Thursday, November 01, 2007

Alma de borracha (ou A perda da inocência)

Muito se falou neste ano sobre o 40º aniversário do álbum Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, talvez o disco mais revolucionário da história, e tido por muitos como o melhor dos Beatles. Pode ser, mas para mim, não é. Adoro Sgt. Pepper´s, como tudo que eles fizeram, mas meu disco preferido dos Beatles é Rubber Soul, Alma de Borracha na tradução literal.

Esse disco pré-psicodélico acabou se tornando um marco da carreira do grupo. Lançado no finalzinho de 1965, Rubber Soul é o primeiro disco "adulto" do quarteto. No mesmo ano, eles haviam lançado Help, que na prática são dois discos diferentes, com o lado A composto pela trilha sonora do filme Help e o lado B por composições independentes.

Help era calcado na beatlemania, aproveitou toda a onda histérica em torno dos rapazes, lançou a música mais gravada da história - Yesterday, a rigor uma composição só de Paul creditada a Lennon & McCartney - mas já continha alguns sinais de amadurecimento. Um deles é a própria música Help, composta principalmente por John e assumida como um pedido real de socorro, uma manifestação existencialista de um Lennon algo incomodado e angustiado com a vida de pop star.

Depois de Help, os Beatles passaram a mandar e desmandar na própria carreira. Rubber Soul é o primeiro sintoma dessa independência. A capa tem uma foto meio deformada, com o nome do LP surgindo em letras quase lisérgicas, e a fisionomia dos rapazes bastante séria. Nada do terninho e das gravatas finas bem comportadas, nada de sorrisos encantadores. Na contracapa, duas fotos de cada um, nenhuma delas serviria de capa da Caras. Paul solta uma baforada de cigarro, George usa um chapéu de cowboy, John olha fixo para a câmera, com ar meio perdido, Ringo apóia a cabeça com uma das mãos, em pose filosófica.



Mas não foi no visual a mudança imposta por Rubber Soul. É o primeiro disco dos Beatles a trazer apenas composições próprias, reafirmando a identidade do grupo. Também é nesse disco que os Beatles começam a usar instrumentos exóticos, como a cítara, que George começa a colocar suas manguinhas de místico de fora, além de introduzir com maior regularidade o pedal de distorção e eco em seus solos de guitarra.

O disco abre com Drive my Car - e juro que não é meu amor pelas corridas que determina a preferência por Rubber Soul. Cantada por John e Paul, a música na verdade é de Paul, e não difere muito do estilo já consagrado do grupo.

O ar começa a ficar mais denso na segunda faixa, Norwegian Wood (This bird has flown), de John, com poucos pitacos de Paul. Aqui, além de aparecer a cítara, a letra perde a inocência dos primeiros anos. A canção revela sutilmente uma noite de amor entre o poeta e uma moça bem prafrentex. Em dado momento, ele reaviva o diálogo entre os dois: "We talked until two, and then she said `It's time for bad'" (ou seja, "Conversamos até as duas, então ela disse `É hora de ir pra cama'".

Outro destaque do disco é Nowhere man, outra de John, revelando mais uma vez o lado existencialista do compositor. Diz a lenda que a música paradoxalmente nasceu de um bloqueio de inspiração. E, de repente, precisando urgentemente preparar material para o disco, John apenas se imaginou como esse "Homem de lugar nenhum" e que a música teria saído inteirinha, de uma só vez. O vocal em três vozes com John, Paul e George é característico da canção, que inclusive começa com o canto à capela.

A música seguinte, Think for yourself, é uma pequena revolução de George. Além de introduzir o tema da espiritualidade que lhe seria característico daí para a frente, a canção contém uma novidade que logo passou a ser copiada por músicos do mundo todo - a guitarra distorcida com o baixo.

Também é desse disco a balada Michelle, outra famosíssima de Paul, e com um histórico solo de guitarra de George. John veio colocar mais lenha na fogueira com a aparentemente romântica Girl. Música lançada em versão por aqui como Meu bem, na voz de Ronnie Von, Girl continha pitadas de contestação, ao lidar com temas afeitos à religião, como a busca da felicidade por meio do sofrimento. Pesado, hein? O que aconteceu com esses meninos?

O disco ainda tem a nostálgica In my life, letra de John. A melodia, dizia John, também era dele. Já Paul afirmava que tinha dado alguns toques. O piano do meio da música é tocado por George Martin. A única música cantada por Ringo no disco é What goes on, uma composição abandonada pela dupla Lennon & McCartney. Paul e Ringo deram um tapa na canção e assim a música se tornou a única da obra do grupo creditada a Lennon, McCartney e Starkey (o sobrenome verdadeiro de Ringo).

