Friday, December 05, 2008

Não serve para nada...

Quando comecei a escrever para o GPTotal, nos idos de 2004, levei castimbadas de todo lado, por conta de uma coluna chamada "A Fórmula 1 não serve para nada".

Está lá, nos arquivos do GPTotal (vá até Colunas, selecione meu nome e escolha Colunas antigas de Alessandra - infelizmente, não tem link direto para esse conteúdo). Para quem não quiser ler, um trechinho:

"(...) Se não estão lá para desenvolver nada, por que diabos as grandes marcas desembarcaram em peso na Fórmula 1 nos últimos anos? A resposta confirma a tese deste comentário. O grande atrativo da categoria é sua imagem. Para Mercedes-Benz, BMW, Honda, Toyota, Ford (com Jaguar), estar na Fórmula 1 é aparecer, consolidar suas marcas, associá-las à elite do esporte mundial. Estão na Fórmula 1 pela grandiosidade de seus eventos, pela audiência que ela gera no mundo inteiro.(...)"

A tese, a que me refiro no trecho acima, é a de que a Fórmula 1, hoje, é muito mais um instrumento de marketing das corporações do que propriamente um banco de provas para novas soluções automotivas.

Hoje, no Japão, a Honda confirmou sua saída da categoria. A fala do presidente não deixa dúvidas: vamos sair desse negócio, um sorvedouro de dinheiro, para nos concentrar no nosso negócio de fato (o chamado "core business" no jargão corporativo) - produzir e vender carros. Ou seja, a Fórmula 1, para a indústria automotiva, é um apêndice, um cartão de visita, um investimento de marketing.

Eu avisei...

E vocês, o que acham?

19 comments:

Anonymous said...

Eu acho que é assim mesmo Alessandra ,mas em todos os níveis ,desde que Chapmam estampou em seus carros uma marca de cigarros em 1968.

Mesmo um piloto que quer iniciar sua carreira ou renovar um contrato qual é o argumento para o patrocinador?

A F1 virou um negocio a anos ,e como é comum neste mundo a coisa anda conforme o vento.

O que está acontecendo hoje na F1 é somente um reflexo da crise ,nada mais .

Mas fico contente com a crise financeira e consequentemente com a crise da F1 ,o mundo não aguenta mais tanto desperdício ,vão ter que achar a verdade nisto tudo.


Jonny'O

J.B. said...

Pois é Alessandra, acho que é por aí mesmo! Aliás, na Honda nem para marketing serviu , a não ser que seja o troféu "Bola Murcha".
Eu acompanho F1 desde 1975 e, sinceramente, tenho saudade daqueles tempos bons onde existiam "construtores"de carros, gente do ramo e não um bando de montadoras que quando o barco afunda (ou o carro quebra) deixam os outros a ver navios!
Parabéns pelo blog, adorei!
Bjs!

Fabio Mantovani said...

Tem toda a razão, bela Alessandra.

A fórmula não vai poder ficar dependente das montadoras.

Se não mudarem o "modelo de negócio" (porque pra eles é só isso mesmo),
vai acabar.

Anonymous said...

...e M.C., manda: Com o devido respeito, voce escreveu uma tremenda besteira naquela época e acha que está certa agora ! HA ! A F1 continua sendo um banco de testes mas hoje pouco visivel para os comuns mortais ( pneus- novos compostos, novas ligas, aerodinâmica , combustíveis ). único assim , que está na cara e mais próximos dos comuns consumidores, ironia do destino, vemos no Honda SI, o comando de troca de marchas no volante... A Indy é que virou entretenimento puro. A Honda, tentou mas como o orgulho japones é alto mas a moral, depois de tantos anos de fracasso na categoria, em baixa, resolveu pedir o boné e se mandar...Mas num ponto voce está certa e repetirei com sua próprias palavras: "...Para Mercedes-Benz, BMW, Honda, Toyota, Ford (com Jaguar), estar na Fórmula 1 é aparecer, consolidar suas marcas, associá-las à elite do esporte mundial. Estão na Fórmula 1 pela grandiosidade de seus eventos, pela audiência que ela gera no mundo inteiro....". Voce só se esqueceu de dizer acrescentando que quando fracassam e as vendas caem., precisam sair rapidinho......HA ! BMW tá queimadinha....

Ron Groo said...

