Sunday, April 13, 2008

1h55min22

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Este foi meu tempo na primeira meia maratona que corri, a Meia Maratona Corpore, realizada em São Paulo, neste domingo. Verdade seja dita: eu já havia feito uma prova com esta distância - famigerados 21,1 km - mas isso foi há quase cinco anos, antes de eu começar a treinar com a equipe Conexão, capitaneada pelo técnico José Eduardo Pompeu. Foi durante uma maratona de revezamento, que resolvi correr com um colega das pistas, dividindo em dois o percurso total. Naquela época, meu treino não tinha método algum. Terminei tão cansada que acabei desestimulada de fazer outra meia maratona.

O estímulo voltou no começo deste ano, quando Zé nos propôs o desafio. Depois de atravessar um ano inteiro fazendo principalmente provas de 10 km, ele achou que era chegada a hora de encararmos outras distâncias e orientou para que nos preparássemos para a meia maratona. Batemos continência ao comandante e nos lançamos ao treino.

Nos últimos meses, nossa rotina foi recheada de percursos mais longos, tanto na esteira quanto nos treinos coletivos, aos sábados, na Cidade Universitária. A maioria da turma nunca havia corrido uma meia, e tivemos de nos acostumar com algumas mudanças de parâmetros. Senti essa mudança de forma aguda durante a prova deste domingo, mas isso eu conto depois.

A opção do técnico pela meia maratona foi, para mim, mais que um novo treino físico. Representou um novo condicionamento psicológico. Quem lê este blog sabe que sou, digamos, meio obcecada por melhora de performance. Tempo, tempo, tempo, eu sempre quero baixar meu tempo e não escondo certa frustração quando não o faço. Depois de completar algumas dezenas de provas de 10 km, eu tinha parâmetros de sobra para esta distância. Consegui fazer meu melhor tempo em dezembro passado, assinalando 49 minutos cravados. Se eu continuasse com o foco nesse tipo de prova, certamente iria em busca dos 48, dos 47 e sabe lá Deus onde eu poderia fixar minha meta. Não quer dizer que eu não fosse conseguir, mas sinto que eu estava próxima de um limite perigoso. Poderia avançar em busca do recorde, encontrando não apenas o cronômetro onde eu queria, mas também alguma contusão que me deixasse de molho.

Abraçar a meia foi fundamental para mudar esse foco. Completar a Meia Maratona Corpore foi um descortinar de novos parâmetros.

Por ser uma prova mais longa, larga mais cedo. Às 7h30, e não às 8h, como costumam ser as provas de 10 km. Um dia esplendoroso em São Paulo, sol, céu azul, sem uma nuvem no céu. Dia ótimo para piscina, não para buscar recorde na pista. Diálogo espirituoso entre dois participantes desconhecidos, ainda no começo da prova. "Vai estar uma lua daquelas quando a gente voltar...", comentou um. "É, vai mesmo, no ritmo que estamos, já vai ser de noite!".



A Meia Maratona Corpore começou e terminou dentro da Cidade Universitária. A maior parte dela, no entanto, foi disputada pelas ruas da zona oeste de São Paulo. Depois de ir até o Jóquei Clube, cruzamos o Rio Pinheiros e seu aroma inebriante pela Ponte Bernardo Goldfarb, talvez a subida mais íngreme da corrida. Serpenteamos pelas ruas de Pinheiros e fomos até a aprazível avenida Pedroso de Morais, uma das mais bonitas de São Paulo, com seu canteiro central arborizado. A continuação dela, avenida Professor Fonseca Rodrigues, nos levou até a porta do Parque Villa Lobos, onde viramos e iniciamos a volta em direção à USP.

