Tuesday, April 25, 2006

Micropolêmica

Mãe joga filho no rio. Filho mata mãe com golpe de judô.
A humanidade está eternamente condenada à lei de ação-reação.

13 comments:

Alessandra Alves said...

o rádio relógio me despertou hoje com a notícia de mais um bebê jogado no mato.

ontem, soube de um site (blog ou comunidade do orkut, não sei ao certo) de adolescentes que cultuam a ré confessa Suzane Richtoffen.

a ponte se fez na minha cabeça. olhando os fatos, isoladamente, são tragédias/crimes/atrocidades que abatem pessoas e famílias.

mas, olhando o todo, temos reflexões interessantes do ponto de vista filosófico, religioso, sociológico e antropológico.

quem se habilita?

Véio Gagá - BH said...

Vou colocar parte do meu ponto-de-vista. Um dos problemas é o hedonismo, onde todos querem viver com o mínimo de problemas e conquistar o que mais lhes apraz. Filho é um problema? Mate-o! Pais são um problema? Mate-os! E três vivas à impunidade e à nossas leis, que reforçam tais comportamentos.

Gustavo Alves said...

Véio Gagá, boa colocação.

Outro paralelo é o sujeito achar que a vida pode ser igual ao Word. Errou, dá Ctrl-Z (Desfazer) e pronto. Sumiu com o problema.

Alê, vendo o seu POST já dava vontade de entrar e escrever um comentário.

Acho que o maior problema que o mundo das próximas décadas terá será a falta de princípios básicos. Conceitos passados de geração para geração.

Conceitos como família, religião, trabalho e amizade, nas novas gerações, são diferentes das gerações passadas.

Não vou me alongar no comentário porque acho que tem muita polêmica para organizar.

Guilherme Barranco said...

Ser humano... êta coisinha complicada. E mais do que complicada... coisinha preguiçosa, que não curte pensar. E mais do que pensar.... coisinha irresponsável, que nunca quer assumir ou administrar os efeitos daquilo que fez, disse ou pensou.
Particularmente creio que o ser humano realmente está definitivamente preso à lei da ação e reação, ainda que ela leve um tempo pra agir. Ninguém escapa dos efeitos daquilo que fez, ainda que em outras vidas, ou de outras maneiras. E se não fosse assim, pelo menos pra mim, o mundo seria injusto. Mas como acho que Deus é perfeito, ele tem que ser justo, e por isso, a lei da ação e reação age inexoravelmente pra contrabalancear aquilo que fizemos.
Por isso, cada vez que fazemos algo de errado, teremos que reparar esse erro, mais dia, menos dia. Assim, seria muito bom que a humanidade refletisse sobre cada ato, palavra ou escolha sua, pois vamos assumir a responsabilidade por eles, quer queiramos, quer não... Se pudermos refletir antes de agir, e ter princípios, valores, base moral, e conseguirmos deixar de lado nossas paixões destrutivas, não teremos erros a reparar, pois tomaremos as decisões acertadas.
Porém a grande parte da humanidade não reflete, não tem valores, princípios ou base, e por isso acontece o que acontece. Num momento de "paixão" descontrolada a mãe joga filho no mato, que por sua vez, na próxima encarnação, vai estrangular a mãe num outro momento de "paixão", que por sua vez, na outra encarnação vai... e assim sucessivamente.
Precisamos dar o primeiro passo pra quebrar essa corrente. Temos que nos conscientizar que ainda que as pessoas tomem as decisões erradas, nós temos que fazer a nossa parte e nos esforçarmos pra tomar as decisões certas, as escolhas devidas. Só assim a gente consegue dar o primeiro passo da mudança.

mauro chazanas said...

Alessandra, desculpa, nada a ver com a Micropolêmica, é sobre a polêmica Banda x Disparada. Olha lá, começou a virada!

Débora said...

Alê, presenciei um filho socando o braço de uma mãe sem o menor respeito. Ela, sem graça ainda tentou explicar a reação do filho "anjolescente" dizendo que ele estava com raiva e não aceitava ter que parar de jogar bola para sair com os pais. E antes dele sair de perto ainda gritou chamando-a de "idiota". Para completar ela falou em tom baixinho; com medo que o filho escutasse; que a psicologa mandou dialogar com calma e nunca repreender o filho em público.
Ou seja, ela pode se agredida de todas as formas que o "filhinho" quiser. E ele deve ser tratado com "paciência" ?
Sou de uma época em que entendia os olhares de meus pais, nunca apanhei, sempre fui repreendida quando necessário e não fiquei revoltada por isso.
Hoje falta "LIMITE" !

