ª entre todas as mulheres, a 6ª na minha faixa etária. Com a licença da Bia Figueiredo, que chegou à frente dos homens da categoria no sábado, eu fiz o mesmo em relação aos marmanjos da minha equipe. Com todo respeito, senhores, esqueçam aquela história de que “atrás de um grande homem” etc. etc....

(Com o tradicional agradecimento ao colega Nilton Hayashi da Cruz, pela foto.)

Tuesday, July 08, 2008

Que pátria?

Bem, apesar do atraso por conta da Telefônica, segue o link para a minha mais recente coluna no GPTotal. (Procure no menu do meio da página, já que não é mais o destaque da home). Uma discussão que nasceu aqui no blog e virou o tema principal da coluna: qual a relação entre o esporte e a pátria? Um representa o outro? Quando torce contra o "Brasil", você se coloca contra o Brasil?

Fora do ar

Amigos deste blog, desculpem pela longa ausência nos últimos dias. Fui e ainda sou uma das vítimas da Telefônica e de seu apagão na internet. A conexão do escritório, acreditem, está fora do ar até hoje, terça-feira, dia 08 de julho, quase uma semana depois da pane.

Juro que não tenho paciência nem vontade para descrever a seqüência de problemas que a Telefônica tem me feito passar nesta última semana. Na verdade, acho que a Telefônica não merece que eu gaste minha energia nisso. Felizmente, a conexão de casa não é dessa empresa, o que me possibilitou escrever este breve post.

Tenham paciência, como eu... Uma hora, resolve.

Atualização: Resolveu! Hoje, finalmente, a Telefônica religou minha banda larga.

Sunday, June 29, 2008

Em nome do pai

Já não me lembro quantas vezes corri no circuito do Ipiranga, pois há duas provas por ano naquele local - uma sempre no final de junho ou começo de julho, em homenagem ao Dia do Bombeiro, e outra em setembro, marcando a Independência. Sempre gostei de correr lá e sempre tive uma porção de motivos por este apreço.

Correr em locais como o Ipiranga, o Centro de São Paulo e o circuito do Barro Branco é uma oportunidade de sair do binômio USP-Ibirapuera, que domina amplamente o calendário. Mas tem mais. O trajeto é altamente desafiador, com uma ladeira longa entre os quilômetros seis e sete, o que modifica totalmente a estratégia habitual. Não dá para apenas aumentar o ritmo progressivamente, pois esse trecho, já na segunda metade da prova, quase sempre representa uma diminuição no desempenho.

Um motivo adicional é o local onde se monta a arena - o Parque da Independência, bem em frente ao Museu do Ipiranga. Certamente, um dos lugares mais bonitos de São Paulo, com aquele jardim copiado de Versailles, com a beleza arquitetônica do museu a emoldurá-lo. Um lugar com muitas árvores, como toda a cidade deveria ser...

Mas, sendo muito honesta, devo confessar que a prova do Ipiranga sempre me remete ao meu pai. Durante um curto período da minha vida profissional, trabalhei no mesmo endereço que ele. Eu, começando a carreira. Ele, às portas da aposentadoria. Éramos de áreas bem diferentes, já que meu pai era engenheiro mecânico. Mas, por conta dessa circunstância, durante um ano fomos juntos para o trabalho, no carro dele, e passávamos todos os dias por aquele pedaço da cidade.

É impossível passar pela avenida D. Pedro I ou pela avenida Nazareth e não recordar aquelas manhãs. Íamos a caminho da Ford, em São Bernardo do Campo, empresa na qual ele trabalhou por trinta anos e na qual fui assessora de imprensa por dois anos e meio. Hoje, treze anos depois desse período, oito anos depois que ele se foi, já é agradável passar por ali. Lembro dos nossos rituais e piadas, e de uma brincadeira macabra que constituía em "atropelar pessoas". Claro que ele não passava com o carro por cima de ninguém, mas a cada oportunidade que tínhamos de deixar um pedestre atravessar na nossa frente, contávamos os pontos para nosso joguinho. Gente carregando sacola valia mais pontos, assim como indivíduos de boné, mochila etc. Éramos normais, não se engane.