No ano seguinte, os Beatles gravaram Revolver, o precursor de Sgt. Pepper's, já com os dois pés na psicodelia, e produzindo jóias como Eleanor Rigby, Here, There and Everywhere, For no one, I'm only sleeping.

Mas Rubber Soul, talvez pela mudança de atitude, por ensaiar o amadurecimento dos Beatles, por deflagar uma rebeldia muito além dos cabelos compridos (o mundo veria o que eram cabelos longos nos anos seguintes, isso sim...) é meu álbum preferido dos Fab4.

E o seu, qual é?

43 comments:

Ron Groo said...

Confesso que nunca ouvi na integra o Rubber Soul, nas musicas que ouvi tive impressão diferente...
Os caras pareciam cansados... John parecia o mais cansado de todos. E se em Help ele pedia ajuda, em In My Life ele está nostálgico ao extremo.
Norwegian Wood (This bird has flown) segundo o próprio Lennon saiu confusa. Ele queria contar deste caso que você relatou sem que Cinthia Lennon soubesse. Sinceramente acho que ele não conseguiu não.
O Drive my car é uma das ultimas tentativas de rock direto feita por eles antes de voltarem a tentar ser uma banda de rock no White Album. Se lembrar bem, tanto no Sgt.Peppers quanto no Magical Mystery, nada é simplesmente rock. Tudo é meio antropofágico no sentido que a tropicalia deu a palavra, mistura tendências e idéias. Impossibilitando as canções de serem interpretadas ao vivo.
Isto fez a cabeça de milhões de fãs pelo mundo, mas deixou o próprio grupo um tanto frustrado. Paul gritaria no melhor estilo rythmn and blues no White Album... "Why don't we do it in the road? No one will be whachting us..."
Bem, mas como até o lado b de Yellow submarine é considerado genial pelos betlemaniacos que dirá deste Rubber Soul. Que olha, não bastasse ser o grande disco que é... Ainda inspirou o Flavio Venturini a gravar o Alma de Borracha.... É pouco isto?
Maravilhoso Alessandra...
Ps. Alonso cantou "Trocando em Miudos" do Chico para Ron Dennis...

Alessandra Alves said...

ron: sempre me fascinou a capacidade da obra de arte de se perpetuar e, eventualmente, se transformar. rubber soul fez tanto sucesso quanto os álbuns anteriores, só no primeiro mês a partir do lançamento, michelle já tinha vinte regravações! no entanto, os beatles não pareceram exatamente realizados com o disco. passam-se os anos e, já da década de 90, eis que paul começa a abrir seus shows com... drive my car! ou seja, depois de algumas décadas, é possível que eles tenham olhado para rubber soul e pensado - é, não ficou tão ruim assim...

um reparo: quem gravou um disco chamado alma de borracha foi outro mineiro, o beto guedes, que é beatlemaníaco até debaixo dágua.

sobre alonso e mclaren, vc não achou estranho esse divórcio ser assim, tão fácil? com uma multa pesada por trás, será quer fernandito não sentou do outro lado da mesa e disse - e aí, tio ron (dennis, não groo)? vai me deixar ir embora ou quer que eu conte mais?

Alessandra Alves said...

mas, ron, você não me disse qual é seu disco dos beatles preferido...

Herik said...

Falou-se aqui sobre um sentimento de realização dos Beatles. Sinceramente, sempre senti neles uma certa incompletude. Não de capacidade, mas sim que eles nunca conseguiram fazer tudo o que gostariam. Sempre transitavam entre a revolta, a busca de agradar o público, o tédio... Nunca foram lineares na carreira e talvez por isso tenham sido tão geniais na busca pelo o seu melhor.
Talvez tenha sido no White Album onde fica mais clara essa busca em tantas inspirações, tanta pluralidade. Vocais "rasgados" como de Revolution e Helter Skelter convivem bem com músicas como Blackbird e Julia.
Adoro Rubber Soul e Revolver, mas o White Album é simplesmente genial. O melhor que eles conseguiram produzir antes que o sonho acabasse. Pelo menos, o sonho deles.

Marcus said...

É difícil pra mim falar em disco preferido dos Beatles... eu gosto de todos.

Mas, se eu fosse torturado para dar uma resposta (hehehe), citaria o Abbey Road, que é um disco do qual eu gosto de absolutamente todas as músicas, e que ficou bacana com a divisão bem nítida entre os lados A e B.

Ron Groo said...

