
Na noite de sábado, a brasileira Bia Figueiredo entrou para a história, tornando-se a primeira mulher do país a vencer uma corrida de carros fora da América do Sul. A vitória de Bia aconteceu na corrida de Nashville, válida pelo campeonato da Fórmula Indy Lights, categoria de jovens pilotos, aspirantes à Fórmula Indy.
Bia, que agora quer ser chamada de Ana Beatriz, para facilitar a pronúncia dos norte-americanos, tem mostrado potencial há alguns anos, destacando-se nas categorias de base do Brasil, como na Fórmula Renault. Chegou à Indy Lights neste ano e ontem conseguiu sua primeira vitória.
O dia foi histórico para o automobilismo brasileiro por conta da façanha de Bia, cuja corrida foi relatada com detalhes pela repórter Evelyn Guimarães, do site Grande Prêmio. (Outros sites também deram destaque para a vitória de Bia, como o Tazio, mas eu não poderia deixar de destacar este texto, escrito por uma mulher, concordam?).
As mulheres estão conquistando inequívoco espaço no automobilismo da América do Norte. Há pouco mais de dois meses, a norte-americana Danica Patrick tornou-se a primeira mulher a vencer uma corrida da Fórmula Indy, disputada no circuito japonês de Motegi.
Peço carona à Bia, desde já eleita heroína deste blog, para contar brevemente minha pequena façanha. Neste domingo, disputei a Corrida do Inverno do Circuito das Estações, no Pacaembu. Quem lê este blog pode se lembrar que foi na Corrida do Verão, há quase sete meses, que bati meu recorde para provas de 10 km, com a marca de 49min00.

Da esquerda para a direita: o palmeirense Nilton, Zoca, Simone, Zé Eduardo, Alessandra, Patrícia, Alexandra e Fábio
De lá para cá, não tinha conseguido igualar o tempo, chegando no máximo a 49min16, em prova disputada no bairro do Ipiranga, há quinze dias. A corrida do Pacaembu tem muito mais trechos planos que a do Ipiranga, o que me fazia ter esperança de chegar perto do recorde desta vez.
Na tarde de sábado, recebi um e-mail do meu colega Henry Hanada, o japonês que me “puxou” na prova de dezembro, dizendo que desta vez não poderia correr, mas que eu carregava a responsabilidade de fazer a prova na casa dos 48 minutos. Este, na verdade, já era meu objetivo, mas preferi ficar “na moita”, sem alardear os planos, principalmente porque meu técnico, José Eduardo Pompeu, não gosta que criemos esse tipo de expectativa.
A manhã estava bem fria na hora da largada, às 8h. Um termômetro público, na Praça Charles Muller, marcava 14°. Cerca de cinco mil pessoas largaram, o que não é nenhum exagero para essa prova, que é disputada a maior parte do tempo em vias largas, como o Pacaembu e o Elevado Costa e Silva, o famoso Minhocão, esse verdadeiro horror arquitetônico de São Paulo.
Seguindo a orientação do Zé, fui aquecendo nos dois primeiros quilômetros, sem forçar muito, mas já fazendo cada trecho de mil metros abaixo dos cinco minutos. Quando virei no quilômetro cinco, estava na faixa de 24 minutos, ou seja, era questão de manter o mesmo ritmo para ficar na casa dos 48 minutos.
Depois de fazer este percurso seis vezes, já tenho alguns conceitos bem definidos sobre ele. O mais óbvio, que no entanto só se percebe quando se corre a pé ali pela primeira vez, é o fato de que a chegada, na Praça Charles Muller, representa uma leve mas contínua subida. Outra constatação, cristalizada hoje, é a do ponto crítico da prova – entre os quilômetros seis e sete, ainda sobre o Minhocão, com uma subida forte e o componente psicológico contrário, de se começar a perceber o cansaço, com mais de quatro quilômetros para o final.
Mesmo ali, entre o seis e o sete, eu continuava com o ritmo forte, passando abaixo dos cinco minutos a cada quilômetro, mantendo uma freqüência cardíaca próxima dos 180 bpm o tempo todo. (Na prova do Verão, eu sempre diminuía o ritmo quando chegava a esse pico, para voltar ao estágio dos 177 bpm, que já é alto, mas me garantia mais conforto em dezembro. O que me deixou feliz na prova deste domingo, também, foi a constatação de que estou conseguindo manter um ritmo forte, traduzido na freqüência cardíaca, durante um longo período.)
Voltando à avenida Pacaembu, no quilômetro oito, chequei o cronômetro e encontrei 38 minutos, ou seja, eu poderia manter o ritmo pouco abaixo dos cinco minutos que atingiria a meta. Foi o que fiz, porque sabia que não conseguiria melhorar o desempenho com a ligeira subida do final da prova. Quando cheguei à Praça Charles Muller, percebi que havia passado a corrida inteira sem ter nenhum insight para escrever o relato, como habitualmente acontece. Eu estava cem por cento concentrada na corrida, o que talvez ajude a explicar o bom desempenho.
Bom, na verdade, não. Parei o cronômetro com a marca de 48min26, meu novo recorde para provas de 10 km! Fui 39ª entre todas as mulheres, a 6ª na minha faixa etária. Com a licença da Bia Figueiredo, que chegou à frente dos homens da categoria no sábado, eu fiz o mesmo em relação aos marmanjos da minha equipe. Com todo respeito, senhores, esqueçam aquela história de que “atrás de um grande homem” etc. etc....
(Com o tradicional agradecimento ao colega Nilton Hayashi da Cruz, pela foto.)

















.jpg)










