Wednesday, March 11, 2009

Vamos falar de homens (com todo o respeito)



São Paulo, manhã de terça-feira nublada, porém abafada, sigo para o sofisticadíssimo Shopping Cidade Jardim, para a coletiva de imprensa da Citroën. A marca está entre os clientes que atendo junto com meu marido, e é sempre um prazer participar de seus eventos, por várias razões. As pessoas com que trabalhamos lá são ótimas - Carlos Costa, meu antigo chefe na Ford, Rogério Franco, Danielle Amadio, Fabiano. Os eventos são sempre bem organizados e divertidos, tenho a oportunidade de reencontrar colegas jornalistas com quem trabalhei em períodos anteriores e, um bônus, nessas ocasiões posso ouvir um pouco de francês e tentar desenferrujar o idioma.

A programação de ontem tinha múltiplos propósitos: apresentar a nova identidade visual da Citröen (ah, que gostoso! em francês, não nos privam do trema), lançar para a imprensa o novo e belíssimo C4 hatch e apresentar o novo presidente da companhia no Brasil. O evento aconteceu no cinema do shopping, e tinha razão para que fosse assim. A pièce de résistance da programação foi a exibição de um curta metragem, feito na França, sobre a nova identidade da Citroën. Um filminho nos moldes do seriado CSI, sobre o fictício roubo de um exemplar do DS Inside, carro conceito da Citroen.

Well, well, well...




No escurinho do cinema, sentada ao lado do meu marido, busquei nele mesmo a inspiração para este post. Eis que, em determinado trecho do filme, surge um dos maiores pilotos de rali de todos os tempos, o pentacampeão Sebastien Loeb, que corre pela Citroën no Mundial de Rali. Na hora, lembrei da série "Vamos falar de mulheres (com todo o respeito)", um dos destaques do blog PandiniGP. Nomes como Penélope Cruz, Patricia Pillar, Paula Toller e outras zinhas já foram destacadas lá. Pois aqui vai minha resposta.

Que Raikkonen, que Button, que Nico Rosberg, o quê!

Na minha opinião, Sebastien Loeb é o piloto mais bonito da atualidade, e entraria fácil na lista dos cinco mais bonitos de todos os tempos.

Manifestem-se vocês (de todos os sexos), sem preconceito.

Thursday, February 26, 2009

BBB



Então, é isso.

A Honda vem a público no final do ano para dizer que está fora. O presidente chora, alguns lamentam, outros dizem "bem que eu avisei", as especulações crescem, e aumentam, e levam a cenários diversos, alguns absurdos, alguns impossíveis, a maioria, risível.

Eis que, pouco mais de um mês antes do início do Mundial de Fórmula 1, uma das hipóteses ganha corpo - a do management buyout - e crescem as evidências de que Ross Brawn continuará chefiando a equipe. Tendo como pilotos... Jenson Button e Rubens Barrichello. Brawn, Button, Barrichello. Também nós, na F1, temos nosso BBB. Um quarto B poderia ter entrado na história. Mas parece que Bruno, o Senna, vai dançar. (Para um estreante, começar pela Honda de 2009 seria a sorte grande - quem poderia culpar o jovem piloto por eventuais fracassos com um carro que, se existe, ainda não foi para a pista uma única vez?)

Que neste instante, todos os editores, de todos os veículos de comunicação dedicados ao automobilismo, no mundo, unam-se em prece de agradecimento à montadora japonesa, repetindo:

"Obrigada, Honda, por alimentar nossos noticiários por todos esses meses."

Friday, February 20, 2009

Última volta

Aceitei o convite do colega Marcio Madeira da Cunha, que está reunindo relatos sobre todas as vitórias brasileiras na Fórmula 1 em seu site, o Última Volta. Coube-me escrever sobre o GP do Brasil de 1991, o primeiro a que assisti ao vivo, em Interlagos. Para ler meu testemunho, clique aqui. Parafraseando Flavio Gomes, leiam lá, comentem aqui.

Monday, February 16, 2009

Desaniversários

Nas últimas semanas, deixei escapar duas comemorações aqui do blog. A primeira foi no dia 29 de janeiro, quando este democrático espaço completou três anos. Foi no comecinho de 2006 que, instigada pelo meu padrinho blogueiro Pedro Alexandre Sanches, inaugurei este blog, com o post "A parábola do tremoço". Esqueci completamente de registrar a data, que mancada...

A outra não foi exatamente um esquecimento, mas falta de tempo mesmo. No último dia 12, esta blogueira chegou à última etapa antes dos "enta". Aproveito este post para agradecer a todos que telefonaram, chamaram pelo messenger, mandaram mensagens pelo orkut, enviaram e-mails. E aproveito, também, para conta um fato ocorrido na semana passada.




Academia, uma da tarde, TV ligada no Globo Esporte. Como era semana de clássico entre Corinthians e São Paulo, o programa exibiu trechos de jogos históricos entre os dois times. Sorte minha, pois naquele dia passavam lances da final do Campeonato Paulista de 1982. Fiquei lá, admirando aquele time da Democracia Corintiana, e fui me empolgando com os lances da partida, antecipando alguns deles, como o histórico gol do Biro Biro, impiedosamente imposto ao ótimo goleiro Valdir Perez com uma bola entre as pernas.

Eis que chega um dos professores da musculação, corintiano também, e começa a vibrar com os lances. "Nossa, esse jogo é histórico, um épico", e me juntei a ele, acrescentando mais detalhes daquele dia. Ao que ele se admira: "Nossa, que legal, você lembra desse jogo?" Se lembro, rapaz? Lembro do jogo e de tudo o que fiz naquele dia, como se fosse um filme visto ontem. Parei, olhei para o rapaz, que não é uma criança, nem um adolescente, mas um homem feito, e disparei à queima roupa: "Você não tinha nascido, né?". Não, não tinha...

Sunday, February 08, 2009

Será que ele é?


No post anterior, uma frase safada levantou a bola. Não é de hoje que o mundo da Fórmula 1 faz insinuações sobre a sexualidade do alemão Nico Rosberg. Na verdade, desde seus tempos de GP2, o lindo e loiro filho de Keke Rosberg é alvo de comentários sobre o tema. E, como costuma acontecer em ambientes predominantemente masculinos, a Fórmula 1 incluída, o tom quase sempre é de piada.

Há quase três anos, escrevi esta coluna sobre homossexualidade na Fórmula 1. Tirando a referência de que nunca havíamos tido um negro na categoria - Lewis Hamilton surgiu depois disso - o resto todo se mantém.

A Fórmula 1 é um ambiente machista, sectário, preconceituoso. Fosse um ambiente liberal, talvez já tivéssemos assistido a algumas saídas do armário nesses quase 60 anos de história. Porque - fala sério! - você não acredita que nunca, jamais, em tempo algum houve na Fórmula 1 algum piloto, projetista, chefe de equipe, mecânico gay, acredita?

Vi Nico Rosberg ao vivo nos dois últimos GPs do Brasil. O rapaz é muito bonito, magro e sarado. Na primeira vez que o vi, no lobby do Hotel Transamérica, me chamou a atenção seu modo de andar. Coluna ereta, ombros levemente arqueados para trás, passos rápidos e curtos. Recentemente, um colega definiu o caminhar de Nico como de alguém que "está andando sobre chão quente".



O leitor Claudio Ceregatti me pergunta se acho que Nico é gay. Jamais conversei com o piloto nem mantive contato com qualquer pessoa de seu convívio. Nunca li nenhuma declaração de Nico sobre o tema, por isso qualquer opinião minha a esse respeito seria baseada na observação de seu "jeito". Pesquisando na internet, descubro que Nico tem uma namorada chamada Vivian Sibold, alemã como ele (ou teve, já que a notícia é de 2006).

Ora, há quem tenha "jeito" de gay e não é gay. Por outro lado, há muita gente dentro do armário, que não tem gestos efeminados, e é homossexual. Definir pelo "jeito" é muito simplismo.