Mil perdões... Eu troquei alho com bugalhos e Venturinis por Guedes... E não vale aquela desculpa que mineiro é tudo igual. Esta só vale pro queijos (rsrsr).
Meu album predileto dos Fab four é sem duvida o The Beatles (Album Branco), por que? Simples, é um album dos Beatles em que não se soa exatamente como Beatles. É como se fosse Paul e uma banda, John e uma banda. George e uma banda. Ringo e as bandas que os outros usaram. Lá acredito que George colocou seu solo mais memorável "While my guitar..." John soutou seus grilos (velha esta né?) em "Julia"; Paul mostrou que era verde também em "Mother Nature Son", derrubou meu queirxo com a simplicidade de "Blackbird", Ringo foi sempre Ringo, conheci minha atual mulher pelo Messenger do Yahoo, e ela se enfureceu quando viu que minha mensagem pessoal era 'toco melhor que o Ringo, grande coisa!' E por um motivo quase surreal... Eles inspiraram Genival Lacerda a compor com duplo sentido com uma pérola digna do forrozeiro: Em "Happines is a warm gun" John canta "When I hold you in my arms
And I feel my finger on your trigger
I know no one can do me no harm.."
Sensacional....
Desculpe eu ficar me estendendo viu... Tem assuntos que não da pra ser curtinho...

Anonymous said...

Gosto de ouvir os Beatles ,mas escolher o melhor disco francamente não conheço todos .
A melhor resposta seria bem ao estilo do atual campeão da F1:
-Eu não sei!

Jonny'O

Anonymous said...

Esqueci de dizer que minha musica preferida dos Beatles é "Help!",adoro a melodia ,embala qualquer um!

Jonny'O

valéria mello said...

Não conheço os discos dos Beatles, apenas as músicas mais famosas. E a que está me encantando ultimamente está justamente neste disco que você comentou: In my life entrou recentemente para a minha lista de músicas favoritas de todos os tempos.

Marcio Gaspar said...

ter que escolher o disco 'preferido' dos beatles é como ter que dizer qual é o seu filho favorito... simplesmente impossível! mas coloco em um mesmo patamar de excelência: rubber soul, revolver, sargent pepper's, white album, abbey road e até o esquisito, tenso e desprezado let it be. todos eles têm a marca da genialidade e da inovação. e os caras eram tão bons que uma das melhores músicas (pra mim) dos beatles não está em nenhum desses discos e sim, no magical mystery tour: I AM THE WALRUS, espetacular letra, melodia e vocal de john lennon.

Paulo de Tarso said...

Achei que era o único. Já vi que estou bem acompanhado, embora sejamos minoria, né Alessandra.
O Rubber Soul é um disco que vivo ouvindo, da primeira à última faixa, na mesma seqüência.
Cada vez que ouço é como se fosse a primeira. Conheço cada acorde, cada entrada e cada riff de guitarra, sei de cor os solos do órgão Hammond... Mas ainda assim é como se fosse a primeira vez.
Acho que amor deve ser isso: conhecer tão bem o outro - há tanto tempo - e a cada beijo, parecer ser a primeira vez.

aalves77@gmail.com said...

herik: e tudo isso em menos de oito anos de registros fonográficos! eram gênios ou o quê?

marcus: juro que não vou torturar ninguém, e confesso a mesma dificuldade para escolher um dos discos deles como o melhor. abbey road e let it be carregam, para mim, uma aura de melancolia - talvez, por sabê-los perto do fim - um tanto difícil de digerir...

ron: estenda-se à vontade! adorei sua definição para o álbum branco! cada um fazendo ali um disco, com uma coloração diferente. genial! é isso mesmo. talvez ali eles tenham sentido que já caminhavam por estradas muito próprias. e ringo, come on... era ele ou qualquer outro ali! sou muito mais o dinho leme!

jonny´o: puxa, pensei que você fosse escolher alguma do george, já que ele gostava tanto de corrida...

valéria: in my life é daquelas músicas que parecem a trilha sonora da vida da gente, né?

marcio: esse problema - de escolher o filho preferido - eu não tenho, pois tenho um só! aliás, descobri no seu blog que temos isso em comum - um filho gabriel. aliás, lindo seu moleque! sobre let it be, engraçado. sempre me soou melancólico, mas sempre tive a consciência de transferir para o álbum o estigma de ser o último. há alguns meses, dei de presente a versão "naked" para um amigo. ele vidrou tanto no disco que me dediquei a ouvi-lo com mais atenção. não é que me encantei, também? não que a versão "naked" seja especialmente melhor. senti muito a falta da orquestra em "the long and winding road", acho que paul não tinha nenhuma razão em reclamar do george martin, mas gostei de ouvir novamente o álbum inteiro, localizando nele influências muito marcantes de soul music, de country, uma salada musical saborosa.

