Sunday, July 13, 2008

Mulheres na frente



Na noite de sábado, a brasileira Bia Figueiredo entrou para a história, tornando-se a primeira mulher do país a vencer uma corrida de carros fora da América do Sul. A vitória de Bia aconteceu na corrida de Nashville, válida pelo campeonato da Fórmula Indy Lights, categoria de jovens pilotos, aspirantes à Fórmula Indy.

Bia, que agora quer ser chamada de Ana Beatriz, para facilitar a pronúncia dos norte-americanos, tem mostrado potencial há alguns anos, destacando-se nas categorias de base do Brasil, como na Fórmula Renault. Chegou à Indy Lights neste ano e ontem conseguiu sua primeira vitória.

O dia foi histórico para o automobilismo brasileiro por conta da façanha de Bia, cuja corrida foi relatada com detalhes pela repórter Evelyn Guimarães, do site Grande Prêmio. (Outros sites também deram destaque para a vitória de Bia, como o Tazio, mas eu não poderia deixar de destacar este texto, escrito por uma mulher, concordam?).

As mulheres estão conquistando inequívoco espaço no automobilismo da América do Norte. Há pouco mais de dois meses, a norte-americana Danica Patrick tornou-se a primeira mulher a vencer uma corrida da Fórmula Indy, disputada no circuito japonês de Motegi.

Peço carona à Bia, desde já eleita heroína deste blog, para contar brevemente minha pequena façanha. Neste domingo, disputei a Corrida do Inverno do Circuito das Estações, no Pacaembu. Quem lê este blog pode se lembrar que foi na Corrida do Verão, há quase sete meses, que bati meu recorde para provas de 10 km, com a marca de 49min00.



Da esquerda para a direita: o palmeirense Nilton, Zoca, Simone, Zé Eduardo, Alessandra, Patrícia, Alexandra e Fábio

De lá para cá, não tinha conseguido igualar o tempo, chegando no máximo a 49min16, em prova disputada no bairro do Ipiranga, há quinze dias. A corrida do Pacaembu tem muito mais trechos planos que a do Ipiranga, o que me fazia ter esperança de chegar perto do recorde desta vez.

Na tarde de sábado, recebi um e-mail do meu colega Henry Hanada, o japonês que me “puxou” na prova de dezembro, dizendo que desta vez não poderia correr, mas que eu carregava a responsabilidade de fazer a prova na casa dos 48 minutos. Este, na verdade, já era meu objetivo, mas preferi ficar “na moita”, sem alardear os planos, principalmente porque meu técnico, José Eduardo Pompeu, não gosta que criemos esse tipo de expectativa.

A manhã estava bem fria na hora da largada, às 8h. Um termômetro público, na Praça Charles Muller, marcava 14°. Cerca de cinco mil pessoas largaram, o que não é nenhum exagero para essa prova, que é disputada a maior parte do tempo em vias largas, como o Pacaembu e o Elevado Costa e Silva, o famoso Minhocão, esse verdadeiro horror arquitetônico de São Paulo.

Seguindo a orientação do Zé, fui aquecendo nos dois primeiros quilômetros, sem forçar muito, mas já fazendo cada trecho de mil metros abaixo dos cinco minutos. Quando virei no quilômetro cinco, estava na faixa de 24 minutos, ou seja, era questão de manter o mesmo ritmo para ficar na casa dos 48 minutos.

Depois de fazer este percurso seis vezes, já tenho alguns conceitos bem definidos sobre ele. O mais óbvio, que no entanto só se percebe quando se corre a pé ali pela primeira vez, é o fato de que a chegada, na Praça Charles Muller, representa uma leve mas contínua subida. Outra constatação, cristalizada hoje, é a do ponto crítico da prova – entre os quilômetros seis e sete, ainda sobre o Minhocão, com uma subida forte e o componente psicológico contrário, de se começar a perceber o cansaço, com mais de quatro quilômetros para o final.

Mesmo ali, entre o seis e o sete, eu continuava com o ritmo forte, passando abaixo dos cinco minutos a cada quilômetro, mantendo uma freqüência cardíaca próxima dos 180 bpm o tempo todo. (Na prova do Verão, eu sempre diminuía o ritmo quando chegava a esse pico, para voltar ao estágio dos 177 bpm, que já é alto, mas me garantia mais conforto em dezembro. O que me deixou feliz na prova deste domingo, também, foi a constatação de que estou conseguindo manter um ritmo forte, traduzido na freqüência cardíaca, durante um longo período.)

Voltando à avenida Pacaembu, no quilômetro oito, chequei o cronômetro e encontrei 38 minutos, ou seja, eu poderia manter o ritmo pouco abaixo dos cinco minutos que atingiria a meta. Foi o que fiz, porque sabia que não conseguiria melhorar o desempenho com a ligeira subida do final da prova. Quando cheguei à Praça Charles Muller, percebi que havia passado a corrida inteira sem ter nenhum insight para escrever o relato, como habitualmente acontece. Eu estava cem por cento concentrada na corrida, o que talvez ajude a explicar o bom desempenho.

Bom, na verdade, não. Parei o cronômetro com a marca de 48min26, meu novo recorde para provas de 10 km! Fui 39ª entre todas as mulheres, a 6ª na minha faixa etária. Com a licença da Bia Figueiredo, que chegou à frente dos homens da categoria no sábado, eu fiz o mesmo em relação aos marmanjos da minha equipe. Com todo respeito, senhores, esqueçam aquela história de que “atrás de um grande homem” etc. etc....

(Com o tradicional agradecimento ao colega Nilton Hayashi da Cruz, pela foto.)

Tuesday, July 08, 2008

Que pátria?

Bem, apesar do atraso por conta da Telefônica, segue o link para a minha mais recente coluna no GPTotal. (Procure no menu do meio da página, já que não é mais o destaque da home). Uma discussão que nasceu aqui no blog e virou o tema principal da coluna: qual a relação entre o esporte e a pátria? Um representa o outro? Quando torce contra o "Brasil", você se coloca contra o Brasil?

Fora do ar

Amigos deste blog, desculpem pela longa ausência nos últimos dias. Fui e ainda sou uma das vítimas da Telefônica e de seu apagão na internet. A conexão do escritório, acreditem, está fora do ar até hoje, terça-feira, dia 08 de julho, quase uma semana depois da pane.

Juro que não tenho paciência nem vontade para descrever a seqüência de problemas que a Telefônica tem me feito passar nesta última semana. Na verdade, acho que a Telefônica não merece que eu gaste minha energia nisso. Felizmente, a conexão de casa não é dessa empresa, o que me possibilitou escrever este breve post.

Tenham paciência, como eu... Uma hora, resolve.

Atualização: Resolveu! Hoje, finalmente, a Telefônica religou minha banda larga.

Sunday, June 29, 2008

Em nome do pai

Já não me lembro quantas vezes corri no circuito do Ipiranga, pois há duas provas por ano naquele local - uma sempre no final de junho ou começo de julho, em homenagem ao Dia do Bombeiro, e outra em setembro, marcando a Independência. Sempre gostei de correr lá e sempre tive uma porção de motivos por este apreço.

Correr em locais como o Ipiranga, o Centro de São Paulo e o circuito do Barro Branco é uma oportunidade de sair do binômio USP-Ibirapuera, que domina amplamente o calendário. Mas tem mais. O trajeto é altamente desafiador, com uma ladeira longa entre os quilômetros seis e sete, o que modifica totalmente a estratégia habitual. Não dá para apenas aumentar o ritmo progressivamente, pois esse trecho, já na segunda metade da prova, quase sempre representa uma diminuição no desempenho.

Um motivo adicional é o local onde se monta a arena - o Parque da Independência, bem em frente ao Museu do Ipiranga. Certamente, um dos lugares mais bonitos de São Paulo, com aquele jardim copiado de Versailles, com a beleza arquitetônica do museu a emoldurá-lo. Um lugar com muitas árvores, como toda a cidade deveria ser...

Mas, sendo muito honesta, devo confessar que a prova do Ipiranga sempre me remete ao meu pai. Durante um curto período da minha vida profissional, trabalhei no mesmo endereço que ele. Eu, começando a carreira. Ele, às portas da aposentadoria. Éramos de áreas bem diferentes, já que meu pai era engenheiro mecânico. Mas, por conta dessa circunstância, durante um ano fomos juntos para o trabalho, no carro dele, e passávamos todos os dias por aquele pedaço da cidade.

É impossível passar pela avenida D. Pedro I ou pela avenida Nazareth e não recordar aquelas manhãs. Íamos a caminho da Ford, em São Bernardo do Campo, empresa na qual ele trabalhou por trinta anos e na qual fui assessora de imprensa por dois anos e meio. Hoje, treze anos depois desse período, oito anos depois que ele se foi, já é agradável passar por ali. Lembro dos nossos rituais e piadas, e de uma brincadeira macabra que constituía em "atropelar pessoas". Claro que ele não passava com o carro por cima de ninguém, mas a cada oportunidade que tínhamos de deixar um pedestre atravessar na nossa frente, contávamos os pontos para nosso joguinho. Gente carregando sacola valia mais pontos, assim como indivíduos de boné, mochila etc. Éramos normais, não se engane.

Claro, não foi sempre assim, tão tranqüilo, lembrar desses tempos. Nos primeiros anos de sua falta, alguns lugares, gestos e hábitos repercutiam na memória como uma fisgada no peito. Talvez, naquele tempo, eu não conseguiria nem correr pelas ruas do Ipiranga. E quando os mais experientes, que já tinham passado por perdas semelhantes, diziam que uma hora isso ia passar, era difícil de acreditar.

No entanto, hoje passo pela avenida D. Pedro I e por seus casarões antigos, subo a Nazareth com os olhos magnetizados pelo museu e já não vem a tristeza. Vem a lembrança do joguinho esdrúxulo, das piadas, das fitas cassete que íamos ouvindo no carro.

Meu pai certamente ficaria entusiasmado com meu engajamento nas corridas. Na falta dele, fui encontrando nesse circuito alguns "pais" que me guiam, me puxam a orelha, me tratam com genuíno carinho de filha. O pai de todos, Zé Eduardo Pompeu, é o técnico e é Zé, como era meu pai também. Henry, meu grilo falante, é quase um pai bravo a me convencer de que posso ir mais rápido, mais forte, mais decidida. Zoca é outro pai de todos, por ser o mais velho e por ter, com sua (e nossa!) querida Valéria virado uma espécie de padrinho de todo o time.

Na corrida deste domingo, uma performance para encher de orgulho todos eles. Terminei em 49min16, que não é meu melhor tempo para 10 km, mas é um "temporal" para um circuito como aquele, com uma ladeira tão longa. De quebra, recebi duas medalhas. A verdadeira, da prova, e um prêmio inesperado. Meu amigo Henry, outro japonês da turma, me deu uma figurinha repetida de seu álbum da Eurocopa. Na foto, o tudo-de-bom Cristiano Ronaldo, titularíssimo do time de Portugal, terra dos meus avós, país que levava toda a simpatia... do meu pai.