O que continua me incomodando nesse tipo de discussão é justamente a falta de espaço que o ambiente da Fórmula 1 - e dos esportes, em geral - oferece ao tema. Como eu disse na coluna, de quase três anos atrás, a gente não se choca ao ver um artista ou um estilista gay assumido, mas ainda se escandaliza quando os estereótipos do esportista (virilidade, coragem) chocam-se com os da homossexualidade.

Se Nico Rosberg é gay, onde estaria o maior problema: na eventual inclinação sexual dele ou na falta de ambiente da Fórmula 1 para se assumir como tal?

Thursday, February 05, 2009

O menor piloto de todos os tempos


Começo pedindo desculpas pela longa ausência. Não sei de onde tiraram a idéia de que o ano só começa depois do Carnaval, pois o meu começou quente. Estou trabalhando como um cortador de cana em plena safra, de sol a sol, mas não reclamo. Costumo dizer que, por trabalhar por conta própria, sou como um táxi - só ganho se estiver ocupada.

Também devo confessar certo desânimo em entrar nessas discussões de pré-temporada na Fórmula 1. Considero isso: a) inútil - quase tudo o que se fala nessa época é pura especulação; b) repetitivo - são sempre os mesmos e óbvios prognósticos, ainda que muitas vezes nós, analistas, quebremos a cara com nossas previsões e raramente façamos mea culpa depois; c) chato - sobretudo chato, já que ficamos parecendo um bando de fofoqueiros.

Leio notícia sobre os testes de inverno e sobre certo desânimo apontado por Fernando Alonso com seu R29. O carro, que é mais feio que o Kubica e o Buemi juntos, pode mesmo ser uma cadeira elétrica, mas prefiro esperar o show começar para dar todo crédito ao espanhol. É que, com vinte e cinco anos de Fórmula 1 no currículo, vivi o bastante para desconfiar de tudo. As palavras de Alonso me cheiram a blefe, e já vi tantos blefes na Fórmula 1... Alonso mal tinha saído das fraldas e eu já cobria os blefes de Ayrton Senna. "Não vou correr pela McLaren neste ano", "Vou correr na Fórmula Indy", blá-blá-blá... O novo Renault pode mesmo ser uma cadeira elétrica - os choques causados pelo KERS reforçam tal inclinação - mas prefiro esperar.

Mas era sobre o KERS mesmo que eu queria falar. Tido como grande revolução tecnológica, o dispositivo que recupera a energia de frenagem para reacelerar o carro é algo já banalizado em alguns sistemas de transportes. Na Europa, várias linhas de trens utilizam soluções semelhantes. No Brasil, veja só, há até ônibus rodando por algumas cidades com uma chamada "célula de combustível", que executa um processo parecido, recuperando a energia gerada pelos freios para reacelerar o veículo. No mundo aqui fora, tais dispositivos servem para economizar combustível e, portanto, otimizar o custo do processo. Com o apelo ecológico bombando em todas as direções, é algo muito bem vindo. E a Fórmula 1 pegou carona, desenvolvendo seu próprio sistema.

As equipes ganharam mais esse quebra-cabeça para atazanar a vida de seus projetistas. Como o brinquedo pesa entre 25 e 40 kg, a relação de peso dos carros mudou. E como o piloto vai dentro do carro, sobrou para ele também. A moda entre a pilotada, agora, é brincar de faquir. Os rapazes, que já eram magros, estão ficando pele e osso. Durante o inverno europeu, Fernando Alonso perdeu 3,5 kg. Meteu-se até com ciclistas de seu país, subindo montanhas para fazer descer o ponteiro da balança. Nico Rosberg, que já era um pau de virar tripa, confessa que passou o Natal contando calorias (teria abdicado do peru?). Se os nanicos Felipe Massa, Nick Heidfeld e Heikki Kovalainen emagrecerem mais, correm o risco de serem levados pelo vento.

Nunca tive muita paciência para aquelas intermináveis discussões sobre "o maior piloto de todos os tempos". Schumacher, Senna, Fangio, Nuvolari, o lenhador austríaco, sei lá mais quem... Parece que a geração atual subverteu essa questão. Estão todos empenhados em ser o menor piloto de todos os tempos.

Sunday, January 25, 2009

A tua mais completa tradução?

Hoje é dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Se você mora na capital paulista ou acessa os meios de comunicação daqui, certamente já ouviu ou ouvirá "Sampa", de Caetano Veloso, diversas vezes ao longo do dia. "Sampa", que é um clássico extraordinário, música e letra, tem diversas referências a ícones paulistanos, não apenas a esquina famosa - "(...)quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João".



Cita os poetas do concretismo, os Demônios da Garoa, os Mutantes. E cita Rita Lee, definida como "a mais completa tradução" da megalópole.

A "homenagem" de Caetano também vai enfileirando aspectos desabonadores à cidade, na ótica do poeta:

"deselegância discreta de tuas meninas”

“chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto”

“quem vem de outro sonho feliz de cidade
aprende depressa a chamar-te de realidade”

“povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas”

“feia fumaça que sobe, apagando as estrelas”



Sempre que ouço essa música penso nisso: se eu fosse a Rita Lee, estaria longe de considerar a citação de Caetano homenagem, senão vejamos. Ele fala de deselegância, mau gosto, povo oprimido, feia fumaça... e diz que Rita Lee é a mais completa tradução de tudo isso.

Homenagem uma ova!

(455 anos - Parabéns, São Paulo!)

Thursday, January 22, 2009

Ode à chapinha



Minha querida Barbara Gancia escreveu, entre vários posts sobre a posse de Obama, um que me calou fundo. Chamou atenção para as madeixas da mulher e das filhas do novo presidente do mundo. A íntegra do texto está aqui.

Barbara é contra a chapinha. Pensei várias vezes antes de confrontá-la. Não se desafia Barbara Gancia impunemente, sob risco de uma esculhambada pública ou de um ataque de seu cão Pacheco Pafúncio. Mas, como ela me deve um picolé de limão até hoje, pois não me pagou a aposta pelo final do Campeonato de Fórmula 1 de 2007, perdi o temor reverencial.

Destaco uma das frases de Barbara: "Particularmente, não consigo entender quem tem o cabelo linda e poderosamente encaracolado ter vergonha do que Deus lhe deu."

Barbara, doce italiana de cabelo bom, ouça-me bem. Não é vergonha, querida, é uma amálgama de sentimentos.

É acordar pela manhã, olhar-se no espelho e ver que seu cabelo está no sétimo andar, ainda que você more no sexto.

É gastar uma fortuna em shampoo sem sal (cabelo tem pressão alta?), condicionador, creme para pentear, defrizante, pomada, silicone, um exército de cosméticos empenhado na luta de domar os cachos para, ao final do dia, perceber que a batalha foi miseravelmente perdida.

É enfiar o pente no cabelo, depois de lavá-lo, e correr o risco de não conseguir tirá-lo. Se a tarefa for desembaraçar o cabelo de uma criança, então, prepare-se para choros e ranger de dentes.

É produzir-se inteira, ficar nos trinques para uma reunião de trabalho, uma festa de gala ou cineminha à noite e saber que parte disso não resistirá a uma inocente garoa. Cachos e chuva são incompatíveis, caso você não saiba. O que era cacho vira uma esponja arrepiada e a Cinderela que saiu de casa volta bruxa, sem apelação.

É gastar vários minutos de seu dia domando aquelas feras que se precipitam para fora de sua cabeça, feito cobrinhas em cachola de medusa. É ver a abençoada de cabelo liso sair do chuveiro, chacoalhar as madeixas de forma humilhante e sair com os fios pingando, certa de que eles estarão na mesma posição, várias horas depois.

É ter a certeza de que cabelo crespo é como bandido: ou está preso ou está armado.

Barbara, querida, não julgue Michele, Malia, Sasha, eu e todas as ex-cativas.

Viva a chapinha!

Tuesday, January 20, 2009

Lovely Aretha



O pouco que vi da posse de Barack Obama foi pelos telejornais, à noite, e pela internet, quase em tempo real. Consegui ver pouco ao vivo, pela Globo, e me chamou a atenção a foto que a emissora escolheu para ilustrar o fato - o rosto de Obama, meio de lado, com a luz insidindo na cabeça. Parecia uma aureóla de anjo. E assim reforçam-se os mitos.