Daniel Carlos Nava said...

Falta um Estado de Direito forte, com punição aos delitos (punição, não reeducação. Esta é a função do Estado na questão de segurança), falta religiosidade. E falta pulso na educação das crianças também. E ainda vem deputados querendo proibir as palmadas. Aí vai ser fácil. Não vai precisar agredir os pais. Apenas ameaçar denunciá-lo como autor de palmadas que vão conseguir tudo.

Obs: Palmada e pulso firme não significa espancamento.

Alessandra Alves said...

apenas um comentário geral, consolidando um pouco do que foi dito aqui.

vejo um paralelo interessante entre o que disseram o véio gagá e o guilherme. o hedonismo destacado do véio encontra eco nas palavras do guilherme, sobre essa tendência tão comum do ser humano em agir apenas pelo próprio prazer, satisfazer seus desejos, consumar suas paixões.

a pouca profundidade do pensamento resulta em incômodos. não penso na hora de transar sem camisinha, lá vem o incômodo nove meses depois. e isso se espalha por todos os nossos atos. dos prosaicos (não pensei em sair mais cedo, aqui estou eu, preso no trânsito, estressado, fazendo barbeiragem, levando multa, batendo em outro carro, perdendo mais tempo!) aos mais importantes na determinação do nosso rumo (não pensei em conhecer melhor essa pessoa, casei sem perceber como somos diferentes, e agora?).

por várias razões, concordo com o guilherme quando ele diz que a falta de reflexão da maioria das pessoas resulta em prejuízos aos outros, e que isso retornará a ela cedo ou tarde, pelas mãos de quem foi prejudicado por ela ou não. e só isso mesmo para explicar tantas atrocidades que acontecem nesse nosso mundo. ou então, voltando ao guilherme, seria tudo uma grande injustiça.

muitos falaram aqui da falta de perspectivas para o futuro. permito-me discordar. um paralelo que me parece perfeito, aqui, é o do dia da faxina. chegue a uma casa no meio da faxina e tenha a pior sensação de sujeira e desorganização que se pode conhecer. naquele instante, a casa não está mais suja do que estava no dia anterior, mas os móveis arrastados, as cortinas levantadas, os tapetes enrolados colocam a sujeira à mostra.

é o que me parece acontecer com o mundo hoje. está tudo à mostra. quantas mulheres não se livraram de fetos incômodos sem que o mundo além de sua rua ficasse sabendo? é uma depuração: precisamos ver, conhecer e nos chocar com toda essa crueldade para que nos livremos dela, tal qual a sujeira na casa.

fica uma ponta solta: e a falta de respeito dos filhos em relação aos pais, como bem pontuou a debora, com um exemplo que mostra a fragilidade da "educação" atual. acho que essa rédea solta é fruto da falta de vontade dos pais (de uma maneira geral, dos pais desse limiar de século 21) em efetivamente educar, transmitir valores etc. nada menos do que a falta de empenho em pensar e agir que o guilherme lembrou. educar dá trabalho.

Cynthia said...

Como eu acredito que quando morrer vou me encontrar cara a cara com Deus, tenho uma "lista de perguntas" a fazer (não custa nada se planejar, né?).Umas das primeiras coisas é essa: Com tanta gente ralando pra ter um filho, é cada vez maior o número de casais que procura técnicas de reprodução assistida, como é que alguém que tem um filho consegue jogá-lo fora? Não pode simplesmente encaminhar para adoção?
Concordo com os comentários anteriores, falta limite para essa criançada que vem vindo aí. Não sei se todos viram, mas o menino que matou a mãe estrangulada infelizmente mora no mesmo condomínio que os meus pais. Confesso que, de uma maneira bem egoísta, pensei na segurança deles. Imagina se um louco desses não encontra a mãe em casa e resolve atacar o primeiro que aparece? Podem me chamar de paranóica, mas com uma juventude tão "solta", penso que tudo pode acontecer.

Ivo Mamede said...

