Sunday, September 10, 2006

The end

Revirei a caixa dos telex em busca de alguma novidade. "Tem notícia aí, Alves?", um dos editores perguntou. "Definiram o substituto do Gachot, um alemão. Peraí que vou olhar de novo o nome dele. Schumacher. Nunca ouvi falar." Ninguém tinha ouvido. "Escreve um módulo 100", pediu-me o chefe, indicando o tamanho da notícia. Módulo 100 era a mais curta delas, naquele projeto editorial da Folha.

Bertrand Gachot, titular da equipe Jordan, não correria o GP seguinte, na Bélgica, por um motivo esdrúxulo. Estava preso na Inglaterra, depois de uma briga de trânsito, na qual resolvera a contenda disparando gás paralisante no outro motorista. Assim começou a carreira de Michael Schumacher na Fórmula 1. Hoje, 10 de setembro, quinze anos depois, ele anunciou que ela termina no dia 22 de outubro, no GP do Brasil.

Vi tudo. E agora acabou. Semana passada, Agassi. Hoje, Schumacher.O futuro sorri a eles, também nos sorri. Os Stones lembrariam que o tempo está do nosso lado. Time is on my side, yes it is... Mas é difícil, difícil demais, levantar a âncora do passado.

10 comments:

Alexandre Gossn said...

Alessandra:

a se confirmar que tudo transcorrerá na normalidade nas 3 provas restantes, entendo que o tedesco é um homem de extrema fortuna (não falo de dinheiro). Afinal, ninguém conquistou o que ele conseguiu, e principalmente, poucos puderam parar por cima. E não é só: não olvidemos daqueles que se foram sem poder escolher quando parar...
A categoria perde um piloto bestial, e a história ganha um mito...
abraços

Valéria Mello said...

Parece que é o ano das aposentadorias. Zidane, Agassi, Schumacher. É complicado pensar a Fórmula 1 sem ele, um mito, ainda mais se o campeonato vier, como promete depois de hoje. Só espero que para ter a glória de sair campeão não precise passar por cima das regras. Se ganhar no braço, aí sim deixará muito mais saudade.

Gui Barranco said...

Pelo visto, depois dos posts do Agassi e do Shumi não preciso mais me preocupar em te convencer a aceitar comprar um Bora.... hahahahahahahahahahaha
Beijo!!!!!!

Anonymous said...

Hoje não quero ser razoável ,sou um Ferrarista há 30 anos ,quando vi em uma 4rodas uma Ferrari 312t2 dominando a F1, depois de 79 esperei por 21 anos para pular de novo e meter a cabeça na ponta do candelabro e correr ao hospital de madrugada para ganhar 4 pontos,inesquecível!
Hoje foi dose ,emocionei como nunca,afinal vejo como uma má premonição pra Ferrari ,não haverá outro.Igual, jamais!

Jonny'O

Cristiano Pontes Dias said...

Mas eu fiquei muito comovido.
Lagrimas corriam quando vi o Schumacher dizer que ia parar.
Eu cortando cebolas e imaginando se os comissarios que puniram o Alonso foram convidados pra festa.
Assim eu continuo com minha Cebola imaginando se ja fabricaram o trofeu de Campeao pra nosso amavel Schummi.

Marcus said...

Lembro perfeitamente quando o Schumacher começou a atropelar sem cerimônia o Piquet na Benetton. Se não me engano, ele já tinha chamado atenção em outra equipe (a Jordan?).

Um gênio mostra o que é desde o início. Foi assim com Senna. Mas eu nunca simpatizei com o alemão, sempre o achei meio trapaceiro e mau caráter.

A próxima temporada, com Alonso na McLaren e Kimi na Ferrari, promete ser muito interessante.

Alessandra Alves said...

alexandre: bota sorte nisso. somados suas sorte, seu talento e sua falta de limites (morais inclusive) em atingir seus objetivos, estamos realmente diante de um mito. será que o octa vem? já não duvido. um fato inegável: os organizadores do gp do brasil devem estar felicíssimos, pois a chance de o campeonato ser decicido em interlagos é enorme.

valéria: também torço para que ele ganhe de forma limpa. mas pela palhaçada que fizeram com alonso, depois do treino de sábado, não sei se podemos acalentar essa esperança...

gui: a bola estava pingando aqui, para você, há vários dias. sim, reconheço, entrei para o clube dos tiozinhos, mas ainda resisto a comprar um sedã!

jonny´o: espero que você pelo menos tenha mudado o candelabro de lugar, ou planeje melhor o salto da próxima vez. tô achando que você vai pular de novo, no dia 22 de outubro. será mesmo que a ferrari mergulha agora em uma seca eterna? sei não, acho que a equipe aprendeu a ser muito mais disciplinada e profissional durante os anos schumacher. é outra herança que ele deixa.

cristiano: se você descascar a cebola debaixo da água, as lágrimas não correm. pense nisso na próxima vez. hehehehe

marcus: sim, a ida de schumacher para a benetton foi ainda em 1991, terminando aquela temporada como companheiro de piquet, após a estréia na jordan. ele disse a que veio logo na primeira corrida, quando classificou o lindo carro verde-e-azul da jordan em sétimo lugar no grid. sua transferência para a benetton já começou a plantar a antipatia dos brasileiros pelo alemão, pois a benetton dispensou roberto moreno para contratar schumacher.

Alexandre Gossn said...

Alessandra:

realmente a falta de limites morais de Schumacher é fato inconcusso. No entanto, não seria cautela demasiada nos recordarmos que praticamente todos grandes campeões da F-1 não foram exatamente "bastiões da moralidade e bom comportamento". Agiam como se vencer fosse de sua natureza, e como se sabe (juro que não sou darwinista...rs) a natureza não é, nem tem moral. Não digo que é o certo (certo? errado?), tampouco que seja louvável... mas é só botar a memória para funcionar...
(Nuvolari, Moss, Fangio, Clark, Graham Hill, Stewart, Emmo, Gilles, Lauda, Piquet, Prost, Senna, Mansell, Schumacher etc...).
Para quem não se satisfaz com esses exemplo, faço o seguinte convite: dêem um pulo no kartódromo da Granja ou no de interlagos, e assistam uma prova do campeonato paulista (de preferência, nas categorias de 12 aos 16 anos) e confiram se existe mesmo a tal "moralidade" nas competições.
Alessandra: seus textos se superam... sem palavras! abraços

Alessandra Alves said...

alexandre: você tirou as palavras da minha boca. a falta de escrúpulos do schumacher talvez seja uma condição intrínseca dos grandes vencedores. e talvez persista uma certa nostalgia dos antigos principalmente porque o tempo apaga muita coisa ou, mais ainda (acredito), porque hoje as atitudes são mais públicas, mais visíveis, menos escamoteadas. os bonzinhos viram missionários. grandes campeões não são bonzinhos!

Cristiano Pontes Dias said...

Como diz o Alonso, A formula 1 ja nao é mais um esporte.
e assim sigo com minhas cebolas, e ate montei uma comunidade que no Orkut que no momento só tem eu...kkkkkkkk para as Viuvas do Schumacher.
Mas eu tenho que concordar numa coisa, bonzinho só se ferra.