Monday, September 11, 2006

11 de setembro - O que você estava fazendo?

Tive bronquite alérgica durante toda a infância. Mal de família. Alopatia, homeopatia, simpatia. De tudo, o mais eficaz era a tetraciclina, antibiótico danado que sossegava os brônquios no imediato, mas deixava seqüelas no futuro. Os dentes permanentes, ainda nem nascidos, vieram com uma coloração acinzentada que me mortificava. Não fossem minhas péssimas relações com a balança, durante muitos anos da vida, eu teria atravessado a adolescência com vergonha dos dentes. Anos depois, afinei a silhueta, daí mirei na boca. Meu médico me indicou o dentista, seu amigo do peito, e fui bater às portas do dr. Marcelo. Comecei o tratamento e ele me aconselhou: evite o café. Resolvi levar a orientação a termo bem naquele dia. O café da manhã foi sem café, mas dr. Marcelo falou, está falado. Nunca imaginei que seguiria tão à risca o que me diz um palmeirense, mas com ele foi e é assim.

Ajeitei a agenda de modo a ficar com a manhã livre e poder levar meu filho para fazer um exame. Um mês antes, uma infecção urinária nos assustou e a pediatra nos indicou uma bateria de procedimentos, para excluir suspeitas. Ultra-som das vias urinárias, lá vamos nós. Sempre adorei ultra-som, que conta a história na hora, sem depender de revelações posteriores. Depois, trabalhando muito com médicos, descobri que ultra-som é o que eles chamam de “operador dependente”, ou seja, a máquina só vai mostrar bem se o médico que o opera souber fazê-lo com competência. A médica japonesa que examinou meu filho devia ser das boas, porque poucas passadas do aparelho foram suficientes para ela dizer a frase que todos gostamos de ouvir de homens e mulheres de branco. “Está tudo normal.”

Enxaqueca é uma dor de cabeça lancinante. Parece haver uma mãozinha dentro de seus miolos querendo empurrar um dos olhos para fora. Há quem sinta enjôos e náuseas e quem veja estrelas. Nunca fui acometida por tais alucinações visuais – minha mente parece viajar por conta própria, sem o auxílio da dor. Na variedade de sintomas, todos parecem se unir em um desejo comum: um quarto escuro e silêncio. Quem já tomou remédio para enxaqueca deve saber que muitos deles são feitos à base de cafeína. A enxaqueca está muito associada a mudanças de hábitos: dormir menos ou mais do que se costuma, ingerir álcool ou alimentos gordurosos, ficar muito tempo ao sol, submeter-se a uma situação de estresse, beber muito café ou menos que de costume. Naquele dia, 11 de setembro, não bebi café algum.

Saí do centro de diagnósticos com a alma leve, certa de que meu filho não sofria de nenhuma anomalia nos rins ou na bexiga. Bem antes que a enxaqueca aniquilasse meu dia. Liguei o rádio na Bandeirantes AM e peguei uma entrevista começada. Um homem dava testemunho de um acidente ocorrido no World Trade Center. Achei que era o da Marginal Pinheiros, veja só. Ao longo da entrevista, entendi que era Nova York, que não era um acidente e que o entrevistado era jornalista e tinha sido meu colega veterano na universidade. Enquanto ele falava, outro tumulto. O segundo avião batendo na segunda torre. Ah, os jornalistas! O mundo inteiro sabia daquilo, mas eu tinha que contar para alguém. Liguei do celular para meu marido, que estava em reunião, já sabia mais ou menos do ocorrido, mas ainda não tinha noção da gravidade. Deixei meu filho em casa e fui trabalhar, como se fosse possível produzir alguma coisa naquele dia.