Lamentei, de fato, não ter visto a apresentação de Aretha Franklin na posse. A descomunal dama do rithm´n´blues cantou "America - My Country Tis of Thee". Em geral, acho essas apresentações solenes muito chatinhas. E cantoras de voz potente cantando hinos de forma meio desfigurada sempre me fazem lembrar da simpática Fafá de Belém. Mas a escolha de Aretha tem muito significado.

Aretha é, sem exagero, herdeira musical de minha "ídola" Dinah Washington. Consta que a consagrada Dinah, pouco antes de morrer, esteve em uma festa de noivado de Aretha, abençoando a jovem nubente e a voz da jovem nubente, elegendo-a como sucessora. (Essa história sempre me lembrou daquele mito sobre a morte de Cacilda Becker, morta em cena. Diz a lenda que a grande dama, ao ser carregada já desfalecida por entre a platéia, teria esbarrado sua mão em Marília Pera, como se a ungindo herdeira artística.)

Com ritual ou não, o negócio é que Aretha Franklin tornou-se uma das maiores cantoras norte-americanas e se mantém ativa há mais de quarenta anos. Sendo herdeira de Dinah, acaba sendo herdeira de Billie Holiday, que imortalizou a devastadora "Strange Fruit", um dos maiores libelos artísticos contra o racismo, cuja história completa está aqui. Nada mais significativo do que a voz de Aretha para embalar a posse do primeiro presidente negro dos EUA.

Quer ouvir um arrasa-quarteirão na voz de Aretha Franklin? Procure "Jumpin´Jack Flash", dos Stones, com participação especial dela. Se você não sair dançando depois disso, bom sujeito você não é...

Monday, January 19, 2009

27 anos sem ela



Elis Regina, 27/03/1945 - 19/01/1982

Nova esperança bate coração
Renascer cada dia como a luz da manhã
Despertar sem medo, enganar a dor
Disfarçar essa mágoa que anda solta no ar

Ter que acreditar no regresso da estação
Como o sol volta a brilhar, como as chuvas de verão
Ter que acreditar só pra ter razão
De sonhar mais uma vez

Nova esperança bate coração
Renascer cada dia como a luz da manhã
Semear a terra certo de colher
Da semente o fruto depois descansar

(Nova Estação, Luiz Guedes/ Thomas Roth)

Tuesday, January 13, 2009

Por toda a minha vida (Exaltação ao amor)


Um dos hits das minhas curtas férias foi o CD "Roberto Carlos e Caetano Veloso e a música de Tom Jobim". O CD nasceu dos espetáculos feitos pelos dois em 2008, como parte da celebração pelos 50 anos da Bossa Nova.

Cheio de clássicos, tem quatro músicas cantadas pelos dois. A melhor, na minha opinião, é "Wave". E tem essa apaixonada "Por toda a minha vida (Exaltação ao amor)", lindamente cantada por Caetano Veloso.

Letras de Vinícius de Moraes já são um clássico deste blog, e sigo achando uma enorme covardia alinhar Vinícius a outros letristas da música brasileira. Vinícius era um poeta fazendo letras de música, o que já lhe dá vários corpos de vantagem sobre todos os outros.

Ao ouvir Caetano, que aos 66 anos de idade parece cantar ainda melhor que na juventude, é natural lembrar da interpretação de Elis Regina para a mesma música, do mítico "Elis & Tom", de 1974. Ambos cantam como se fossem o noivo ou a noiva, exaltando o ser amado ao pé do altar. Um dado interessante é que a letra, com pequeníssimas adaptações, pode revelar o eu-poético feminino e o masculino.



Elis cantou assim:

Oh! meu bem-amado
Quero fazer de um juramento uma canção
Eu prometo, por toda a minha vida
Ser somente tua e amar-te como nunca
Ninguém jamais amou ninguém

Oh! meu bem amado, estrela pura aparecida
Eu te amo e te proclamo
O meu amor, o meu amor
Maior que tudo quanto existe
Oh! meu amor

Caetano, assim:

Minha bem-amada
Quero fazer de um juramento uma canção
Eu prometo, por toda a minha vida
Ser somente teu e amar-te como nunca
Ninguém jamais amou, ninguém

Minha bem-amada
Estrela pura aparecida
Eu te amo e te proclamo
O meu amor, o meu amor
Maior que tudo quanto existe
Oh, meu amor

Vinícius, seu bandido: por sua causa, e de gente como Drummond, é que desisti de ser poeta. Vocês escreveram em verso tudo o que eu gostaria de ter escrito.

Monday, January 12, 2009

Puto maravilha


Calma, minha gente, não é nada do que vocês podem estar pensando...

Não voltei das férias mais boca suja do que antes. O "puto", do título, é apenas a maneira lusitana pela qual nossos colegas d´além mar se referem a menino, rapazote. Meus leitores portugueses podem confirmar (alô, Speeder; alô, Flavia!).

O admirável Cristiano Ronaldo foi eleito hoje o melhor jogador de futebol de 2008, pela Fifa. Recebeu o troféu das mãos de Pelé. É certo que muita gente acha o português mais marketing do que bola. Também é certo que ele nunca foi, por Portugal, tudo o que foi para o Manchester United. É certo, também, que ele é mais habilidoso individualmente do que coletivamente.

Mas como é bonito vê-lo com a bola aos pés... Em muitos sentidos!

O título deste post é referência a uma reportagem que meu filho viu em um blog há alguns meses, e que o fez dar muitas risadas, justamente por não entender a utilização do "puto". Referia-se à vitória de Sebastian Vettel no GP da Itália e o apresentava exatamente assim - Puto maravilha.

Se há contestações sobre o título dado hoje à Cristiano Ronaldo, toda a polêmica se cala diante de Marta. Três vezes eleita a melhor do mundo, a brasileira deve ser uma unanimidade até se aposentar. Não é demais dizer que Marta é o Pelé do futebol feminino. Que orgulho, Marta! Que inveja de você nessa foto, Marta...

Thursday, January 01, 2009

São Silvestre

Quando nasce o primeiro filho, você acorda várias vezes à noite para ver se ele está respirando.

Quando nasce o segundo, você acorda se ele chora.

Quando nasce o terceiro, você nem acorda mais.

Tive apenas um filho, mas já corri três São Silvestres, e acho que esse sentido de normalidade, de rotina, acaba se acomodando nesse tipo de situação também.

Não fica mais fácil, nem menos divertido, nem menos marcante ou emocionante. Mas não há o frisson do novo, a sensação de se fazer algo inédito. Mas, que diabos, é a São Silvestre, éramos mais de vinte mil ali, tudo bem, mas não é todo mundo que corre quinze quilômetros em um percurso difícil como aquele. Vale o registro detalhado?

Digam vocês.



Como na primeira vez, em 2006, fui para a região da Paulista escutando o CD "Technicolor", dos Mutantes. Naquela ocasião, ele era novinho, um dos presentes de Natal daquele ano, e eu estava ouvindo muito Mutantes na época. Adotei-o como tradição da prova e mandei ver este ano também. Escutei a faixa título, depois "Virginia", depois "She´s my shoo-shoo", versão para o inglês de "A minha menina", do então Jorge Ben. Tirei o CD para colocar uma coletânea do U2, com a intenção de ouvir "Beautiful Day", um hit atual dos meus caminhos por São Paulo, mas reconheci a voz do Ricardo Capriotti no rádio. Acabei desistindo do CD.

Capriotti, apresentador da Bandeirantes, é um entusiasta das corridas e lançou, neste ano, um programa chamado "Fôlego", dedicado à modalidade. Fez mais: facilitou um programa de treinamento para um grupo de ouvintes, que partiram do zero e, em cem dias, alcançaram condicionamento para correr a São Silvestre. Tenho acompanhado as notícias do grupo nesses últimos meses e acabei estacionando o dial na Band, até chegar ao estacionamento.