Concordo com você.
Como já disse muito sabiamente Frank Zappa em 1968:
We're Only In It For The Money
Ou no caso, for the image.

Gustavo Alves said...

Brou,

A análise é:

Investimento x Resultado (de qualquer ordem)

Valeu a pena o resultado?

Se não valeu, trocasse o investimento.

O romantismo já foi faz tempo. Os investimentos necessários são milhões de dólares. Românticos, acordem!

Gustavo.

Fabio Mantovani said...

Gustavo Alves, claro que o retorno é necessário.

Afinal, o sistema é esse.
Joguem o jogo.

Quem estipulou (tá certo?) que são necesários milhões de dólares foram eles mesmos.

Pode se fazer muita coisa legal gastando muito menos.

Agora que paguem o preço.

Hugo Becker said...

É, exatamente isso...

Como eu escrevi em meu blog, Max Mosley e Bernie Ecclestone modernizaram a Fórmula-1, mas tiraram ela das mãos dos apaixonados e jogaram-na nas mãos de empresas/empresários... e empresas/empresários são negociantes, não apaixonados e muito menos esportistas...

Esse dia estava pra chegar. E eu acho que tende a piorar. Vamos ver o que acontece.

Douglas Borges Oliveira said...

O processo de transformação de um esporte amador em esporte profissional possui diversas nuanças. Uma delas é exatamente o custeio. No caso da Formula 1 o custeio é complexo. Não existe categoria “Top” sem investimento “Top”. Outro ponto é o salário dos componentes. Digo “componentes” porque hoje ao é só o piloto que ganha muito. Pessoas como Ross Brawn, Jean Todd, Nick Fry e outros são milionários. Avaliando este lado concluímos que o patrocínio não é suficiente. Ai vemos a questão do marketing. A Red Bull é um caso “extra montadoras”. Mas Toyota, Renault, BMW, Ferrari e MB são casos latentes de marketing direto. Não acredito que falar da crise é o ponto certo. Ainda mais levando em conta o trecho do seu texto. A questão é como manter um esporte profissional, de ponta e ao mesmo tempo com custos baixos. É possível? Acho que a maioria das pessoas escreve sem pensar. Vive no mundo da lua. Em um mundo que analise todos os riscos ao investir a Formula 1 tem o desafio de se reescrever. Circuitos bilionários, investimentos anuais altos por equipe e um mundo com capacidade limitada de pagar por isto não combinam. Acompanho a Formula 1 a mais de 15 anos, vi ou li sobre a Formula 1 que eu não acompanhei. Acho que a cabeça mais enlouquecida neste momento não é a de Ross Brawn ou a de Rubens, é a do Bernie. É dele que devem vir as respostas para o show continuar. E você Alessandra, concorda?.

SuperDriveFan said...

Corrigindo.
"Estipulou" tá certo.
"Necessários" estava errado.

Guilherme Leberer said...

O papo não é bem por aí, Alessandra. Todo esporte tem seu marketing. Se você acha isso da Fórmula 1, por que escreve sobre esse esporte então? Não vamos cair naquele papo de que são todos uns vendidos, que se alguém oferecer um pouco mais de grana, todos entram no esquema (como alguns, que não entendem de F1, disseram sobre Timo Glock no GP Brasil). Não concordo com os gastos da F1, acho que um regulamento parecido com o da temporada de 1993, poderia viabilizar muitas coisas. Mas daí a dizer que é tudo marketing, é reduzir a F1 à condição daquelas lutas livres de personagens.

Érico said...

Claro que é um negócio, mas não devemos crucificá-lo por ser o que é. Foi o dinheiro desse negócio que impulsionou a categoria por décadas, inclusive pelo seu auge (em minha opinião) na era turbo dos anos 80 and até o fim do reabastecimento em 93.

O que me irrita é ver as pessoas por aí dizendo que o Mosley tinha razão quando anunciava que as montadoras estavam na F1 pelo marketing. O que foi que ele fez nesses 15 anos para defender as equipes pequenas? Isso mesmo, PN. Suas idéias absurdas (e as do Bernie juntas) foram responsáveis pela explosão de custos à medida que jamais houve estabilidade no regulamento. Introdução do reabastecimento e banimento da eletrônica (suspensão ativa, controle de tração e largada) - 1994, mudança na capacidade dos motores - 1996, introdução dos pneus sulcados e novas medidas para os carros - 1998, mudança na altura mínima das asas dianteiras - 2001, motores mais resistentes - 2003 (classificação e corrida), 2004 (um fim de semana todo) e 2005 (dois fins de semana), introdução dos motores V8 (2006), etc, etc. E para 2009 vem mais, muito mais, KERS, novo pacote aerodinâmico, volta dos slicks...

