Sunday, November 23, 2008

Meu joelho esquerdo



Notaram a ausência de postagens sobre minhas corridas nos últimos tempos? Não foi falta de escrever sobre elas, não. Eu simplesmente não fazia uma corrida desde o segundo domingo de agosto, quando encarei a Corrida do Centro Histórico. Desde então, minha equipe, capitaneada pelo treinador José Eduardo Pompeu, fez três corridas, e perdi as três por conta da Fórmula 1. Deixei de fazer a Corrida da Paz, no dia do GP da Bélgica, a Corrida das Estações/Primavera, no dia do GP de Cingapura, e a Meia Maratona do Rio, que aconteceu no mesmo dia do GP do Japão.

Lamentei perder todas, especialmente a Meia do Rio. Seria a chance de fazer mais uma meia maratona este ano (fiz uma em abril), além de ter sido uma viagem muito divertida feita pela Equipe Conexão. Durante esse período, não deixei de treinar religiosamente toda semana mas, prova mesmo, necas. Neste domingo, 23 de novembro, voltei a disputar uma prova de rua, e ela veio cercada de desconfiança.

Há pouco mais de duas semanas, senti algo estranho no meu joelho esquerdo, depois de um treino na esteira. Pensei que fosse uma dor de esforço qualquer, que normalmente passa em um ou dois dias, mas a danada ficou. Melhorava com gelo, pomada e, sobretudo, quando eu não corria. Bastava correr que a dor voltava. Nada lancinante, nada que me impedisse de correr. Depois de aquecido o corpo, eu nem me lembrava da dor. O problema era depois. De fato, até agora não sei o que está motivando a dor, e como ela não me inutiliza, tenho treinado. Fui nesse espírito para a Corrida Zumbi dos Palmares, da Corpore, que tradicionalmente acontece no final de novembro, sempre na região do Ibirapuera.

O local é um dos mais bonitos de São Paulo. Largamos em frente à Assembléia Legislativa, corremos em direção à avenida República do Líbano, talvez a minha preferida na cidade, por seu corredor de árvores e por margear o parque. Passamos ao lado do lago e seguimos em direção à avenida Rubem Berta, quase chegando ao aeroporto. Um trajeto simples, com longas retas, e várias subidas e descidas. Nada de arrancar o couro, mas um trajeto desafiador.



No ano passado, com muito calor e largando no fim do pelotão, fiz um tempo que me decepcionou - 53min. Este ano, a organização da prova dividiu os corredores pela expectativa de tempo de cada um. Mandei ver 50 minutos e, com isso, fui parar lá na frente. Uma bela ajuda, pois a largada foi tranquila, ninguém me atropelou e consegui imprimir um ritmo forte desde o primeiro quilômetro.

Cumpri os dois primeiros quilômetros em rigosos cinco minutos cada, coisa rara de se fazer em provas tão concorridas quanto essa, que costuma reunir mais de 10 mil atletas. A partir do terceiro quilômetro, comecei levemente a aumentar a velocidade, de olho no relógio e ligada no joelho. Não sentia nada, vambora.

No primeiro posto de água, uma cena me tocou. Passei direto pelas mesas, pois não estava sentindo sede nem necessidade de me refrescar. No entanto, um senhor, atleta amador como eu, estendeu seu copo de água pela metade, provavelmente achando que eu não tinha conseguido me abastecer. Peguei o copinho e agradeci. Molhei os pulsos e a nuca e lamentei, naquela hora, que provavelmente não encontraria o colega depois da prova para agradecer-lhe novamente. A corrida às vezes me leva a essas divagações e pensei que expressões como "nunca mais" e "para sempre" podem ser um tanto angustiantes. Não sei se vou encontrar o senhor novamente, querido colega, mas saiba que seu gesto me tocou muito. Obrigada, do fundo do coração.

O clima contribuiu bastante, sem sol e até um certo friozinho extemporâneo. Fiz a prova inteira sem sentir nada, nadica no joelho. E o ritmo forte, na casa de 4min50 por quilômetro. Faltando dois quilômetros, tive certeza de que melhoraria muito o tempo do ano passado e não teve erro. Contra os 53min de 2007, 48min48 (correção: pelo tempo oficial da Corpore - 48min42. yeah!) em 2008. E sem dor. Para falar a verdade, o bom tempo obtido foi um bônus. Meu foco, de verdade, era sentir como se comportaria o joelho. E mesmo agora, quatro horas depois de terminada a corrida, não sinto nada.



