Friday, March 07, 2008

Samba ela canta assim

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Em seu disco de 1977, Elis Regina aparece sentada em uma cadeira de balanço, vestindo uma bata escura de tecido pesado. As feições, ligeiramente alteradas, são o sinal mais evidente do que a roupa não mostrava de maneira clara - estava grávida do terceiro filho. Já depois de sua morte, quando comecei a colecionar sua discografia, sempre me dediquei a escrutinar também as capas dos discos. Enquanto escutava esse e examinava sua capa, o tempo parava para eu olhar para aquela barriga. Era Maria Rita quem estava lá dentro e eu nunca deixei de ter esperança de que ela fosse cantora.

Talvez por isso eu tenha uma lente meio turva para avaliar tudo que Maria Rita canta e grava. Essa relação afetiva - da qual ela jamais tomou parte efetivamente, claro, porque nem a conheço - deve atrapalhar meus juízos de valor mais imparciais. Talvez por isso eu até evite ler as críticas de seus discos e shows, ainda que sejam escritas por queridos amigos virtuais, como Pedro Alexandre Sanches ou Marcio Gaspar.

Ganhei o terceiro CD da Maria Rita no meu aniversário. Um disco de sambas. Hum... Estou em uma fase quase exclusivamente roqueira, tomando doses industriais de U2, The Police, Rolling Stones, Red Hot Chilli Peppers todos os dias. Sambas? Well, é Maria Rita, vamos lá.

Chama-se "Samba meu" o disco, e foi inevitável lembrar de "Samba eu canto assim", primeiro LP "adulto" que Elis gravou, em 1965. Nas primeiras faixas, não me entusiasmei. A base musical continua boa. A diferença, na primeira metade do disco, é que Maria Rita abadonou um pouco a base enxuta e meio jazzística que a acompanhou nos primeiros trabalhos - piano, baixo e bateria - e cercou-se de muitos cavaquinhos e pandeiros. OK, é um disco de samba.

O problema era a pobreza das letras. Rimas facílimas, óbvias, ingênuas até. Tento varrer de mim o preconceito. Oras, trata-se de música popular, popularíssima, vá com suas rimas ricas para lá. Muitas composições de Arlindo Cruz, um habitué das rodas de samba cariocas. É o que se tem no momento. Mas sempre persiste em mim a semente do possível. Cartola fazia música popular, era popularíssimo ele mesmo. E não se rendia à facilidade dos versos clichês. Nelson Cavaquinho também. Mas, que fazer? Estão mortos os dois, como Elis. Maria Rita que se vire com o que há.

E ela se virou fazendo algo que - lá vem... - Elis fazia com dedicação e ardor juvenil: garimpar compositores novos. É da metade do disco para a frente que a veia desbravadora da intérprete salta. Deu-me a impressão de que mesmo ela, como eu, estava sentindo falta de um pezinho no jazz, de um suingue diferente naquela batucada.

Foi a partir da segunda metade do disco que me encantei com o álbum. É ali que surgem as composições, por exemplo, de Edu Krieger, jovem compositor carioca, dessa geração que está reabilitando a Lapa boêmia. Edu despontou no cenário quando criou a trilha sonora do "Auto da Compadecida", festejada versão para o cinema da peça de Ariano Suassuna. Nos sambas de Edu presentes em "Samba meu", Maria Rita optou por uma sonoridade menos mesa de boteco, mais jam session. Adorei, me encontrei, desculpem, talvez seja preconceito meu, mas gosto mais desse samba que do outro, o da caixinha de fósforo...

Ironia foi a música de que mais gostei no disco - "Novo Amor" - que não é samba, mas um choro, de autoria de Edu Krieger. Depois dela, "Maria do Socorro", outra do mesmo autor, singela "homenagem" a uma beldade do morro, nesses tempos de bailes funks. Na seqüência, "Corpitcho", que pelo título não me pareceu boa coisa, mas revelou-se deliciosa crônica da contemporaneidade carioca, além de um excelente desafio vocal, pelo qual Maria Rita passou com distinção e louvor.

Aliás, gostando menos ou mais de cada música, esse detalhe me chamou a atenção. Sempre achei Maria Rita afinada e eventualmente com uma voz mais aguda que a de Elis, mas me parece que ela está cantando ainda melhor que nos primeiros CDs.

Acabei gostando tanto da últimas músicas que vou retomar as primeiras, para ver se o entusiasmo da segunda parte contamina a primeira. Ou talvez eu continue achando o terreno jazzístico mais saboroso que o terreiro do boteco. Sorry, periferia, eu sou fresquinha mesmo.

