Saturday, October 20, 2007

Nove dedos

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Depois da definição do grid para o GP do Brasil de 2007, Lewis Hamilton está com nove dedos na taça de campeão da temporada. Larga em segundo, com os dois oponentes - Raikkonen e Alonso - em terceiro e quarto. Felipe Massa fez tanta festa depois da pole, subindo no que ele mesmo chamou de "Mureta Massa", que quase eclipsou o panorama francamente pró-Hamilton e totalmente contra-Alonso do treino classificatório.

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A transmissão da Band News/Bandeirantes foi repleta de informações, porque a rádio - oficial do Grande Prêmio - tem um esquadrão de repórteres em Interlagos. Na primeira vez em que participei como convidada, no GP da Turquia, fizemos do estúdio, com a equipe habitual: o locutor Odinei Edson, os comentaristas Fábio Seixas e Jan Balder, o repórter Júlio Gomes e o âncora Luis Megale. Desta vez, o time está muito mais completo. Dei muita risada com Barbara Gancia, minha ex-colega de Folha de S.Paulo, que fez uma entrevista impagável com Sarah Feruguson, a Duquesa de York, ex-mulher do príncipe Andrew, da Inglaterra.

Barbara deve ter assistido a todos os GPs do Brasil, em Interlagos e em Jacarepaguá, mas vibra como se fosse o primeiro ao anunciar do ronco dos motores. "Não é lindo isso? Um motor que chega a 19 mil giros?! Eu adoro isso, é minha cachaça!", empolgava-se toda. É a nossa, Barbara. À nossa, Barbara, tin-tin!

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Outro ex-colega de Folha que encontrei na sala de imprensa foi Edgar Alves, o decano do Esporte. Ganhei abraço apertado e agradecimento especial, só por causa daquele post que escrevi no começo do Panamericano, homenageando o grande repórter pelo Pan de Cuba, de 1991. Daí nos pusemos a lembrar de outras coberturas que fizemos juntos, inclusive alguns GPs do Brasil. É sempre muito bom rever amigos...

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Mais um momento de alegria: encontrar o Ico em carne e osso pela primeira vez, nesta atual passagem do querido colega por São Paulo. Luis Fernando Ramos, o Ico, companheiro de GPTotal, está sofrendo uma barbaridade com o trânsito daqui. Mora em Viena e passa alguns meses no estranho habitat a que nós, os outros, nos acostumamos. Certo está ele, por não se acostumar.

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Antes de chegar, ah, que aventura! Pedi carona ao socialista Flavio Gomes, ele e sua frota de incontáveis latas velhas que ele chama de carros antigos, ou clássicos, sei lá. Fomos, eu e Victor Martins, da Zona Norte de São Paulo até o elegante bairro onde mora o companheiro. Deu-nos um insípido chá de cadeira, mas nem foi o pior. Apareceu a bordo de um veículo de 1961, chamado "Candango", uma espécie de jipe de guerra. Que foi para a guerra. O célebre torcedor da Lusa ainda dignou-se a dar carona para um amigo sueco. Sem noção. A geringonça faz barulhos de toda sorte, não tem janela, só aquelas lonas vagabundas que se prendem com pouca precisão e muita sorte. Fato é que o tal meio de transporte chamava mais atenção do que todos os importados bacanudos que entravam no autódromo ao mesmo tempo que nós. Agora, torço para Gomes não ler estes impropérios até a manhã de domingo, quando espero pegar carona novamente com ele. Oh, Deus, o que me aguarda?

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Circulando pelo paddock, um monte de ex-pilotos que hoje cumprem expediente em funções diversas na Fórmula 1. Gerhard Berger, que era bem charmosinho, está rechonchudo e bem calvo, cuidando dos interesses da Toro Rosso. Niki Lauda, coitado, que já era de assustar, depois de velho não poderia estar melhor. E pior: também engordou horrores.

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Uma cena habitual - celebridade no paddock. Passa por mim a gigantesca Naomi Campbell, indo em direção ao minúsculo Bernie Ecclestone. Uma com tanta perna, outro com tanto dinheiro. Cumprimentam-se, beijam-se, um festival de clicks de uma multidão de fotógrafos. Não pude deixar de pensar: se ela fosse feia ou se ele fosse pobre, nem se olhavam.

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Palpite para a corrida: vitória de Massa.
É notável como Felipe Massa parece lidar tão bem com o fato de "jogar em casa". Pelo segundo ano seguido, fez a pole em um Interlagos lotado de torcedores vibrando por ele. Não deixa a torcida virar pressão. Pena que Rubens Barrichello não tenha conseguido essa mesma química enquanto esteve na Ferrari, sucumbindo à pressão de correr na própria cidade.