paulo: puxa, somos gêmeos! não mencionei isso, mas além de adorar rubber soul, também gosto de ouvi-lo assim, de cabo a rabo. aprendi todas as letras de tanto ouvir - devo até cantar alguma coisa errada, porque nunca me dei ao trabalho de ler as letras transcritas. linda sua comparação entre o eterno redescobrir do álbum e aquela coisa tão bem descrita na faixa the word (the word is love!).

agora, amigos, uma observação que me faz cócegas e quero reparti-la com vocês, apesar de o quórum não ser ainda tão grande.

estamos, eu e o paulo, sozinhos na preferência por rubber soul. o álbum branco vem à frente, com menções para todos os álbuns posteriores a rubber soul. eu imaginava que isso iria acontecer. por que será que é muito raro alguém citar algum dos primeiros discos dos beatles como favorito? será que não gostamos de please, please me, de with the beatles, de a hard day´s night?

Mauro Chazanas said...

Alessandra, ainda dá tempo de votar? Sgt.Pepper's. Da primeira vez que ouvi me cativou e não entendo nada de música - já não entendia na época, veja que preococe eu era - portanto sem saber o porquê daquela magia. Continuo sem entender. Talvez uma das razões é que sinto que vão construindo um monumento, tipo aquelas pedras de Stonehenge ou uma Catedral e a Torre, o ápice, a cereja do bolo, é "A Day in The Life", resumo e supra-sumo de tudo que fizeram antes e fariam depois. Umas das minhas cinco de todos os tempos de todas as músicas de todos os gêneros, "A Day in The Life". Beijo.

Mauro Chazanas said...

Oi, Alessandra, eu again. É pra lembrar: de novo comentário meu pega o número 13. Adoro pegar este número. Gosto de 13, pra tudo. Pra comentário, pra loteria, pra política, pra tudo. 7 e 13. No mais, boa sorte pro teu timão, ôps, estás aposentada, boa sorte pro teu ex-timão. Esqauenta não, parafraseando a canção do comentário anterior, esta temporada nos infernos que o timçao vai passar vai se só "A Year In The Life". Sem contar que será inusitado e insólito termos no ano que vem mais jogos da segundona pela TV do que da primeira. E o famoso locutor abrindo assim as transmissões: "Bem, amigos rebaixados da Rede Globo". hahahaha. De nossa parte, aqui do lado de cima da montanha, vos miramos e dizemos - vai como dica musical - com Gal Costa: "Quantas tardes não jogo, a rolar-me no campo (...) Volta, vem viver outra vez ao nosso lado,não conseguimos existir sem adversário e de todos és o mais prezado, Volta...", mais beijos, inté.

Paulo de Tarso said...

Ale
Na resposta para o Márcio, você cita o Naked. E em dado momento diz: "senti muito a falta da orquestra em "the long and winding road", acho que paul não tinha nenhuma razão em reclamar do george martin, mas gostei de ouvir novamente o álbum inteiro" . Não sei se o Paul reclamou do George Martin, porque eles estavam todos separados, na época do lançamento do Let It be e não se falando mais. Ou apenas brigando por telefone e por cartas. Mas a verdade é que os arranjos de cordas e coros de "The Long and Winding Road", foram acrescentados - à revelia de Paul e Martin - por outro produtor, Phil Spector, que foi encarregado de produzir a versão final do disco. Isso foi inclusive motivo de atrito de George Martin com a EMI; ele queria seus créditos pela produção do material original. A EMI alegou que ele não tinha produzido o resultado final.
Se Paul, na época, reclamou de G. Martin, com certeza isso foi por pouco tempo, pois o produtor também não gostou do resultado final, produzido por Spector.
Acho que o Naked é uma espécie de resgate, de uma questão que ficou "entalada" na garganta deles.
Quanto à sua pergunta sobre a razão de ninguém citar como favorito nenhum álbum anterior a Rubber Soul, penso que adoramos as canções "bobinhas" dos primeiros álbuns. Mas adoramos, como gostamos de alguma coisa que fizemos na primeira infância. É nossa história. Gostamos daquilo. Mas achamos bobinho, mesmo.
Penso que a magia é que fomos amadurecendo junto com os Beatles. Estávamos crescendo (em todos os sentidos) e eles também. Conforme íamos ficando adultos, eles iam fazendo uma música para adultos. A cada álbum, ficávamos absolutamente encantados, porque as canções que apareciam, os arranjos, as experimentações, eram a mesma coisa que estávamos fazendo em nossas "almas de borracha", ainda moldáveis, ainda se deformando nos solavancos das transformações pelas quais passávamos; juntos nós e "eles".