Claro, não foi sempre assim, tão tranqüilo, lembrar desses tempos. Nos primeiros anos de sua falta, alguns lugares, gestos e hábitos repercutiam na memória como uma fisgada no peito. Talvez, naquele tempo, eu não conseguiria nem correr pelas ruas do Ipiranga. E quando os mais experientes, que já tinham passado por perdas semelhantes, diziam que uma hora isso ia passar, era difícil de acreditar.

No entanto, hoje passo pela avenida D. Pedro I e por seus casarões antigos, subo a Nazareth com os olhos magnetizados pelo museu e já não vem a tristeza. Vem a lembrança do joguinho esdrúxulo, das piadas, das fitas cassete que íamos ouvindo no carro.

Meu pai certamente ficaria entusiasmado com meu engajamento nas corridas. Na falta dele, fui encontrando nesse circuito alguns "pais" que me guiam, me puxam a orelha, me tratam com genuíno carinho de filha. O pai de todos, Zé Eduardo Pompeu, é o técnico e é Zé, como era meu pai também. Henry, meu grilo falante, é quase um pai bravo a me convencer de que posso ir mais rápido, mais forte, mais decidida. Zoca é outro pai de todos, por ser o mais velho e por ter, com sua (e nossa!) querida Valéria virado uma espécie de padrinho de todo o time.

Na corrida deste domingo, uma performance para encher de orgulho todos eles. Terminei em 49min16, que não é meu melhor tempo para 10 km, mas é um "temporal" para um circuito como aquele, com uma ladeira tão longa. De quebra, recebi duas medalhas. A verdadeira, da prova, e um prêmio inesperado. Meu amigo Henry, outro japonês da turma, me deu uma figurinha repetida de seu álbum da Eurocopa. Na foto, o tudo-de-bom Cristiano Ronaldo, titularíssimo do time de Portugal, terra dos meus avós, país que levava toda a simpatia... do meu pai.

Friday, June 27, 2008

Maria (quase) Gasolina

Em minhas andanças pelos autódromos, lá no Paleolítico, costumava ser muito mais fácil falar com os pilotos, e isso vale também para os de Fórmula 1. As restrições à imprensa eram muito menores naquela época e os pilotos não eram engessados nessas regras de só falar em horários pré-determinados, em ambientes assépticos, com os logotipos dos patrocinadores estrategicamente posicionados para aparecer nas imagens. Era chegar, testar o humor do sujeito e, se rolasse, engatar as perguntas ali mesmo, encostados na mureta do pit lane ou nas portas de ferro do box.

(Nunca me esqueço de que, certa vez, fiquei esperando um tempão para falar com Alain Prost depois do GP do Brasil de 1993, encostada na porta do box. Quando saí, notei que minha calça jeans estava toda suja de graxa. Que ódio!)

Em 1992, o contraste era ver o poderio quase bélico da Williams, com sua suspensão ativa que fazia os carros se mexerem "sozinhos", em testes bem provocativos no intervalo entre um treino e outro, e as condições mequetrefes dos times menores, como Fondmetal ou Larousse. Nada, porém, se comparava à pobreza e ao amadorismo da natimorta Andrea Moda.

A equipe era uma piada a começar pela origem. O dono, Andrea Sasetti, era um empresário do ramo de calçados que achou por bem criar uma equipe de Fórmula 1. As condições eram mais do que precárias. O carro da equipe nunca tinha sido testado. Na semana anterior ao GP do Brasil, os dirigentes do time ficaram prometendo testes em circunstâncias mais que inverossímeis, a ponto de cogitarem colocar o carro para andar no aeroporto do Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo. Não rolou teste nenhum e há quem jure de pé junto ter visto mecânicos da equipe emendando a carenagem do carro com silver tape.