16 comments:

Ron Groo said...

Maria Rita é ok! Afinada, ritimada e bonita. Era tida como a 'the next big thing' até pela Globo. Mas algo aconteceu e sua carreira não decolou. Culpa talves do seu segundo album que era realmente muito fraco. Não que o primeiro fosse uma maravilha, mas era o primeiro e tinha bons momentos e por se tratar da filha de Elis pensava-se que dai em diante poderia surpreender.
Meu ranço com ela era pelo fato de não conseguir me desvencilhar da imagem de Elis ao ouvi-la cantando. Mas até aí ainda ouvia "Cara valente", "Namorinho de portão" com prazer, afinal todo mundo gostaria de jogar como Pelé? Não é? Logo cantar como Elís era um previlégio acima de qualquer coisa e pombas,é filha dela! Haveria de ficar com o registro de voz parecido mesmo, como no caso de Diogo Nogueira, que faz samba como os bambas cantados pelo seu pai e tem a voz identica a de João Nogueira. Só que quando fui assistir seus DVD's vi que ela se movimentava no palco tal qual sua mãe o que meu deu a impressão de que era de propósito, juntando isto ao fato que você chamou a atenção, de que como Elis ela também caça novos compositores e o cheiro de jogada de marketing fica mais forte. Mas tudo bem, melhor imitar algo que preste do que criar algo novo que não presta (vide rock novo brasileiro. Só pra fechar: O terreno jazzistico é sim muito mais saboroso, me inclua na categoria fresquinho (masculino)rs.
Deixa eu te pedir uma coisa. Amanhã (8/03) sai um post agendado meu ao meio dia sobre o Roberto Carlos. Eu gostaria de ter sua opião por lá. Ih me estendi....

Saco de Gatos said...

Não tem jeito: acho que estamos diante de uma cantora pretensiosa, muito abaixo do que a mãe conseguiu fazer enquanto intérprete, cercada de gente razoavelmente competente na instrumentação (a percussionista dela, Layse Sapucahy, é uma morena de parar o trânsito), mas com letras escritas por gente pouco representativa, como o tal de Marcelo Camelo (do finado Losermanos - bem, escrevo assim mesmo) que tenta soar um Chico Buarque dos tempos modernos e não consegue.
Enquanto ela se cercar de repertório irregular cantando samba, jazz, mpb ou qualquer coisa que o valha, sua carreira jamais decolará.
Ah... e ela precisa ser mais carinhosa com o público. Há quem diga que ao se apresentar há um mês no projeto "Verão no Morro", ela cantou, deu as costas e foi embora.

valéria mello said...

Gosto desses sambas do tipo boteco,talvez porque acabe me embalando no ritmo e esquecendo da letra.
Sobre a Maria Rita, não ouvi discos inteiros pra ter uma opinião formada, mas gosto da voz, apesar de achá-la meio enjoadinha no palco. Agora, viver sendo comparada com a mãe, para o bem e para o mal, deve atrapalhar a formação de uma identidade própria.

Alessandra Alves said...

eu sabia que esse tema ia despertar paixões!

ron: como eu disse no post, não consigo ser imparcial nessa questão. acho a maioria dos argumentos anti-maria rita até defensáveis, mas sempre acho um outro lado para contra-argumentar.

quando você diz que a carreira dela não decolou, tenho minhas dúvidas. o que é uma carreira que decola, hoje em dia? vender discos e ser popular como ivete sangalo? quem faz música do estilo da maria rita, hoje, que seja mais bem sucedido que ela? não quero entrar no chavão música de boa qualidade x música popularesca, porque isso sempre resvala no preconceito. claro que seria ótimo que uma cantora como a maria rita estourasse de vender, mas a verdade é que ninguém dessa turma mais sofisticada está vendendo muito, até pela crise fonográfica.

já a questão da semelhança exagerada dela com a elis, às vezes acho mesmo que é deliberado. mas, pô! eu e minha mãe, por exemplo, temos as vozes absurdamente parecidas. vozes e expressões vocais, faciais etc. eu juro que não faço para imitá-la, é uma questão genética, por um lado, e de convívio, por outro. ok, maria rita não conviveu muito com elis, mas carrega a genética.

rodrigo: a questão do repertório irregular eu concordo, inteiramente. a questão é: onde estão os bons compositores inéditos desse país. você conhece? eu não conheço.

valéria mello: concordo em gênero, número e grau. ser cantora e filha de elis regina deve ser um fardo imenso. mas eu ainda me sinto feliz por ela ter abraçado a profissão porque era algo que eu tinha esperança de que acontecesse. e, confesso, era para ter outra elis rediviva!