Por isso, assim que cruzei a linha de chegada, fiz meu tradicional agradecimento mental, acrescentando um nome importante, desta vez. "Obrigada, meu joelho esquerdo!"

Tuesday, November 18, 2008

Para gostar de ler - Veneno remédio



Meu amigo Idelber Avelar detesta quando nós, seus colegas de blogosfera, o chamamos de "professor". É sua profissão de fato, e ele não é apenas professor - é Professor Titular, o mais alto posto na carreira acadêmica, da Universidade de Tulane, em New Orleans. Entendo a bronca desse adorável atleticano com a alcunha, posto que não somos, aqui, seus alunos, mas realmente seus colegas. Não deixo de levar, no entanto, as indicações de Idelber com o respeito de quem convive com um mestre (e tenho a sorte de conviver com alguns amigos que representam, na minha vida, o papel de professores, mas isso é outra conversa). Há alguns meses, Idelber escreveu um post sobre "Veneno Remédio - O futebol e o Brasil", de José Miguel Wisnik, e descreveu a obra com enorme entusiasmo.

Como diz no post, Idelber leu o livro em uma única noite, dando prova da qualidade da obra, de sua capacidade de instigação, de sua riqueza de informações, de sua lógica e, naturalmente, da fluidez do texto desse outro mestre das Letras, o professor Wisnik.



Não consegui nem de longe acompanhar o ritmo de Idelber. Nesse corre-corre que é minha vida, às vezes mal conseguia ler dez das 446 páginas do livro por dia, o que me enchia de pena, pela vontade de continuar sempre um pouco mais. Já o terminei há algumas semanas, mas o corre-corre também me impediu de escrever antes.

Leia em uma noite ou vá aos poucos, mas leia.

"Veneno Remédio" é um ensaio fundamental da literatura, da sociologia, da antropologia brasileiras. É uma obra fundadora, em certo sentido, por reunir algo inédito no ramo dos livros sobre futebol. Como o próprio Zé Miguel menciona, os livros de futebol, em geral, dividem-se em dois grupos: os livros que falam de futebol (jogos, jogadores, números, fatos, anedotas, curiosidades etc.) e os livros que falam sobre futebol (análises de toda sorte - esportiva, sociológica, filosófica, antropológica etc.). Escritos, em geral, por autores que "não se freqüentam": quem escreve de futebol em geral considera os intelectuais do esporte uns divagadores; quem escreve sobre futebol vê os registros relatoriais com certo desdém. "Veneno Remédio" une as duas correntes. É um livro de e sobre futebol.

O estudioso Zé Miguel traz informações sobre as origens históricas dos jogos de bola, traça comparações magníficas entre sociedades a partir da predominância de um determinado tipo de jogo de bola (o futebol, na Europa; o football, nos EUA), adentra na origem do futebol brasileiro e vai, pouco o pouco, construindo e reforçando sua revolucionária tese, que subverte o que se tem repetido à exaustão nas análises sobre o Brasil e o futebol. Para Zé Miguel, o futebol do Brasil não é um reflexo da nossa sociedade (paternalista, elitista, racista, excludente etc.). Pela tese do professor, o futebol não é reflexo, mas causa, sendo um fator de importância fundamental na formação da sociedade brasileira.

À medida que o leitor avança pela obra, vai também avançando no tempo. Zé Miguel não se propôs a recontar a história do futebol, mas acabou fazendo uma análise da transformação da sociedade brasileira, a partir do futebol, em seqüência cronológica. E o envolvimento torna-se cada vez maior. É interessante acompanhar o mergulho do intelectual Zé Miguel Wisnik nos fatos: torcedor do Santos, testemunha ocular de Pelé e cia., Zé Miguel não se prende ao rigor das análises acadêmicas e escancara sua própria vivência como torcedor e observador do futebol. Assim, o livro fica ainda mais envolvente quando o autor chega ao período que ele mesmo viveu e acompanhou, somando às informações e referências bibliográficas tantas sua própria experiência.

