Friday, December 21, 2007

So, this is Christmas...


.
"Malandro é quem estuda, porque entra em férias antes..."

Meu pai repetia esta frase todos os anos, primeiro para mim e depois para meu irmão, dois alunos exemplares que sempre fechavam as notas no terceiro bimestre. Eu, graças à obstinação da CDF de carteirinha que sempre fui. Meu irmão, pela inteligência privilegiada que o fazia responder, com um dar de ombros, às indagações da minha mãe sobre a prova do dia seguinte. "Ah, mãe, é de Matemática...".

Pois então, começo de dezembro, era sempre férias para nós. Os "malandros" se desobrigavam da escola mais cedo e eu me dedicava quase que exclusivamente a curtir a espera pelo Natal. Fazia meus próprios cartões, com cartolina e papel cartão colorido, e enviava para as amigas do colégio de freiras.

Em tempos pré-quinquilharias da China diretamente da rua 25 de março, os enfeites de Natal eram mais simples e, a cada ano, inventávamos produções caseiras, como uma árvore de Natal estilizada para enfeitar a mesa, feita sobre um cone de isopor, coberta com macarrão (parafuso, caracol, etc.) e pintada com spray dourado. O quartinho/ateliê da minha avó ficava a mil nessa época e eu adorava zanzar por lá, ajudando na criação de peças que, em grande parte, eram copiadas da edição especial de Natal da revista Claudia.

O Natal começava para mim quando eu entrava em férias e ia permeando os dias e os sentidos aos poucos. A visão das primeiras luzinhas piscando na decoração das grandes lojas, a trilha sonora natalina que ia, de mansinho, chegando aos ouvidos, o toque das bolas de Natal, tão frágeis e lindas, ou do algodão salpicado, fingindo-se de neve, o cheiro do pinheiro recém-comprado, que se tornava seco e fedorento até o fim do mês, e o sabor, o gosto de Natal que, para mim, se instalava ao estalar na boca das primeiras uvas Niagara que meu pai trazia da feira. Os sabores se multiplicariam fartamente, com a chegada do panetone, das rabanadas da minha avó, do figo seco, das nozes. Ainda acho estranhíssimo entrar em um supermercado no final de outubro e dar de cara com uma pilha de panetones. Naquele tempo, panetone era coisa de dezembro, final de novembro, no máximo.

Durante muitos anos, segui à risca um mesmo ritual. Na tarde do dia 24 de dezembro, colocava no toca-discos "O Natal do Tio Patinhas", compacto da coleção Disney, publicada pela Editora Abril, nos anos 70. Nela, o velho avarento é visitado pelos espíritos do Natal do passado, do presente e do futuro. A audição do velho disquinho era o prelúdio da grande noite. Nessa altura, era como se toda a preparação de dezembro chegasse ao gran finale, uma festa familiar com muitos presentes, uma quantidade absurda de comida, muitas e altas vozes ao mesmo tempo, risos, abraços, e choro.

Acho que deixei de ser malandra, porque não consigo mais entrar em férias no começo de dezembro. Roda viva, trabalho infindo, e hoje saio no dia 21 de dezembro para comprar meus presentes. Cartões de Natal, só os virtuais, pelo e-mail, um ou outro telefonema, recados pelo messenger.

Não quer dizer que eu não goste mais de Natal, só que a vida mudou.

Não quer dizer que a vida, por ter mudado, não comporte mais mensagens de felicidades, votos de um bom ano novo, pensamentos de paz e harmonia para os tempos que virão. Se um dos ícones da rebeldia do século 20, John Lennon, juntou-se candidamente à sua Yoko e a um coro infantil para emanar boas vibrações desse tipo, por que não eu?

Então, é Natal. Desejo a todos os amigos deste blog um excelente Natal!

Não tiro férias por enquanto. Ainda tenho uma São Silvestre para encarar, e alguns assuntos para dividir! Fiquem comigo, e sejam felizes!

12 comments:

valéria mello said...

Também desejo um feliz natal pra você e sua família! E boa sorte na São Silvestre!

JP said...

O Natal é uma festa que ultrapassa fronteiras, credos e raças... è uma festa do mundo.
Mesmo com um oceano a seperar nossos países eu me revi, com as necessárias diferenças de género, no seu natal...
Feliz natal para todos

Ron Groo said...

Sabe, eu até ja esperava algo com o John Lennon e o natal... tá certo que o texto não é sobre o cara, mas a foto... a frase do início.
Passei por aqui pra te desejar um feliz natal, e como estara por aqui depois te felicito pela S. Silvestre...
E eu vou imitar Charles Dikens (o pretenção!) e deixar um conto de natal no bliggroo.
Alessandra...Feliz Natal à você a todos os seus.

André Gonçalves said...

eu fiz árvore de natal de cone de papelao. eu e minha mae cobrimos o cone de pipocas. o detalhe: fizemos um cone que devia ter uns50 cm de altura. comecamos a colar as pipocas e, duas horas depois, deu a louca na minha mae: cortou a base do cone, e a nossa árvore pipocal ficou com, no máximo uns 20 cm.
feliz natal, alessandra. boa sorte na s silvestre. vai levar cartaz dizendo "alo, pessoal do blog, alessandra na parada"?