Pedro Araújo said...

O Paulo de Tarso lembrou bem, quem produziu o Let It Be foi o Phil Spector, uma enorme influência para os Beatles em início de carreira, por sinal. Gosto muito das coisas que ele produziu no início dos ´60 - quem conhece Ronettes sabe bem do que eu falo - mas aí veio a invasão inglesa, e o som que ele produzia, com aquelas orquestrações legais, um monte de gente tocando ao mesmo tempo nos takes das músicas, três pianos, duas baterias, dois baixo, deixou de vender tanto. O Spector depois produziu pelo menos um disco do Lennon, acho que o nome é Rock an Roll, aquele de covers.


Pois é, na época do Let It Be o povo tava brigado, niguém queria nem saber de olhar pra aquelas fitas, aí o Lennon mandou os tapes do Let It Be pro Spector adicionar aquelas coisas de parede sonora que ele sempre fez. Se não me engano, eles gravaram o Abbey Road depois do Let It Be, certo? Foi tipo "tá bom, vamos fazer um álbum um pouco mais coeso antes de fechar o bar em definitivo..."

Mas eu discordo da turma aqui. Meu disco predileto é o Revolver.

E minha música de single preferida é Rain, que saiu num sigle de algumas músicas do Rubber Soul.

E não acho tampouco que os discos anteriores ao Rubber Soul sejam bobinhos. Putz, são uns discos muito bons também, bem tocados, bem gravados, com covers excelentes, especialmente o With The Beatles. É divertido rastrear os compositores ou as bandas que eles gravavam, é todo mundo muito bom de serviço, ótimas músicas também em suas versões em original. Música Pop em quantidade e qualidade que não dá pra se achar hoje em dia. Não nas rádios ou nos meios tradicionais.

rafael duarte said...

Mandou bem na coluna de novo. :o)

O meu favorito e o 1962-1966, tambem conhecido como "Red Album". Mas nao foi por nenhuma musica em especial. Foi com esse album que eu comecei a gostar de Musica (com M maiusculo mesmo). Foi quando eu deixei os albuns do Fofao e Topo Gigio de lado e comecei a fucar nos LP's da minha mae que, com a veia musical fortissima (pianista, alem de tocar violao e outras cositas mas), tinha muita coisa boa em casa.
Epoca em que eu comecei a gravar as minhas "fitas". Ouvido atento as mudancas de faixa pra soltar o botao do REC na hora certa.

La por 1986/7. Hoje em dia ninguem mais grava fita :o(

Paulo de Tarso said...

Em tempo, Alê.
Acabo de voltar da casa de uns amigos que têm um filho de 12 anos. O menino está aprendendo teclado, bateria e violão. Tem talento musical, ouvido, noção perfeita de divisão, enfim, deve dar coisa boa.
Mas, o que eu queria contar é o seguinte: o moleque é beatlemaníaco total. E não por influência de ninguém; ele mesmo ficou conhecendo a música dos fab four, em um festival que assistiu no interior do estado. Aquilo bateu direto no chacra cardíaco do garoto, assim como aconteceu comigo, quando eu tinha 12 anos também. Ficou vidrado. Quando soube que eu gostava e tocava Beatles, me chamou e começou a mostrar tudo o que sabia; aí me levou pro computador dele e começou a mostrar tudo o que tinha visto de vídeos de Beatles no You Tube, várias versões domésticas ou de shows de muitas músicas.
Gente: o carinha tem 12 anos!!!
Essa música é mágica ou não?

Groo said...

Oi, desculpa eu voltar.... Mas, caro Paulo, o fato de não serem tão citados os discos anteriores ao Rubber soul, é por que se fossemos levar os Beatles à sério só pela fase em que faziam apenas rock´n´roll direto, hoje estariamos falando aqui sobre os Fab five, Mick, Keith, Ron, Charlie Watts e Bill Wyman, e eventualmente de Brian Jones... Os Beatles no estúdio eram perfeitos, mas ao vivo, juntos eram apenas medianos... Ainda assim adoraveis.
Desculpa voltar e meter o bedelho aqui Alessandra. Mas não Resisti.

