Thursday, July 02, 2009

Trilegal



Não tive tempo de postar ontem, o que foi uma pena. Deveria ter registrado meu sonho. Contei, de viva voz, para quem pude: para meu filho, minha mãe, professores e colegas da academia, gerente e segurança do banco... "Sonhei que o jogo de hoje vai terminar em 2 x 2."

Jornalistas, se você não sabe, torcem menos para seus próprios times e mais para suas teses. Se, antes do jogo, prevêem uma derrota de sua equipe, são capazes de torcer contra ela, só para ver sua teoria confirmada. Descobri, ontem, que isso não vale para mim em relação ao Corinthians.

Depois de fazer 2 x 0, desejei ardentemente que meu sonho não se realizasse.

Só que eu tinha antecedente... Em julho de 2007, sonhei que Raikkonen seria campeão. Naquele período, com a McLaren bombando no Mundial, ninguém apostaria nisso. E deu no que deu.

Pior é que minha intuição sinalizou mais, assim que começou o jogo. No primeiro ataque do Corinthians, olhei para a meta defendida pelo goleiro Lauro, do Inter, e pensei: "Só entra bola nesse gol, hoje". Estou ficando com medo de mim!!!

Mas estou muito feliz por mais um título neste ano e, mais ainda, pela perspectiva de disputar a Libertadores no ano do centenário do Corinthians.

Pela segunda vez, o Corinthians conquista uma Copa do Brasil em Porto Alegre. Somos três vezes campeões nesse torneio. Sei que não é um tricampeonato genuíno. Bi, tri, tetra, penta só devem ser assim considerados quando são na sequência mas, quem se importa? Somos tri. Conquistamos o tri nos pampas. Trilegal!

Monday, June 29, 2009

E Paul enterrou mais um...


"Thriller" foi o álbum mais vendido da história e eu contribuí para isso.

Em 1982, eu ouvia FM todo o tempo que podia. Chegava da escola, ligava o rádio na Jovem Pan FM e deixava lá enquanto fazia lição ou mesmo enquanto estudava. Foi assim que escutei pela primeira vez "The girl is mine", dueto de Michael Jackson com Paul McCartney. A música é uma espécie de "Teresa da Praia" dos anos 1980, com os dois conquistadores duelando em versos a preferência da moçoila.

Como o disco era de Michael, o diálogo final dá a entender que a garota preferiu o antigo Jackson prodígio. Paul pergunta:

- Michael, nós não vamos brigar por causa disso, não é?

- Paul, eu acho que eu já te disse: eu sou um amante, não um lutador...

Paul vinha de outro dueto arrasa-quarteirão, com Stevie Wonder, com o libelo antirracista "Ebony and Ivory", e naturalmente a dupla com Michael foi outro sucesso dos grandes. Comprei "Thriller" por conta de "The girl is mine", mas gostei bastante de "Billie Jean", também.

Já no ano seguinte, eu me tornei militante assídua do "Programa do Zuza", escrevendo longas cartas em que detonava a música pop do momento - nacional e gringa - e naturalmente sobrou muito sopapo para Michael Jackson.

Quando soube da morte de Michael, tive dois pensamentos em sequência.

Primeiro: depois de sobreviver a John e a George, o danado do Paul vai enterrar mais um parceiro.

Segundo: 50 anos, decadente, mais famoso pelo personagem do que pelas músicas que fazia nos últimos tempos, Michael Jackson ainda assim causou comoção com sua morte. Algum outro artista, surgido nos últimos vinte anos, seria capaz disso?

A mim, não ocorre ninguém.

E a você?

Wednesday, June 24, 2009

E o ser humano?


Na semana passada, quando as equipes associadas à FOTA resolveram dar piti e ameaçaram criar uma categoria paralela à Fórmula 1, um trecho de sua carta-manifesto acendeu as esperanças de alguns ingênuos pelo mundo afora. Dava conta de uma categoria mais acessível, sustentável ou coisa que o valha, com ingressos mais baratos, valores de transmissão menos abusivos.

Parecia que os donos e chefes de equipe tinham descido do iate de Flavio Briatore de mãos dadas, imbuídos do espírito mais humanitário que visitou a Terra desde a passagem de Madre Teresa de Calcutá, prontos para beijar crianças ranhentas e afagar leprosos, cantando "We are the world" em uníssono.