Idelber said...

Passei para deixar um beijo de fim de ano e os votos de sucesso na São Silvestre, sua sumida! Feliz 2008 :-)

Anonymous said...

Feliz Natal!

Jonny'O

Luiza Prestes Karam said...

Já na faculdade, na era da Internet, resolvi enviar cartões feitos por mim para meus amigos, mas os safados nem para reconhecer que eu estava tentando recuperar algo do passado. Enquanto fazia os cartões, pensava neles. Tudo bem, agora já nem tenho mais tempo para isso. Valeu a tentativa. E feliz Natal, malandra!

Celinho Boy said...

Alessandra, vamos por partes.
1) Fiquei muito feliz que tenhas conseguido bater a tua marca individual de 49 min. É tão bom quando nós conseguimos bater nossas próprias marcas, não apenas nas corridas, mas na vida pessoal e profissional também.
2)Como tinha lhe dito esses dias, o Schumi era realmente uma fera. E só para brincar, eu dia desses na Record vi um episódio em que o Pica-Pau corria contra o Zeca Urubu e ele, o Pica, era de origem escocesa e tinha um trauma em que um parente dele morrera na "Curva da Neblina". Era MUITO DIVERTIDO ESSE EPISÓDIO, HE, HE.
3)Sim, em minha casa também se fazia enfeites improvisado. O que me encantava quando saia nas noites de domingo dum mês natalino eram as luzinhas. E a esperança de que o bom velhinho existisse de fato. Lewmbro-me quando a mãe me comprou um fusca azul com olhos nos faróis. Eu adorava aquele brinquedo. Lembro que neste dia eu fiquei acordado mais tarde e assisti na Bandeirantes o Gordo e o Magro numa casa assombrada. minhas irmãs ganharam uma cozinha, um dos meus irmãos uns aviãozinhos, uma coisa assim. Tão inesquecível quanto nostálgico. Simples, mas encantadores. Parecia que éramos mais felizes naquela época. Beijos Alessandra, Feliz Natal, te desejo muita saúde, muita paz em tua vida. Que continues esta pessoa encantadora e que encantes ainda mais pessoas. E que isto se siga no ano que vem chegando.

rafael duarte said...

Feliz Natal!

Fabrizio Salina said...

Feliz natal para você também, Alessandra. Quanto a "ficar com você", aproveito para reiterar meu pedido de casamento!

Alessandra Alves said...

valéria: para você e sua família, também. e obrigada pelas vibrações na corrida. depois eu conto tudo, viu?

jp: ah, que gostoso receber uma manifestação d´além mar e nos saber tão próximos! obrigada, patrício!

ron: obrigada pela companhia neste ano, perdoe-me a falta de tempo de comentar com mais freqüência no seu blog (entre as promessas de ano novo, dar mais atenção aos blogs amigos e neles comentar mais!). john lennon... pois é, john e yoko são um daqueles casais símbolos para mim que, em alguma medida, me lembram meu pai e minha mãe. uma comunhão enorme, afinidade total, respeitando as diferenças e fazendo delas algo menor que o amor que os une. acho que isso tem tudo a ver com o tal espírito natalino, né?

andré: hahahaha! sua mãe deve ser das minhas, hein? uma paciência total com trabalhos manuais... quanto à são silvestre, ainda não pensei na indumentária, talvez eu corra com a camisa laranja da equipe, mesmo, vamos ver. obrigada!

idelber: obrigada pela lembrança, professor! e, por favor, aceite minha volta ao clube de leituras! grande beijo!

jonny´o: para você também!

luiza: pérolas aos porcos, minha querida, sempre vamos enfrentar isso. mas, como você mesma disse, vale a intenção. um beijo da malandra!

celinho: obrigada, querido! eu me lembro desse desenho do pica pau, é impagável. quanto ao natal, não sei se éramos mais felizes, pelo menos não no meu caso. tive uma infância muito feliz, mas sempre ansiei muito pela vida adulta e, apesar das responsabilidades, não gostaria de tornar a ser criança. acho que, de verdade, sou mais feliz agora. talvez porque eu seja aquela pollyanna patológica que sempre está jogando o jogo do contente! um ótimo natal aí nos pampas!

rafael: para você também, querido! está no brasil ou passa as festas na espanha? e notícias de dom fernando, não temos mais? o que a imprensa achou da volta dele à renault?

fabrizio: ai, moço, faça isso, não... beijos, bom natal!

Ron Groo said...

Só respondendo a sua resposta (existe isto?) E concordo com você em numero, genero e grau. E creio que este tipo de amor que você citou um dia ganhe o mundo de assalto e faça existir em cada um de nós um John e uma Yoko para que este mundo seja um lugar melhor e mais bonito para se viver.
Novamente um feliz natal!