Alessandra Alves said...

mauro: é, rapaz, o sgt. pepper´s mudou a vida de muita gente. eu, que escuto muito mutantes, não canso de pescar aqui e ali, na obra do grupo brasileiro, influências diversas saídas daquele álbum. neste ano, uma edição da revista bizz entrevistou várias personalidades brasileiras sobre o impacto de sgt. pepper´s em suas vidas. e o sergio dias, dos mutantes, disse que o disco impactou até a mãe dele, que era concertista, citando especificamente a day in the life. aliás, um dia vou escrever sobre a relação direta dessa (e de outra) música dos beatles sobre os mutantes.

sobre o timão, te garanto: a aposentadoria foi a melhor coisa que me aconteceu! não sofro mais, e não me tornei aqueles aposentados do parque antarctica, conhecidos como "a turma do amendoim". estou zen, resignada com a queda provável, achando que tanta coisa na vida mais importante que o corinthians...

paulo: obrigadíssima pelo esclarecimento. de fato, eu não sabia e fiz confusão. penso exatamente como você sobre os primeiros discos dos beatles. adoráveis, mas ingênuos e talvez até "normais".

uma coisa que me chamou muito a atenção foi quando a rita lee resolveu gravar um disco cover dos beatles e escolheu a maioria das músicas dessa fase, da primeira parte da carreira dele. "puxa, ela pegou as músicas mais fraquinhas", lembro de ter pensado. depois, refleti e percebi que ela escolheu as músicas "de fã", do tempo em que ela gostava dos beatles como fã, não como artista da música. porque ela e os irmãos dias baptista se tornaram os mutantes muito por influência dos beatles, e já estavam fazendo sucesso quando a obra mais madura dos beatles chegou. ela quis fazer um disco de fã e por isso remeteu a essa primeira fase, talvez por um aspecto afetivo.

pedro: agradeço também pelos esclarecimentos. o naked talvez tenha sido esse resgate para mim também. o dvd com o "making off" do disco é bem revelador desse clima de fim de feira do grupo. tem até uma discussão do paul com o george, o paul sempre como chefinho do grupo (atenção: eu adoro o paul, mas que ele era chefinho, isso era!).

rafael: putz, eu também era vidrada em gravar fitas. gravava do rádio, ficava esperando os hit parades do fim do dia para gravar os lançamentos que me interessavam, e gravava também seleções a partir dos meus lps, fitas temáticas, uma festa. hoje, ninguém mais faz isso, mas de certa forma reeditou-se a "customização" com o advento dos downloads. só que uma coisa bem mais solitária isso de puxar da net para ouvir no ipod, né?

olha que bom debate!

mas, rafa, estou sentindo falta das atualizações direto da espanha! o que se especula sobre o futuro de Dom Fernando I?

paulo: meu filho de sete anos, e seu colega da mesma idade, adoram beatles. ainda não tocam, mas cantarolam coisas como "lucy in the sky with diamonds" pelos corredores da escola... o pai desse garoto tem uma banda, toca cover dos beatles e na minha casa, bem, confesso, tenho um quadro feito com a capa do sgt. pepper´s, além de um quadro dos beatles no escritório, um ímã de geladeira... enfim, os meninos receberam isso em casa, mas também ouviram outras coisas e nem por isso vidraram. lembro de um ex-colega que tinha filhos gêmeos e, aos dois (dois!) anos, um deles certa vez pediu - papai, põe bítous!

isso, para mim, é a prova de que beatles são clássicos, permanecerão no tempo e na história como bach ou beethoven. eles talvez sejam o maior clássico do século 20.

groo: volte sempre, não se justifique. a porta aqui está sempre aberta! mas você puxou uma discussão pra mais de metro, hein? será mesmo que os beatles só se tornaram clássicos após a segunda metade da carreira? seriam "comuns" só com os primeiros discos? sinceramente, preciso pensar mais a respeito. e vocês, o que acham?

Marcio Gaspar said...

só um registro: é absolutamente fundamental - para quem conhece TUDO de beatles e tb para quem ainda não conhece - assistir aos 5 dvds que compõem a espetacular caixa 'beatles Anthology', lançada há uns 8 ou 10 anos, eu acho. Há entrevistas reveladoras de paul, georges (harrison e martin) e ringo, cenas inéditas e sensacionais e um papo (seguido de jam session!) entre paul, george e ringo nos anos 90!! adoro especialmente a historinha que o george conta, dos encontros deles com o elvis.

rafael duarte said...

Oi Alessandra

Pensei que nao era mais pra falar de F1! hahaha...

Bom, nessa fase especulativa, qualquer um escreve qualquer coisa, como pudemos ler hoje sobre Ron Dennis querer Schumacher para 2008 (!!!). Mas te passo o resultado parcial de uma enquete do website do Marca, perguntando aonde os torcedores gostariam de ver Alonso em 2008. Os resultados sao os seguintes:

Renault - 52.23%
Toyota - 23.61%
Williams - 13.2%
Red Bull - 10.96%

Total de votos: 98.750

Pelos resultados, dá Renault no primeiro turno...rs
Mas serio, os espanhois dao como mais sensata a ida de Alonso para Renault mesmo. Vamos ver como isso se desenrola, ainda mais agora que o Briatore colocou prazo ate amanha para a assinatura do mesmo..