Friday, June 27, 2008

Maria (quase) Gasolina

Em minhas andanças pelos autódromos, lá no Paleolítico, costumava ser muito mais fácil falar com os pilotos, e isso vale também para os de Fórmula 1. As restrições à imprensa eram muito menores naquela época e os pilotos não eram engessados nessas regras de só falar em horários pré-determinados, em ambientes assépticos, com os logotipos dos patrocinadores estrategicamente posicionados para aparecer nas imagens. Era chegar, testar o humor do sujeito e, se rolasse, engatar as perguntas ali mesmo, encostados na mureta do pit lane ou nas portas de ferro do box.

(Nunca me esqueço de que, certa vez, fiquei esperando um tempão para falar com Alain Prost depois do GP do Brasil de 1993, encostada na porta do box. Quando saí, notei que minha calça jeans estava toda suja de graxa. Que ódio!)

Em 1992, o contraste era ver o poderio quase bélico da Williams, com sua suspensão ativa que fazia os carros se mexerem "sozinhos", em testes bem provocativos no intervalo entre um treino e outro, e as condições mequetrefes dos times menores, como Fondmetal ou Larousse. Nada, porém, se comparava à pobreza e ao amadorismo da natimorta Andrea Moda.

A equipe era uma piada a começar pela origem. O dono, Andrea Sasetti, era um empresário do ramo de calçados que achou por bem criar uma equipe de Fórmula 1. As condições eram mais do que precárias. O carro da equipe nunca tinha sido testado. Na semana anterior ao GP do Brasil, os dirigentes do time ficaram prometendo testes em circunstâncias mais que inverossímeis, a ponto de cogitarem colocar o carro para andar no aeroporto do Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo. Não rolou teste nenhum e há quem jure de pé junto ter visto mecânicos da equipe emendando a carenagem do carro com silver tape.

Isso eu não vi mas, meninos, eu vi. Vi Roberto Pupo Moreno, um dos pilotos da equipe, dar uma entrevista sem pé nem cabeça, acreditando não só que o carro andaria como também que ele se classificaria para a largada. Para quem não sabe, naquela época a Fórmula 1 tinha mais carros inscritos que posições no grid, deixando sempre pelo menos quatro carros fora da corrida. Largavam 26 pilotos, imagine...

Pois a Andrea Moda não só ficou na degola de pré-classificação como foi capaz de rodar apenas com um único carro, justamente o de Moreno. O tempo da pole, obtido por Nigel Mansell, foi de 1min15s703. O último colocado no grid, Johnny Herbert com sua Lotus, marcou 1min20s650. A penúltima colocada na pré-classificação, a italiana Giovana Amati, marcou 1min26s645. Achou grande a diferença? Pois então se segure. Moreno, com a paquidérmica Andrea Moda, registrou o inacreditável tempo de 1min38s569! Doze segundos a mais que a penúltima colocada, 23 segundos a mais que a pole!



Junto a Moreno, no box da Andrea Moda, estava um piloto inglês, carequinha e simpático, chamado Perry McCarthy. Na sala de imprensa, tínhamos visto seu nome na lista de inscritos, mas nenhum dos repórteres brasileiros conhecia o indivíduo. Em um tempo no qual só se falava de Ayrton Senna e de seu desalento em perseguir a esquadra da Williams, ninguém deu muita bola para Perry McCarthy. Numa dessas idas e vindas entre sala de imprensa, paddock e pitlane, deparei-me com meu colega de Folha de S. Paulo Edgar Alves, junto a um pequeno grupo, na frente de um box.

Cheguei e vi um loirinho calvo, já entrado na casa dos 30, descrevendo uma manobra como se narrasse um desenho animado. Gesticulava explicando o movimento do carro e a subseqüente batida, usando onomatopéias o tempo todo. "Pum, pow, poff, crash!" E se ria todo, lembrando de alguma corrida, em algum rincão da Europa, que provavelmente ninguém mais viu. Percebi que o figura era Perry McCarthy e fiquei ali, pescoçando a conversa. Como era natural, o então repórter do Jornal da Tarde estava junto comigo.

Em dado momento, inquirindo o piloto sobre mais detalhes de sua vida e carreira, Edgar Alves perguntou se McCarthy era casado. O safadinho virou-se para mim, entre jocoso e galante, arregalando os olhos e dando piscadelas cômicas. "Quem está perguntando?", disse em um inglês bem arretado. Ao que Edgar respondeu: "Ela!", referindo-se naturalmente a mim. E Perry: "No, I am not!"

Com meus 20 e pouquinhos anos, corei. Ao lado do namorado, acrescentei constrangida. "But, I am...". E o repórter do JT arematou: "Yes, with me!".

Perry não perdeu o rebolado. Virou-se para o jovem jornalista, estendeu-lhe a mão e disse: "With you! Oh, congratulations!" A entrevista informal terminou em risadas. A aventura de Perry McCarthy na Fórmula 1 não completou uma volta sequer, e assim acabou minha curtíssima carreira frustrada como Maria Gasolina.

Sunday, June 22, 2008

Pelo amor e pela dor

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Felipe Massa, ao vencer e se tornar líder do campeonato, parece ter encontrado o equilíbrio que lhe faltava em outras temporadas. Uma análise deste histórico GP da França de 2008, lá no GPTotal. Vai lá, comenta aqui, ou lá, onde quiser!

Tuesday, June 17, 2008

A seguir, cenas dos próximos capítulos...


Soube pela internet que o SBT está reprisando a novela "Pantanal", exibida originalmente pela extinta TV Manchete. Quando li a notícia, comentei com a jornalista Tatiana Napoli, que trabalha comigo, sobre um dos grandes legados de "Pantanal" - o fim do tradicional "a seguir, cenas dos próximos capítulos...".

Tati, que é bem mais nova que eu, não conhecia essa verdadeira instituição da teledramaturgia brasileira. E se ela, que é bem antenada, demonstrou desconhecer o tema, imagino que boa parte das gerações jovens jamais tenham visto um final de capítulo arrematado pela tal frase.

Desde que Eva Wilma e Johnny Herbert cruzaram as linhas em "2-5499 Ocupado", a primeira telenovela diária do Brasil, o final do capítulo seguia sempre a mesma fórmula. Antes do último intervalo, em vez de aparecer o tradicional "estamos apresentando", vinha a frase lapidar "a seguir, cenas dos próximos capítulos". Tome reclame e, na volta, um pequeno clip mostrava cenas a serem exibidas. Às vezes, sem os diálogos, com uma das músicas da trilha sonora percorrendo as cenas. Em outras ocasiões, com os diálogos. Nos primórdios, entravam as cenas recortadas e um locutor repetia um mesmo texto, dia após dia, algo como "amor, emoção, traição, cobiça... tudo isso em... Fogo sobre terra!".

E por que sumiram com o tal "a seguir, cenas dos próximos capítulos"?

Aí é que entra "Pantanal" na história. A telenovela, uma xaropada como quase todas, só que com muita gente pelada, balançou a audiência da Globo. A novela ia ao ar depois do tradicional horário da novela das oito da emissora do Jornalista Roberto Marinho (sic). Só que a zapeada era tão violenta rumo à Manchete que a Globo começou a se preocupar com a baixa audiência de suas atrações seguintes, a chamada linha de shows. Para tentar evitar que os telespectadores mudassem de canal já no último intervalo, o que antecedia as tais "cenas dos próximos capítulos", a Globo começou a colar a atração seguinte na novela, sem direito a intervalo nenhum.

Talvez a solução de emergência tenha se mostrado vantajosa de alguma forma, porque aos poucos as "cenas dos próximos capítulos" foram sumindo de todas as outras novelas, até desaparecer de vez.

Além de introduzir o desfile de peladas lânguidas em paisagens idem, "Pantanal" talvez entre para a história da teledramaturgia nacional como a novela que acabou com "cenas dos próximos capítulos" embora, ela mesma, tivesse as suas.

Wednesday, June 11, 2008

Atendendo a pedidos

Desde que inaugurei este blog, em 29 de janeiro de 2006, nunca tinha mudado seu layout. Meu "filho" Bruno Vicária, dono da Laje de Imprensa, blog que se traduz por ser uma espécie de metamorfose ambulante, já tinha tirado uns sarrinhos, de leve, da estagnação deste meu espaço. Meu filho, outro blogueiro com sede de mudança, pediu, reiterou, insistiu e hoje, finalmente, graças a uma irresistível ligação no final do dia, conseguiu me convencer.

Foi me guiando pela lista de layouts disponíveis, dando idéias e sugerindo cores. Por fim, decretou: coloque uma foto sua! Aquela, de cabelo preso. Que nem é uma foto do dia-a-dia, pois raramente uso o cabelo preso.

O que uma mãe não faz...

Tuesday, June 10, 2008

Embalos de sábado à noite

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Seja em treino ou corrida, penso sempre a mesma coisa antes de completar o primeiro quilômetro: "O que estou fazendo aqui?". É irresistível abandonar-se à reflexão acerca do sentido de correr, de extenuar-se, de elevar o batimento cardíaco ao nível do desconforto. O sentido ou a falta dele. Como bem lembrou Drauzio Varella há algumas semanas, em artigo na Folha de S. Paulo, exercitar-se não é algo natural para animais na vida adulta. O homem é o único que tem de se forçar à atividade física programada, por ter adotado uma vida tão prática e confortável. O que equivale dizer - tão sedentária.

Mas, depois de vencido o primeiro quilômetro, a coisa pega no tranco e a gente vai. Na verdade, a gente volta, pois correr é quase sempre movimentar-se em círculo, partindo de um ponto e voltando a ele mesmo. Outra reflexão que sempre se instala. Se era para voltar para o mesmo lugar, por que fui? Parece a anedota do caiçara, ouvindo o homem da cidade aconselhá-lo sobre a necessidade de pescar mais, vender mais, comprar mais um, dois, dez barcos, ter uma frota, ter empregados trabalhando para ele, a fim de que ele pudesse, finalmente, deixar-se ficar na beira da praia, só descansando, ao que o pescador responderia - "E não é o que eu estou fazendo agora?"




Ainda assim, venço a tentação da inércia e vou. No sábado, dia 7 de junho, fui pela 40ª vez. Em quase seis anos de corrida, 40 provas. Neste ano, por conta das transmissões da Fórmula 1, tenho perdido algumas corridas, a maioria programada para as manhãs do domingo. Por isso, me animei com a idéia de fazer uma prova noturna. Sim, sábado à noite. A turma da Equipe Conexão, sob o comando do treinador José Eduardo Pompeu, compareceu em peso. No caminho, indo de comboio para a Cidade Universitária, eu repetia a todo instante a mesma pergunta - "O que estou fazendo aqui?".