Isso eu não vi mas, meninos, eu vi. Vi Roberto Pupo Moreno, um dos pilotos da equipe, dar uma entrevista sem pé nem cabeça, acreditando não só que o carro andaria como também que ele se classificaria para a largada. Para quem não sabe, naquela época a Fórmula 1 tinha mais carros inscritos que posições no grid, deixando sempre pelo menos quatro carros fora da corrida. Largavam 26 pilotos, imagine...

Pois a Andrea Moda não só ficou na degola de pré-classificação como foi capaz de rodar apenas com um único carro, justamente o de Moreno. O tempo da pole, obtido por Nigel Mansell, foi de 1min15s703. O último colocado no grid, Johnny Herbert com sua Lotus, marcou 1min20s650. A penúltima colocada na pré-classificação, a italiana Giovana Amati, marcou 1min26s645. Achou grande a diferença? Pois então se segure. Moreno, com a paquidérmica Andrea Moda, registrou o inacreditável tempo de 1min38s569! Doze segundos a mais que a penúltima colocada, 23 segundos a mais que a pole!



Junto a Moreno, no box da Andrea Moda, estava um piloto inglês, carequinha e simpático, chamado Perry McCarthy. Na sala de imprensa, tínhamos visto seu nome na lista de inscritos, mas nenhum dos repórteres brasileiros conhecia o indivíduo. Em um tempo no qual só se falava de Ayrton Senna e de seu desalento em perseguir a esquadra da Williams, ninguém deu muita bola para Perry McCarthy. Numa dessas idas e vindas entre sala de imprensa, paddock e pitlane, deparei-me com meu colega de Folha de S. Paulo Edgar Alves, junto a um pequeno grupo, na frente de um box.

Cheguei e vi um loirinho calvo, já entrado na casa dos 30, descrevendo uma manobra como se narrasse um desenho animado. Gesticulava explicando o movimento do carro e a subseqüente batida, usando onomatopéias o tempo todo. "Pum, pow, poff, crash!" E se ria todo, lembrando de alguma corrida, em algum rincão da Europa, que provavelmente ninguém mais viu. Percebi que o figura era Perry McCarthy e fiquei ali, pescoçando a conversa. Como era natural, o então repórter do Jornal da Tarde estava junto comigo.

Em dado momento, inquirindo o piloto sobre mais detalhes de sua vida e carreira, Edgar Alves perguntou se McCarthy era casado. O safadinho virou-se para mim, entre jocoso e galante, arregalando os olhos e dando piscadelas cômicas. "Quem está perguntando?", disse em um inglês bem arretado. Ao que Edgar respondeu: "Ela!", referindo-se naturalmente a mim. E Perry: "No, I am not!"

Com meus 20 e pouquinhos anos, corei. Ao lado do namorado, acrescentei constrangida. "But, I am...". E o repórter do JT arematou: "Yes, with me!".

Perry não perdeu o rebolado. Virou-se para o jovem jornalista, estendeu-lhe a mão e disse: "With you! Oh, congratulations!" A entrevista informal terminou em risadas. A aventura de Perry McCarthy na Fórmula 1 não completou uma volta sequer, e assim acabou minha curtíssima carreira frustrada como Maria Gasolina.

Sunday, June 22, 2008

Pelo amor e pela dor

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Felipe Massa, ao vencer e se tornar líder do campeonato, parece ter encontrado o equilíbrio que lhe faltava em outras temporadas. Uma análise deste histórico GP da França de 2008, lá no GPTotal. Vai lá, comenta aqui, ou lá, onde quiser!

Tuesday, June 17, 2008

A seguir, cenas dos próximos capítulos...


Soube pela internet que o SBT está reprisando a novela "Pantanal", exibida originalmente pela extinta TV Manchete. Quando li a notícia, comentei com a jornalista Tatiana Napoli, que trabalha comigo, sobre um dos grandes legados de "Pantanal" - o fim do tradicional "a seguir, cenas dos próximos capítulos...".

Tati, que é bem mais nova que eu, não conhecia essa verdadeira instituição da teledramaturgia brasileira. E se ela, que é bem antenada, demonstrou desconhecer o tema, imagino que boa parte das gerações jovens jamais tenham visto um final de capítulo arrematado pela tal frase.