Lá, outro ritual. Deixei o carro na garagem do meu escritório e subi a pé para a Paulista. Seguindo pelas ruas, "fantasiada" de corredora, ouvi os habituais cumprimentos e desejos de boa sorte de alguns transeuntes. Corro o ano inteiro e eventualmente ando pelas ruas antes de chegar à largada, mas só escuto esse tipo de manifestação na São Silvestre, o que explica o apreço de quem corre essa prova por esses pequenos detalhes.

Chegando à Brigadeiro Luís Antônio, surpresa! Não era possível cruzar a avenida em direção à rua São Carlos do Pinhal, onde os integrantes da Equipe Conexão haviam marcado seu ponto de encontro. Perguntei ao guarda como eu deveria fazer para cruzar e ele reagiu como se eu tivesse feito a pergunta em linguagem de sinais no idioma sânscrito. "Ah, isso eu não sei!". Continuei andando pela Brigadeiro, ao lado de corredores tão desnorteados quanto eu e pedestres revoltados pela interdição. Na esquina com a Paulista, encontrei meu amigo Henry, um dos membros da turma, e seguimos pela grande avenida em busca de uma passagem.

Perto da Alameda Campinas, vimos uma ambulância se preparando para passar para o outro lado. Henry, que entre nós é chamado de "o bonzinho", para diferenciá-lo do outro Henry da turma (pensem o que quiser...), sugeriu que aproveitássemos o vácuo da viatura para burlar a interdição. Eu estava embarcando na contravenção do colega quando notei que ali, bem ao lado, havia uma passagem para pedestres, livre e desimpedida. Ponderei que não gostava da idéia de frustrar nossa malandragem, mas que poderíamos guardar nossa cota de rebeldia para outra ocasião.

Alcançamos o ponto de encontro, em frente ao outrora sofisticado Hotel Maksoud Plaza, e já avistamos o Ammar. Pouco depois, chegaram o Fábio, a Pati e seu namorado Rafael. Ficamos alguns minutos conversando e alongando, quando ganhamos a companhia de um rapaz que chegou meio trôpego, meio lânguido, muito bêbado. Pediu-nos dinheiro, e argumentamos que, ali, ninguém tinha dinheiro, nem nada nos bolsos. O distinto se pôs a nos censurar. "Como assim? Não tem nem um documento no bolso? Quer dizer que se vocês forem para um hospital, serão internados como indigentes?" E desandou a falar um discurso naturalmente desconexo. Do outro lado da rua, avistei o amigo Nilton chegando e fiz sinal para que ele não atravessasse, que nos esperasse lá. Em princípio, Nilton não entendeu a súbita saudade que se abateu sobre todos, indo o grupo inteiro em sua direção. Informado sobre a desagradável companhia, o bom palmeirense compreendeu nossos motivos. "Se os bêbados soubessem como são chatos, não beberiam", sentenciou Ammar.

Depois, ainda chegaram a Alexandra e o Zoca, e fomos para a Paulista, pouco depois das 16h30. A largada seria às 16h50, mas a avenida já estava tomada pelos atletas. Nem cogitamos ir mais para a frente, ficando no quarteirão entre a Rua Pamplona e a Alameda Campinas. Nos vinte minutos que esperamos, a aglomeração aumentou ainda mais. "O que mata nessa hora é esse cheiro de humanidade", lembrou Zoca. Já escrevi neste blog: uma das piores coisas nas corridas é a profusão de cheiros. Além do dito cheiro de corpo, misturam-se odores como desodorante e pomadas canforadas, um teste para o olfato.

17 minutos depois...

O pelotão de elite largou pontualmente às 16h50. Nós, a turma do fundão, só conseguimos passar pelo tapete que registra os tempos dezessete minutos depois. Era muita gente, e de cara percebi que seria difícil imprimir um ritmo sequer razoável, porque além da enorme quantidade de atletas, havia muitos participantes que já estavam andando no final da Paulista, ali perto do meu estimado Conjunto Nacional! Sem estresse: desde o ano passado, eu não encaro a São Silvestre como um desafio ao tempo, como faço com as outras provas. Aquilo não é competição, não para nós, amadores, é celebração. E com esse espírito fui em busca do quilômetro 15.

A São Silvestre tem algumas características que a tornam mais difícil que muitas outras provas. Em primeiro lugar, seu percurso: o corredor desce praticamente tudo o que tem de descer na primeira metade, e sobe tudo na segunda, ou seja, quando já está mais cansado. Outro complicador: o horário. Em geral, corre-se pela manhã, enquanto a São Silvestre escolhe o horário vespertino, em pleno verão. Mais um fator a dificultar: a quantidade de gente correndo. Em alguns trechos, como na avenida da Consolação ou no Minhocão, e onda de corredores se espalha por todas as faixas das vias - ida e volta. Em outros, como no Centro, o funil se instala e não há como manter o ritmo.

Os tipos esquisitos e/ou engraçados são uma tradição. Corri com várias noivas de barba, uma mulher-fruta com uma cesta tipo Carmen Miranda na cabeça, alguns super-heróis, um samurai, um homem e uma mulher das cavernas. O mais popular, pelo jeito, era um sósia do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que correu de shorts, paletó e gravata. Passei por ele no Minhocão, ele acenava para a o público e só repetia - "Thank you, thank you!". Ainda em cima do elevado, um corredor ao meu lado perguntava aos moradores dos prédios, aflitíssimo, quem tinha ganho a prova. Algo que permanceu um mistério para mim até que cheguei ao carro e liguei para casa.

No elevado ao lado do Memorial da América Latina, uma daquelas cenas improváveis. Uma corredora chamou pelo nome de algum colega (marido, namorado, irmão, técnico, sei lá). "Vitor?". Alguém retrucou: "Flávio?". Ao que se seguiu uma ladainha de nomes, de gente chamando, gritando, caçoando da moça. O clímax se deu quando alguém gritou "Ronaldo!", senha para alguns exaltarem o Timão, ao que outros, naturalmente, vaiaram.

Cheguei ao quilômetro 10, dois terços da prova, na avenida Rio Branco, com 55 minutos no cronômetro. Meu melhor tempo para a distância, 48min16, tinha ficado lá na Barra Funda, mas continuei relax. Eu até me sentia bem, o joelho não doía nada, conseguiria aumentar o ritmo, mas com aquela parede de gente à frente, impossível. Eu já estava meio entediada de ficar desviando dos colegas e resolvi manter o ritmo tranquilo e me resguardar de novas cotoveladas.

Alcancei o Centro com o céu negro, o que me fez lembrar minha primeira São Silvestre. Parecia impossível terminar a prova sem que a tempestade desaguasse. No entando, foi só ameaça. O clima, por sinal, estava ótimo, o melhor que enfrentei até hoje nessa corrida. Na primeira, muita chuva. Na segunda, muito calor. Na terceira, nem uma coisa nem outra. Tinha até um ventinho agradável em algumas ruas.

Cãezinhos a caminho

Alcançar a Brigadeiro é como ligar um turbo para mim. Ali, faltam pouco mais de dois quilômetros para a chegada e sempre persiste a idéia de que quem chegou bem até ali vai bem até o final. Fui subindo a mítica ladeira como sempre faço, sem olhar para a frente. Quando cruzei a rua Treze de Maio, uma cena impagável. No meio do público, bem embaixo do viaduto, dois cachorrinhos se divertiam descaradamente, talvez excitados pelo excesso de movimentação à volta, doidos para entregar nova ninhada ao mundo, no ano novo.

Alcancei o topo com uma preocupação - queria tentar avistar minha prima e madrinha Dora, que prometeu ir me ver na Brigadeiro. Percebi como é difícil tentar divisar alguém na multidão. Ela deve ter ido, mas eu não a vi. Limpei a frustração dos olhos e me preparei para a apoteose, que é dobrar a esquina e retornar à Paulista.

Minha Paulista, minha avenida, minha casa. Naquela hora, tive um pensamento meio funesto. Lembrei do que sempre digo, sobre meus restos mortais - quero ser cremada e ter minhas cinzas jogadas na Paulista. Acrescentei um detalhe - quero que o façam durante uma São Silvestre. Pensei em outra coisa, ainda menos adequada para aquele momento de celebração: lembrei de uma música da Rita Lee, "Saúde", na qual ela diz que "se por acaso morrer do coração, é sinal que amei demais". Pensei que, se por acaso eu morrer do coração, em uma corrida, que ninguém pense em culpar os organizadores. Seria minha apoteose final.