Paulo de Tarso said...

Gente, desculpem, essa conversa sobre a Maria Rita ser a Elis reencarnada, já passou. É datada. Serviu para o lançamento da menina. Acabou.
Maria Rita tem semelhanças incríveis com a mãe: timbre idêntico, talvez a maneira de emitir, trejeitos faciais (aquele jeito de fechar as pálpebras e levantar as sobrancelhas, em notas mais agudas), um pouco do sorriso, um pouco do estrabismo. Pronto; acabou.
Cantar é muito mais do que isso. Constatadas as semelhanças - muito mais comentadas pela nossa vontade de ver e ouvir Elis novamente - falemos das diferenças, profundas e essenciais.
Se o timbre é o mesmo, o registro já não é. Elis tinha uma tessitura impressionante. Maria Rita não tem graves. E acho que não chega aos agudos da mãe. A articulação não é a mesma: Elis escandia as sílabas e até as letras, como se fossem estalos de chicotes. A gente quase podia ouvir o barulho da lingua estalando no pálato, nas linguo-dentais. Maria Rita articula de forma, digamos, arredondada. As palavras parecem sair envoltas em óleo lubrificante. Não estou dizendo que sua dicção é ruim. Mas a letra da canção chega ao ouvido devagarinho, com delicadeza.
Elis tinha - quando queria - um vibrato maravilhoso, que usava como recurso dramático; as notas mais do que vibrar, saíam trêmulas e atingiam nosso coração naquela variação rápida de freqüência, como o ponteiro que estivesse medindo a intensidade de um terremoto. O coração respondia - claro, ela sabia disso - e começava a bater na mesma freqüência.
A voz de Elis era intensa, ardia, flamejava, soltava fagulhas, chorava, sofria, gritava, mesmo quando ela emitia um sussurro, como nos primeiros versos de Atrás da Porta. A voz de Maria Rita vem envolta em papel de seda e num saquinho de veludo.
Nas canções alegres, nos sambas, Elis cantava rindo, gargalhando. Uma gargalhada sarcástica: -

Quaquaráquáquá... quem riu
Quaquaráquáquá... fui eu...


Maria Rita tem ironia, mas nunca é sarcástica. Quando sorri, é um sorriso de criança. Não um sorriso de "Coringa" - o inimigo do Batman, criado, na tela, pelo maravilhoso Jack Nicholson - como Elis ria. Não estou dizendo que o sorriso de Elis era "do mal". Era um sorriso que derrubava. Se esse sorriso tivesse um som, talvez fosse o da gargalhada final de Thriller, feita pelo Vincent Price.
Elis não cantava canções; cantava o que lhe ía na alma. Até que a alma sangrasse e o sangue escorresse pelo palco até a platéia. Tive o privilégio de ver Elis em cena por três vezes. Em Falso Brilhante, fiquei quase grudado na passarela central que invadia a platéia. A moça, de um metro e sessenta e cinco mais ou menos, ocupava o teatro inteiro. Quando entrava pela passarela, chegava a dar uma certa tensão em mim. Mais tarde, quando Regina Echeverria deu o título de Furacão Elis ao seu livro, achei o melhor título possível. Elis chegava ventando como um tornado, revirando tudo e botando tudo de pernas pro ar.
Tem uma entrevista dela gravada, em que ela responde sempre calma, sorrindo, voz baixa e em tom grave.
"sabe, bicho, esse negócio de ..."
Mesmo sentada, falando baixo e grave, e sorrindo, e distanciada pelo vídeo na TV, a gente sente a vibração; o discurso, a palavra chegam cortando. De vez em quando faz uns silêncios, abaixa a cabeça. Mesmo seu silêncio, aumentava a tensão, magnetizava.
Pergunto: isso é Maria Rita?
Maria Rita não é - e não quer ser - Elis. Simoninha, não é e não quer ser Simonal ( e é idêntico, não?). Julian e Sean não são e não querem ser John).
Esse tema deveria ter se esgotado há muito tempo. Maria Rita é uma boa cantora, com voz um pouco pequena, ainda em construção, afinadíssima, carismática, com bom gosto na escolha de repertório e arranjos e com bons produtores, fora a ajuda da família, de tantos talentos. Penso que vai fazer uma carreira bem sucedida. Encontrar o caminho e a própria personalidade artística.
Mas Maria Rita jamais será Elis. E nem quer ser. Como já disse, Elis cantava o que lhe ía na alma; Maria Rita canta canções. E essa é a grande diferença.

