Thursday, July 23, 2009

Adultescentes


Neste sábado, dia 25 de julho, Nelson Angelo Piquet completa 24 anos. No dia seguinte, disputa o GP da Hungria. Ao que parece, corre com a espada sobre a cabeça. Se tiver outro desempenho medíocre, como foi a maioria de seus desempenhos na Fórmula 1 até hoje, pode (ou deve) perder a vaga, provavelmente para o piloto francês Romain Grosjean.

Leio no Tazio que, chegando a Budapeste, hoje, Nelsinho deu a seguinte declaração:

"Queria eu saber [se continuarei]. Estou aqui para andar e meu pai está aqui para resolver os pepinos. Então, se eu soubesse, estaria ótimo. Sei lá", disse.

Estive rapidamente com Nelson Angelo no ano passado, em um evento da Renault. Pareceu-me, sobretudo, um rapaz tímido, mas atendeu meu filho com simpatia e educação, posou para fotos, autografou bonés.

Neste ano, em que a Renault faz muito quando não anda para trás, Nelsinho está fazendo menos ainda. Dá seguidas mostras de displicência, parece mais interessado em se comunicar com os amigos via Twitter e a própria resposta acima corrobora essa linha "tô nem aí".

24 anos...

Alguns dirão que o comportamento do jovem Piquet é fruto da imaturidade, mas não acho que um homem de 24 anos ainda deva se pendurar no pai. O pai, aliás, teve uma trajetória completamente diferente, sujeitando-se a condições bem menos confortáveis que as do filho em seus primeiros anos na Europa. Há algum tempo, Nelsinho relatou as agruras de viver sozinho no Velho Continente, queixando-se, por exemplo, de viver sem ter uma empregada por perto. Chega a ser ofensivo, para a maioria das pessoas deste planeta, escutar uma reclamação como essa.

Mas, afinal, Nelsinho não reflete um comportamento cada vez mais comum entre os adultos jovens das classes médias e entre os mais abastados? Quantos de nós não convivemos com jovens de 20 e poucos anos, alguns já passados dos 30, que continuam vivendo na casa dos pais, locupletando-se de empregadas e mesadas mesmo quando já dispõem de uma profissão?

Fico meio passada quando vejo adultos bem formados que ainda dependem do pai ou da mãe para pagar suas contas ou para ter uma peça de roupa limpa para vestir. Mas, afinal, de quem é a culpa? Dos adultescentes folgados, que deixam todos os pepinos nas mãos dos pais, como faz Nelsinho com Nelsão, ou dos próprios pais, que reforçam com tal comportamento sua vocação para continuar dirigindo a vida dos filhos?

10 comments:

Ron Groo said...

Não que eu ache normal, mas tem sido cada vez mais frequente ouvir este tipo de declaração de jovens que pegaram tudo pronto.

Os pais ralam, se matam e constroem um patrimonio, um nome, uma empresa e ao herdeiro cabe apenas tocar a frente.

Ou como em alguns casos, dar cabo.

Daí a displicencia e a postura "não to nem ai". Tivesse ele que ralar como o velho ralou e não teria chegado a F1.

Nelson Angelo tem lá seu talento, muito provavelmente não é para a F1,mas para outro campo qualquer do automobilismo.

Daniel said...

cada um tem o seu momento certo

Ron Groo said...

Posso te pedir pra dar uma olhadinha em um post sobre o Abbey Road que eu cometi em meu blog?
Brigado!

Alexandre Carvalho said...

Morar com os pais depois de formados, beirando os 30 anos, eu nem acho que seja algo tão grave, caso os rebentos também arquem com as despesas da casa. O Pizzonia, por exemplo, teria mil motivos para morar onde quisesse, mas vive lá em Manaus, com os pais.

Alexandre Carvalho said...

Morar com os pais depois de formados, beirando os 30 anos, eu nem acho que seja algo tão grave, caso os rebentos também arquem com as despesas da casa. O Pizzonia, por exemplo, teria mil motivos para morar onde quisesse, mas vive lá em Manaus, com os pais.

Marcus Mayer said...

Olá, Alessandra!

Concordaria plenamente com você, não fosse a condição de Nelsinho, filho de um campeão da categoria. Não poderia ter um empresário ou defensor de seus interesses melhor que Nelson Piquet.

Quanto às questões pessoais e sua condição de "adultescente", deixo para os psicologos ou especialistas em comportamento humano realizarem a análise. Mas não lhe tiro a razão em nada. As suas observações são corretas.

Estive afastado durante algumas semanas, não por falta de interesse, mas falta de tempo mesmo. Tornarei a visitar seu blog com maior frequencia.

Abraços.

silvio said...

Eu acho q. independente de ser famoso ou não, ter dinheiro ou não, está nascendo uma geração que não está preocupada em amadurecer...É muito mais fácil e prático. Mas e quando faltarem os pais? como eles vão se virar?

LeandroSpectreman said...

Acho que vc anda conversando muito com o Fábio Seixas... amanhã, vai ser aquele festival de coisas bobas sobre coisas bobas e comentários "simpáticos" sobre Rubinho e Nelsinho. Por isso já larguei de mão as transmissões da BandNews.

Fernando C. said...

Quanto a morar com os pais depois dos 30, desde que contribuem com as despesas da casa, não vejo problemas. Moro sozinho a 8 anos, desde da faculdade e me viro bem sem empregada ou luxos como o do Nelsinho.
Mas percebo que os pais hoje, fazem questão de manter os filhos debaixo da asa. Mesmo os que querem viver a sua vida, precisam saber administrar a interferência nem sempre construtiva na nossa vida.
Mas concordo que viver encostado em alguem é bem mais comodo, mas nada interessante quando se tem pretenções de ser alguem na vida!
Abraços

Sailex said...

O tema é interessante, mas temos que tomar cuidado com as generalizações. É um pouco complicado sabe o que passa na cabeça de um filho de milionário, ou seja, um milionarinho. Só para apimentar a discussão, já ouvi de um psicanalista que quando tudo dá certo o filho vai embora...quando fica há problema. Não dá para pensar em culpados. No caso do adultecente, como deveriam agir os pais? Botar o filho prá fora?