Abraco!

Herik said...

Penso diferente do Groo. Tudo bem que é verdade que os registros ao vivo dos Beatles são muito fracos, parte por causa da questão técnica dos equipamentos, parte pelos gritos ensurdecedores das fãs. Tanto que após um show nos EUA os caras chutaram o balde, até porque sequer ouviam o que tocavam. Por isso é difícil mensurar o quanto os caras eram bons ao vivo.
A primeira fase dos Beatles, penso eu, fica mais condicionada às vontades da indústria fonográfica. Muito "covers" e músicas "ie ie ie" eram suficientes para agradar as massas. Quando os Beatles conseguiram o status de estrelas perceberam que poderia fazer o que quiser com a sua música. Isso é muito comum com bandas. Mas eles foram diferentes ao transgredirem não somente a sua música, mas o próprio conceito de música. E partiram para a experimentação, para a vanguarda. Fizeram músicas tão complexas que eram simplesmente impossíveis de serem tocadas ao vivo. Como poderiam tocar as músicas de Sgt. Peppers com os equipamentos da época? E Let it be e suas orquestras? Era muito para a época.
Penso que por isso há uma preferência pela "segunda fase" dos Beatles. Rompeu-se com o sentimento de ouvirmos um certo "mais do mesmo" para algo absolutamente novo. Algo como encontrar a sereia do mito e levá-la para tomar uma cerveja. Acho que delirei... ;-). Os caras foram tão geniais que anteciparam o que hoje se faz com a música: mistura de influências e conceitos de forma muito clara para construir algo realmente novo. E quem faz isso hoje em dia enche a boca para falar como se estivessem reinventando a roda. Por isso que músicos com Tom Zé, Mutantes, Beatles são geniais.
Rolling Stones... ótimos... mas apenas aprimoraram e deram uma cara inglesa à música dos negros dos EUA.
Benzo Deus! Êta assunto que rende e apaixona.

Saco de Gatos said...

Eu tenho dois discos favoritos - "Revolver" e o "Sgt. Pepper's". Mas gosto muito do "Abbey Road" também. Quanto ao último disco, acho um pecado que "Don't Let Me Down" tenha sido lançada só em single. Da fase final deles, depois do Álbum Branco, é a música de que gosto mais.

Groo said...

Erik, Benza Deus mesmo, ô assunto gostoso este.
Discordar é a parte da democracia que eu mais gosto!
Por partes.
QUESTÃO TÉCNICA e EQUIPAMENTOS.
Velha maxima do sol é pra todos, os Beach Boys reproduziam o classico Pet Sounds todinho, tim tim por tim tim ao vivo à mesma época de Sgt Peppers. Ao que consta foi este o disco que influenciou Paul a pensar no classico dos Beatles.E Let Be é de 70, quando os equipamentos já estavam evoluidos o bastante até para a barulheira(divina)do Led Zeppelin. E até Ringo evoluiu, deixando sua bateria Ludwig por uma Yamaha.
VONTADES DA INDUSTRIA.
A industria fonografiica virou o lobo que é hoje DEPOIS do sucesso dos Fab4 querendo a todo custo fabricar novos Beatles. Note que os discos dos Stones também vinham com covers ( e muitas) mas com um diferencial... A influência. Enquanto Beatles coverizavam "Mrs Postman" os Stones iam beber em Willie Dixon e seus blues. A industria não sabia como vender ou embalar o produto Beatles. Tanto que se fez de tudo. De discos a perucas, passando até por pasta de dentes...
A evolução do som dos Beatles era algo inevitavel, e como o grupo já era 'mainstrean', adorado do avô a netinho, o experimentalismo em sua musica tornou-se algo aceitavel e com status de arte. Veja o exemplo do primeiro disco do Pink Floyd "The piper at the gates of dawn" que tinha os mesmo elementos psicodelicos que Sgt. Peppers, foram gravados nos mesmo estudios em salas diferentes. A lenda diz que Sid Barret e Lennon compartilharam até as drogas entre as seções. Porém o Floyd não era tão 'simpatico' e 'digerivel' quanto os Beatles. Logo...
Mas nada disso tira o brilho e a genialidade dos caras de Liverpool. Como disse com propriedade Alessandra Alves. Eles são o maior classico do século XX. Só Bach, Beethoven e seus contemporâneos é que servem de parametro para a longevidade da obra dos caras.