Tinha sido um sábado cheio de atividades. Logo pela manhã, festa junina na escola dele. Na hora do almoço, um aniversário na casa de amigos, com pausa para ver o treino do GP do Canadá. Na volta para casa, tempo apenas para trocar de roupa e seguir para a Paulista, onde a turma se reuniria. Saí de casa com uma sensação estranha, por deixar pai e filho meio à deriva, numa noite de sábado.

A prova, Fila Night Run, 10 km, tinha largada marcada para as 20h. O mesmo embaço de sempre na hora de estacionar o carro, retirar o chip e guardar as sacolas no guarda-volumes. Pouco tempo para aquecer, muita gente na largada, sentença dada - vamos aquecer nos primeiros dois quilômetros e ver o que dá para melhorar daí para a frente.

Pouco antes da largada, percebi que aquela não era apenas minha primeira prova noturna. Eu simplesmente nunca havia corrido à noite, nem em treino. Sou diurna, gosto de acordar antes do sol para aproveitá-lo todinho e sempre sinto o gás acabando quando o entardecer se instala. Some-se a essa tendência natural a correria de sábado e minha perspectiva não era para um desempenho notável na prova.

Chegando à USP, um reforço inusitado para a energia da turma. Zoca saca de sua sacola uma lata de biscoitos cheia de... bolinhos de chuva! Sua doce Valéria havia preparado um farto carregamento da guloseima, que até aquela data nunca tinha se mostrado especialmente indicada para a nutrição de atletas antes do exercício.










Não sei se foi o bolinho da Valéria, o horário da largada ou a vontade de ir embora logo, mas o fato é que comecei a me sentir muito disposta durante a prova, fazendo os primeiros quilômetros sempre acima dos cinco minutos, mas não muito mais que isso. A partir do quinto, comecei a apertar o ritmo e terminei em 50min20, bem acima do meu recorde de 49min00, mas bem melhor do que eu imaginava no início da prova.

Terminado o evento, na volta para o carro, com uma vontade louca de voltar para minha casa, tive certeza de que foi uma boa experiência, mas talvez única. Dez quilômetros na noite de sábado já é manifestação patológica. Comecei, continuei e terminei com a mesma pergunta rondando minha mente - "O que eu estou fazendo aqui?"

Friday, June 06, 2008

Al Capone

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O maior gângster da história foi preso por sonegar impostos. Quase como Max Mosley, absolvido pelo "motivo errado". No GPTotal, o desenvolvimento desse tema e uma análise das mazelas de Nelson Piquet, o segundo. Vai lá, vai.

Thursday, June 05, 2008

Avante, patrício!

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A Eurocopa começa nesta semana, com jogos na Suíça e na Áustria. O repórter Julio Gomes vai cobrir a competição e hoje trouxe uma entrevista exclusiva com o principal jogador de Portugal, Cristiano Ronaldo, candidatíssimo ao título de melhor jogador do ano.

Como forma de homenagear meus antepassados, junto-me à torcida de Portugal. É só por isso que este post vem ilustrado assim, tão lindamente.

Tuesday, June 03, 2008

Mosley fica

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Quem apostou que ele cairia (como eu) queimou a língua. Por 103 votos contra 55, o presidente da FIA, Max Mosley, recebeu um voto de confiança da assembléia geral da entidade, em reunião realizada nesta terça-feira, em Paris.

A votação foi secreta (ah, assim fica fácil) e o resultado final, divulgado pela FIA, foi o seguinte:

Sim ao voto de confiança - 103
Não ao voto de confiança - 55
Abstenções - 7
Votos nulos - 4

Ou seja, uma lavada de Mosley.

Com o resultado, Mosley permanece em seu cargo pelo menos até novembro, quando devem acontecer novas eleições para a presidência da entidade.

Continuo achando que, se a votação fosse aberta, ele cairia.

Friday, May 30, 2008

Cai ou não cai?

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Na próxima terça-feira, dia 3 de junho, o presidente da FIA, a Federação Internacional de Automobilismo, Max Mosley, pode perder seu cargo. Na origem da eventual queda, a divulgação de uma orgia com temática sado-masoquista, apimentada por indumentária e ambientação nazistas.

Gostaria de debater dois aspectos.

Primeiro: você acha que Mosley cai ou não cai no dia 3?

Segundo: o que você acha mais condenável - a fantasia de Mosley, de cunho nazista, ou a divulgação da orgia pelo jornal "News of the world"?

Minha opinião: acho que ele cai, que os dirigentes do automobilismo não querem o incômodo de passar por omissos diante de um caso tão ruidoso. Ao fim e ao cabo, será um gesto hipócrita, porque a condenação, se vier, só virá em função da divulgação pública. Em outras palavras: os cartolas que votarem contra Mosley vão fazê-lo para ficar bem com a chamada "opinião pública". Mas, se soubessem que o velho Max é chegado em um chicotinho e isso não tivesse saído na imprensa, era bem capaz de olharem para ele com um misto de admiração e inveja, ansiando mesmo para serem convidados para suas "festinhas", como disse Nelson Piquet em seu habitual tom de deboche.

Segundo: acho que todos temos nossos esqueletos no armário e prezamos nossa privacidade. Ninguém gostaria de se ver exposto em um tablóide sensacionalista da maneira como Mosley foi. Pessoalmente, acho esse tipo de imprensa abjeta e não hesitaria em processar um veículo se fosse vítima dele. Mas, é o tal negócio, jornalecos como esse existem porque há quem os leia...

Monday, May 26, 2008

O nome da grana

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Hoje, em seu programa semanal de rádio, o presidente Lula afirmou que a América do Sul caminha para ter uma moeda única. Uma questão: como se chamaria o dinheiro do continente sul-americano?

Eu, que já passei por cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro (de novo), cruzeiro real e real, sempre acho uma perda de tempo essas trocas de nomes. Sempre achei que o dinheiro no Brasil deveria se chamar simplesmente "pau". Afinal, é assim que nos referimos ao preço das coisas, ou não?

"Quanto você pagou nesse tênis?"

"Duzentos paus".

Pronto, oficializa. E, de quebra, faz uma homenagem à origem do nome do país - Pau-Brasil. Só não sei se o resto do continente ia gostar...

E você, que nome daria para a moeda única da América do Sul?

Obrigada

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Certa vez, estava dentro do carro, na frente de um caixa eletrônico, quando vi um homem descer de seu automóvel e se dirigir a esse mesmo caixa. Havia algum movimento na rua, mas nenhuma das pessoas pareceu notar sua presença. Ele entrou, ficou alguns minutos lá dentro e saiu, sem que ninguém fizesse menção de lhe dirigir a palavra. Corintiana que sou, ainda assim fiquei espantada com a indiferença. Era Ademir da Guia, chamado por muitos de "Divino", um dos maiores jogadores que atuaram pelo Palmeiras. Ninguém deu bola.

Noutra vez, no Aeroporto de Guarulhos, reparei em um homem diante de um balcão de café, esperando seu pedido, olhando para o nada do saguão lotado. Sozinho na multidão, era Careca, um dos maiores centroavantes do São Paulo, titular da seleção de 1986.

Fama é assim mesmo. Chega, instala um turbilhão na vida do sujeito, torna-o celebridade e eventualmente rico, mas quase sempre vai embora. E ele que fique com suas lembranças e com seus dividendos.

Gustavo Kuerten foi o maior jogador de tênis da história do Brasil. Fez, com seu esforço, o inimaginável em um país que dá pouca importância para outros esportes que não sejam o futebol. E, ainda no futebol, esquece tão fácil seus ídolos de ontem.

Que Guga tenha uma vida feliz, que possa usufruir o que conquistou. Que seja reverenciado, para sempre. Obrigada, Guga!

Questão de estrela

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Sorte ou competência? O que, afinal, levou Lewis Hamilton à vitória no GP de Mônaco de 2008? Algumas considerações no GPTotal. Leia lá, comente!

Sunday, May 18, 2008

Juntos, outra vez

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Zelia Gattai não morreu ontem, na Bahia. Zelia tornou a viver. Pode ser que demore alguns dias, dias terrenos, essas vinte e quatro horas em que o planeta gira em torno de si mesmo, que convencionamos a chamar de dia. Em algum tempo, em medida que desconhecemos, Zelia reencontrará a vida porque estará de novo com seu grande amor.

Jorge Amado morreu em 2001, deixando para Zelia os dois filhos e os netos, a cadeira na Academia Brasileira de Letras, a solidão na casa do Rio Vermelho. Parece que foi mais cedo para arrumar a casa e esperá-la. Conhecendo Zelia e Jorge por meio dos livros dela, é de se imaginar que a casa estará uma bela bagunça. Zelia chegará para colocar ordem na nova vida dos dois.

Foi assim desde 1945, quando os dois se conheceram, ambos desquitados, militantes do Partido Comunista. Fascinada pelo escritor baiano, a paulistana assumiu a vida do marido como a própria vida. Mudou-se com ele para o Rio, acompanhando-o já eleito deputado federal. Declarado ilegal o partido, foram exilados para Paris, depois Praga, na então Tchecoslováquia, e finalmente, Salvador.

Mulher, desquitada, militante comunista. Zelia mudou-se com Jorge para o mundo deixando tudo para trás. Teve coragem até para deixar o filho, fruto de um primeiro casamento, aos cuidados das irmãs. Não, esse não era um amor qualquer.

Colocou ordem na vida de Jorge, responsabilizando-se até por passar a limpo e revisar seus originais.

Escritor popular, talvez o mais popular do Brasil, Jorge sabia que não era considerado pela intelectualidade como um literato. Talvez não fosse mesmo, mas não parecia se importar com isso. Jorge talvez tivesse a consciência da missão nobre a ele reservada: enfiar a cara de milhares, milhões de pessoas em todo o mundo dentro de um livro. Não há que ser literato para isso, há que ser bom contador de histórias.



E foi o talento para contar histórias que Jorge detectou na mulher, incentivando-a a escrever suas memórias. "Anarquistas graças a deus" foi o livro de estréia de Zelia, aos 63 anos de idade. O conselho dele: escreva de maneira simples, sem parecer literato. Não somos literatos.

Com sua singeleza, Zelia tornou-se uma competente cronista de suas épocas. Da São Paulo dos anos 20 e 30, do Rio de Janeiro dos anos 40, da Europa dos anos 50. Histórias prosaicas, daquelas que aconteciam na vida de qualquer um, transcritas em textos fluidos, sem empáfia.

Zelia, como Jorge, ajudou a despertar em muitos leitores o amor pelos livros. Obrigada, Zelia, vai cuidar do teu baiano romântico e sensual, vai.

Tuesday, May 13, 2008

Vocé é o...?

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O pai é provavelmente a maior enciclopédia viva sobre automobilismo no Brasil. A mãe dá seus pitacos sobre corrida desde 1991. Resultado é que o rapazinho sempre responde do mesmo jeito quando perguntado sobre seu time preferido: "Não gosto de futebol".