Nesta quarta-feira, a santíssima trindade formada por Bernie Ecclestone, representando a FOM, Max Mosley, pelo lado da FIA, e Luca di Montezemolo, em nome da FOTA, reuniu-se, trançou seus pauzinhos e selou a paz na Fórmula 1. Mosley, pelo jeito, vai pendurar as chuteiras e o chicote em outubro. Sem dar muitos detalhes do que resolveram, só disseram que está tudo bem no ano que vem.

E os preços dos ingressos? E o valor dos direitos de transmissão? E o acesso facilitado a eventos e pilotos? Ninguém sabe, ninguém viu.

Ficou parecendo aquela situação típica de empresa: quando o dinheiro entra fácil, a firma faz programas para valorizar o ser humano, capacitar o ser humano, motivar o ser humano. Daí, vem a crise, e a empresa manda um monte de ser humano embora.

Monday, June 22, 2009

Boa, Bia


Antes tarde do que nunca, fica aqui meu registro e minha homenagem a Bia Figueiredo, que venceu a prova da Indy Lights em Iowa, na noite de sábado.

Bia é simpática, não tem afetação nenhuma e, muito provavelmente, é a melhor pilota que o Brasil já teve.

E, vendo esta foto, meu lado feminista se assanha todo: é bom ver uma mulher vencendo, superando homens de igual para igual.

Boa, Bia. Excelente, Bia!

Sunday, June 21, 2009

Só Bernie salva

Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull, sentenciou: só Bernie salva. Bernie Ecclestone resolve o problema, na minha opinião, porque Bernie é a origem do problema.

Por que o teto orçamentário foi o pomo da discórdia entre FIA e Fota?

Com a F1, Bernie (que na verdade não é mais Bernie, mas a empresa CVC, um fundo de investimento que tem um monte de empresas, entre elas, a F1), ganha cerca de 600 milhões/ano. Pelo acordo que tem com as equipes, metade desse dinheiro é de Bernie (ou da CVC, whatever). A outra metade, divide entre as equipes.

O teto imposto é mais ou menos o que Bernie paga às equipes hoje. Se as equipes não puderem gastar mais, não têm por que exigir que ele pague mais. O teto só significa redução de custos da categoria no discurso. No fundo, ele é uma argumentação para não aumentar a fatia das equipes no bolo.

Se as equipes forem embora, o que ficará com Bernie? O nome F1, as pistas, os contratos com a TV. Com isso se faz uma categoria?

Por seu lado, as equipes da Fota conseguirão montar um campeonato em pouco mais de oito meses, partindo do zero, negociando com organizadores de corridas, emissoras de TV e rádio etc.?

Bernie pode resolver o problema se aceitar repassar mais dinheiro para as equipes. Vão-se os anéis, ficam os dedos. Ele perde parte do seu lucro, mas mantém a Fórmula.

Neste sábado, Bernie falou sobre a briga dizendo que, se mantiverem compromisso de ficar por pelo menos cinco anos, as equipes recebem em troca o fim do teto. Ele não quer ser surpreendido com o que aconteceu com a Honda no final do ano. Ele admite abrir mão de seus lucros, desde que os times confirmem que vão continuar na disputa no médio prazo.

É o que eu penso dessa história.

Thursday, June 11, 2009

Leal


Nilmar bateu fraquinho (aliás, como batem fraco esses titulares da seleção de ontem...). A bola foi chegando. Robinho, também.

Robinho poderia ter empurrado a bola para o gol, mas viu que ela seguiria seu destino sozinha. Tirou o corpo fora, para garantir que o gol fosse do companheiro.

Tá certo, Robinho. Com essa, você quase me fez esquecer daquela pedalada diante do nosso lateral direito em 2002. Quase, não. Esqueci. Pronto. Obrigada.

(a foto é de Reinaldo Marques, do Terra)

Tuesday, June 09, 2009

Dúvidas



Leio a seguinte frase no noticiário do portal Terra:

"Na terceira colocação do grid, Barrichello teve problemas com uma falha de embreagem no carro que acionou erradamente o anti-stall (equipamento que coloca o câmbio em ponto morto para evitar que o motor desligue) e caiu para a 13ª colocação."

Dúvida: não foi isso que Lewis Hamilton fez no GP do Brasil de 2007, erro que lhe custou o título daquela temporada?

Outra dúvida: será que a embreagem fez isso por conta própria, ou teria sido erro do piloto?

(a foto é da AFP)