Marcio Gaspar said...

conheci mariarita no colo da mãe, enjoadinha e com óculos de aros grossos, com esparadrapo em uma das lentes. depois da morte da mãe, soube que se mudara para os estados unidos e nunca mais ouvi falar. de repente, muitos anos depois, correu o boato de que a moça fazia participação especial no show de um tal chico pinheiro. fui ver e fiquei impressionado: ela tinha muito da mãe - e não me pareceu algo ensaiado ou premeditado; genética pura e simples, como disse a alessandra. o primeiro disco foi um bom cartão de visita, mas o excesso de atenção por parte da mídia parece ter mexido com a moça e o segundo era mesmo muito fraco. depois de um certo 'banho de loja', de uma dieta e de talvez 'algo mais' (a mudança física recente, em mariarita, é impressionante, repararam?), ela resurge com um disco de samba. mudança ousada, é verdade. não ouvi o cd com atenção ainda, por isso me abstenho de critica-lo, para o bem ou para o mal, mas me parece que o problema maior de mariarita é de atitude, ainda presa a uma postura de antipatia e de arrogância. mas não julgo e muito menos condeno, apenas espero que ela se toque, que faça as pazes com seu passado e com a sua herança emocional e genética, e acabe por ser a grande cantora/artista que realmente pode ser. e só um ps: parabéns paulo de tarso, pela eficiente análise.

Akinogal said...
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Alessandra Alves said...

paulo de tarso: faço eco às palavras do marcio. parabéns pela análise, e obrigada por compartilhá-la conosco. olha, aceite minha manifestação de inveja positiva. nem sei se isso existe - porque inveja, por definição, me parece um mau sentimento - mas o fato é que tenho inveja de quem viu elis ao vivo. "falso brilhante", pelo que vi e li a respeito, foi um dos espetáculos mais importantes da música brasileira e eu posso calcular como era impactante estar lá.

também acho inócuo comparar maria rita a elis. como era inócuo comparar marisa monte a elis ou qualquer outra. até leila pinheiro, lembra? isso, para mim, é tentar guindar à condição de pelé todo zico que apareceu depois dele. zico foi excelente, como romário, como ronaldo, como ronaldinho. nenhum é pelé, nenhuma é elis, e não estou me atendo à capacidade vocal, à interpretação. nenhuma tem o mito em que se transformou elis.

uma última observação: será que elis tinha mesmo 1,65 m? eu sempre tive a impressão de que ela era do meu time, das mulheres que não têm altura, mas horário (eu = 1:56 - hahahahaha)

marcio: obrigada por comparecer. lembro muito dos seus comentários sobre maria rita no blog do pas, até por isso citei você no texto, e também por saber que você tinha uma vivência que não tive, a de ter convivido com elis. você citou a questão da atitude da maria rita, e nisso eu sinto que ela é bem diferente do joão marcello bôscoli, o filho mais velho da elis, né? pelo menos, ao que fica visível pela mídia. ele, ao contrário, tem uma postura sempre simpática. personalidades diferentes, naturalmente, além do fato de ele não ser comparado a elis o tempo todo.

outra questão, sobre maria rita. vejo que ela às vezes é tratada pela mídia como uma menina que está começando, que ainda precisa amadurecer, que é muito jovem ainda. é o tipo de postura que se alastra na sociedade hoje e que me irrita bastante. a "menina" tem trinta anos, caramba! com a idade dela, a mãe estava produzindo o mesmo "falso brilhante" que citamos acima, com mais de uma dezena de LPs lançados, consagrada nacionalmente. sei lá, hoje vejo jovens de 25, 28 anos sendo tratados como crianças. e isso me parece sempre uma tentativa dos pais/sociedade em se rejuvenescer também. se meu filho ainda não é adulto, eu também não sou velho. putz, viajei.

Marcio Gaspar said...

alessandra, a elis tinha mesmo a sua altura. e achei muito interessante o seu comentário sobre os 'jovens que são tratados como crianças' - você está coberta de razão. e por incrível que pareça, não assisti ao 'falso brilhante' e nem ao 'transversal do tempo', porque não gostava da elis nesse tempo - ouvia quase que exclusivamente rock; de brasileiros, só gil, caetano e gal, além do rock nacional do terço, som nosso, tuttifrutti e... sá, rodrix & guarabyra. conheci a elis por conta do trabalho, e já na fase do excepcional 'essa mulher'. assisti a este show, ao excelente 'saudades do brasil' e ao melancólico e equivocado 'trem azul'. e a última vez que estive com ela foi em dezembro (um mês antes de sua morte) no camarim de rita lee no anhembi. eram 'best friends', na época.