E não gosta mesmo. Na TV, nem pensar. Na escola, participa e se diverte nas aulas do esporte bretão, mas de fato canaliza todo interesse em esporte para coisas que se movam, com duas ou com quatro rodas.

Certo dia, o jovem blogueiro acompanhava uma conversa da mãe com a avó. "Puxa, você viu que a filha do Pelé morreu?".

Ele, de imediato: "Quem é Pelé?"

A avó achou um acinte. "Se seu avô fosse vivo, você saberia quem era o Pelé." O avô, torcedor da Lusa, sofreu como todos os outros times com aquele camisa dez do Santos. Mas, como todo brasileiro, era admirador do atleta do século. Contaria histórias de Edson Arantes do Nascimento e o guri saberia, certamente, quem é Pelé.

Mas não sabia, nem se interessou em pesquisar. Dias depois, vai Pelé homenagear Michael Schumacher, que em Interlagos fazia sua última corrida na Fórmula 1.

"Tá lá, Gabriel, tá vendo aquele cara entregando um troféu para o Schumacher? Aquele é o Pelé."

E para ele, provavelmente, Pelé ainda é o sujeito que fez uma homenagem ao alemão no grid do GP do Brasil de 2006.

Monday, May 12, 2008

Esconde que desaparece?

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Ontem, durante o GP da Turquia, algo raríssimo aconteceu: uma ultapassagen, e não uma ultrapassagem qualquer, mas uma manobra que valeu a liderança da corrida.

Quando Lewis Hamilton passou Felipe Massa, durante a transmissão pela Band News e Bandeirantes AM, lembramos que isso não acontecia desde o GP da Europa do ano passado. Naquela corrida, em Nurburgring, foi Fernando Alonso que assumiu a liderança em uma manobra na pista, deixando em segundo, justamente, o mesmo Felipe Massa.

Viva, aleluia, uma ultrapassagem!

É certo que Hamilton perdeu a liderança por conta da estratégia de corrida, obrigado a fazer uma parada a mais nos boxes. Mas foi uma linda manobra, e foi ótimo ver uma ultrapassagem valendo o primeiro lugar, nesses tempos de vacas magras no quesito competitividade na Fórmula 1.

Mas, se você perdeu a corrida e quis ver o compacto no Sportv, provavelmente não está entendendo nada do que escrevi. Simplesmente porque o compacto do Sportv não mostrou a ultrapassagem de Hamilton sobre Massa.

Compreensível: Massa é inatacável. Na disputa direta pelo título, Massa é o herói a ser preservado. Se a TV esconder a ultrapassagem de Hamilton sobre ele, talvez ela deixe de existir.

Uma grande bobagem: a bela ultrapassagem de Hamilton sobre Massa valorizou a vitória do brasileiro. Eu disse isso no ar, cutucando indiretamente a torcida palmeirense: disse que era melhor vencer assim, enfrentando dificuldades, do que ganhar muito fácil, por exemplo, de 5 x 0. Só uma brincadeira, amigos alvi-verdes! Mas a do Sportv...

Thursday, May 08, 2008

Mosca


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Na terça-feira, logo cedo, abri o Blog do Ico e li a notícia sobre a falência da Super Aguri. Na hora, duas coisas me chamaram a atenção: o furo do Ico e o futuro do piloto Takuma Sato.

Furo do Ico, sim senhor. O blog dele anunciou o fim da equipe antes de qualquer site da imprensa brasileira. Vantagens de quem mora na Europa e se liga desde cedo nas notícias.

Juro que, na mesma hora, pensei sobre o futuro de Takuma Sato. Ora, se a Honda criou uma equipe satélite só para empregar o piloto japonês, é lógico pensar que ele não vai ficar a pé, assim, de uma hora para a outra. É provável que a Honda o absorva.

"Será que ele pega o lugar do Rubinho?", pensei.

Pensei mas não escrevi, comi mosca. Ontem, um site italiano levantou essa bola.

Se o simpático Sato tomar o lugar do brasileiro, que seja pelo menos depois do GP do Canadá. Rubens acha que bate o recorde de participações na Fórmula 1 no próximo domingo, superando o italiano Riccardo Patrese. Ele acha, mas muita gente contesta, dizendo que faltariam pelo menos duas provas para que esse recorde fosse realmente batido. Tomara que seja depois do Canadá, para se cumprirem essas tais duas provas, porque vai ser dose aturar mais essa polêmica na carreira de Barrichello...

Saturday, May 03, 2008

Para gostar de ler - Contos de Gabriel García Márquez


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Faz tempo que não escrevo sobre livros, por isso resolvi escrever sobre dois de uma só vez. Recentemente, li dois livros de contos do colombiano Gabriel García Márquez, provavelmente meu escritor preferido.

Desde que li "Cem anos de solidão", em 1984, sempre procurei ler tudo que pudesse desse autor. Até que, há alguns meses, percebi que estavam faltando pouquíssimos livros dele para que eu completasse toda a obra literária de García Márquez. Sempre que vou a uma livraria, dou uma vasculhada na prateleira de autores latino-americanos, para ver se tem algum desses que me faltam. Foi dessa forma que li, em 2008, as coletâneas "Os funerais da Mamãe Grande" e "Olhos de cão azul", exatamente nesta ordem.

É muito interessante ler o "jovem" García Márquez depois de já ter lido o autor consagrado, ganhador do Nobel de Literatura em 1982. Cito o jovem porque os dois livros de contos trazem histórias escritas no início da carreira, antes do sucesso de "Cem anos de solidão". E ambos funcionam como uma espécie de rascunho do que seria a grande obra do autor. Seja pelos temas, pelas referências à fictícia Macondo, onde se passa a trama de "Cem anos", seja pelos toques do chamado realismo fantástico, seja, ainda, pelo estilo em formação do autor, já com suas metáforas e com seu ritmo de texto, que alterna frases longas, algo rebuscadas, com outras, curtíssimas, com o poder de navalhas ultra-afiadas.

"Olhos de cão azul" reúne contos escritos entre 1947 e 1955, em publicações diversas. A coletânea, como livro, só saiu em 1974. Os contos têm em comum o mesmo tema - a morte, tratada de formas diversas. O conto de abertura, "A terceira renúncia", remete a um morto consciente do próprio corpo inerte e da própria morte. Faz lembrar o célebre "Pedro Páramo", conto de Juan Rulfo, tido como grande influenciador de García Márquez e de grande parte da geração de escritores latino-americanos florescida nas décadas de 1950 e 1960.

Está nesse livro, também, o inquietante e opressivo "Isabel vendo chover em Macondo", conto que antecipa a atmosfera de uma importante passagem de "Cem anos de solidão". Meu conto preferido, nesta obra, foi "Nabo, o negro que fez esperar os anjos", menos pela temática, mais pelo incrível parágrafo final, um looping de uma página e meia e um fôlego só, revelador do grande narrador que viria a ser García Márquez nos anos seguintes.

"Os funerais da Mamãe Grande", lançado em 1962, também traz alusões a Macondo. É na fictícia cidade criada por García Márquez que se desenrola o conto que dá nome à coletânea. O colombiano, em várias entrevistas, citou Érico Veríssimo e sua obra "O tempo e o vento" como influência importante de "Cem anos de solidão". Neste "Mamãe Grande", no entanto, há um quê de Jorge Amado, com um universo povoado por representantes de uma casta aristocrática opressora e gente do povo, fartamente oprimida. Deste livro, meu preferido é "Nesta terra não há ladrões", a história de um roubo e a luta de um homem com sua consciência e com sua miséria, para tentar desfazer-se da culpa e das provas de seu crime.

Dizer que recomendo a leitura de García Márquez é redundância. Serei, portanto, redundante: se puder, leia "Os funerais da Mamãe Grande" e "Olhos de cão azul". Se você já leu ou se quiser comentar qualquer coisa sobre as obras e seu autor, o espaço, como sempre, está aberto.

Monday, April 28, 2008

Homens de gelo

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Heikki Kovalainen e Kimi Raikkonen, os dois protagonistas do GP da Espanha, são o tema principal da minha coluna, no GPTotal.

Ao final, um tema para o debate: a TV precisa mesmo mostrar TUDO?

E, aproveitando, para quem ouviu a transmissão pela Rádio Bandeirantes/ Band News FM: o canal está aberto para comentários.

Uma ótima semana!

Thursday, April 24, 2008

Aperta que ele cria?

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No post sobre o "Clube da Esquina", um comentário do leitor Mauro Chazanas me chamou muito a atenção. Tanto que tomo as palavras dele emprestadas e lanço a discussão: será que os grandes autores da era de ouro da MPB criaram mais e melhor durante a ditadura? O fim do regime autoritário, coincidindo com uma fase menor na carreira desses artistas, estaria diretamente ligado à baixa criatividade?

As palavras do Mauro, literalmente:

"O assunto é: até que ponto o período de maior criatividade da MPB - pra ficar só na MPB - "dependeu" da existência da ditadura militar pra florescer. Deixando bem claro, nem quero correr riscos por isso quero evitar equívocos, não estou dizendo que a ditadura ajudou de qualquer forma os artistas, pelo contrário, todo mundo sabe ou melhor, todo mundo sabe o que veio à público sobre o que a ditadura fez, também em relação à àrte - "Maninha", do Chico: "(...) pois hoje só dá erva-daninha no chão que ele pisou(...)". Estou me referindo à contradição de, num regime onde classificá-lo de "autoritário" seria ser suave, brotar tanta beleza, riqueza.
E de onde vêm os fatos para se chegar a esta pergunta? Por exemplo, dois ítens: um, pela comparação entre o número de compositores e letristas - de novo, lembrando que estou só falando de MPB - surgidos na época, de tantas e tantas canções e o número de novos artistas (que permaneceram ou permanecerão como eles, como Chico, Milton, e os mais)surgidos depois da ditadura; dois, pela produção daqueles mesmos artistas no pós-ditadura. Dá, acho - e aí talvez haja polêmica - pra separar a obra do Milton, do Chico, do Caetano, do Gil e tantas e tantos entre o que criaram na ditadura e o que veio após seu fim. Fizeram muita coisa boa depois sim, mas em menor número do que eles mesmos fizeram antes.

Mais uma coisa pra não deixar dúvidas, não estou querendo dizer com isto que a ditadura teve lá seus méritos. Não reconheço nela mérito algum. Não teve um dia sequer de minha vida escolar, do primário até meu comêço de USP que não fosse sob o tacão daquela turma. Não tenho saudades. Todas as canções jamais feitas não valem o que eles fizeram."

Eu tenho uma opinião sobre este tema, e vou deixá-la para a caixa de comentários, debatendo junto com vocês. Vamos nessa?

Tuesday, April 22, 2008

Gatíssimo Jenson!

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Nas duas últimas transmissões da BandNews-Rádio Bandeirantes, o locutor Odinei Edson me colocou em uma saia-justa, perguntando sobre minhas preferências estéticas em relação aos pilotos. Na primeira vez, desconversei, dizendo apenas que sim, achava Kimi Raikkonen bonitinho.