Mas logo limpei a mente desses pensamentos também e aproveitei a visão dos prédios, o colorido das decorações natalinas, as luzes já se acendendo. Estou de volta, e espero fazer este regresso à casa muitas vezes, por muitos anos, com a orientação do meu técnico José Eduardo Pompeu, com a convivência com meus colegas de equipe, com a inspiração da minha família. Afinal, como diz a mesma música, "enquanto estou viva, cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz".

Em tempo: registro minhas marcas na prova - 1h24min52; fiquei em 402º lugar na prova feminina (2.706 atletas no total), 55º na minha faixa etária (437 atletas no total).



Por fim, minha homenagem e orgulho por ter corrido a prova que marcou a aposentadoria do grande fundista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, cuja comemoração pelo terceiro lugar na Maratona da Olimpíada de Atenas, em 2004, foi uma das maiores lições que recebi do esporte. Eu, que estava revoltada por Vanderlei ter sido atrapalhado por um lunático durante o percurso, achei que ele deveria entrar no estádio fazendo algum tipo de protesto, cruzando a linha de costas, qualquer coisa assim. Vanderlei mostrou-se muito mais equilibrado e maduro do que eu. Em vez de lamentar o ouro perdido, comemorou o bronze, com seu habitual aviãozinho no final da prova.

Wednesday, December 31, 2008

Feliz 2009



Faltam menos de oito horas para a São Silvestre. Mesmo sendo uma corrida festiva, mais uma celebração do que propriamente uma competição para mim, é a única prova do ano que me deixa muito ansiosa.

Enquanto a hora não chega, aproveito para desejar a todos os leitores do blog um excelente 2009. Gostei muito da campanha publicitária do Bradesco, que lançou um criativo 2000inove. Gostei mais ainda do e-mail que recebi de um amigo corintiano, destacando o 9, bem grande, em referência ao novo camisa 9 do Corinthians...

E, como já é tradição, deixo minha mensagem a cargo da aniversariante do dia, Rita Lee (61 anos hoje). Com a letra de "Coisas da Vida", uma de suas melhores baladas, bem apropriada para a data, esses dias em que as pessoas costumam fazer promessas e traçar planos para um novo ano.

Feliz Aniversário, Rita. Feliz 2009, todo mundo!

Amanhã, o tradicional relato da São Silvestre. Até lá!

Coisas da Vida
(Rita Lee)

Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde
Mas a noite é uma criança distraída

Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano
Nessas horas de partida

É o fim da picada
Depois da estrada começa
Uma grande avenida
No fim da avenida
Existe uma chance, uma sorte,
Uma nova saída
São coisas da vida
E a gente se olha, e não sabe
Se vai ou se fica

Qual é a moral?
Qual vai ser o final
Dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer
Por isso digo
Que eu não tenho muito o que perder
Por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer
Por isso sonho

Aaah... são coisas da vida
E a gente se olha,
E não sabe se vai ou se fica

Thursday, December 25, 2008

Reabilitando o "Tema da Vitória"

Associação inevitável: aos primeiros acordes do "Tema da Vitória", mesmo quem não estivesse assistindo à corrida sabia que Senna tinha vencido mais uma. A música, composta por Eduardo Souto Neto, não nasceu para ser o tema das vitórias de Ayrton Senna. Na verdade, não nasceu nem para ser a música oficial das vitórias brasileiras na Fórmula 1.

A primeira vez que a TV Globo tocou-a foi após o GP do Brasil de 1984, vencido pelo arqui-rival de Senna, Alain Prost. Era para ser uma assinatura da transmissão, um fecho apoteótico de cada corrida, mas logo guardou-se a música apenas para os triunfos brasileiros. Foi naquele mesmo ano que Senna estreou, conseguindo sua primeira vitória no ano seguinte. Piquet ainda venceria um campeonato sob vigência do "Tema da Vitória", em 1987, e faria a música tocar por treze vezes (seu número de vitórias entre 1984 e 1991). Mas a música ficou indelevelmente associada a Senna, que teve todos os seus 41 triunfos embalados pelo indefectível tan-tan-tan.

A partir de 1º de maio de 1994, o tan-tan-tan passou a suscitar reações bem diferentes. Tão associado a Senna estava que virou quase marcha fúnebre. Era tocar e um monte de gente chorar. O "Tema da Vitória" virou o tema da imolação do brasileiro. A música só sairia do arquivo da Globo, para registrar uma vitória brasileira, em Hockenheim 2000, com o primeiro dos nove GPs vencidos por Rubens Barrichello. Mas não teve como apagar essa identificação da memória de quem acompanhou a carreira de Senna pela Globo. As gerações que se acostumaram a ouvir a música nos tempos de Senna ainda acusam a associação inevitável.

No entanto...

Meu filho, que tem oito anos e começou a acompanhar Fórmula 1 há cerca de um ano e meio, não faz esse tipo de associação. Até porque ele ouve a transmissão da Rádio Bandeirantes/Band News FM, na qual a mãe comentou a temporada de 2008, e só eventualmente escuta o "Tema da Vitória". Mesmo sem realizar esse movimento pendular - da euforia à tristeza profunda, por causa da música - ele de fato gosta do "Tema da Vitória". Foi por esse interesse dele que voltei a escutar a música com maior freqüência nos últimos tempos.


Tan-tan-tan... tan-tan-tan

E a música revelou uma característica que eu não havia notado, até então. Que coisa mais anos 80! Ouça com mais atenção, qualquer dias desses. Aquele solo de saxofone é uma marca ultra-típica da música pop daquele tempo. O sax, que está para o jazz mais ou menos como a guitarra está para o rock, que revelou músicos geniais como Charlie Parker, Miles Davis, Sonny Rollins, foi "descoberto" pela música pop nos anos 80. Se você é daquela época, há de se lembrar do mega-hit "Your latest trick", do grupo Dire Straits, que tinha como grande destaque o solo de saxofone no começo e entre uma estrofe e outra. O "Tema da Vitória" e "Your latest trick" são contemporâneos. O sax ganhou força na música pop dos anos 80 com um apelo meio sensual (que é o caso da música do Dire Straits), meio exótico.

Quase quinze anos após a morte de Senna, e quase vinte cinco após a estréia do "Tema da Vitória", talvez só agora, com gerações menos impactadas pelo luto, a música comece a ser apenas uma música - muito associada a seu tempo - mas apenas uma música, não uma senha para as lágrimas.

Wednesday, December 24, 2008

Sem originalidade, com amor




No ano passado, também usei uma imagem de John & Yoko para expressar meus votos de Feliz Natal para todos vocês.

Um novo ano se foi, outro já vem, e o que você fez?

Eu fiz uma pá de coisas, vocês acompanharam muitas delas. Obrigada pela companhia. Ainda volto aqui, provavelmente, antes de 2009. Se não voltar, pelo menos no dia 1º de janeiro aqui estarei, para o já tradicional post sobre a São Silvestre.

Mais um ano se foi, e a imagem de John & Yoko, símbolo de amor, prevalece em minha memória. Feliz Natal, Yoko. Feliz Natal, John. Feliz Natal, você!

Monday, December 22, 2008

Antes tarde do que nunca!

Amigos deste blog, desculpem pela demora!

Na semana do GP do Brasil, este blog chegou à sua 300ª postagem e, em comemoração, ofereci um exemplar do livro "O Boto do Reno" entre os leitores que acertassem o campeão mundial de Fórmula 1 deste ano.

Fizemos o sorteio há algumas semanas, com o papel sendo retirado pelo autor do livro, meu dileto Flavio Gomes. Quem bateu a foto, na ocasião, atrapalhou-se na hora de gravar a imagem, mas lembrou-se de guardar o papel, para comprovar o vencedor.



Portanto, Adriano Oliveira, entre em contato comigo, pelo e-mail aalves77@gmail.com e me passe seu endereço, para que eu possa enviar o livro.