Anonymous said...

Faço minhas as palavras do Rodrigo além de achar a música dela muito cansativa e cansada. Ela não tem identidade alguma. Fica parecendo cantora de boteco que copia o estilo alheio para poder viver. Com um agente mais esperto (e menos oportunista) Rita estaria com toda certeza com um repertório bem mais interessante do que tem hoje.

Wallace Michel

Alessandra Alves said...

marcio: é interessante como essas tribos sempre existiram na música, não? existiram e continuam existindo. eu mesma sempre me pergunto de que lado estaria se fosse adulta e consumisse música em outras eras. será que eu seria engajada ou tropicalista? vaiaria? levaria violada? ai, ai..

wallace: talvez sem agente ela fosse melhor, não?

Anonymous said...

Muito melhor. A voz dela é linda demais e está sendo desperdiçada.

Wallace Michel

Vivian Z. said...

Me identifiquei profundamente com você Alessandra... desde que Maria Rita começou a cantar nos shows de Chico Pinheiro, que venho acompanhando sua carreira.
Amei o primeiro CD; o segundo ficou extremamente prejudicado, devido a morte de Tom Capone, seu mentor. Fica muito claro ao assistir o DVD, que MR está procurando tomar as rédeas da produção de forma desesperada.
Sobre o CD Samba Meu, também tive a sensação de altos e baixos, mas por incrível que pareça, minha faixa preferida é da primeira metade: "Num Corpo Só".
Se você vai ouvir mais uma vez a sua parte preterida, preste atenção nessa... as pessoas no trânsito ficam por entender a minha alegria.
Sobre a performance, no ano passado estive em seu show aqui em São Paulo, e a sensação ao final, é indescritível... não é a mãe, isso é fato, mas canta muito, muito, muito bem ao vivo.
E para finalizar, essa família tão talentosa tem uma pitada a mais, que é César Camargo Mariano, de quem sou grande admiradora, até mais do que de Elis, por incrível que pareça.
Se é sucesso???
Basta dizer que a temporada de 4 shows que fará em São Paulo, começando hoje, já estão com os ingressos esgotados.
Essa família Mariano tem muito ainda para mostrar.
Beijos para vc Alessandra, belo post!

Loro said...

Alessandra,
tive a mesma impressão que vc ao ouvir o disco de sambas da MR. Parabéns a vc e ao Paulo de Traso pelos comentários extremamente pertinentes.

O que anda me irritando muito na mídia por aí é a necessidade de comparação. Sempre tem que nascer uma nova Elis, um novo Senna, um novo Pelé e até um novo Robinho... Que saco!

Abraço,
Alexandre

Alessandra Alves said...

vivian: você tem toda razão! obrigada por chamar minha atenção para essa música, "num corpo só", que é realmente ótima. uma melodia bem trabalhada e uma letra bem construída. é impossível ficar alheia a ela, sem dúvida. deixa os colegas de trânsito rirem. eu canto à beça no carro, tô nem aí...

sobre césar camargo mariano, assunto sério, viu? ainda vou escrever um post sobre ele. é um virtuose, um músico privilegiado que nasceu com um dom e se aperfeiçoou magnificamente. o que vou escrever aqui - e desenvolver qualquer dia, nesse post prometido - é o seguinte: a melhor fase da carreira da elis foi durante a parceria/casamento com o césar. uma dobradinha perfeita. a ponto de eu refletir - será que elis seria o mito que se tornou sem o capítulo césar camargo mariano em sua vida/carreira?

alexandre: matou a pau, colega! também não tenho paciência para essas eleições de novo senna, nova elis etc. e digo já que não autorizo ninguém a se candidatar ao posto de nova alessandra alves!!! hahahaha

Nichole said...

Gosto desses sambas do tipo boteco,talvez porque acabe me embalando no ritmo e esquecendo da letra. Sobre a Maria Rita, não ouvi discos inteiros pra ter uma opinião formada, mas gosto da voz, apesar de achá-la meio enjoadinha no palco. Agora, viver sendo comparada com a mãe, para o bem e para o mal, deve atrapalhar a formação de uma identidade própria.