Na hora do almoço, fui correr meia horinha na esteira e gostei de ver todas as TVs da academia ligadas nos noticiários. O tradicional som tecno emudeceu para ouvirmos os repórteres. Lembro de um professor indignado com a atitude de uma aluna, que andava calmamente na esteira, escutando música em seus fones de ouvido. “Em que planeta essa menina vive?” Quando voltei para o escritório, estávamos sem luz. Pergunta daqui, reclama de lá, a concessionária de energia elétrica informa que a ligação havia sido desligada naquele dia, conforme solicitação. O peso na cabeça, que vinha se acentuando, começou a virar agudas pontadas. Solicitação de quem? Esbravejei ao telefone e solicitei urgente outro técnico no local. E ele veio e confirmou que tinha desligado a força do conjunto 33, conforme solicitação. Mas eu sou do 34!!! Eu falava e repetia, e a cabeça latejava. Antes de anoitecer, entreguei os pontos. Hoje não é dia, vou pra casa. Cheguei louca pelo quarto escuro, nem os noticiários da noite vi.

Foi assim meu 11 de setembro de 2001, e o seu?

Em tempo: meu tratamento de clareamento dental foi um sucesso retumbante. Prof. Dr. Marcelo Poloniato levou meu caso para congressos e chegou a receber aplauso em cena aberta quando mostrou minhas fotos de antes e depois! O escurecimento por tetraciclina era tido quase como um caso perdido na comunidade odontológica. E talvez os especialistas tenham descoberto que o café não prejudica o tratamento, porque é óbvio que, do dia 12 de setembro em diante, nunca mais fiquei sem café.

25 comments:

Anonymous said...

É engraçado lembrar disso, mas me lembro de cada momento daquele dia.
estudava no pré-vestibular naquela época e acordei cedo para ver o Jornal (Bom Dia), sem muita coisa a dizer.
Normalmente a TV ficava ligada a Manha toda mas como o assunto do momento era o sequestro do Silvio Santo e impedia o a trasmissão do Desnho Animado minha irmazinha ficou mesmo com o quadrinhos que arrumamos pra ela.
Fui para escola a tarde o primeiro a chegar. Quando meus camaradas chegaram aos grito pra me perguntar o que eu achava (não fazia ideia de nada, mas como tinha o discurso mais revolucionário do grupo acharam que já tinha uma opinião formada, coisa de cursinho). Na busca pela possivel discursiva do vestibular saimos correndo para frente de uma TV. Na época e cofesso que vibrei com o ocorrido, afinal minha revolta anti-americana estava no topo naqueles anos. Que Deus me perdoe, rezo ainda pelas almas daquele dia e dos que morreram depois no Afeganistão, Iraque e outros lugares para onde se alastrou a "Guerra do Bush".
Lembro que não tivemos aula naquele dia apenas debatemos sobre as ações do Governo Estadonindense.
Felipe Atch
Espírito Santo

Gustavo M. said...

Escrevi um verdadeiro "tratado" - para meus parâmetros lógico - sobre esse terrível dia, mas um dedo mal treinado (ou mal intencionado) pisou na tecla "esc" bem nas considerações finais...paciência; mas vou externar então o pensamento - que veio como um raio - quando vi a cena na televisão, um pensamento que marcou (mesmo sendo descabido até agora) para sempre a lembrança daquele dia: "O mundo acabou!"

Valéria Mello said...

Estava no dentista na hora do atentado. Nunca vou esquecer o dia que extraí os dentes do siso. Cheguei em casa meio baleada, com o rosto inchado e só fiquei sabendo do que tinha acontecido quando o entregador de água comentou. Corri para a televisão e passei o dia todo vendo as imagens, as entrevistas, os comentários. Tomando analgésico e com uma bolsa de gelo para aliviar a dor.