Desde que Eva Wilma e Johnny Herbert cruzaram as linhas em "2-5499 Ocupado", a primeira telenovela diária do Brasil, o final do capítulo seguia sempre a mesma fórmula. Antes do último intervalo, em vez de aparecer o tradicional "estamos apresentando", vinha a frase lapidar "a seguir, cenas dos próximos capítulos". Tome reclame e, na volta, um pequeno clip mostrava cenas a serem exibidas. Às vezes, sem os diálogos, com uma das músicas da trilha sonora percorrendo as cenas. Em outras ocasiões, com os diálogos. Nos primórdios, entravam as cenas recortadas e um locutor repetia um mesmo texto, dia após dia, algo como "amor, emoção, traição, cobiça... tudo isso em... Fogo sobre terra!".

E por que sumiram com o tal "a seguir, cenas dos próximos capítulos"?

Aí é que entra "Pantanal" na história. A telenovela, uma xaropada como quase todas, só que com muita gente pelada, balançou a audiência da Globo. A novela ia ao ar depois do tradicional horário da novela das oito da emissora do Jornalista Roberto Marinho (sic). Só que a zapeada era tão violenta rumo à Manchete que a Globo começou a se preocupar com a baixa audiência de suas atrações seguintes, a chamada linha de shows. Para tentar evitar que os telespectadores mudassem de canal já no último intervalo, o que antecedia as tais "cenas dos próximos capítulos", a Globo começou a colar a atração seguinte na novela, sem direito a intervalo nenhum.

Talvez a solução de emergência tenha se mostrado vantajosa de alguma forma, porque aos poucos as "cenas dos próximos capítulos" foram sumindo de todas as outras novelas, até desaparecer de vez.

Além de introduzir o desfile de peladas lânguidas em paisagens idem, "Pantanal" talvez entre para a história da teledramaturgia nacional como a novela que acabou com "cenas dos próximos capítulos" embora, ela mesma, tivesse as suas.

Wednesday, June 11, 2008

Atendendo a pedidos

Desde que inaugurei este blog, em 29 de janeiro de 2006, nunca tinha mudado seu layout. Meu "filho" Bruno Vicária, dono da Laje de Imprensa, blog que se traduz por ser uma espécie de metamorfose ambulante, já tinha tirado uns sarrinhos, de leve, da estagnação deste meu espaço. Meu filho, outro blogueiro com sede de mudança, pediu, reiterou, insistiu e hoje, finalmente, graças a uma irresistível ligação no final do dia, conseguiu me convencer.

Foi me guiando pela lista de layouts disponíveis, dando idéias e sugerindo cores. Por fim, decretou: coloque uma foto sua! Aquela, de cabelo preso. Que nem é uma foto do dia-a-dia, pois raramente uso o cabelo preso.

O que uma mãe não faz...

Tuesday, June 10, 2008

Embalos de sábado à noite

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Seja em treino ou corrida, penso sempre a mesma coisa antes de completar o primeiro quilômetro: "O que estou fazendo aqui?". É irresistível abandonar-se à reflexão acerca do sentido de correr, de extenuar-se, de elevar o batimento cardíaco ao nível do desconforto. O sentido ou a falta dele. Como bem lembrou Drauzio Varella há algumas semanas, em artigo na Folha de S. Paulo, exercitar-se não é algo natural para animais na vida adulta. O homem é o único que tem de se forçar à atividade física programada, por ter adotado uma vida tão prática e confortável. O que equivale dizer - tão sedentária.

Mas, depois de vencido o primeiro quilômetro, a coisa pega no tranco e a gente vai. Na verdade, a gente volta, pois correr é quase sempre movimentar-se em círculo, partindo de um ponto e voltando a ele mesmo. Outra reflexão que sempre se instala. Se era para voltar para o mesmo lugar, por que fui? Parece a anedota do caiçara, ouvindo o homem da cidade aconselhá-lo sobre a necessidade de pescar mais, vender mais, comprar mais um, dois, dez barcos, ter uma frota, ter empregados trabalhando para ele, a fim de que ele pudesse, finalmente, deixar-se ficar na beira da praia, só descansando, ao que o pescador responderia - "E não é o que eu estou fazendo agora?"