Na segunda, ele não se limitou a colher minha opinião sobre os três rapazes do pódio. Insistiu para que eu dissesse quem é o mais belo piloto da Fórmula 1 atual. Fiz um gracejo, que me deixou em maus lençóis com o piloto Cacá Bueno, titular da Stock Car e também comentarista do time. Eu disse que beleza não devia ser o forte dos pilotos, ou eles não procurariam uma profissão na qual são obrigados a esconder o rosto. Tive que desdizer na hora, para não ficar mais constrangida.

Acabei revelando um nome - Jenson Button.

O companheiro de Rubens Barrichello aproveitou o fim de semana de folga e foi fazer um triatlo. Castigou. Além de me encantar com seus dotes de atleta - eu, uma esforçada atleta amadora - ainda me aparece com esses ombros, esses bícepes... Com todo respeito, que Danica, o quê!

Monday, April 21, 2008

De novo, na esquina, os homens estão



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Eu morava no nono andar de um edifício e tinha um canto preferido no apartamento - uma sala toda envidraçada onde meus pais colocaram nosso aparelho de som. A sala tinha um desnível em relação ao resto do imóvel. Chegava-se a ela por uma escadinha de três degraus. No mais baixo deles, eu colocava minha máquina de escrever Olivetti Lettera e ficava, sentada no chão, datilografando meus trabalhos de escola, as cartas que escrevia para o Programa do Zuza, minhas críticas musicais e literárias, minhas análises de futebol e Fórmula 1. Aquela sala foi, por assim dizer, minha primeira redação.

Não por acaso, sentava ao lado do aparelho de som e, enquanto escrevia, pilotava a música ambiente. Às vezes, as costas doíam, uma das pernas "dormia" e eu me levantava, para esticar o corpo. Quase sempre, sentava um pouco no sofá, no lado direito da sala, e ficava olhando pela janela, que dava vista para a Serra da Cantareira. É impossível lembrar dessas cenas e não associá-las à música de Milton Nascimento.

Talvez - e mais obviamente - porque eu escutava muito Milton naqueles tempos. Eu já era admiradora do falso-mineiro quando conheci meu grande amigo Gê Tock, em 1987. Ele, admirador e profundo conhecedor da obra do compositor, acabou me influenciando muito a aprofundar o gosto por Milton. Mas, talvez, eu também associe aquelas imagens à música dele pela visão que sugeria. Ao descansar os olhos na paisagem urbana limítrofe com a serra, eu inconscientemente me transportava para Minas e suas montanhas. Aquela visão da montanha paulista era a minha Minas Gerais.

Os dois álbuns "Clube da Esquina" eram dos mais tocados naquele cenário. Em LPs, naturalmente. De cara, a música de Milton Nascimento e Lô Borges, em parcerias diversas, sempre me sugeriu aquela melancolia característica de sua obra. E esse talvez fosse um fator adicional para eu ouvi-la tanto. Com 16, 17 anos, auge da adolesência e da montanha-russa emocional, sempre convém um pouco de melancolia.



Nesse período, não me limitei aos dois Clubes. Ouvia muito, também, os LPs "Caçador de Mim", "Anima", também um disco ao vivo, gravado por Milton no Palácio das Convenções do Anhembi, em 1983, "Encontros e Despedidas" e o menos brilhante "Yauaretê". Os dois Clubes, no entanto, sempre sobressaíram para mim como obras fundamentais.

A começar pelo conceito de criação coletiva, expresso tanto na enorme variedade de parcerias quanto nas próprias fotos do encarte, mostrando estúdios cheios de gente, músicos, mulheres, crianças, uma atmosfera hipponga totalmente anos 70. Aquilo não era só um disco - ou dois, pois os dois Clubes são álbuns duplos. Aquilo era o documento de uma época.

Outra sensação muito forte que sempre me marcou foi a mistura de elementos e influências. Música sacra, música cigana, rock, com inegáveis toques de Beatles, música latino-americana e até samba. Como definir a música do Clube? Era tudo isso, amalgamado em uma obra muito própria, personalíssima.

Já li algumas versões sobre a mesma confusão causada pelo termo "Clube da Esquina". Consta que um músico norte-americano desembarcou em Belo Horizonte e pediu para ser levado para a esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em busca do mítico clube, que nunca existiu como tal, sendo apenas uma expressão que designava um grupo de amigos. (A saber, Milton e a filharada da família Borges, tendo Lô como caçula). Já li que esse músico seria o saxofonista Wayne Shorter e também o tecladista Lyle Mays. Seja quem for, o clube, como tal, nunca existiu.

A EMI lançou recentemente uma caixa com os dois CDs remasterizados, em trabalho capitaneado pelo produtor João Marcello Bôscoli. Um encarte detalhado traz as letras e muitas das fotos das gravações originais, inclusive uma na qual se vê Elis Regina ao lado de Milton e do guitarrista Natan Marques, que tocou por muitos anos na banda da cantora. Elis participou do Clube da Esquina nº 2, cantando com Milton "O que foi feito devera/O que foi feito de Vera", um magnífico duelo vocal entre duas das maiores vozes da MPB em todos os tempos.

Ouvindo os novos CDs remasterizados, algumas idéias novas se somaram às percepções cultivadas desde o tempo da sala envidraçada. São 44 músicas no pacote. Acredite se quiser: você não vai ouvir as versões de "Clube da Esquina" 1 ou 2 em nenhum dos CDs. A música Clube da Esquina, a primeira, não está gravada em nenhum desses álbuns, mas em um disco solo de Milton, anterior a ambos. A música Clube da Esquina nº 2 está no álbum Clube da Esquina, o primeiro, mas em versão vocalise, sem a letra!

Mas é provável que a percepção mais forte, advinda desse relançamento, tenha sido o caráter político dessa obra, que nunca me foi tão evidente. Menos visado pela censura que nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, Milton não deixou de dar suas alfinetadas no sistema, e passou ileso, talvez pela sutiliza de suas colocações. Além de cantar a plenos pulmões o desejo de uma América Latina forte e unida, Milton dá voz a frases como: "outros outubros virão", de "O que foi feito devera", que pode muito bem ser ouvida como uma referência à Revolução Socialista de 12 de outubro de 1917; ou ainda "já foi lançada uma estrela, pra quem souber enxergar, pra quem quiser alcançar, e andar abraçado nela", de "Cancion por la unidad latino-americana", de Pablo Milanés, adaptada por Chico Buarque, que divide os vocais com Milton. Não deve ser referência à estrela do PT, mas a da bandeira de Cuba, à da boina do Che. De qualquer forma, ninguém na Censura percebeu, ou entendeu a referência.

Sunday, April 20, 2008

Danica!


A manchete foi a mesma em praticamente todos os portais de automobilismo, nesta manhã de domingo: Danica Patrick faz história ao vencer pela primeira vez na Indy. Primeira vez de Danica, primeira vez de uma mulher na categoria. Foi na corrida de Motegi, no Japão. E eu não vi!

A prova foi adiada em um dia, por causa da chuva que desabou sobre o circuito. A emissora que detém os direitos de transmissão da Indy para o Brasil, a Bandeirantes, preferiu manter sua programação habitual e não mostrou a corrida na noite de sábado, transferindo a prova para seu canal fechado, o BandSports. Como não tenho este canal, dancei.

Pelos relatos que li, Danica foi beneficiada pela estratégia de pit stop traçada por sua equipe. Aproveitou uma das bandeiras amarelas para reabastecer e foi orientada pela equipe para economizar combustível. A vitória, que parecia seguir fácil para Scott Dixon, aproximou-se de Danica quando o líder, e vários outros pilotos à frente dela, precisaram parar para completar seus tanques. Sobraram, na frente, Hélio Castroneves e Danica. Ela deixou para acelerar forte na última volta e ultrapassou o brasileiro. Com o segundo lugar, Helinho lidera o campeonato e Danica está em terceiro na classificação geral.

Quando voltar para a América, Danica vai aparecer em tudo quanto é programa de TV. Vai sentar no sofá do David Letterman, vai à Oprah para ouvir relatos emocionados dos pais, dos colegas, da primeira professora, deve ser procurada pelas campanhas de Hillary e Obama para declarar apoio e, se bobear, termina no palco do American Idol.

A Fórmula Indy pode não ser a categoria mais apaixonante do mundo, mas os americanos são bons nesse negócio de promoção. Danica tem valor como piloto, ou não estaria em uma das principais equipes da categoria nem teria sido capaz da vitória de hoje. Mas é certo, também, que a aposta da Indy em uma mulher dá maior visibilidade à categoria.

Não vai ser estranho se Danica chamar a atenção de alguma equipe da Fórmula 1 no futuro próximo. Pela piloto que é e pela promoção que seu nome gera. Meu coração feminista torcerá apaixonadamente para que ela seja bem sucedida. O que não é fácil, pois os pilotos que já cruzaram o Atlântico em direção à Europa, egressos do automobilismo norte-americano, não têm tido sorte nos últimos tempos. Depois de Jacques Villeneuve, campeão de 1997 na F-1, vindo da Indy, ninguém mais cruzou essa ponte com sucesso. Que Danica o faça e abra as portas para a brasileira Bia Figueiredo, que hoje disputa nos Estados Unidos a Fórmula Indy Lights.

Sunday, April 13, 2008

1h55min22

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Este foi meu tempo na primeira meia maratona que corri, a Meia Maratona Corpore, realizada em São Paulo, neste domingo. Verdade seja dita: eu já havia feito uma prova com esta distância - famigerados 21,1 km - mas isso foi há quase cinco anos, antes de eu começar a treinar com a equipe Conexão, capitaneada pelo técnico José Eduardo Pompeu. Foi durante uma maratona de revezamento, que resolvi correr com um colega das pistas, dividindo em dois o percurso total. Naquela época, meu treino não tinha método algum. Terminei tão cansada que acabei desestimulada de fazer outra meia maratona.

O estímulo voltou no começo deste ano, quando Zé nos propôs o desafio. Depois de atravessar um ano inteiro fazendo principalmente provas de 10 km, ele achou que era chegada a hora de encararmos outras distâncias e orientou para que nos preparássemos para a meia maratona. Batemos continência ao comandante e nos lançamos ao treino.

Nos últimos meses, nossa rotina foi recheada de percursos mais longos, tanto na esteira quanto nos treinos coletivos, aos sábados, na Cidade Universitária. A maioria da turma nunca havia corrido uma meia, e tivemos de nos acostumar com algumas mudanças de parâmetros. Senti essa mudança de forma aguda durante a prova deste domingo, mas isso eu conto depois.