Interessante, também, acompanhar a seleção de referências bibliográficas que Zé Miguel escolheu. Sem preconceito, ele mistura textos de intelectuais "puros" a pensadores de outras áreas, como o cineasta Pier Paolo Passolini, o compositor Chico Buarque, o ex-jogador e comentarista Tostão. Aliás, Tostão exerce um papel de destaque na obra, seja pela análise de sua atuação na Copa de 1970, seja por suas próprias análises como observador lúcido de futebol. (Particularmente, fiquei muito reconfortada com essa "reabilitação" do Tostão. Alguém precisava pedir desculpas publicamente a esse genial jogador, em nome de Gilberto Gil, que é tão simpático e cordato, mas perpetrou um verso muito indelicado contra ele, na igualmente genial "Meio de campo" - "(...) e eu não sou Pelé, nem nada, se muito for eu sou um Tostão." hehehe)

À medida que lia "Veneno remédio - O futebol e o Brasil", de forma meio pretensiosa, comecei a acalentar uma idéia. Eu gostaria de ler um livro com esse tipo de análise, sobre automobilismo. Quem sabe não o escrevo um dia?

Monday, November 17, 2008

Um pouco de poesia

Amigos, queridos,

Desculpem pela ausência nos últimos dias. Excesso de trabalho, nada mais.

Passei o final de semana fora de São Paulo, na companhia de um livro excepcional de meu amigo e mestre Zuza Homem de Mello (será um dos próximos "Para gostar de ler" deste blog). O livro é "Eis aqui os Bossa Nova", reedição de uma obra de Zuza lançada originalmente em 1976. Vou falar mais longamente desse excepcional documento em breve.

Por enquanto, deixo vocês na companhia de uma das letras citadas na obra, do grande poeta da Bossa Nova, Vinícius de Moraes.

Que beleza de versos... (A melodia é de Baden Powell)

Samba em prelúdio

Eu sem você
Não tenho porquê
Porque sem você
Não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar

Eu sem você
Sou só desamor
Um barco sem mar
Um campo sem flor
Tristeza que vai
Tristeza que vem
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta, querida
Os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus
Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Thursday, November 06, 2008

A escolha de Vettel


Desde que foi anunciado como sucessor de David Coulthard na Red Bull, o alemão Sebastian Vettel tem levantado uma dúvida entre muitos analistas da Fórmula 1.

Será que o alemão fez uma boa escolha? Afinal, pilotando o carro da Toro Rosso, time B da Red Bull, Vettel conquistou, entre outras coisas, uma pole e uma vitória na temporada de 2008, resultados muito superiores a tudo que Coulthard e Mark Webber fizeram juntos neste ano.

Minha análise desse tema é um pouco diferente.

Lembra daquela piada sobre Hillary e Bill Clinton? Os dois param em um posto de combustível, um funcionário cumprimenta Hillary e Clinton lhe pergunta quem é. Hillary explica que o cara tinha sido seu namorado na juventudo, ao que Bill responde: "Tá vendo, se você tivesse se casado com ele, hoje era mulher de um funcionário de posto, não do presidente dos EUA." Hillary: "Engano seu, my dear. Se eu tivesse casado com ele, ELE seria presidente dos EUA."

Não duvido que, com Vettel por lá, a Red Bull comece a andar muito melhor que a Toro Rosso. Vettel é o cara. Talvez não para 2009. Mas, para logo, logo.

Em tempo: o Saco de Batatas está fazendo uma enquete sobre a temporada de 2008. Vote lá!

Wednesday, November 05, 2008

Black is beautiful




Muito significativo. Histórico. Emocionante.

E duas mulheres, cada qual nessas mesmas posições... quando será?

Monday, November 03, 2008

Interlagos, in loco (4)

O GP já passou, mas aproveito para descarregar mais alguns clicks que fiz em Interlagos.

E peço desculpas pelo atraso no sorteio do livro. Amanhã (terça-feira) devemos ter o nome do vencedor.