Durante todo esse percurso, mais de dois terços da prova, não me permiti ficar ofegante. Embora sentisse o coração tranquilo, pronto para acompanhar um ritmo mais forte, fui percebendo que a musculatura da perna seria muito mais exigida que nas provas de 10 km e segurei o ritmo. Ao voltar para a Cidade Universitária, desta vez pela ponte que leva o mesmo nome, contabilizei e vi que ainda faltavam cinco quilômetros. Pouco para quem já tinha corrido 16 km, mas ainda assim uma distância considerável. Refreei a tentação de aumentar o ritmo e só o fiz já na avenida da raia, dentro da USP.

O batimento cardíaco ia bem, mas as pernas já demonstravam grande cansaço. Para ser sincera, não eram bem as pernas que doíam, mas aquela parte da anatomia feminina que os rapazes da equipe chamam de "mortadela". É mais ou menos assim: a moça passa correndo por nós, distancia-se e sempre tem um para dizer: "Viu que bela mortadela?" Há variações, quase sempre registradas como "mortandela". E eu, que tenho no máximo um blanquet, um discreto salsichão, vá lá, senti o que deve ser o peso de uma mortandela 21 km depois.

Fiz os dois últimos quilômetros em um respeitável sprint, deixando o freqüencímetro subir à vontade. No finalzinho da prova, uma subidinha canalha, seguida de uma descida benfazeja. No pé do morro, lá estava o Zé nos esperando. Gritava o nome de cada aluno que passava e registrava a foto. A presença do técnico, nosso mentor, fez com que uma sensação de gostosa acolhida me invadisse naqueles metros finais. Zerei o cronômetro com 1h55min26 (o tempo oficial registrou 4 segundos a menos - oba!).



Logo depois da chegada, encontrei o Henry, aquele mesmo que, na prova de dezembro, tinha puxado meu ritmo até o recorde. Triatleta, ele também fazia sua primeira meia. Fez em 1h53, o que me deixou bem orgulhosa do meu próprio tempo, pois cheguei pouco depois dele.

Senti que a meia foi diferente de todas as provas de 10 km que eu já havia feito. Raramente termino as provas mais curtas com a musculatura castigada como na corrida deste domingo. Por outro lado, não senti minha capacidade cárdio-respiratória tão exigida como nessas provas de 10 km.

Satisfeita com meu tempo, fico agora pensando o que será do resto do ano. Faremos outras provas de 10 km, certamente, mas muitos de nós ficarão instigados a encarar outras meias. Menos o Zoca, que cunhou a frase mais engraçada do dia: "Não posso passar perto de algum carro funerário, senão ele me recolhe".



(Com um agradecimento especial ao Nilton H. Cruz, que disponibilizou a máquina e as fotos em seu fotolog. Chora, não, Nilton, teu Palmeiras foi operado no Morumbi, mas vem aí o segundo jogo!)

12 comments:

Anonymous said...

Olá Alessandra,

Parabéns pelo excelente tempo, esta foi minha terceira meia-maratona e não consegui baixar às 2:00 horas.

bj ... luisbiason@yahoo.com.br

Herik said...

Que inveja... eu, com meus 31 anos, não consigo correr 500 metros sem sentir meu coração clamar "PARE PELO AMOR DE DEUS!"

Ico (Luis Fernando Ramos) said...

Grande Alessandra, parabéns pelo feito e pelo ótimo tempo. Um dia quero correr que nem você!

Beijao!

Teo said...

Oi Ale,

Parabéns pelo tempo e principalmente, por ter completado, que para mim é o maior desafio de quem corre os 21 pela primeira vez.

Ontem também estava lá, mas era minha segunda meia. Terminei em 1.54'22'' e também estou muito satisfeito com o resultado, 8 minutos abaixo da minha primeira, 4 anos atrás.

Adorei a prova, muito bem organizada com cronometros super completos a cada km, água a vontade, sem apertos de gente...até gatorade e "pista de dança" em túnel tinha. Mas o mais legal foi a galera detonando o sambão na praça panamericana.

Agora preciso treinar mais um mês e meio e no final de Maio encarar a maratona (completa!) de Porto Alegre. Bora?

Abraços,


Teo

niltonhc said...