Ron Groo, beatlemaniaco said...

Quando disse da evolução, quis dizer em relação ao experimentalismo e a transcendencia espiritual de sua musica. Já que com a chegada do rock progressivo e psicodélico toda a cena pop mundial procurava estes caminhos. De Abba e Zappa!
Longa vida aos Beatles. Nossos monstrinhos de estimação, responsaveis por levar ao grande publico o Leviatã Rock and roll.

Ico (Luis Fernando Ramos) said...

Vale empatar? Revolver e The Beatles (aka "Whitw Album")...

Diego said...

Que pergunta difícil.

Acho que é mais fácil responder pra onde vai o Alonso ou se o Corinthians vai pra Segundona. Mas, pra não ficar em cima do muro, pra mim foi Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band e depois Abbey Road. Todos são excelentes.

Alessandra Alves said...

estou gostando de ver, bela troca de idéias!

Anonymous said...

Alessandra, com certeza, Rubber Soul foi um marco importante na carreira dos caras, concordo com sua análise, porém, para mim, beatlemaníaco de carteirinha, o fera mesmo foi "Abbey Road", com sua capa que entrou para a história e suas músicas que solidificaram o amadurecimento dos quatro. Não é a toa que foi o último importante disco dos Fab 4. Gostei muito de saber que você também é beatlemaníaca, e das boas!Parabéns. Ed/Bsb

Herik said...

Groo,
Eu não discordo de você. Apenas vejo diferente. Aliás, minha visão é bem leiga, pois não tenho muitos conhecimentos sobre música. Apenas ouço e deixo ser levado pelo coração.
Mesmo assim, obrigado pelas explicações.
Grande abraço,
Herik.

Capelli said...

Cheguei atrasado, já falaram muita coisa boa, então não vou repetir nada. Apenas meu disco preferido: Abbey Road.

Em segundo, Rubber Soul. Em terceiro, Revolver.

Claro, essa lista sofre mutações freqüentes. :)

Ron Groo said...

Tá certo Herik, musica é assim mesmo. Toca além do ouvido, no coração. Ce tá certissimo. Abraços.

Alessandra Alves said...

e continuamos sem ninguém citar please, please me, with the beatles, a hard day´s night...

Francisco said...

Chegando bem tarde, voto em Rubber Soul, Sgt. Peppers e Revolver.

Sobre os primeiros discos... dificilmente alguma banda consegue fazer um grande disco nos primeiros anos. Geralmente se lembra deles por uma ou duas músicas, e não pelo álbum completo. Tanto que, se perguntar as músicas mais marcantes dos Beatles, vão citar love me do, a hard day's night, anna, entre tantas outras.

A partir de um certo momento, quando os caras amadureceram, os discos eram composições, e não mais uma junção de músicas. Ouvir todas as músicas de Rubber Soul ou Sgt. Peppers na sequência é bem diferente de ouvi-las isoladamente, e nos primeiros álbuns isso não acontecia.

Bom, claro que essa é só um pitaco, mas para mim isso parece acontecer com a maioria das bandas.


Francisco Luz

Alessandra Alves said...

francisco: nunca é tarde! seu comentário acrescentou uma reflexão importantíssima a esse debate. dia desses mesmo, comentei com um amigo como alguns artistas - beatles entre eles - foram capazes de produzir álbuns que soam coesos, como se todas as músicas, embora independentes, estão inseridas em um contexto único.

acho que o rubber soul é o primeiro dos beatles a fazer isso. o disco, definitivamente, não é uma colcha de retalhos, mas uma obra composta por um conjunto de músicas que, de uma forma até intuitiva, encadeiam-se entre si.

eu já escrevi sobre isso, no post "a segunda morte do lp". na minha opinião, o conceito de lp não morreu com a chegada do cd. esse conceito começou a se desintegrar mais recentemente, com o advento dos downloads. agora, cada um faz sua seleção, pinça o que quer da rede, perdendo-se um pouco esse conjunto de "obra". o que, cá entre nós, não foi todo artista que conseguiu. muitos deles apenas se utilizaram do formato lp para fazer um "catadão" de músicas que não tinham nada a ver umas com as outras. ou não?

Francisco said...

Exato. Era aqui que eu tinha lido algo sobre isso, e não me lembrava.

Ainda tem gente que consegue fazer isso, de gravar um disco, e não um bando de músicas. E por isso que eu ainda gasto dinheiro comprando cds =)

O Chato said...

Só pra lembrar... o solo de "While my guitar..." é do Clapton, não do George.

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