Sunday, June 21, 2009

Só Bernie salva

Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull, sentenciou: só Bernie salva. Bernie Ecclestone resolve o problema, na minha opinião, porque Bernie é a origem do problema.

Por que o teto orçamentário foi o pomo da discórdia entre FIA e Fota?

Com a F1, Bernie (que na verdade não é mais Bernie, mas a empresa CVC, um fundo de investimento que tem um monte de empresas, entre elas, a F1), ganha cerca de 600 milhões/ano. Pelo acordo que tem com as equipes, metade desse dinheiro é de Bernie (ou da CVC, whatever). A outra metade, divide entre as equipes.

O teto imposto é mais ou menos o que Bernie paga às equipes hoje. Se as equipes não puderem gastar mais, não têm por que exigir que ele pague mais. O teto só significa redução de custos da categoria no discurso. No fundo, ele é uma argumentação para não aumentar a fatia das equipes no bolo.

Se as equipes forem embora, o que ficará com Bernie? O nome F1, as pistas, os contratos com a TV. Com isso se faz uma categoria?

Por seu lado, as equipes da Fota conseguirão montar um campeonato em pouco mais de oito meses, partindo do zero, negociando com organizadores de corridas, emissoras de TV e rádio etc.?

Bernie pode resolver o problema se aceitar repassar mais dinheiro para as equipes. Vão-se os anéis, ficam os dedos. Ele perde parte do seu lucro, mas mantém a Fórmula.

Neste sábado, Bernie falou sobre a briga dizendo que, se mantiverem compromisso de ficar por pelo menos cinco anos, as equipes recebem em troca o fim do teto. Ele não quer ser surpreendido com o que aconteceu com a Honda no final do ano. Ele admite abrir mão de seus lucros, desde que os times confirmem que vão continuar na disputa no médio prazo.

É o que eu penso dessa história.

3 comments:

Marcus said...

Gostei da análise. Mas, ao que parece, essa questão do teto já estava mais ou menos resolvida, né? O que estragou não foram algumas exigências absurdas do Mosley, de última hora?

Ron Groo said...

Eu vinha tendo uma visão menos mercadológica, e pelo visto bem menos correta, do assunto.

Sinceramente nunca pensei em grana (que ergue e destroi coisas belas) como o principal pomo da descordia entre todos.
Pensava em ego em primeiro plano.

Grana, bem ou mal todos lá tem aos borbotões, mas o status de quem manda e quem obedece parecia incomodar quem realmente promovia a festa, que eram as equipes.

De qualquer forma, a sua análise é muito mais fundamentada que a minha.

Bem... Então... Quem pariu Mateus que o embale, diz o ditado. Cabe agora ao Bernie (or CVC) dar um jeito do estrago.

Uma pergunta:
Ico (Luiz Fernando Ramos) disse em um de seus posts que a cisão era a melhor coisa que poderia acontecer à categoria por "n" motivos... Você concorda?

Eduardo said...

Leio, leio leio e estou chegando à conclusão de que não entenderemos realmente o que está acontecendo. Nunca! Todas as análises parecem coerentes, e algumas são conflitantes!

Tenho a impressão de que a vitória da FOTA seria nossa vitória, são os subordinados se rebelando contra os opressores: "Associação das Equipes de F1", incluindo-se aí os pilotos. Parece que é para eles que torcemos, não? As equipes e os pilotos. Não para os políticos da FIA.
Mas como podem os oprimidos serem empresas como Ferrari, Mercedes, BMW, Renault ou Toyota? Que interesses sórdidos (ó eterno trauma brasileiro) estão por trás dessa queda de braços? Vamos descobrir depois que os interesses são muito mais mesquinhos? Será tudo isso só dinheiro? Não o tem o bastante essas figuras que passeiam, arrogantes, pelo pit ora parecendo deuses, ora agentes secretos?
E ficamos inocentemente torcendo pela vitória do enorme ou do gigante, e tudo o que parecem fazer por nós é tentar adivinhar como nos manobrar com precisão para que nos atinjam em cheio no peito. E nós, abatidos, ainda nos preocupamos, e lamentamos, e sofremos, e torcemos.
É, sem reducionismos, não há bom nessa história. A Fórmula 1 só vive do passado. Agora é esperar esse momento passar.