Nas fotos: Fernando Alonso, dando entrevista depois da prova, para a imprensa espanhola, a medalha de ouro Maurren Maggi, o big boss Bernie Ecclestone, Sebastian Vettel, batendo um papo com os antigos patrões da BMW (gente, esse menino é tão magro que, de frente, parece que está de lado!), Rubens Barrichello chegando com os filhos, Eduardo e Fernando (a esposa, Silvana, aparece atrás, passando pela catraca), ao lado, o arrumadinho Nico Rosberg, uma turminha na sala de imprensa (Julyana Travaglia, do globoesporte.com, o farrista Flavio Gomes, eu e o colega Fábio Seixas), Niki Lauda, batendo um papo com a repórter da Globo.








Som e fúria

Do nada, emerge Timo Glock, para definir o Mundial de Fórmula 1 de 2008. Um coadjuvante transformado em personagem principal. Lewis Hamilton e Felipe Massa: nas mãos do alemão. Mais? No GPTotal. Vai lá, depois comente tudo o que quiser sobre a corrida de ontem. Desde já, candidatíssima ao título de GP do Brasil inesquecível.

Sunday, November 02, 2008

Interlagos, épico, sorteio

Amigos, final de semana intensíssimo. Por tudo o que aconteceu em Interlagos neste domingo, não foi possível fazer o sorteio do livro entre os que apostaram em Hamilton. Mas não se preocupem. Nesta segunda-feira, sai o vencedor. Aguarde, e aguardem também minha coluna no GPTotal.

Saturday, November 01, 2008

Interlagos, in loco (3)







Mais imagens do dia.

Dia de pole de Felipe Massa, de Hamilton em quarto, de ovação em Interlagos.

Na ordem: Viviane Senna bate um papo com Titônio Massa depois do Treino
Classificatório, Stefano Domenicalli e Flavio Briatore, parlando alguma coisa, a galera das cabeças vermelhas, Nelson Piquet, em pose francamente desfavorável, conversando com Ingo Hoffmann, que aparece na foto seguinte. Por fim, o honorável Emerson Fittipaldi, com um cabelo nem tanto.

Interlagos, in loco (2)

As primeiras fotos do dia.

Panorâmica da sala de imprensa, Victor Martins, do site Grande Prêmio, eu, por Victor Martins





Interlagos, in loco (1)

Falta pouco mais de meia hora para começar o último treino livre, marcado para as 11h deste sábado.

Na chegada, sem a máquina fotográfica pronta, cruzei com Fernando Alonso, Flavio Briattore, Mario Thiesen e Nico Rosberg. Aliás, entrei junto com o Nico, o que deve ter me causado uma situação constrangedora, saindo como "papagaio de pirata" nas fotos do loiro. (Em jargão jornalístico, para quem não sabe, papagaio de pirata é o sujeito anônimo que sai na foto, junto de uma celebridade qualquer).

Daqui a pouco, coloco umas fotos aqui.

Tuesday, October 28, 2008

Meu GP do Brasil inesquecível



Cheguei em casa no final da tarde, com a roupa molhada, o rosto queimado de sol, alguns passos além da euforia, querendo banho e cama, quase tão cansada quanto feliz. Minha mãe me recebeu em diapasão diferente, ainda tensa com o dia intenso, como se quisesse contar em detalhes tudo o que eu mesma tinha visto, ao vivo. Tinha visto, mas não tinha ouvido. Eu tinha visto a primeira vitória de Ayrton Senna em um Grande Prêmio do Brasil, espremida na arquibancada de alvenaria do Setor A, de Interlagos. Mas não tinha ouvido a narração pela TV, não conhecia o drama que antecedeu a glória.

24 de março de 1991, meu primeiro GP do Brasil. Admito, abri com chave de ouro. Naquela época, indo para o quarto ano da faculdade, eu ainda não era jornalista, embora já arriscasse textos aqui e ali, principalmente em jornais de bairro e do interior. Eu queria, mesmo, ser repórter de Esportes, e estar perto de eventos esportivos - de preferência, dentro - era meu objetivo permanente. Com essa obstinação, e com um conhecido de alta patente na Polícia Militar, fui parar dentro do Autódromo Internacional José Carlos Pace.

A história inteira dessa epopéia será contada no livro "Interlagos, em teu lar", trabalho de conclusão de curso do colega Andrei Spinassé, do Tazio, motivo pelo qual não entro em detalhes, para não "furar" o jovem jornalista.