A opção do técnico pela meia maratona foi, para mim, mais que um novo treino físico. Representou um novo condicionamento psicológico. Quem lê este blog sabe que sou, digamos, meio obcecada por melhora de performance. Tempo, tempo, tempo, eu sempre quero baixar meu tempo e não escondo certa frustração quando não o faço. Depois de completar algumas dezenas de provas de 10 km, eu tinha parâmetros de sobra para esta distância. Consegui fazer meu melhor tempo em dezembro passado, assinalando 49 minutos cravados. Se eu continuasse com o foco nesse tipo de prova, certamente iria em busca dos 48, dos 47 e sabe lá Deus onde eu poderia fixar minha meta. Não quer dizer que eu não fosse conseguir, mas sinto que eu estava próxima de um limite perigoso. Poderia avançar em busca do recorde, encontrando não apenas o cronômetro onde eu queria, mas também alguma contusão que me deixasse de molho.

Abraçar a meia foi fundamental para mudar esse foco. Completar a Meia Maratona Corpore foi um descortinar de novos parâmetros.

Por ser uma prova mais longa, larga mais cedo. Às 7h30, e não às 8h, como costumam ser as provas de 10 km. Um dia esplendoroso em São Paulo, sol, céu azul, sem uma nuvem no céu. Dia ótimo para piscina, não para buscar recorde na pista. Diálogo espirituoso entre dois participantes desconhecidos, ainda no começo da prova. "Vai estar uma lua daquelas quando a gente voltar...", comentou um. "É, vai mesmo, no ritmo que estamos, já vai ser de noite!".



A Meia Maratona Corpore começou e terminou dentro da Cidade Universitária. A maior parte dela, no entanto, foi disputada pelas ruas da zona oeste de São Paulo. Depois de ir até o Jóquei Clube, cruzamos o Rio Pinheiros e seu aroma inebriante pela Ponte Bernardo Goldfarb, talvez a subida mais íngreme da corrida. Serpenteamos pelas ruas de Pinheiros e fomos até a aprazível avenida Pedroso de Morais, uma das mais bonitas de São Paulo, com seu canteiro central arborizado. A continuação dela, avenida Professor Fonseca Rodrigues, nos levou até a porta do Parque Villa Lobos, onde viramos e iniciamos a volta em direção à USP.

Durante todo esse percurso, mais de dois terços da prova, não me permiti ficar ofegante. Embora sentisse o coração tranquilo, pronto para acompanhar um ritmo mais forte, fui percebendo que a musculatura da perna seria muito mais exigida que nas provas de 10 km e segurei o ritmo. Ao voltar para a Cidade Universitária, desta vez pela ponte que leva o mesmo nome, contabilizei e vi que ainda faltavam cinco quilômetros. Pouco para quem já tinha corrido 16 km, mas ainda assim uma distância considerável. Refreei a tentação de aumentar o ritmo e só o fiz já na avenida da raia, dentro da USP.

O batimento cardíaco ia bem, mas as pernas já demonstravam grande cansaço. Para ser sincera, não eram bem as pernas que doíam, mas aquela parte da anatomia feminina que os rapazes da equipe chamam de "mortadela". É mais ou menos assim: a moça passa correndo por nós, distancia-se e sempre tem um para dizer: "Viu que bela mortadela?" Há variações, quase sempre registradas como "mortandela". E eu, que tenho no máximo um blanquet, um discreto salsichão, vá lá, senti o que deve ser o peso de uma mortandela 21 km depois.

Fiz os dois últimos quilômetros em um respeitável sprint, deixando o freqüencímetro subir à vontade. No finalzinho da prova, uma subidinha canalha, seguida de uma descida benfazeja. No pé do morro, lá estava o Zé nos esperando. Gritava o nome de cada aluno que passava e registrava a foto. A presença do técnico, nosso mentor, fez com que uma sensação de gostosa acolhida me invadisse naqueles metros finais. Zerei o cronômetro com 1h55min26 (o tempo oficial registrou 4 segundos a menos - oba!).



Logo depois da chegada, encontrei o Henry, aquele mesmo que, na prova de dezembro, tinha puxado meu ritmo até o recorde. Triatleta, ele também fazia sua primeira meia. Fez em 1h53, o que me deixou bem orgulhosa do meu próprio tempo, pois cheguei pouco depois dele.

Senti que a meia foi diferente de todas as provas de 10 km que eu já havia feito. Raramente termino as provas mais curtas com a musculatura castigada como na corrida deste domingo. Por outro lado, não senti minha capacidade cárdio-respiratória tão exigida como nessas provas de 10 km.

Satisfeita com meu tempo, fico agora pensando o que será do resto do ano. Faremos outras provas de 10 km, certamente, mas muitos de nós ficarão instigados a encarar outras meias. Menos o Zoca, que cunhou a frase mais engraçada do dia: "Não posso passar perto de algum carro funerário, senão ele me recolhe".



(Com um agradecimento especial ao Nilton H. Cruz, que disponibilizou a máquina e as fotos em seu fotolog. Chora, não, Nilton, teu Palmeiras foi operado no Morumbi, mas vem aí o segundo jogo!)

Tuesday, April 08, 2008

Eu quero sossego

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Ronaldo, o Fenômeno, está se recuperando de mais uma cirurgia no joelho. Especulações apontam que, desta vez, ele pode até deixar o futebol. Ele nega. De qualquer forma, se resolver renunciar à vida de boleiro, pode ganhar uns trocos como sósia de Tim Maia.

Neste caso, ninguém vai se queixar do peso extra.

Monday, April 07, 2008

Under Pressure

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Sob pressão, Felipe Massa venceu sua primeira corrida neste ano. Sob pressão, Max Mosley deve deixar a presidência da FIA. Daí o título da minha coluna desta semana no GPTotal, numa referência à música do Queen, que foi citado dia desses aqui no blog. Como diz o Ico, leia lá, comente aqui.

Saturday, April 05, 2008

Nas ondas do rádio

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Não custa lembrar: amanhã, como em todas as corridas da Fórmula 1 deste ano, estarei na transmissão do GP do Bahrein pelas rádios Bandeirantes AM e BandNews FM.

Freqüências: Bandeirantes - 840; BandNews - 96,9

Dá para ouvir também pela internet.

Até lá!

Pay back

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Na semana em que a orgia sado-nazi-masoquista de Max Mosley vem à tona, o polonês Robert Kubica marca sua primeira pole na Fórmula 1.

A primeira pole da Polônia na categoria.

Polônia, o primeiro país a ser invadido pelos nazistas no episódio que fez eclodir a Segunda Guerra Mundial.

Belo troco, Robert.

Monday, March 31, 2008

Mad Max

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Foi a história do fim de semana na Inglaterra, é a história de hoje em todos os sites, blogs e demais veículos ligados ao automobilismo. O presidente da FIA, Max Mosley, seria o personagem principal de um vídeo no qual aparece em suposta orgia com cinco prostitutas. A notícia foi divulgada no tablóide sensacionalista "News of the world".

Seria mais um escândalo sexual não fosse um detalhe desastroso do ponto de vista da imagem pública de Mad Max. Consta que, na tal orgia, Mosley teria vestido um uniforme nazista e é visto no vídeo proferindo palavras em alemão, como se capitaneasse uma sessão de tortura nos moldes dos campos de concentração. Pelo menos uma das prostitutas veste um uniforme de prisioneira, daqueles listrados na horizontal. Contexto histórico importante: os pais de Mosley, Oswald Mosley e Diana Mitford, eram próximos de Adolf Hitler a ponto deste ser convidado de honra no casamento de ambos.

De ontem para hoje, reações diversas, inclusive de entidades ligadas à comunidade judaica internacional. Bernie Ecclestone já fala em assunto de foro íntimo. O ex-piloto Stirling Moss pede a cabeça do compatriota. Em resumo, sujou brabo pro cartola, que não negou nada até agora.

O que eu acho?

Se o fulano da foto é mesmo Max Mosley, merece o título de maior vacilão do ano. Ninguém tem nada a ver com a vida privada de ninguém, mas um homem público como ele participar de um "evento" de exaltação nazista e ainda se deixar registrar, come on!

Fico triste, de novo, em ver a Fórmula 1 mergulhada em mazelas. No ano passado, tivemos sabotagem, espionagem, delação, racismo, xenofobia. Começamos 2008 com escândalo sexual e neo-nazismo. Ou seja, a Fórmula 1 é igualzinha ao mundo que a cerca. Que pena.

Agora, é com vocês.

Sunday, March 30, 2008

Insustentável Fiesp

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Congestionamentos servem para duas ou três coisas, como ouvir música no carro, pensar na vida, sei lá mais o quê. Parada no trânsito da Paulista, peguei-me admirando o prédio da Fiesp. Não que eu goste dele de maneira especial, acho até que não gosto, mas não se pode negar que é um tremendo marco da avenida.

Fui pesquisar a respeito e encontrei este ótimo texto do arquiteto e professor Igor Guatelli, analisando principalmente a função do edifício como espaço público. Para quem não sabe, o prédio da Fiesp foi concebido para ter uma espécie de praça pública em seu térreo, pelo projeto original do escritório Rino Levi Arquitetos Associados, da década de 1970. Circunstâncias da obra e as transformações no entorno do edifício desviaram o projeto desse objetivo inicial. Nos anos 1990, um projeto de adequação do térreo, a cargo do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, incumbiu-se de reabilitar a função pública do espaço.

Confesso que não era nada disso que passava pela minha cabeça, enquanto esperava o trânsito andar. Pensava em como os conceitos de modernidade são atropelados de uma época para outra. No final dos anos 1960, quando a Fiesp decidiu construir um prédio que fosse um marco da avenida, era natural eleger como vencedor um projeto daquele, que previa não um prédio, mas uma pirâmide urbana. Era natural conceber um prédio sem janelas, na medida em que luz artificial e ar condicionado eram sinônimos de modernidade e de desenvolvimento. Era a Fiesp, era na Paulista, afinal. Era o exercício máximo de poder, de avanço, de pujança.

Quase quarenta anos depois da idéia inicial, vivemos o tempo da ecoeficiência, ou pelo menos da busca por ela. Queremos - ou, antes, precisamos - de prédios que aproveitem a luz do dia e a circulação de ar natural. É imperioso que gastemos menos com energia elétrica, as empresas (as indústrias de São Paulo!) esforçam-se em programas de redução de gastos com eletricidade, e já não o fazem por consciência ecológica apenas, mas porque poerceberam que também economizam um bom dinheiro com isso. E a Fiesp, a representante delas mesmas lá, sem janelas, sem luz natural, sem circulação de ar.

Redesenhamos os layouts de nossos escritórios para aproveitar melhor cada espacinho, e ocuparíamos bem melhor esse vazio que a pirâmide da Paulista cria com esse prédio inclinado. Repare: pode ter sido uma genial obra de arquitetura, mas o fato é que o edifício da Fiesp acabou criando um nada que vai crescendo a cada andar.

Se o conceito de sustentabilidade passa pelo aproveitamento adequado de recursos como energia elétrica e espaço físico, acho que o prédio da Fiesp é um totem de insustentabilidade.