Ainda assim, venço a tentação da inércia e vou. No sábado, dia 7 de junho, fui pela 40ª vez. Em quase seis anos de corrida, 40 provas. Neste ano, por conta das transmissões da Fórmula 1, tenho perdido algumas corridas, a maioria programada para as manhãs do domingo. Por isso, me animei com a idéia de fazer uma prova noturna. Sim, sábado à noite. A turma da Equipe Conexão, sob o comando do treinador José Eduardo Pompeu, compareceu em peso. No caminho, indo de comboio para a Cidade Universitária, eu repetia a todo instante a mesma pergunta - "O que estou fazendo aqui?".

Tinha sido um sábado cheio de atividades. Logo pela manhã, festa junina na escola dele. Na hora do almoço, um aniversário na casa de amigos, com pausa para ver o treino do GP do Canadá. Na volta para casa, tempo apenas para trocar de roupa e seguir para a Paulista, onde a turma se reuniria. Saí de casa com uma sensação estranha, por deixar pai e filho meio à deriva, numa noite de sábado.

A prova, Fila Night Run, 10 km, tinha largada marcada para as 20h. O mesmo embaço de sempre na hora de estacionar o carro, retirar o chip e guardar as sacolas no guarda-volumes. Pouco tempo para aquecer, muita gente na largada, sentença dada - vamos aquecer nos primeiros dois quilômetros e ver o que dá para melhorar daí para a frente.

Pouco antes da largada, percebi que aquela não era apenas minha primeira prova noturna. Eu simplesmente nunca havia corrido à noite, nem em treino. Sou diurna, gosto de acordar antes do sol para aproveitá-lo todinho e sempre sinto o gás acabando quando o entardecer se instala. Some-se a essa tendência natural a correria de sábado e minha perspectiva não era para um desempenho notável na prova.

Chegando à USP, um reforço inusitado para a energia da turma. Zoca saca de sua sacola uma lata de biscoitos cheia de... bolinhos de chuva! Sua doce Valéria havia preparado um farto carregamento da guloseima, que até aquela data nunca tinha se mostrado especialmente indicada para a nutrição de atletas antes do exercício.










Não sei se foi o bolinho da Valéria, o horário da largada ou a vontade de ir embora logo, mas o fato é que comecei a me sentir muito disposta durante a prova, fazendo os primeiros quilômetros sempre acima dos cinco minutos, mas não muito mais que isso. A partir do quinto, comecei a apertar o ritmo e terminei em 50min20, bem acima do meu recorde de 49min00, mas bem melhor do que eu imaginava no início da prova.

Terminado o evento, na volta para o carro, com uma vontade louca de voltar para minha casa, tive certeza de que foi uma boa experiência, mas talvez única. Dez quilômetros na noite de sábado já é manifestação patológica. Comecei, continuei e terminei com a mesma pergunta rondando minha mente - "O que eu estou fazendo aqui?"

Friday, June 06, 2008

Al Capone

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O maior gângster da história foi preso por sonegar impostos. Quase como Max Mosley, absolvido pelo "motivo errado". No GPTotal, o desenvolvimento desse tema e uma análise das mazelas de Nelson Piquet, o segundo. Vai lá, vai.

Thursday, June 05, 2008

Avante, patrício!

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A Eurocopa começa nesta semana, com jogos na Suíça e na Áustria. O repórter Julio Gomes vai cobrir a competição e hoje trouxe uma entrevista exclusiva com o principal jogador de Portugal, Cristiano Ronaldo, candidatíssimo ao título de melhor jogador do ano.

Como forma de homenagear meus antepassados, junto-me à torcida de Portugal. É só por isso que este post vem ilustrado assim, tão lindamente.