Relembro, apenas, as últimas voltas dessa dramática vitória de Senna. Quem não assistiu à corrida na época nem teve acesso a seu videotape talvez estranhe a afirmação sobre a dramaticidade da prova. Afinal, se examinar o "volta-a-volta" da prova, verá Senna largando na pole e liderando de ponta a ponta. Onde estaria a tensão? Ah, só quem esteve lá sabe. Ou não.

Eu estava lá. Fui munida de um radinho com fone de ouvido, na vã esperança de escutar a transmissão pelo rádio. Minha boa intenção foi afogada em ruídos de motor lá pela oitava volta. No começo, o pelotão passava todo junto. Quando se afastava, eu conseguia ouvir perfeitamente a transmissão da Rádio Bandeirantes, naquela época com narração de Éder Luiz e comentários de Edgard Mello Filho. Depois, a diferença entre os líderes e os últimos já era tanta que praticamente a todo tempo tinha algum carro passando na minha frente. Não ouvia mais nada, desliguei o radinho e fiquei só olhando para a pista.

Tudo era festa. Senna vinha firme em primeiro. Mansell seguiu-o até a 59ª volta, quando abandonou com problema de câmbio. Patrese assumiu o segundo lugar. Tudo era festa. O escudeiro de Senna, Gerhard Berger, não conseguia acompanhar o ritmo do italiano, mas tudo bem. Senna estava na frente. Tudo era festa. Começou a chover fraco. Ótimo, melhor que Senna, na chuva, não há.

Senna passava. A arquibancada conseguia rezar um Pai-Nosso inteiro antes que Patrese passasse. E lá vinha Berger. E, muito depois, os outros. Senna passava. A gente até percebia que o Pai-Nosso tinha que ser mais rapidinho, para acomodar a diferença para Patrese, que parecia menor. Mas, tudo bem. Tudo era festa. Foram doze voltas nessa toada. A cada passagem, até era possível notar que a vantagem do brasileiro ficava menor, mas ninguém ali seguia os tempos oficiais. Sem rádio, sem cronômetro, tudo era festa. É certo que, na última passagem, mal daria para fazer o sinal da cruz, entre o vruuuuum meio engasgado de Senna e o vraaaaaaaaam potente de Patrese, mas dane-se. Senna venceu pela primeira vez no Brasil. Tudo era festa.

Foi só quando cheguei em casa e vi a gravação da corrida, em VHS, que soube da progressiva quebra de marchas da McLaren de Senna. Que ouvi Galvão Bueno definir, em milésimos segundos, a diferença cada vez menor entre o brasileiro e o italiano. Que ouvi o mesmo Galvão, desesperado, apelar pelo fim da prova para o então diretor do GP, Mihaly Hidasi. Que vi Senna erguer o troféu com um braço meio débil, esgotado.

O meu GP do Brasil inesquecível foi muito menos dramático do que pareceu pela TV. E o seu GP do Brasil inesquecível, qual foi?

Sunday, October 26, 2008

Quitando dívidas



Aproveito este post para saldar dívidas recentes, trazendo minha posição em assuntos que foram comentados nas caixas de comentários dos posts mais novos.

A eventual falta de atualidade, por exemplo no caso da eleição municipal, deve-se exclusivamente à falta de tempo para postar antes.