Parabéns e obrigada a todos que participaram!

Wednesday, December 17, 2008

O grande duelo





Está prestes a acontecer um dos maiores duelos de todos os tempos na história da Fórmula 1. Se o suíço Sebastien Buemi for confirmado na equipe Toro Rosso, ele protagonizará, ao lado do polonês Robert Kubica, uma acirrada disputa pelo título de "o piloto mais feio da Fórmula 1 atual".

Os dois podem ser ótimos pilotos, Kubica até já venceu uma corrida (Canadá 2008), mas os dois bichinhos são feios demais, sô!

Quem será que levaria esse troféu? Em quem você vota?

Monday, December 15, 2008

Um conto são-paulino

Adoro histórias de arquibancada, contadas por testemunhas do lado de lá do alambrado. Quem acompanha esportes há muito tempo, como é o meu caso, coleciona muito da dita história oficial dos eventos esportivos. Mas, pela visão do torcedor, às vezes surgem relatos ótimos, revelando lados diferentes de um mesmo fato. Este me foi contado pelo amigo Ammar Hussein, membro da Equipe Conexão.

Novembro de 1993, São Paulo 3 x Guarani 2, Estádio do Morumbi

O São Paulo fazia seu último jogo pelo Campeonato Brasileiro antes de viajar para Tóquio, de onde voltaria com o bi do Torneio Mundial Interclubes. Eram os tempos de Telê Santana no comando daquele esquadrão que tinha Zetti no gol, Cafu na lateral direita, Toninho Cerezo e Leonardo no meio de campo, Muller e Palhinha no ataque. O Guarani tinha o goleiro Neneca - informação importante para o clímax desta história.



Ammar foi ao estádio com seu tio e se sentou ao lado de um fulano que passou o jogo inteiro xingando o lateral Cafu. Bastava o jogador pegar na bola que o torcedor tricolor gritava os maiores impropérios. "Você é muito ruim, Cafu", "Telê, tira o Cafu" e outros gracejos do tipo.

Até que, em um inspiradíssimo momento, Cafu recebeu um passe ideal, avançou pela grande área, aplicou um chapéu em um dos zagueiros do Guarani, chapelou mais um adversário e perpetrou o gol mais bonito do jogo. O estádio, naturalmente, explodiu em comemoração. Ammar não se esqueceu de deter o olhos no colega que passara o jogo inteiro xingando Cafu. O fulano estava meio atônito, dividido entre o impulso de comemorar e a vergonha.

Passado o momento de explosão da torcida, o estádio voltou àquele silêncio típico de bola rolando. Nesse momento, o desafeto de Cafu novamente se levantou e gritou, plenos pulmões: "Pô, Neneca, mas você é muito frangueiro, hein?! Leva gol até do Cafu!"

Saturday, December 13, 2008

São Silvestre bizarra

Com quase uma semana de atraso (muito trabalho, só isso) consigo agora registrar o treino que a Equipe Conexão fez no domingo passado. Alguns dias antes da São Silvestre, habitualmente fazemos um simulado da prova, percorrendo o mesmo trajeto em um domingo pela manhã. Tem que ser na manhã de um domingo por conta do Minhocão, que fica fechado aos carros nesse dia.

O resto do percurso fazemos preferencialmente pelas calçadas, embora alguns trechos (como o viaduto do Memorial da América Latina) não tenham calçada. Mas, sete e pouco da manhã, no domingo, geralmente é fácil percorrer os 15 km do trajeto que sai da Paulista e volta até ela.

É um treino de reconhecimento de terreno e de auto-avaliação. A preocupação com os carros nos faz, eventualmente, ter de esperar o fechamento de alguns faróis. Perdemos tempo com isso, mas ninguém está ali para buscar tempo. A auto-avaliação se dá mais no sentido de acostumar o corpo e o espírito às dificuldades dessa prova.

Engraçado, mesmo, é circular no Centro de São Paulo nas primeiras horas do domingo. O bando de corredores de camiseta laranja passa por vários grupos de boêmios em fim de noite. Boates caidaças, bares, danceterias moderninhas: todos vão despejando gente ávida por cama, um pessoal que nem disfarça aquela cara de gaveta de meia que não vê arrumação há uns seis meses.

Foi assim na avenida Rio Branco. Ali, os bares vão se enfileirando. Logo depois de cruzar a Duque de Caixas, passamos em frente a um bar bem movimentado. Uma senhora de cabelos loiríssimos (oxigenadíssimos, seria mais honesto dizer) sai do bar com um copo na mão e um cigarro na outra. A mão da coitada parecia uma garra, atrofiada na posição de segurar o bastonete de alcatrão e nicotina que deve lhe ser mais fiel que todos os outros companheiros de copo ali presentes. À nossa passagem, a mulher demonstra todo seu entusiasmo de fim de jornada de trabalho. Levanta os braços e vem em direção ao técnico José Eduardo Pompeu, que liderava o grupo. Na hora, lembrei do lunático que arruinou a maratona de Vanderlei Cordeiro de Lima, na Olimpíada de Atenas. O estado dela, no entanto, não parecia permitir tamanha agilidade. Apenas deu um tapa nas costas do técnico e profetizou: "Ah, cê vai ganhar!". Nilton, o autor da foto deste post, passou em seguida e eu, logo atrás. Nilton escapou, mas eu também levei um tapão da dita cuja. Depois, divagações diversas sobre o delírio da dama. "Nossa! Quanto tempo fiquei nesse bar? Entrei no dia 6 e, quando percebo, já está passando a São Silvestre!"




Pouco mais adiante, no Largo do Paissandu, paramos em um boteco para comprar água. É a única parada que fazemos no treino, e não dura mais de cinco minutos. Tempo suficiente para que eu notasse um plaquinha na geladeira do bar: "Aluga-se este espaço". Conjecturei sobre o que estaria posto à disposição. Se o bar inteiro ou apenas a lateral da geladeira, para algum anúncio. Creiam: a poluição visual do bar faria qualquer um supor que o dono de fato aluga a lateral da geladeira para publicidade.

Dali para frente, faltam pouco mais de três quilômetros para o fim, ou seja, um quinto da prova. Hidratados e com a perspectiva de terminar logo, aumentamos o ritmo no trecho final. Mais bizarrice. Ao lado do Teatro Municipal, um albergue ou bandejão concentrava grande número de moradores de rua pela calçada. Passando pelo grupo, despertamos o instinto primitivo de um deles. Saiu correndo atrás de nós, gritando: "Ei, volta aqui, seus caloteiros! Você está me devendo, não corre não!" Chegamos a temer pela agressividade do fulano, que não parecia estar brincando, mas logo ficou claro que ele não teria pique para correr mais do que até a esquina. Dito e feito.

Terminando o trajeto, fomos para a academia, onde o Zé nos deu um alongamento caprichado e onde tiramos a foto.

O dia estava bem quente, com sol forte pelo menos desde as oito da manhã. Quando chegamos à Paulista, o movimento de carros era bem maior do que no início do treino, mas, ainda assim, minha avenida preferida se mostrava acolhedora e familiar, como sempre surge aos meus olhos. A Paulista, por muitos motivos, é meu lar. Isso também ajuda a explicar por que gosto tanto de correr a São Silvestre.

Dia 31, tem mais.

Friday, December 12, 2008

Carta ao editor

O carro ou o piloto? Quem é mais importante? Meu antigo chefe, Flavio Gomes, acha que é o carro. E eu aproveito a instigação para mais uma coluna no GPTotal. Vai lá, vai...

Friday, December 05, 2008

Não serve para nada...

Quando comecei a escrever para o GPTotal, nos idos de 2004, levei castimbadas de todo lado, por conta de uma coluna chamada "A Fórmula 1 não serve para nada".