Os pais cometem dois erros básicos:

1. Os pais esqueceram de dizer NÃO aos filhos, deixando de impor limites a eles. E a pior conseqüência disso é a criação de filhos monstros, egoístas e mal-educados.

2. Os pais não deixam mais os filhos viverem a vida. Por exemplo, o meu pai uma vez estava preocupado porque eu já estava com 23 anos e não tinha começado a contribuir para a o INSS, então ele quis começar a pagar por mim. Fiquei completamente estarrecido com a atitude do meu pai e fiz então a seguinte pergunta para ele: Pai você vai deixar eu viver a vida ou vai viver por mim?? Com isso os pais não deixam os filhos aprenderem com a vida perdendo assim, a oportunidade de desenvolverem competências e outras qualidades.

É por isso, de uma maneira geral, sem se aprofundar muito no assunto, que serão e são criados filhos montros, que crescerão e se tornarão pais que não deixarão os filhos viverem a vida.

Guilherme Barranco said...

Complementando a questão da educação e formação da criança, sei que é óbvio, mas precisa ser dito, então aqui vai: tem muitos pais por aí que se culpam por não estarem presentes, por não acompanharem a vida dos filhos, por serem divorciados, enfim, por um monte de coisas, e que acabam fazendo tudo o que os filhos querem. Isso é sim um absurdo, pois não educa e não ajuda a criança em nada. Desde cedo a gente tem que aprender que a vida não é feita só daquilo que a gente quer, quando a gente quer e como a gente quer. Não! A vida é feita de muita desilusão, dor, contrariedade, lutas e muitas derrotas. É feita de limites, de coisas que a gente não pode fazer, pois tem que respeitar a coletividade, os outros cidadãos. É a mais pura verdade aquela frase que diz, meu direito começa onde termina o direito do outro.
E no processo de educação, ceder a todos os impulsos e voltades das crianças é prejudicial, e até mesmo uma atitude egoísta dos pais, que acabam querendo ou se livrar de uma culpa pelo meio errado, ou simplesmente se livrar do problema imediato com atitudes que criarão um problema monstro no futuro.

Alessandra Alves said...

cy, por mais difícil que seja aceitar essa idéia, eu realmente penso que não somos vítimas de nada que nos acontece. somos responsáveis pelo nosso futuro, a partir dos nossos atos do presente. acredito firmemente que deus nos dá incontáveis chances de acertar, mas só as aproveitaremos se optarmos por elas, aquilo que alguns chamam de livre arbítrio. a mãe que joga seu filho no rio, não o encaminhando para a adoção, está perdendo uma dessas chances e a vida vai cobrar isso dela, em algum momento, acredito.

ivo, seu comentário e testemunho pessoal são muito pertinentes. muitos pais acreditam que "fazer o bem" pelo filho é fazer tudo por ele. dizer sim eternamente, satisfazer-lhe as vontades e necessidades, antecipar-se a elas.

vou dar um testemunho prosaico. meu filho está aprendendo a andar de bicicleta. como 100% das crianças que aprendem a andar de bicicleta, dia desses ele levou um tombo. tombinho besta, mas assustou. nos minutos seguintes à queda, passou a exigir minha presença ao seu lado e minha mão sobre o guidão, para que ele não caísse mais. uma mãe "boazinha" teria feito isso. eu não fiz. falei para ele que cair faz parte de aprender a andar de bicicleta. se eu o escoltasse naquele momento, é provável que ele não se arriscasse mais, por um bom tempo, a pedalar sozinho novamente. ficou emburrado na hora, mas no dia seguinte já estava em cima da bicicleta de novo.

é uma cena prosaica, mas eu acho que essas pequenas atitudes ajudam a moldar o caráter do ser humano.

mario lago said...

Alessandra, acredito na linha de pensamento exposta pelo Guilherme Barranco sobre a reencarnação, apenas com a ressalva de que o movimento trágico não se perpetua pois evoluimos, e assim passamos a entender melhor o livre arbítrio. O quê, se não a consciência, pode propiciar ao homem a escolha correta? Consciência, como tê-la se involuído?
acho também, que o hedonismo narcisista mercadológico shopping center mínimo esforço vantagem em tudo também colabora, sobremaniera, com o caos nas relações humanas que nos assombram a cada nova edição da manhã.
Tchau!!!