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Eleição municipal em São Paulo - votei na Soninha no primeiro turno e na Marta, no segundo. Apesar de ter votado em duas mulheres, não foram votos pautados por esta questão. Ou seja, não votei na Soninha e na Marta por elas serem mulheres, mas pelas idéias defendidas por ambas, nos dois momentos da eleição. Soninha é uma referência antiga na minha vida, já que estudamos na mesma escola, o Colégio Santana, como conto neste post. Tenho enorme admiração por ela em vários sentidos - pela profissional que ela é, pela cidadã, pela mãe, pelo engajamento em causas que considero fundamentais, como a inclusão social e a consciência ambiental. Não gosto de ver Soninha em um partido como o PPS, que parece sigla de aluguel, sem uma ideologia definida. Soninha brigou de forma traumática com o PT, partido pelo qual se elegeu vereadora. Parecer ter suas razões, mas lamento que tenha ido para um partido como esse. No segundo turno, Soninha ficou neutra em São Paulo. Eu não tenho grande identidade com Marta Suplicy e com o governo que ela fez em São Paulo, entre 2001 e 2005. Acho que ela gastou mal o dinheiro público em obras como os túneis que passam sob a Avenida Faria Lima, mas reconheço ações como o Bilhete Único e os CEUs, que beneficiaram a camada menos favorecida da sociedade. Marta quase perdeu meu voto quando apelou, em sua campanha eleitoral, para insinuações sobre a vida privada do seu oponente, o atual prefeito. A grita dos eleitores de Kassab - e de boa parte da mídia - também me desagradou, denotando enorme hipocrisia. Ao longo dos últimos anos, Marta foi alvo de inúmeras colocações preconceituosas por parte de seus opositores. "Acusada" de "largar o marido" para casar com um argentino - como se ambas as escolhas fossem crimes - passou a ser identificada, à boca pequena, com codinomes como "vaca" ou "dona flor e seus dois maridos". Baixaria lá, baixaria aqui. Não gostei das insinuações a Marta, não gostei da insinuação a Kassab, não gosto desse tipo de tática. Mas eu não voto no DEM, sem chances. Não voto no PFL, que é, afinal, a origem desse partido. E não anulo meu voto por princípio. Já o fiz, mas me arrependi. Para mim, anular o voto é como abdicar da prática da democracia. Votei em Marta sabendo que perderia, mas em paz com minha ideologia.

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O falso diálogo de Barrichello com a Ferrari - há uns dois meses, enquanto corria na Cidade Universitária, fiquei sabendo do tal diálogo reproduzido em um livro do jornalisa Lemyr Martins, supostamente entre Rubens Barrichello e componentes da Ferrari durante as últimas voltas do GP da Áustria de 2002. Quem me contou foi um colega da Equipe Conexão, o Nilton. Achei tudo tão bizarro que tomei como piada. Não comentei com ninguém porque tive convicção de que era uma anedota. Na semana passada,certamente embalada pelo GP do Brasil, a editora intensificou a divulgação do livro. O jornal Lance! publicou trechos do suposto diálogo, que pode ser lido na íntegra aqui. Para meu supremo espanto, a repercussão do diálogo revelou que ele foi publicado como se fosse verdadeiro. Amigos atuantes em sites noticiosos de automobilismo, como Victor Martins, Bruno Vicária e Ivan Capelli, além do colega Luis Fernando Ramos, o Ico, deram contribuições várias sobre o tema, falando com o próprio Lemyr, com o editor responsável pelo lançamento do livro e com o assessor de imprensa da Ferrari. Vale a pena navegar pelos sites para ler o imbróglio todo. O que eu acho? Foi a pergunta de alguns leitores e amigos. Acho que Lemyr, um jornalista que cobre a Fórmula 1 há quase quarenta anos, recebeu pela internet o tal diálogo - que foi publicado em um fórum inglês há mais de seis anos, logo depois do tal GP da Áustria. Acreditou que fosse verdadeiro e publicou, sem atentar para o monte de absurdos que ali estão. Acreditou, sobretudo, que nessa altura da vida, montado em cima do nome prestigiado, pode publicar qualquer coisa que ninguém vai contestar. Não contava com a sagacidade dos meus colegas e com as ferramentas de busca da internet.

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Eu voltei - em um comentário abaixo, fui cumprimentada pelo retorno do meu "ex-time" à Série A. Peralá, minha gente! É verdade que eu me aposentei em 13 de outubro do ano passado, depois de trinta anos de serviços prestados como torcedora ao Sport Club Corinthians Paulista. Mas não quer dizer que ele se tornou meu ex-time. Apenas parei de assistir a todos os jogos, de sofrer em desespero a cada derrota, de decorar a escalação da equipe. Passei a me comportar como legítima aposentada, guardando afeição e respeito ao antigo emprego, visitando o local eventualmente, cultivando os bons momentos lá vividos. Ontem, infelizmente, não pude acompanhar o jogo contra o Ceará, que garantiu a volta do Corinthians à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Mas procurei as reportagens nos telejornais noturnos e fiquei sinceramente feliz com o feito. Tenho acompanhado de longe o trabalho do técnico Mano Menezes e da atual diretoria do Corinthians. Acho que estão no caminho certo. Estou feliz com a volta do Timão. Mas, sofrer como antes, acho que nunca mais. 30 anos de serviços prestados. Mereço sossego.