André Gonçalves said...

no trabalho. eu e meu sócio,julio, paramos o dia pra ver aquilo tudo.
durante uns 3 dias nãofiz praticaente mais nada, além de ver tv e procurar me informar sobre tudo.
5 anos depois, ganham força algumas teorias de consipiração.
onde foi parar o avião que "caiu" no pentágono, que ninguém viu, que não deixou rastros? porque o WTC caiu, e logo as duas torres? porque Bush liberou a familia Laden enquanto ninguém, nem americano nem não americano, podia praticamente nem andar nos aeroportos? como terroristas sauditas, comandados por um barbudo maltrapilho escondido numa caverna no meio do nada dominam pilotos,co-pilotos (com formação quase militar), comissários e passageiros, armados com facas de plástico? como depois do primeiro avião ter batido no WTC ninguém "viu" o segundo avião até que ele atingisse a outra torre? em Nova York? como um avião é desviado, cruza um enorme territorio americano, não é derrubado ou seguido pelos caças mais velozes e letais do mundo e "cai" no pentágono, a sede militar da maior potência bélica domundo e ninguém fez nada? e, como pilotos de formação, no mínimo, duvidosa, controlam monstros como os 757 com tanta destreza, se nem habilidade pra pilotar teco-tecos eles tinham direito?
sei lá, viu. rs rs rs rs

Valeria said...

Eu estava voltando pra casa, na av. Francisco Morato, quase na ponte Eusébio Matoso, quando minha mãe ligou e disse que tinha sido declarada a terceira guerra mundial, que tinham atacado os EUA e outras coisas sem coerência. Cheguei em casa a tv tava ligada, fui pra internet, e fiquei com a tv de um lado e a internet de outro vendo as notícias.
Cheguei a tempo de ver o segundo avião atingir as torres.

Anonymous said...

Nossa !Que confusão foi seu 11 de setembro!
Prefiro meu candelabrio.
Mas esse dia foi marcante mesmo, eu estava no trabalho quando me chamaram pra ver na TV um avião que bateu no predio,ninguém ainda imaginava que se tratava de um atentado, quando vi ao vivo o outro se espetar na torre gemea fiquei por segundos em um vazio completo até cair a ficha.
Não dá pra esquecer, alias nem gosto de lembrar.

Anonymous said...

Meu Deus! Esqueci de novo!
O anônimo ai em cima é o esquecido ,

Jonny'O

Anonymous said...

Como Historiador ou "quase", tenho certo medo destas datas marcantes para as sociedades presentes.
Uma vez Alessandra disse que talvez seja o 11/9 a o fim da idade contemporânea. Não acredito mas vejo esta data como o 1º marco do Século XIX.

Anonymous said...

Jonny sem querer imitalo Felipe Atch

Anonymous said...

Eu estava tendo aula de matemática, era sétima série. O professor tinha saído da sala e voltou com a notícia, bem "apocalíptica" (ele, não por acaso, é pastor hehehe): "Bombardearam os EUA, é a 3ª Guerra Mundial!". Acho que ele disse que tinha sido o Kwait - o que não representava nada pra gente (os alunos), excitadíssimos que estávamos com o tom de perigo e novidade.

Joana said...

anônima Joana, aí em cima ;)

Mauro Chazanas said...

Boa noite, Alessandra, pessoal. Estava na casa dos meus pais, lembro-me que era de manhã. Estávamos conversando. Não me lembro da razão porque meu pai foi ligar a TV, mas o fez. Nenhum de nós na sala prestou muita atenção quando o primeiro choque ocorreu. De repente, todos nós ficamos quietos, vendo a TV, quando do segundo choque. Não acreditei, sério que pensei que era tudo farsa. Não sei que fim levou a conversa, não me lembro de mais nada daquele dia. Dias após, tive a intuição e certeza que o Osama Bin Laden é agente norte-americano. Quem iria provocar um império sem chance de ganhar? Aquele atentado provocou, deu pretexto pra uma série de ações que sei lá se já não estavam no roteiro. Mas, se tem alguma coisa bem escrita no que escrevi é a expressão "sei lá". Talvez tudo seja apenas o amor à morte, o amor ao ódio. Morte não é ódio, morte não é o mal, mas pra quem mata talvez seja: acha que está fazendo o mal para alguém. Vou repetir uma canção, é o caso: "Sinal de Amor e de Perigo", Diana Pequeno. So long.
(putz, desculpem, mas uma dica que voces vão gostar é o álbum gráfico "In the Shadow of No Towers", de Art Spielgelman. Tem tradução no Brasil, acho que saiu com o título "À Sombra das Torres Inexistentes". É sobre o 11.09).