Está lá, nos arquivos do GPTotal (vá até Colunas, selecione meu nome e escolha Colunas antigas de Alessandra - infelizmente, não tem link direto para esse conteúdo). Para quem não quiser ler, um trechinho:

"(...) Se não estão lá para desenvolver nada, por que diabos as grandes marcas desembarcaram em peso na Fórmula 1 nos últimos anos? A resposta confirma a tese deste comentário. O grande atrativo da categoria é sua imagem. Para Mercedes-Benz, BMW, Honda, Toyota, Ford (com Jaguar), estar na Fórmula 1 é aparecer, consolidar suas marcas, associá-las à elite do esporte mundial. Estão na Fórmula 1 pela grandiosidade de seus eventos, pela audiência que ela gera no mundo inteiro.(...)"

A tese, a que me refiro no trecho acima, é a de que a Fórmula 1, hoje, é muito mais um instrumento de marketing das corporações do que propriamente um banco de provas para novas soluções automotivas.

Hoje, no Japão, a Honda confirmou sua saída da categoria. A fala do presidente não deixa dúvidas: vamos sair desse negócio, um sorvedouro de dinheiro, para nos concentrar no nosso negócio de fato (o chamado "core business" no jargão corporativo) - produzir e vender carros. Ou seja, a Fórmula 1, para a indústria automotiva, é um apêndice, um cartão de visita, um investimento de marketing.

Eu avisei...

E vocês, o que acham?

Sunday, November 23, 2008

Meu joelho esquerdo



Notaram a ausência de postagens sobre minhas corridas nos últimos tempos? Não foi falta de escrever sobre elas, não. Eu simplesmente não fazia uma corrida desde o segundo domingo de agosto, quando encarei a Corrida do Centro Histórico. Desde então, minha equipe, capitaneada pelo treinador José Eduardo Pompeu, fez três corridas, e perdi as três por conta da Fórmula 1. Deixei de fazer a Corrida da Paz, no dia do GP da Bélgica, a Corrida das Estações/Primavera, no dia do GP de Cingapura, e a Meia Maratona do Rio, que aconteceu no mesmo dia do GP do Japão.

Lamentei perder todas, especialmente a Meia do Rio. Seria a chance de fazer mais uma meia maratona este ano (fiz uma em abril), além de ter sido uma viagem muito divertida feita pela Equipe Conexão. Durante esse período, não deixei de treinar religiosamente toda semana mas, prova mesmo, necas. Neste domingo, 23 de novembro, voltei a disputar uma prova de rua, e ela veio cercada de desconfiança.

Há pouco mais de duas semanas, senti algo estranho no meu joelho esquerdo, depois de um treino na esteira. Pensei que fosse uma dor de esforço qualquer, que normalmente passa em um ou dois dias, mas a danada ficou. Melhorava com gelo, pomada e, sobretudo, quando eu não corria. Bastava correr que a dor voltava. Nada lancinante, nada que me impedisse de correr. Depois de aquecido o corpo, eu nem me lembrava da dor. O problema era depois. De fato, até agora não sei o que está motivando a dor, e como ela não me inutiliza, tenho treinado. Fui nesse espírito para a Corrida Zumbi dos Palmares, da Corpore, que tradicionalmente acontece no final de novembro, sempre na região do Ibirapuera.

O local é um dos mais bonitos de São Paulo. Largamos em frente à Assembléia Legislativa, corremos em direção à avenida República do Líbano, talvez a minha preferida na cidade, por seu corredor de árvores e por margear o parque. Passamos ao lado do lago e seguimos em direção à avenida Rubem Berta, quase chegando ao aeroporto. Um trajeto simples, com longas retas, e várias subidas e descidas. Nada de arrancar o couro, mas um trajeto desafiador.



No ano passado, com muito calor e largando no fim do pelotão, fiz um tempo que me decepcionou - 53min. Este ano, a organização da prova dividiu os corredores pela expectativa de tempo de cada um. Mandei ver 50 minutos e, com isso, fui parar lá na frente. Uma bela ajuda, pois a largada foi tranquila, ninguém me atropelou e consegui imprimir um ritmo forte desde o primeiro quilômetro.

Cumpri os dois primeiros quilômetros em rigosos cinco minutos cada, coisa rara de se fazer em provas tão concorridas quanto essa, que costuma reunir mais de 10 mil atletas. A partir do terceiro quilômetro, comecei levemente a aumentar a velocidade, de olho no relógio e ligada no joelho. Não sentia nada, vambora.

No primeiro posto de água, uma cena me tocou. Passei direto pelas mesas, pois não estava sentindo sede nem necessidade de me refrescar. No entanto, um senhor, atleta amador como eu, estendeu seu copo de água pela metade, provavelmente achando que eu não tinha conseguido me abastecer. Peguei o copinho e agradeci. Molhei os pulsos e a nuca e lamentei, naquela hora, que provavelmente não encontraria o colega depois da prova para agradecer-lhe novamente. A corrida às vezes me leva a essas divagações e pensei que expressões como "nunca mais" e "para sempre" podem ser um tanto angustiantes. Não sei se vou encontrar o senhor novamente, querido colega, mas saiba que seu gesto me tocou muito. Obrigada, do fundo do coração.

O clima contribuiu bastante, sem sol e até um certo friozinho extemporâneo. Fiz a prova inteira sem sentir nada, nadica no joelho. E o ritmo forte, na casa de 4min50 por quilômetro. Faltando dois quilômetros, tive certeza de que melhoraria muito o tempo do ano passado e não teve erro. Contra os 53min de 2007, 48min48 (correção: pelo tempo oficial da Corpore - 48min42. yeah!) em 2008. E sem dor. Para falar a verdade, o bom tempo obtido foi um bônus. Meu foco, de verdade, era sentir como se comportaria o joelho. E mesmo agora, quatro horas depois de terminada a corrida, não sinto nada.



Por isso, assim que cruzei a linha de chegada, fiz meu tradicional agradecimento mental, acrescentando um nome importante, desta vez. "Obrigada, meu joelho esquerdo!"

Tuesday, November 18, 2008

Para gostar de ler - Veneno remédio



Meu amigo Idelber Avelar detesta quando nós, seus colegas de blogosfera, o chamamos de "professor". É sua profissão de fato, e ele não é apenas professor - é Professor Titular, o mais alto posto na carreira acadêmica, da Universidade de Tulane, em New Orleans. Entendo a bronca desse adorável atleticano com a alcunha, posto que não somos, aqui, seus alunos, mas realmente seus colegas. Não deixo de levar, no entanto, as indicações de Idelber com o respeito de quem convive com um mestre (e tenho a sorte de conviver com alguns amigos que representam, na minha vida, o papel de professores, mas isso é outra conversa). Há alguns meses, Idelber escreveu um post sobre "Veneno Remédio - O futebol e o Brasil", de José Miguel Wisnik, e descreveu a obra com enorme entusiasmo.

Como diz no post, Idelber leu o livro em uma única noite, dando prova da qualidade da obra, de sua capacidade de instigação, de sua riqueza de informações, de sua lógica e, naturalmente, da fluidez do texto desse outro mestre das Letras, o professor Wisnik.



Não consegui nem de longe acompanhar o ritmo de Idelber. Nesse corre-corre que é minha vida, às vezes mal conseguia ler dez das 446 páginas do livro por dia, o que me enchia de pena, pela vontade de continuar sempre um pouco mais. Já o terminei há algumas semanas, mas o corre-corre também me impediu de escrever antes.

Leia em uma noite ou vá aos poucos, mas leia.

"Veneno Remédio" é um ensaio fundamental da literatura, da sociologia, da antropologia brasileiras. É uma obra fundadora, em certo sentido, por reunir algo inédito no ramo dos livros sobre futebol. Como o próprio Zé Miguel menciona, os livros de futebol, em geral, dividem-se em dois grupos: os livros que falam de futebol (jogos, jogadores, números, fatos, anedotas, curiosidades etc.) e os livros que falam sobre futebol (análises de toda sorte - esportiva, sociológica, filosófica, antropológica etc.). Escritos, em geral, por autores que "não se freqüentam": quem escreve de futebol em geral considera os intelectuais do esporte uns divagadores; quem escreve sobre futebol vê os registros relatoriais com certo desdém. "Veneno Remédio" une as duas correntes. É um livro de e sobre futebol.