Thursday, October 23, 2008

Tá explicado

"Sempre fui absolutamente fã de Nelson Piquet. Admiro o jeito irreverente dele, gostava de vê-lo nas pistas. Quem sabe vou poder conhecê-lo. Hoje em dia também acabei torcendo pelo filho dele, o Nelsinho."

A frase é da cantora Fafá de Belém, escalada para cantar o Hino Nacional Brasileiro antes do GP do Brasil. Fafá arrasta, há mais de duas décadas, a fama de pé frio. A explicação: primeiro, ela gravou uma bela música de Milton Nascimento dedicada a Teotônio Vilela. O político morreu logo depois. Então, Fafá começou a aparecer pendurada em Tancredo Neves, e o presidente eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral, também morreu, antes de assumir.

No dia da morte de Tancredo, 21 de abril de 1985, assim que foi dada a notícia, a Rede Globo colocou no ar um vídeo com Fafá cantando o hino, em versão lacrimosa e ligeiramente alterada na melodia. Esse vídeo e a canção "Coração de Estudante" foram a trilha sonora daqueles dias de funerais do presidente.

Agora, Fafá declara ser torcedora de Nelsinho. Está explicado o desempenho claudicante do rapaz neste seu ano de estréia.

Pobre Felipe Massa...

Wednesday, October 22, 2008

Top model



Quer ser piloto de Fórmula 1? Quer ganhar rios de dinheiro?

Pois prepare-se. Não me refiro aos riscos de atingir velocidades acima de 300 km/h, de pilotar máquinas indóceis berrando a 19 mil giros, nem muito menos de viver feito cigano.

Isso tudo parece fácil perto da seqüência de micos públicos aos quais os pilotos são submetidos hoje em dia. Dá a impressão de que o sujeito é, antes de tudo, um garoto propaganda. Por acaso, piloto.

Nos últimos tempos, Lewis Hamilton teve de participar de um espetáculo teatral/circense no qual surgia voando, Fernando Alonso teve de vestir avental de cozinheiro e ir para a frente das câmeras fingir que preparava uma gororoba qualquer, David Coulthard passou a vergonha suprema de subir ao pódio, em Mônaco, aquela Mônaco glamourosa do príncipe, vestindo uma... capa de Super Homem, pois a equipe Red Bull estava levando uma grana para divulgar o filme. Isso sem falar em micos menores, como Nick Heidfeld pilotando um trem de metrô na Malásia ou o mesmo Heidfeld e seu companheiro Robert Kubica, abrilhantando uma degustação de queijos em algum país qualquer da Europa.

Agora, aparece esta seqüência de fotos promocionais do tênis da McLaren, protagonizada por Hamilton e Heikki Kovalainen. Não vou dizer que está ruim. Lewis trabalhou bem a musculatura nos últimos tempos, não faz feio diante das câmeras. Mas que é um mico transatlântico fazer umas poses dessas, ah, isso é. Para não mencionar o peitoral de franguinho caipira do finlandês, e mais não digo para não ferir as fãs de Heikki que freqüentam este blog.

Fico imaginando figuras como, sei lá, Clay Regazzoni, Nelson Piquet, Mario Andretti, Niki Lauda, Jody Scheckter, Jack Brabham sendo obrigados a posar para fotos desse tipo. Não, não fico imaginando. É impossível.

Por outro lado, penso que François Cevert, Graham Hill, James Hunt até poderiam encarar uma sessão do tipo, diante das câmeras.

E você, o que acha? Quem não faria? Quem faria?

Monday, October 20, 2008

Aproveita que eu tô boazinha



Well, folks, agora só tem dois na disputa pelo Mundial de Fórmula 1.

Hamilton ou Massa.

Na mensagem comemorativa aos 300 posts, abri a bolsa de apostas, que ainda incluía Robert Kubica. Como o polonês já não tem chances e estou boazinha hoje, vou aceitar a troca de palpites daqueles que jogaram suas fichas em Kubica.