Joana said...

Concordo com o André, essas dúvidas nunca foram esclarecidas... O "Fahrenheit" de Michael Moore fala disso, vale a pena assistir.

Alessandra Alves said...

felipe: seu sentimento de regozijo com o acontecimento não é inédito. é claro que lamentamos as mortes, a tragédia toda, mas é como se esperássemos que isso acontecesse um dia, não por desejo nosso, mas porque quem semeia vento colhe tempestade. não tem jeito. causa e efeito. os eua já dispuseram do mundo como seu próprio quintal por muito tempo. sempre foi assim e sempre será, com todos os povos que tentarem se sobrepujar a outros. ascenderão, dominarão, humilharão e, cedo ou tarde, sofrerão seu declínio, com eventos de humilhação também.

confesso que, certa vez, comentando com uma colega sobre 11 de setembro, soltei uma frase horrível, mas muito reveladora: "foi a coisa mais legal que presenciamos!". é horrível, mas é o grande evento histórico da nossa geração. e isso talvez tenha se potencializado pela atuação da mídia no caso. foi tudo espetacular, imediato, grandioso. viver aquilo foi sentir-se testemunha da história. é triste, mas é assim.

gustavo m.: pena perder seu tratado! vá salvando aos poucos, da próxima vez. engraçada essa idéia de que "o mundo acabou", porque muita gente relata isso. e parece que ontem começou a circular um e-mail na web dando conta de que o mundo ia acabar mesmo. teve criança desesperada com a perspectiva. e, para falar a verdade, todos já sentimos isso alguma vez, ou não? na passagem do cometa halley, na virada do milênio. eu, quando criança, tremi de pavor com a chegada desgovernada do skylab, um troço astronômico que caiu, acho, no pacífico. claro que todos tínhamos a certeza de que ele cairia em cima das nossas cabeças!

valéria mello: esa é boa! você estrai os dentes do siso e quem perde o juízo é george bush!

andré: eu também tenho grandes dúvidas em relação a tudo isso que você comentou. mas, como sou paranóica de carteirinha e sempre acho que tudo é farsa, prefiro poupar meu discurso. uma coisa me parece claríssima: os eua procuravam havia vários meses um pretexto para atacar o afeganistão e o iraque.

valeria: quem pôde fez isso mesmo. ligou-se na TV e na internet. foi um acontecimento fortemente midiático.

jonny´o: para mim, até hoje, é aflitivo rever aquelas imagens. tem uma que me impressiona em particular - a cena do segundo avião vindo da direita para a esquerda, enquanto a primeira torre já está envolta em muita fumaça. aquele avião parece um fantasma, cruz credo!

felipe: interessante você lembrar essa questão da idade contemporânea. você deve saber que há historiadores que consideram a segunda guerra mundial como esse marco final do período. só um distancimento no tempo pode dar a real dimensão de fatos como o 11 de setembro, concorda?

joana: o cara deve ter achado que tinha começado o apocalipse! e a moçada lá, feliz da vida por interromper a mais temida das matérias!

mauro: é, sei lá. talvez um dia saibamos o que há de verdade nisso tudo. como na final da copa de 98, também. (que comparação infeliz, confesso!)

Alexandre Gossn said...