O estudioso Zé Miguel traz informações sobre as origens históricas dos jogos de bola, traça comparações magníficas entre sociedades a partir da predominância de um determinado tipo de jogo de bola (o futebol, na Europa; o football, nos EUA), adentra na origem do futebol brasileiro e vai, pouco o pouco, construindo e reforçando sua revolucionária tese, que subverte o que se tem repetido à exaustão nas análises sobre o Brasil e o futebol. Para Zé Miguel, o futebol do Brasil não é um reflexo da nossa sociedade (paternalista, elitista, racista, excludente etc.). Pela tese do professor, o futebol não é reflexo, mas causa, sendo um fator de importância fundamental na formação da sociedade brasileira.

À medida que o leitor avança pela obra, vai também avançando no tempo. Zé Miguel não se propôs a recontar a história do futebol, mas acabou fazendo uma análise da transformação da sociedade brasileira, a partir do futebol, em seqüência cronológica. E o envolvimento torna-se cada vez maior. É interessante acompanhar o mergulho do intelectual Zé Miguel Wisnik nos fatos: torcedor do Santos, testemunha ocular de Pelé e cia., Zé Miguel não se prende ao rigor das análises acadêmicas e escancara sua própria vivência como torcedor e observador do futebol. Assim, o livro fica ainda mais envolvente quando o autor chega ao período que ele mesmo viveu e acompanhou, somando às informações e referências bibliográficas tantas sua própria experiência.

Interessante, também, acompanhar a seleção de referências bibliográficas que Zé Miguel escolheu. Sem preconceito, ele mistura textos de intelectuais "puros" a pensadores de outras áreas, como o cineasta Pier Paolo Passolini, o compositor Chico Buarque, o ex-jogador e comentarista Tostão. Aliás, Tostão exerce um papel de destaque na obra, seja pela análise de sua atuação na Copa de 1970, seja por suas próprias análises como observador lúcido de futebol. (Particularmente, fiquei muito reconfortada com essa "reabilitação" do Tostão. Alguém precisava pedir desculpas publicamente a esse genial jogador, em nome de Gilberto Gil, que é tão simpático e cordato, mas perpetrou um verso muito indelicado contra ele, na igualmente genial "Meio de campo" - "(...) e eu não sou Pelé, nem nada, se muito for eu sou um Tostão." hehehe)

À medida que lia "Veneno remédio - O futebol e o Brasil", de forma meio pretensiosa, comecei a acalentar uma idéia. Eu gostaria de ler um livro com esse tipo de análise, sobre automobilismo. Quem sabe não o escrevo um dia?

Monday, November 17, 2008

Um pouco de poesia

Amigos, queridos,

Desculpem pela ausência nos últimos dias. Excesso de trabalho, nada mais.

Passei o final de semana fora de São Paulo, na companhia de um livro excepcional de meu amigo e mestre Zuza Homem de Mello (será um dos próximos "Para gostar de ler" deste blog). O livro é "Eis aqui os Bossa Nova", reedição de uma obra de Zuza lançada originalmente em 1976. Vou falar mais longamente desse excepcional documento em breve.

Por enquanto, deixo vocês na companhia de uma das letras citadas na obra, do grande poeta da Bossa Nova, Vinícius de Moraes.

Que beleza de versos... (A melodia é de Baden Powell)

Samba em prelúdio

Eu sem você
Não tenho porquê
Porque sem você
Não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar

Eu sem você
Sou só desamor
Um barco sem mar
Um campo sem flor
Tristeza que vai
Tristeza que vem
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta, querida
Os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus
Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Thursday, November 06, 2008

A escolha de Vettel


Desde que foi anunciado como sucessor de David Coulthard na Red Bull, o alemão Sebastian Vettel tem levantado uma dúvida entre muitos analistas da Fórmula 1.

Será que o alemão fez uma boa escolha? Afinal, pilotando o carro da Toro Rosso, time B da Red Bull, Vettel conquistou, entre outras coisas, uma pole e uma vitória na temporada de 2008, resultados muito superiores a tudo que Coulthard e Mark Webber fizeram juntos neste ano.

Minha análise desse tema é um pouco diferente.

Lembra daquela piada sobre Hillary e Bill Clinton? Os dois param em um posto de combustível, um funcionário cumprimenta Hillary e Clinton lhe pergunta quem é. Hillary explica que o cara tinha sido seu namorado na juventudo, ao que Bill responde: "Tá vendo, se você tivesse se casado com ele, hoje era mulher de um funcionário de posto, não do presidente dos EUA." Hillary: "Engano seu, my dear. Se eu tivesse casado com ele, ELE seria presidente dos EUA."

Não duvido que, com Vettel por lá, a Red Bull comece a andar muito melhor que a Toro Rosso. Vettel é o cara. Talvez não para 2009. Mas, para logo, logo.

Em tempo: o Saco de Batatas está fazendo uma enquete sobre a temporada de 2008. Vote lá!

Wednesday, November 05, 2008

Black is beautiful




Muito significativo. Histórico. Emocionante.

E duas mulheres, cada qual nessas mesmas posições... quando será?

Monday, November 03, 2008

Interlagos, in loco (4)

O GP já passou, mas aproveito para descarregar mais alguns clicks que fiz em Interlagos.

E peço desculpas pelo atraso no sorteio do livro. Amanhã (terça-feira) devemos ter o nome do vencedor.

Nas fotos: Fernando Alonso, dando entrevista depois da prova, para a imprensa espanhola, a medalha de ouro Maurren Maggi, o big boss Bernie Ecclestone, Sebastian Vettel, batendo um papo com os antigos patrões da BMW (gente, esse menino é tão magro que, de frente, parece que está de lado!), Rubens Barrichello chegando com os filhos, Eduardo e Fernando (a esposa, Silvana, aparece atrás, passando pela catraca), ao lado, o arrumadinho Nico Rosberg, uma turminha na sala de imprensa (Julyana Travaglia, do globoesporte.com, o farrista Flavio Gomes, eu e o colega Fábio Seixas), Niki Lauda, batendo um papo com a repórter da Globo.








Som e fúria

Do nada, emerge Timo Glock, para definir o Mundial de Fórmula 1 de 2008. Um coadjuvante transformado em personagem principal. Lewis Hamilton e Felipe Massa: nas mãos do alemão. Mais? No GPTotal. Vai lá, depois comente tudo o que quiser sobre a corrida de ontem. Desde já, candidatíssima ao título de GP do Brasil inesquecível.

Sunday, November 02, 2008

Interlagos, épico, sorteio

Amigos, final de semana intensíssimo. Por tudo o que aconteceu em Interlagos neste domingo, não foi possível fazer o sorteio do livro entre os que apostaram em Hamilton. Mas não se preocupem. Nesta segunda-feira, sai o vencedor. Aguarde, e aguardem também minha coluna no GPTotal.

Saturday, November 01, 2008

Interlagos, in loco (3)







Mais imagens do dia.

Dia de pole de Felipe Massa, de Hamilton em quarto, de ovação em Interlagos.

Na ordem: Viviane Senna bate um papo com Titônio Massa depois do Treino
Classificatório, Stefano Domenicalli e Flavio Briatore, parlando alguma coisa, a galera das cabeças vermelhas, Nelson Piquet, em pose francamente desfavorável, conversando com Ingo Hoffmann, que aparece na foto seguinte. Por fim, o honorável Emerson Fittipaldi, com um cabelo nem tanto.

Interlagos, in loco (2)

As primeiras fotos do dia.

Panorâmica da sala de imprensa, Victor Martins, do site Grande Prêmio, eu, por Victor Martins





Interlagos, in loco (1)

Falta pouco mais de meia hora para começar o último treino livre, marcado para as 11h deste sábado.

Na chegada, sem a máquina fotográfica pronta, cruzei com Fernando Alonso, Flavio Briattore, Mario Thiesen e Nico Rosberg. Aliás, entrei junto com o Nico, o que deve ter me causado uma situação constrangedora, saindo como "papagaio de pirata" nas fotos do loiro. (Em jargão jornalístico, para quem não sabe, papagaio de pirata é o sujeito anônimo que sai na foto, junto de uma celebridade qualquer).

Daqui a pouco, coloco umas fotos aqui.