Mas, por favor, concentrem os palpites no post de número 300, OK?

Sunday, October 19, 2008

O inferno são os outros

Lewis Hamilton ganhou o GP da China e ficou mais perto do título. O segredo para uma vitória tão fácil? Ausência de rivais. Mais? No GPTotal. Vai lá, vai. Depois, comente.

Friday, October 17, 2008

Turning point



Você aí, que gosta de Fórmula 1, talvez já tenha percebido que estamos vivendo um momento histórico da categoria. Uma nova geração de pilotos despontando, uma das temporadas mais disputadas de todos os tempos, novidades como o primeiro GP noturno, entre outros aspectos.

Mas, desculpe a pretensão, você talvez não tenha se dado conta de que estamos assistindo a um momento ultra-crítico da carreira de Lewis Hamilton, nascido na Fórmula 1 no ano passado, rapidamente guindado à condição de favorito em sua temporada de estréia. Se perder novamente o título, pelo segundo ano consecutivo, por erros próprios, Hamilton tende a desabar do Olimpo da Fórmula 1, caindo sem direito à apelação no submundo dos ex-futuros campeões.

A Grã-Bretanha é fértil na produção desse tipo de quase ídolo. Ainda estão por aí dois belos exemplares da espécie - David Coulthard e Jenson Button. Hamilton tem mais talento em uma das rodas que os dois juntos, em toda a carenagem. Mas é afoito, legítima vacalouca. Uma pesquisa realizada nesta semana por um jornal londrino sondou a confiança do público local na conquista do título pelo inglês - a maioria acha que Hamilton não será campeão. A pressão, naturalmente, é enorme.

Se for campeão, Hamilton sobe inexoravelmente para o panteão dos deuses da categoria. Se perder, por sucumbir ao momento e falhar, vai virar um pobre diabo. Não que perca todas as chances de ser campeão no futuro, mas vai acabar como um Nigel Mansell menos espontâneo e mais sarado, lembrado como um piloto audaz, rapidíssimo, mas excessivamente ousado, que poderia ter ganho muito mais do que conquistou.

Na sua opinião, o que será de Lewis Hamilton no final desta temporada?

Wednesday, October 15, 2008

Eu e a Fórmula 1, ano 25



A história inteira eu prometo contar no GPTotal. Por enquanto, gostaria apenas de registrar que hoje, 15 de outubro de 2008, completam-se 25 anos do segundo título de Nelson Piquet na Fórmula 1. Se o velho Nelson não parece ser o tipo de pessoa que dá muita bola para datas, eu sou o contrário.

Ainda mais porque, neste caso em especial, a efeméride faz parte da minha própria vida. Considero que foi nesta corrida, o GP da África do Sul de 1983, que me liguei inexoravelmente à Fórmula 1. Não que tenha sido meu primeiro GP, nada disso. Durante toda a infância, sempre me interessei por esportes, a Fórmula 1 entre eles.

Mas essa corrida, selando o segundo título de Piquet e prenunciando a entrada de Ayrton Senna, no ano seguinte, foi por mim adotada como pedra fundamental.

Vamos lá, meus amigos, respondam: que corrida ou que campeonato vocês identificam como suas pedras fundamentais na Fórmula 1?

Tuesday, October 14, 2008

300 - Aposte e concorra!

Com estas parcas linhas, este blog chega a seu post de número 300. O primeiro, levado ao ar em 29 de janeiro de 2006, foi "migrado" da caixa de comentários do blog do jornalista Pedro Alexandre Sanches, eterno padrinho, inspirador e instigador deste espaço.

Como naquelas propagandas de lojas de móveis e utilidades domésticas, "o blog está em festa mas quem ganha presente é você!".

Resolvi fazer uma brincadeira, com direto a prêmio.

Quem você acha que vai ser o campeão do Mundial de Pilotos de Fórmula 1 de 2008?

1) Lewis Hamilton
2) Felipe Massa
3) Robert Kubica

Responda na caixa de comentários. Entre os que acertarem, vou sortear um livro "O boto do Reno", do jornalista Flavio Gomes. Prometo total lisura no processo, com direito a foto do dia do sorteio. Se alguém da Price quiser vir auditar (de graça, claro), esteja convidado.

Bóra, gente!