Friday, March 28, 2008

Balestre e a quase barriga

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No jargão jornalístico, "barriga" é a notícia falsa, que depois precisa ser desmentida. Um dos maiores dissabores na vida de um jornalista é dar uma barriga. Quase dei uma barriga por causa de Jean-Marie Balestre, ex-presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que morreu hoje na França.

Em 1991, eu trabalhava na editoria de Esporte da Folha de S. Paulo. Durante um fechamento, estava redigindo uma nota sobre a eleição que aconteceria no dia seguinte na Fisa, o braço esportivo da FIA. Balestre era presidente da entidade desde 1978 e parecia fossilizado no cargo, daqueles que só largam o osso depois de mortos.

Parecia tão certo que se elegesse novamente que meu editor, na época, chegou a sugerir que o título fosse: "Balestre se reelege hoje na Fisa". Dei uma olhada de canto de olho. "Mesmo?" Ele reafirmou, depois reconsiderou, concordou com a neutralidade. Ficou algo como "Fisa realiza eleições hoje".

No dia seguinte, o fechamento seria às três da tarde, um suplício que nos era imposto duas vezes por semana. Por conta daquelas questões industriais da gráfica, o caderno precisava rodar antes e tínhamos de chegar cedo à redação, não no final da manhã, como nos outros dias. Cheguei por volta das oito e fui dar uma espiada na sala do telex, para ver se tinha alguma novidade da eleição.

"Max Mosley é eleito presidente da Fisa".

Rasguei a pedaço de papel da máquina e fui falar com o editor, que estava em reunião com o secretário de redação. Embora ainda fosse "foca" (outro jargão jornalístico, que designa o jornalista em início de carreira), percebi que aquela notícia era importante e tive a cara de pau de interromper o colóquio. Estendi o telex para ele, que leu e me devolveu um sorriso cúmplice.

Não dei a barriga, mas me sobrou a tarefa de escrever o perfil de Balestre. Foi talvez a melhor matéria que escrevi na Folha. Preciso perguntar a minha mãe se ela ainda a guarda...

Wednesday, March 26, 2008

Eu não acredito

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... na superioridade absoluta da Ferrari, na perda de rumo da McLaren, no blá-blá-blá de Briatore, e em tanta coisa. Quer saber onde mais reside meu ceticismo? Vai lá no GPTotal, vai. Depois me fala.

Sunday, March 23, 2008

Baked potato

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Depois de rodar e de ficar fora do GP da Malásia, Felipe Massa disse que teve uma "sensação estranha" ao sair da curva, na qual acabou rodando e indo parar na caixa de brita.

Talvez a sensação estranha seja a do carro saindo de traseira. Alguém precisa avisar a ele que essa "sensação estranha" se cura com uma coisinha simples: é preciso corrigir a trajetória. Era aquilo que o controle de tração fazia antes.

Ou talvez a sensação estranha seja a da batata assando.

Minha análise sobre a corrida e seus desdobramentos vai ao ar na quarta-feira, no GPTotal. Quem passar por lá pode conferir a coluna pós-GP do colunista Eduardo Correa.

Saturday, March 22, 2008

Nas ondas do rádio

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Agora, é para o ano todo. Depois das participações especiais em 2007, quando comentei duas corridas pela Band/Band News FM como convidada, aceitei o convite de Odinei Edson para ser comentarista durante toda a temporada de 2008.

Já estive presente na transmissão do GP da Austrália, e logo mais estarei ao vivo, comentando o GP da Malásia, ao lado também de Fábio Seixas, Jan Balder e na companhia de Luis Fernando Ramos, o Ico, que fala diretamente de Sepang.

Fica o convite para quem quiser ver pela TV, com o som do rádio, ou simplesmente ouvir pelo rádio, o que pode ser muito útil para quem estiver longe da TV na hora da corrida.

As sintonias, para quem estiver em São Paulo, são as seguintes:

Bandeirantes AM - 840 KHz ou 90,9 FM
BandNews FM - 96,9

Também é possível ouvir as duas transmissões pela internet, diretamente dos sites da Bandeirantes e da BandNews.

Quem escutar, por favor, depois comente o que achou.

Tuesday, March 18, 2008

A gente somos medíocre


Felipe Massa foi mal em Melbourne, como seu companheiro Kimi Raikkonen. Mas como Raikkonen é campeão do mundo, ao surgir o boato de que a Ferrari já contratou Sebastian Vettel para a próxima temporada, imediatamente já se demite Massa. Massa fora da Ferrari em 2009, vai correr na Toro Rosso, na melhor das hipóteses.

Nelson Ângelo Piquet foi muito mal em Melbourne, ao contrário de seu companheiro Fernando Alonso. Não importa que "Nelsinho" tenha feito sua primeira corrida na Fórmula 1 e que tenha como parâmetro um bicampeão do mundo que fez sua estréia na categoria em 2001.

Rubens Barrichello foi muito bem em Melbourne, milagrosamente levando seu Honda a pontuar na estréia da temporada. Só que entrou no box quando não podia, e saiu quando não devia. Stop, go & gancho. Punição e desclassificação. Foi-se pelos ares a salvação verde-e-amarela na Austrália.

Podemos decretar desde já, com 1/18 do campeonato definido, que os brasileiros da atual Fórmula 1 são um bando de medíocres. Ou podemos considerar que:

- dos 22 pilotos que largaram, apenas sete terminaram
- a pista de Melbourne é um descalabro. Timo Glock bateu em um "morrinho artilheiro", como definiu Cacá Bueno na transmissão da Band, ou seja, no nada, levantou vôo e espatifou seu Toyota. Ah, se fosse em Interlagos, esse país de medíocres. Cancele-se a prova!
- Massa foi medíocre por ter sido abalroado por um tiozinho que já deveria ter se aposentado, tentou culpar o brasileiro e terminou elegendo como réus os... ehr... espelhos retrovisores!
- "Nelsinho" foi mal e chegou a tomar dois segundos de diferença em relação a Alonso, mas ninguém sabe se o entrevero da largada, entre ele, Fisichella e Glock deixou algum dano no carro do brasileiro. Aliás, ninguém viu a corrida do brasileiro. Eu não vi, porque só vejo o que a TV mostra, e a TV praticamente só mostrou "Nelsinho" parando. Você viu algo mais?
- Barrichello fez uma corrida majestosa, mas entrou no box para reabastecer quando não poderia. Erro de estratégia da equipe. Saiu com a luz vermelha, culpou o excesso de botões a apertar por não ter visto o sinal vermelho. Mas, mesmo que tivesse visto, teria ficado quanto tempo parado no box, esperando o vermelho se apagar? Corrida comprometida, inexoravelmente.

Menos, menos... Foi só a primeira corrida.

Saturday, March 15, 2008

Nas ondas do rádio

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Se você ainda está por aqui, não foi dormir ainda ou não ligou a TV para assistir ao GP da Austrália, um aviso tardio, mas antes tarde do que nunca.

Estarei mais uma vez na transmissão da corrida pela Bandeirantes AM e Band News FM, ao lado dos chapas Odinei Edson, Fabio Seixas, Jan Balder e do meu brother Luis Fernando Ramos, o Ico, este falando diretamente de Albert Park, em Melbourne.

As sintonias, para quem está em São Paulo: Bandeirantes AM - 840 e Band News FM - 96,9.

Também é possível ouvir a transmissão pela internet, nos sites da Bandeirantes ou da BandNews.

Boa corrida!

Friday, March 14, 2008

Feliz campeonato novo

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Meus palpites, tentando responder as questões do post abaixo, já estão no ar no GPTotal. Vai lá, vai.

Tuesday, March 11, 2008

Amarelo piscando


Daqui dois dias, na noite de quinta-feira, horário de Brasília, os carros estarão na pista de Melbourne para os primeiros treinos livres do primeiro GP deste ano.

Meus palpites para o campeonato de Fórmula 1 de 2008 estarão na coluna de sexta-feira, no GPTotal.

Até lá, quero ouvir vocês. Quem topa?

Para orientar os palpites, algumas questõezinhas da pré-temporada:

1) Que equipe(s) começa(m) o ano como favorita(s)?

2) Quais pilotos vão brigar pelo título?

3) Como será o desempenho da Renault, com Alonso de volta?

4) O que esperar do ano de estréia de Nelson Angelo Piquet?

5) E Felipe Massa, que papel terá na Ferrari?

6) Será que a BMW é tão ruim quanto seus próprios pilotos têm falado?

7) E a Williams, melhorou mesmo ou é uma espécie de Guaratinguetá?
(Porque, fala sério, você não acha que o Guará vai ser campeão paulista, né?)

Vamos, estou esperando.

Friday, March 07, 2008

Samba ela canta assim

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Em seu disco de 1977, Elis Regina aparece sentada em uma cadeira de balanço, vestindo uma bata escura de tecido pesado. As feições, ligeiramente alteradas, são o sinal mais evidente do que a roupa não mostrava de maneira clara - estava grávida do terceiro filho. Já depois de sua morte, quando comecei a colecionar sua discografia, sempre me dediquei a escrutinar também as capas dos discos. Enquanto escutava esse e examinava sua capa, o tempo parava para eu olhar para aquela barriga. Era Maria Rita quem estava lá dentro e eu nunca deixei de ter esperança de que ela fosse cantora.

Talvez por isso eu tenha uma lente meio turva para avaliar tudo que Maria Rita canta e grava. Essa relação afetiva - da qual ela jamais tomou parte efetivamente, claro, porque nem a conheço - deve atrapalhar meus juízos de valor mais imparciais. Talvez por isso eu até evite ler as críticas de seus discos e shows, ainda que sejam escritas por queridos amigos virtuais, como Pedro Alexandre Sanches ou Marcio Gaspar.

Ganhei o terceiro CD da Maria Rita no meu aniversário. Um disco de sambas. Hum... Estou em uma fase quase exclusivamente roqueira, tomando doses industriais de U2, The Police, Rolling Stones, Red Hot Chilli Peppers todos os dias. Sambas? Well, é Maria Rita, vamos lá.

Chama-se "Samba meu" o disco, e foi inevitável lembrar de "Samba eu canto assim", primeiro LP "adulto" que Elis gravou, em 1965. Nas primeiras faixas, não me entusiasmei. A base musical continua boa. A diferença, na primeira metade do disco, é que Maria Rita abadonou um pouco a base enxuta e meio jazzística que a acompanhou nos primeiros trabalhos - piano, baixo e bateria - e cercou-se de muitos cavaquinhos e pandeiros. OK, é um disco de samba.

O problema era a pobreza das letras. Rimas facílimas, óbvias, ingênuas até. Tento varrer de mim o preconceito. Oras, trata-se de música popular, popularíssima, vá com suas rimas ricas para lá. Muitas composições de Arlindo Cruz, um habitué das rodas de samba cariocas. É o que se tem no momento. Mas sempre persiste em mim a semente do possível. Cartola fazia música popular, era popularíssimo ele mesmo. E não se rendia à facilidade dos versos clichês. Nelson Cavaquinho também. Mas, que fazer? Estão mortos os dois, como Elis. Maria Rita que se vire com o que há.