Belo relato, Alê! Parabéns pelo seu tempo na prova! Confesso que entre os Kms. 17 e 20 eu achei que não iria agüentar, mas no final ainda consegui terminar em 1h57min.

E sobre o meu time... em 1993 o Viola imitou o porco no primeiro jogo, e na semana seguinte o Verdão foi o campeão. Em 2008 o Adriano jogou vôlei de grama, mas na semana que vem... :-D

Bjs.
Nilton

Ron Groo said...

Quando você comentou na Rádio Bandeirantes que tinha deixado de participar da corrida das estações para estar na transmissão, senti que estava chateada pelo fato, mas agora percebo que talvez tenha sido de caso pensado. Afinal tem o tempo de recuperação do organismo após uma corrida, por mais que se esteja acostumado... E você correria 10 km para apenas uma semana depois correr uma meia maratona. Entendo muito pouco de tempos de atletismo, porém penso ter sido uma marca boa para a primeira corrida nesta distância.
Se realmente for: Parabéns. Se não for, não duvido que logo estara - pela obstinação - com tempos bem melhores...
Agora, sensacional mesmo foi no meio de uma corrida cansativa e inédita, ainda conseguir coletar perolas do tipo: "Quando voltarmos já vai ser noite..." ou a do carro funerário...

Alessandra Alves said...

luis: parabéns para você também! como dizia aquela velha propaganda, "o importante é chegar bem".

herik: eu comecei a treinar exatamente com a sua idade. portanto, mexa-se, rapaz!

ico: obrigada, amigo! quem sabe ainda não fazemos uma meia juntos?

teo: parabéns pelo desempenho! rapaz, como fui esquecer de mencionar a rave do túnel antes do jóquei e o sambão na praça panamericana?! sensacional! aliás, sempre fico super estimulada quando colocam música no meio do percurso.

outra coisa que não comentei foi o tamanho da medalha. caramba! nunca vi medalha tão grande. se o kassab visse, era capaz de multar a corpore com base na lei "cidade limpa"! hahahaha

nilton: companheiro, seu tempo foi ótimo, parabéns! quando passei por você, na avenida da raia, lembro de ter pensado algo assim: "só aqui mesmo para o corinthians chegar na frente do palmeira" hehehehe

sobre o segundo jogo, pois é, quem viver verá. mas não confie demais no fator campo. afinal, já vimos o vasco virar um três a zero no palestra certa vez, lembra? eu, como torcedora aposentada e desclassificada dessa semifinal, estou num sossego só...

ron: fiquei realmente frustrada por não fazer a corrida das estações. foi a primeira prova que deixei de fazer com a turma em quase um ano e meio de treinamentos conjuntos. se não fosse a fórmula 1, eu teria feito, sim, como eles fizeram. não sei se estaria cansada. se fosse a meia primeiro e a das estações depois, talvez eu não rendesse bem, mas não tenho tido problema em me recuperar depois das provas de 10 km. meu tempo foi realmente muito bom, por ser a minha primeira meia disputada a sério, pelo calor forte, pelo meu nível de atleta amadora. quanto a coletar histórias e frases, putz, faço isso o tempo todo. meu técnico me orienta a ficar mais focada na prova, mas sou uma antena parabólica, não tem jeito, capto tudo! obrigada!

Anonymous said...

Pô !Cheguei atrazado!

Me diga uma coisa Alessandra ,esta mudança faz parte de uma praparação para a SS ?

Jonny'O

Salar said...

Attention! See Please Here

Cynthia said...

Parabéns Alê, é uma super mulher mesmo.

Daniel Médici said...

Obrigado pela divulgação, Alessandra!

Rafael said...

Eu adoro esses seus relatos sobre corridas.De tanto lê-los(existe isso? hehe) acabei me inspirando e começando a correr tb.Antes eu so fazia musculação.Mas hoje estou aliando as duas coisas...Ainda não disputei nenhuma prova mas estou ansioso para dar esse passo.