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Palpite para o campeonato: título para Hamilton.
O inglês pontuou em 94% das provas de que participou. Tem mostrado equilíbrio e não se intimida em pistas desconhecidas para ele. Parece muito difícil que perca a vantagem que conquistou até agora. Acho que neste domingo, 21 de outubro, a Fórmula 1 vai coroar um campeão que entra para a história quebrando muitos paradigmas.

Espero vocês na Band News/ Bandeirantes AM e FM. Até lá!

8 comments:

Fabrizio Salina said...

Guria, tu escreves redondinho! Parabéns! descobri seu blog recentemente e fiquei surpreso com a qualidade de suas colunas sobre F1.

David said...

Concordo com seus dois palpites. Só uma correção: na verdade o Hamilton pontuou em 88% das corridas (14 de 16) e não em 94%.
Parabéns pelo blog

Marcus said...

Quando eu vi o título do post eu pensei que era sobre o nosso presidente, hehehe.

Bem, vamos ver se o Queixada e nosso querido cachaceiro finlandês não vão partir que nem dois demônios pra descer aquele S na largada como se estivessem escorregando num rodapé de escada.

Seus palpites são certeiros, mas eu sempre torço pelo imponderável.

Degas said...

É Fabrizio Salina. Eu também fiquei encantado com a redação dessa nossa Alessandra Alves. Não é comum ver mulheres tão interessadas por automobilismo, e folgo muito em vê-la, esperta e sensível, dando uma visão técnica porém feminina - e portanto naturalmente mais aguçada, coisas que só as mulheres notam - tornando-se carta dentro da aba "Inteligentes" do meu Firefox, ao lado de gente como Juca Kfouri, Luís Nassif e Flávio Gomes entre outros.
Mas, Alessandra, sei não. Sei não. Lembro da final de 1986 em Adelaide, assisti àquela corrida fantástica. Vi o favorito inglês sucumbir, seguido de seu desafeto e colega de equipe para o azarão do outro time ganhar.
Só que os caras se chamavam Mansell, Piquet e Prost. Não sei se Hamilton tem o azar de Mansell, se Alonso tem o veneno de Piquet e se Haikkonen tem a genialidade de Prost.
Mas ainda não estou convencido de que Hamilton vai ganhar.
É ver para crer.

Degas said...

Olha gente. Simplesmente a melhor corrida do ano. Muitas ultrapassagens, emoções até o final, e tudo isso sem precisar da chuva.
Só encheu o saco Galvão Bueno dizer toda hora que Hamilton perdeu o campeonato porque fez uma bobagem na segunda curva. Em primeiro lugar ele não fez bobagem; foi induzido ao erro por Fernando Alonso. Em segundo lugar...ele viu a mesma corrida que eu? Porque na que eu assisti o inglês se deu mal quando teve um problema mecânico.
No mais, parabéns a Kimi Haikkonen, o azarão campeão. E fiquei feliz de ver o time que não usou material alheio vencer no final.
Valeu!

rafael duarte said...

O meu santo e' forte! Hahaha...

Bom, assisti a corrida em um bar aqui em Vigo. Muita torcida pro Alonso obviamente. A ultrapassagem na primeira curva e o problema mecanico do Hamilton foram comemorados como gols em final de Copa do Mundo. No final das contas, nao deu pro espanhol. Senti o povo meio indifeente. Uma mistura de tristeza pela perda do titulo e de felicidade pela nao concretizacao do titulo do ingles.

Agora a minha impressao... Tambem meio indiferente. Nao sei se o titulo ficou meio xoxo pela total falta d emocao por parte do Raikkonen, ou pela clara entrega da corrida por parte do Massa.

Sem julgamentos, o cara tinha que ter feito aquilo mesmo. Mas achei o titulo sem sal...

Herik said...

Bem a calhar o título do texto. O dedo que faltou foi o "pai de todos", que deve ter sido mostrado pela turma da Ferrari depois de tanta palhaçada nesse ano.
Desculpe-me pela deselegância Alessandra, mas não poderia perder essa.
Ah, foi de Corcel II para a pista? Melhor de Candango, não é?

Herik said...

Ah, se Hamilton estivesse com os 10 dedos na taça não sobraria nenhum para ele apertar o botão de "ponto-morto" no volante de seu carro. Essa bobagem foi dígna de Nigel Mansell.