E ela se virou fazendo algo que - lá vem... - Elis fazia com dedicação e ardor juvenil: garimpar compositores novos. É da metade do disco para a frente que a veia desbravadora da intérprete salta. Deu-me a impressão de que mesmo ela, como eu, estava sentindo falta de um pezinho no jazz, de um suingue diferente naquela batucada.

Foi a partir da segunda metade do disco que me encantei com o álbum. É ali que surgem as composições, por exemplo, de Edu Krieger, jovem compositor carioca, dessa geração que está reabilitando a Lapa boêmia. Edu despontou no cenário quando criou a trilha sonora do "Auto da Compadecida", festejada versão para o cinema da peça de Ariano Suassuna. Nos sambas de Edu presentes em "Samba meu", Maria Rita optou por uma sonoridade menos mesa de boteco, mais jam session. Adorei, me encontrei, desculpem, talvez seja preconceito meu, mas gosto mais desse samba que do outro, o da caixinha de fósforo...

Ironia foi a música de que mais gostei no disco - "Novo Amor" - que não é samba, mas um choro, de autoria de Edu Krieger. Depois dela, "Maria do Socorro", outra do mesmo autor, singela "homenagem" a uma beldade do morro, nesses tempos de bailes funks. Na seqüência, "Corpitcho", que pelo título não me pareceu boa coisa, mas revelou-se deliciosa crônica da contemporaneidade carioca, além de um excelente desafio vocal, pelo qual Maria Rita passou com distinção e louvor.

Aliás, gostando menos ou mais de cada música, esse detalhe me chamou a atenção. Sempre achei Maria Rita afinada e eventualmente com uma voz mais aguda que a de Elis, mas me parece que ela está cantando ainda melhor que nos primeiros CDs.

Acabei gostando tanto da últimas músicas que vou retomar as primeiras, para ver se o entusiasmo da segunda parte contamina a primeira. Ou talvez eu continue achando o terreno jazzístico mais saboroso que o terreiro do boteco. Sorry, periferia, eu sou fresquinha mesmo.

Wednesday, March 05, 2008

Tem explicação?

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Depois de cada corrida, sempre ganhamos uns lanchinhos da organização da prova. Isotônico, frutas, barrinhas de cereais. Na corrida de domingo, patrocinada pela Montevérgine, ganhei a barrinha cuja embalagem escaneei.

Repare no selo impresso do lado direito do produto: isso era destinado - ou pelo menos deveria ser - à merenda escolar de uma cidade no Paraná.

Já escrevi um e-mail para a Montevérgine, pedindo uma explicação sobre o caso.

Será que roubei comida de criança de escola?

Como é que é isso?

Atualização: recebi hoje mesmo a resposta da Montevérgine. Segue a íntegra:

Prezada Srª Alessandra

Peço desculpas pelo que aconteceu.

Nós fornecemos o produto para merenda escolar, mas é um produto inteiramente destinado a este fim, nunca, deveria ter acontecido isso.

Como nós temos o produto em linha, pode ter havido alguma confusão, pois as embalagens são iguais, se diferindo somente pelas inscrições da merenda.

De qualquer maneira, se a Srª ainda tiver o produto, gostaria de retirar e repor, pois isso seria de extrema importância para que eu possa levantar em que ponto houve a falha.

Agradeço a informação e gostaria de ressaltar que irei investigar os motivos de tal erro, que jamais poderia ter acontecido.

Aguardo

Atenciosamente

Andrea de Almeida Alterio
Engº de Alimentos especialista em Nutrição
Garantia da Qualidade

Sunday, March 02, 2008

In Zé we trust


Quinze minutos para a largada. Zé acondiciona nossos pertences em sua enorme sacola, uma espécie de mãe-de-todos que acomoda pequenas sacolas e mochilas de quase todos os integrantes da Equipe Conexão. Não se precisa de muito para participar de corridas de rua, mas sempre é bom levar uma camiseta sobressalente, uma toalha, essas coisas. Antes de seguir para o guarda-volumes, Zé me diz: "Espera que tem um negócio para você", e logo abre um zíper lateral, sacando de dentro da bolsa um copo d´água e um frasco de comprimidos. Tira três deles e me manda tomar. Pego um. "Os três", corrige. Pergunto o que é aquilo. Está quase na hora, depois te explico. Técnico tem que ser como pai e mãe para um atleta. Você pode não saber por que ele faz, mas tem que saber que é para o seu bem. Tomei.

A prova eram os 12 km de abertura do circuito da Corpore. O cenário, nossa velha conhecida Cidade Universitária. Quem acompanha este blog sabe que, em dezembro passado, obtive minha melhor marca para 10 km, fazendo o percurso do Circuito das Estações em 49 minutos. Uma prova não tem nada a ver com a outra, a começar pelos locais. Mas é óbvio que eu tinha a expectativa de fazer os 12 km em menos de uma hora, para repetir a marca de dezembro, ou pelo menos ficar dentro de uma hora. Aviso logo: não deu. Fiz em 1h03, mas não desista da leitura, porque a experiência dessa corrida foi muito enriquecedora.

Largamos às oito, com céu azul e sol forte. A organização do evento anunciou 12 mil inscritos. A crônica da muvuca anunciada previa congestionamento nos arredores da USP, por isso procuramos otimizar as caronas. Éramos quatro no carro do Zoca. Chegando à ponte, sobre o Rio Pinheiros, o trânsito parou. Meia volta, estacionamos para além do rio, caminhamos um bom trecho e tivemos a aprazível sensação de respirar o odor fétido do Pinheiros. Pouco antes da largada, o tradicional pit stop nos detestáveis banheiros químicos. Eu e Lara esperávamos nossa vez sem nos dar conta de que aqueles banheiros eram apenas para homens. Um tiozinho nervoso nos expulsou de lá. "A farra do boi acabou, o banheiro de vocês é lá!" Achamos o "lá" e levamos imensa vantagem, porque não tinha fila e os banheiros estavam até limpinhos, para o padrão de um banheiro químico.

Oito em ponto, soa a sirene. O habitual trânsito congestionado de cotovelos e pisões. Primeiro quilômetro em seis minutos. Ruim, mas normal. No segundo quilômetro, a única subida de fato da prova. Com muita gente, o ritmo caiu ainda mais. E o calor era cada vez mais forte. O percurso saía da USP e pegava um trecho de uns dois quilômetros e meio praticamente sem sombra nenhuma. Nesse pedaço, três experiências para me distrair a atenção. Primeiro, um corredor jovem, que se postou ao meu lado por um bom tempo. O menino era a cara do Kurt Cobain. Não resisti e falei: "Puxa, Kurt Cobain não morreu!", ao que ele respondeu, espirituoso e ofegante: "Ah, mas vai morrer já, já!" Lembrei do meu colega Henry, o grilo falante da prova de dezembro. Ele me daria uma bela bronca se me visse falando durante a prova. Na verdade, se ele estivesse me puxando, eu não ousaria olhar para o lado, e é bom que se diga que o Zé também não estava perto de mim nesse momento.

Depois do Nirvana, um odor estranho. Do nada, a pista começou a exalar cheiro de sabão de coco, um perfume que eu detesto. Forte, muito forte. Deve ter fábrica de sabão de coco por ali. E como se não bastasse Kurt e o coco, ainda me aparece um motoqueiro com uma espécie de lambreta dos infernos, queimando um óleo desgraçado, enchendo de fumaça a pista ao lado de onde corríamos. São Paulo, essa selva...

Não vou dizer que eu estivesse alheia ao efeito dos comprimidos. Só estava tentando não me influenciar por eles. O que quer que fosse, não estava me fazendo sentir mal. Depois da metade da prova, comecei a conjecturar o que seria aquilo. Cheguei a pensar que podia não ser nada. Se fosse um mero placebo, e o objetivo era apenas me estimular psicologicamente, o alvo do Zé naturalmente teria sido certeiro. Porque sou de fato muito influenciável por esse tipo de coisa. Tendo tomado "alguma coisa", eu me sentiria comprometida a ter um rendimento melhor. Mas não criei nenhuma neurose em torno do assunto.

No entanto, comecei a sentir, lá pelo quilômetro oito, que meu corpo era capaz de responder sem cansar ao estímulo maior. Meu ritmo na corrida foi de 5min17 por quilômetro. Considerando que fiz os primeiros trechos acima dos 6min, eu de fato estava recuperando bastante tempo naquele final. Apertei bastante o ritmo, a ponto de fazer os dois últimos quilômetros em estado ofegante, o que para mim significa batimento cardíaco acima dos 180 bpm. Outro detalhe era o calor, ainda mais forte perto das 9h do que na largada. Naquele sprint final, eu podia não saber o que eram os comprimidos, mas tinha certeza de que haviam me ajudado.

Cruzei a linha de chegada ao som de "Start me up", dos Stones, outra velha habitué das corridas. Depois, uma surpresa para as mulheres, antecipando a comemoração pelo Dia Internacional, em 8 de março. Após receber a medalha, todas ganhávamos um botão de rosas e um cosmético de uma empresa patrocinadora. Os rapazes que entregavam as rosas eram bem bonitinhos, mas o cosmético era um creme anti-celulite, o que achei politicamente incorreto!

Depois de reunir a turma, bater os retratos e comemorar a primeira prova do ano, Zé me explicou o que eram os comprimidos. Aminoácidos de Cadeia Ramificada (Branched Chain Amino Acids, BCAA, em inglês). O suplemento reúne os três principais aminoácidos requeridos pelo músculo durante o exercício: Valina, Leucina e Isoleucina. Zé explicou que, durante exercícios prolongados, a queda de concentração dos BCAA no sangue está relacionada à perda de massa muscular. Os BCAA atuam como fonte de energia durante o exercício e são importantes para a recuperação. Por isso eu me sentia mais "inteira" no final da prova.

Sou uma verdadeira xiita quando se trata de remédio. Só tomo com prescrição médica e fico horrorizada quando vejo gente tomando toda sorte de medicação por conta própria. Não era o caso. José Eduardo Pompeo, técnico da Equipe Conexão, é professor de Educação Física graduado pela Unesp, professor de uma das mais importantes redes de academia de São Paulo, atleta de alto desempenho e, sobretudo, estudioso e consciente. Se o Zé mandou, eu não discuto. Não contesto especialistas.

Acho que esse recado é fundamental: tomei o BCAA porque meu técnico, um estudioso do assunto, indicou, porque ele tinha certeza de que me faria bem. Este texto não é uma apologia da suplementação nutricional, por mais que, neste caso, estejamos falando de algo não agressivo à saúde. Se você faz atividade física e se estimulou com esta história, fale com seu treinador, com um especialista em nutrição ou com um médico e veja se vale a pena tomar.

O próximo desafio deve ser a Meia Maratona Corpore, em 13 de abril. Até lá, muito treino, sob a orientação segura do Zé.