Como poderiam as equipes pequenas sobreviver e se manter competitivas tendo que se adaptar a tantas desastradas mudanças? Onde elas buscariam o dinheiro? Foi aí que as montadoras entraram, vendo que apenas elas e suas centenas de milhões de dólares poderiam manter uma equipe competitiva no que poderia ser uma vitrine mundial.

O Mosley expulsou as equipes pequenas e escancarou as portas para as montadoras. O que temos agora é consequência direta disso.

Anonymous said...

É, do jeito que os F-1 2009 estão feios, a F-1 vai servir para alguma coisa... Para queimar o filme!!!!

Daniel Médici said...

Não serve, nunca serviu para nada. Mas suspeito que, mesmo sem nenhum apoio de montadora alguma, enquanto houver uma pista, havera um bando de malucos dispostos a fazer uma corrida.

Para uma grande corporação, a Fórmula 1 não serve pra nada. Para o ocidental médio da nossa época, faz um baita dum sentido...

Daniel Nápoli said...

Eu acho que se a F-1 não rever os seus conceitos, ela pode ficar sem suas principais equipes, o que poderia desencadear o fim da categoria, mas eu acredito que tudo será acertado como sempre foi e a F-1 continuará sendo reverenciada. Ah, Alessandra, só pra finalizar, eu tenho um blog chamado Fórmula 1 Eterna (www.formula1eterna.blogspot.com) e gostaria de saber, se vc não topa fazer uma parceria. Eu relaciono o seu blog com o meu e vc relaciona o meu com o seu, topa?
Tdb pra vc!
Parabéns pelo lbog!
Bjs!!!

Fabrizio Salina said...

A F1, como qualquer esporte de massa, reflete os valores da sociedade, ou melhor,a inversão destes.
Penso que o esporte para se manter na vanguarda necessite de patrocínios, marketing e congeneres, no entanto, não pode prescindir da paixão. É por isso que o futebol será sempre um esporte encantador, pois mesmo sob uma estrutura profissionalíssima, a magia consegue suplantar o negócio, tal como acontece na Copa dos Campeões, onde até a bola possui um design, mas ninguém pode prever o comportamento de 22 pessoas em campo (e yome cabeçadas do Zizu!).
A F1 está chata demais, sendo que muitos vinculavam esse fato á presença do Alemão. Como pode uma categoria viver ao sabor das idiossincrasias de dois senhores cada vez mais excêntricos?Tudo bem que fizeram muito, mas já começam a errar demais, pois a velha ousadia deu lugar ao egocentrismo.
Na verdade todos os esportes hoje refletem a inversão de valores de nossa sociedade. Como bem notou o colega, todos os engenheiros chefes, projetistas, são milionários. Qual piloto correria de graça? Essa crise que assola o mundo é de valores, que podem não parecer nada, mas acabam por repercutir na vida das pessoas. Os executivos "milionários" quebraram suas corporações, mas nada perderam, alguns mantêm o cargo. Alguma semelhança com alguém da Honda? Por sinal, esta equipe em sua preocupação com o ecosofismo esqueceu de projetar um carro de verdade, mas nos arroubos de grandeza, dispensou até mesmo parcerias... deu no que deu.
Bem, falei demais, desculpe Alessandra, mas as notícias desse final de ano estragam as emoções do campeonato passado.

Anonymous said...

Servir ou não servir é detalhe desprezível. Para que servem os retardados mentais? A resposta dessa pergunta pode justificar sua execução?

Para que serve eu não sei, mas que é necessário é.

Mário Salustiano said...

Alessandra,

não concordo mas respeito sua opinião, na lei da probabilidade seu palpite teria 50% de chance de estar certo ou errado,se voce tivesse ao longo desses anos insistido na tese aí sim teriamos um questionamento seu embassado, mas escrever e depois de 5 anos resgatar como algo que foi premonitorio, sinceramente acho bobagem, mas reafirmo os meus respeitos a voce
abs
Mário Salustiano

Anonymous said...

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