INFELIZMENTE... não me recordo o que estava fazendo quando aqueles malditos aviões derrubaram aqueles malditos prédios. Mas, me lembro claramente que deixei de fazer o que fazia só para ficar vendo as imagens na tv...
Naquela época eu trabalhava em um escritório de advocacia criminal e nem sonhava fazer o que faço atualmente. Recordo-me de ter pensado que aquilo era tudo o que o governo Bush queria... um pretexto para restringir garantias fundamentais previstas na constituição norte-americana. O que eu não podia supor, é que a operação iniciada no Afeganistão fosse desaguar na desastrosa (e desastrada invasão do Iraque). No entanto, seria bom lembrarmos um detalhe que quase sempre passa despercebido pela imprensa: essa invasão é um desastre apenas para o povo iraquiano, os soldados de ambos os lados e para o poderio político de alguns dos membros do governo Bush, ao passo que para as EMPREITEIRAS AMERICANAS.... JAMAIS HOUVE PERÍODO MAIS VENTUROSO QUE ESTE...

abraços

Anonymous said...

Oi Alessandra,
Eu estava de saida para o trabalho quando vi um dos aviões atingindo o prédio. Pensei estar vendo um desses filmes japoneses tipo "jaspion"(nem existe mais).
Quando percebi realmente o que estava acontecendo, fiquei estarrecido.
Demorei a acreditar que "aquilo" que eu estava vendo, eram cenas reais.
Trágico realmente, e em vão.

Bj grande

Carlos Miguel

Mario Lago said...

alessandra, esquisito isto. eu, que não sou reconhecido pela boa memória, ao contrário, me lembro não só de onde estava e o que fazia no momento do ataque, como também dos primeiros diálogos que mantive naquele momento. contudo, acho ainda mais esquisito o fato de que, antes de pensar nas pessoas e famílias, por quem tenha certeza me sensibilzei, o que realmente me veio a mente, naquele primeiro momento, foi a estranha constatação de que "até que enfim" alguém havia desafiado o prepotente poder bélico e a suprema arrogância dos estadunidenses.
- sinceridade, não compreendo tal fenômeno e paradoxo sentimento até hoje...

Marcelo Poloniato said...

Olá Alê,

fico sempre muito surpreendido com sua capacidade de armazenar fatos e buscá-los com a velocidade de um super Pentium 4. A nossa história relatada por você é "bárbara"!!!
Um beijo e parabéns pela forma fácil e agrável da leitura do seu texto!
Um beijo

Marcelo Poloniato

Alessandra Alves said...

mario: a explicação para essa lembrança tão presente, mesmo nos menos afeitos à memória, me parece ser a magnitude daqueles fatos. acho que todos sabíamos que estávamos diante de uma situação que não se repete toda hora e isso talvez nos faça reter o maior número possível de elementos, num esforço de nos situarmos mesmo, de fazermos parte da história!

marcelo: que honra tê-lo aqui, meu querido! mas permita-me dizer que nossa história é beeeeeeeeem mais extensa que esse resumo. o resumo refere-se apenas ao 11 de setembro e sua ligação com meus dentes e minha cabeça latejante. o dia que me der na telha, escrevo um arrazoado sobre uma única palavrinha: "sensibilidade". mas, por enquanto, fica entre nós.

muito obrigada pelas palavras: você continua sendo o grande responsável pelo meu sorriso, como já lhe escrevi uma vez. (a diferença é que, naqueles tempos, um certo time da marginal sem número também me dava motivos para riso. hoje, só se for riso nervoso!) beijos!

Gui Barranco said...

Olha, minha memória é algo quase inexistente... Só lembro de besteiras... hehehehehe Mas, curiosamente, lembro do dia. E como em milhões de outros dias eu estava morrendo de mau humor, lotado de coisas pra fazer no escritório.
E tinha um prazo judicial de manifestação de cálculos pra fazer, e como todo mundo sabe, matemática e advogados não se misturam, o que potencializou meu mau humor (que normalmente já é xingu....).
Aí eu lembro de ligar pro meu estagiário e pedir pra ele me trazer o processo. Dez, quinze minutos e nada... Liguei de novo, perguntando se o processo estava vindo de jegue da Jamaica e havia sido barrado na fronteira com a Venezuela, com meio quilo de cocaína sob os cascos das patas, quando o estagiário me responde: "Desculpa, mas é que entrou um avião em uma das torres gêmeas de Nova York..."
Fiquei mudo pensando se aquilo tinha sido a desculpa mais original que já haviam me dado por não terem feito algo que eu tinha pedido, mas recuperado da dúvida, soltei logo: "Meu, pode entrar um avião até no Vaticano, na cama do Papa, que eu não tô nem aí!!!! Preciso terminar a manifestação porra!!! Traz logo a merda do processo e só me avisa se tiver um avião prestes a entrar aqui no nosso prédio!!!!"
hehehehehe
Só depois de terminar a manifestação, mais ou menos uma hora depois, eu parei pra ver o que estava acontecendo... E aí foi o dia todo ligado na internet e na TV.
Mal sabia eu que aquele episódio iria desencadear tanta coisa nefasta no mundo...
E hoje sinto saudades, não só do estagiário que já não trabalha comigo e era super competente, mas também de um mundo menos paranóico, menos restritivo em termos de liberdades individuais...

Gui Barranco said...

Agora, sobre o fim da idade contemporânea... Concordo plenamente com a Alessandra quando ela diz que uma coisa dessas precisa ser analisada sob uma outra perspectiva, mas se levarmos em conta que o episódio ruiu a imagem de superpotência inatingível, que por causa dele os EUA se tornaram uma "ameaça" à ordem mundial, à soberania e autodeterminação dos povos, que por causa da política externa de Mr. Bush o sentimento anti-americano cresceu vigorosamente por várias partes do mundo, e que está ocorrendo uma mudança na forma de relacionamento entre as nações, acho que o evento teve mais impacto futuro do que a Segunda Guerra Mundial.
Não que ela não tenha sido importante e traumática, mas acho que ela não chegou a estabelecer uma mudança ou linha de conduta no comportamento das nações ou dos povos.

Gustavo Alves said...

Brou,

Agora, restabelecido para sentar a frente do micro, vou dar o meu depoimento.
Estava no Expo TRansamérica esperando o início da coletiva de imprensa da Feira sobre Infra-estrutura de escritórios. O escritório de arquitetura que eu estava trabalhando tinha montado um stand com um escritório conceito que privilegiava o bem-estar dos funcionários. Telas de LCD, massageadores, etc. Um bando de iscas de marketing para fisgar poderosos executivos.
Aquele dia a feira foi um fracasso. Para mim uma frustação não ter Internet nem TV. Cheguei muito tarde em casa e não vi nada.

Pat said...

ninguém assistiu o documentário do GNT dos diretores franceses ( dois irmãos ) que estavam em NY no dia do atentado ?
é de arrepiar os cabelos , nem dormi direito.

realmente o mundo não é mais o mesmo depois do dia 11 de setembro.

Vicaria said...

Morava em minha primeira casa. Saí do banho, liguei a televisão (como sempre) e vi pegando fogo. Assiste daqui, assiste de lá, disse que cairiam os dois. Cairam. Depois, fui para a faculdade (era bixo, ainda). Passamos a tarde vendo o noticiário, além de descobrirmos que uma menina da sala estava em NY. Depois, me lembro da cena de estar sentado no chão do ônibus, que estava lotado e tinha apenas aquele espaço livre (destinado para as cadeiras de rodas). Pensei: "Não vou esquecer nunca dos detalhes deste dia". E quem não iria?

Tanya Sampson said...

Olá Alê, fico sempre muito surpreendido com sua capacidade de armazenar fatos e buscá-los com a velocidade de um super Pentium 4. A nossa história relatada por você é "bárbara"!!! Um beijo e parabéns pela forma fácil e agrável da leitura do seu texto! Um beijo Marcelo Poloniato