Monday, June 18, 2007

O fim do apartheid

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Nos idos dos anos 1990, um racha transformou a principal categoria de monopostos dos Estados Unidos em dois campeonatos. Naqueles tempos, depois de triunfos seguidos de Emerson Fittipaldi, um grande fluxo de pilotos de fora dos Estados Unidos começou a se deslocar para aquela que nos acostumamos a chamar, no Brasil, de Fórmula Indy, embora este nunca tenha sido o nome oficial da categoria.

Motivados um pouco por reserva de mercado e muito por pura xenofobia, os donos do circuito de Indianápolis lideraram a separação. Nascia assim a IRL - Indy Racing League - campeonato originalmente idealizado para ter corridas apenas em pistas ovais e só com pilotos estadunidenses. Se a Fórmula Indy já não era um primor de competição, o racha criou duas categorias ainda piores. Antes de falir por completo, a IRL foi aos poucos abandonando o radicalismo oval e a xenofobia, e hoje tanto corre em circuitos mistos quanto "aceita" pilotos estrangeiros.

A Fórmula 1 corre em Indianápolis desde 2000, não no oval, mas em um circuito misto que aproveita partes do traçado tradicional das 500 Milhas. Ontem, a vitória de Lewis Hamilton, a segunda de sua carreira, a segunda na América do Norte, a segunda em uma semana, tem este significado simbólico.

Foi ali, no Meio-Leste dos Estados Unidos, no "tempo sagrado da velocidade", na casa dos xenófobos que Hamilton, o primeiro negro da história a vencer um GP de Fórmula 1, simbolicamente determinou o fim do apartheid na Fórmula 1. Antes da corrida, toda aquela papagaiada tricolor: grid girls vestidas como a Mulher Maravilha, cheias de listras e estrelas, uma cantora dilacerando o hino estadunidense no melhor estilo "matança do porco". Depois da prova, a dona do circuito Mrs. Não-sei-o-quê George, com um cabelo que mais a deixava com a cara da Bruxa Má do Leste, entregando o troféu ao já mítico Hamilton.

Oh, pequenos grandes prazeres das pistas: como foi bom imaginar a cara dos red necks ao presenciar tal cena...

14 comments:

andre said...

vou tomar um jack daniel's para comemorar a carranca dos red necks.

Alessandra Alves said...

andré: cheers!

e agora fico sabendo que a matriarca george é acusada de ter mandado matar o marido. tudo gente boa naqueles rincões, hein?!

Anonymous said...

Bravo nenina!
Só queria adicionar que este ano o campeão do Supercross americano é negro e um grande fenomeno, "Bubba" Stewart rapidissimo !!!
É um grande momento do esporte motorizado mundial.

Jonny'O

Gustavo said...

Pior se a corrida fosse no estado da Flórida, os mais velhos com certeza iriam pegar na bonnie blue (bandeira confederada) e cantar "dixie"....

Pisa fundo Hamilton!!!!

(vamos ver se agora aparece o comentário, problemas no provedor?)

Edu said...

Eu me lembrei dos red necks quando um tacou a bandeira azul no meio da pista... Ehehe!!!

Alessandra Alves said...

jonny´o: sabia não, amigo! que bom, a semente de jesse owens enfim começa a frutificar nas pistas. bom saber!

gustavo: na flórida seria ainda pior que no meio-leste? se fosse no alabama então teria suicídio coletivo, né? rapaz, não sei o que houve com o provedor, mas eu estava estranhando mesmo a ausência de comentários. pelo jeito, consertou.

edu: cara! como eu fui esquecer disso?! comentei isso na hora - o que é aquela coisa azul no meio da pista? a bandeira! que anta... se fosse gp de portugal, pronto, era um monte de piadinha.

Alexandre said...

...e se fosse GP do Brasil milhares de babacas diriam que o Brasil não tem estrutura para organizar um GP de F1. ¬¬

Alessandra Alves said...

alexandre: sim, sim, sim! fosse no brasil, pau na organização, no "povinho" etc.

Gustavo said...

...é que o Estado de Indiana estava junto com a União Alessandra, abolicionistas em sua maioria. Claro que em nome da mercantilização e não em favor dos pobres seres humanos tratados como animais. No Alabama sim a coisa seria feia...heheheh!!

Ron Groo said...

Alessandra, vamos falar baixo sobre esta hitória de aparthaid...Vai que Max Mosley e Bernie Ecclestone ouvem você e copiando nosso presidente-molusco eles inventam a tal "lei de cotas" para a F1 também...Eu hein.
Ron Groo

Ico said...

Pena que os Red Necks nem ficaram sabendo do que ocorreu, Ale, estavam ocupadíssimos empanturrando o bucho de cerveja e chips enquanto assistiam a trambolhos conduzidos por gorduchos (tem até um colombiano) andarem em círculos...

Alessandra Alves said...

gustavo: obrigada pela aula de história. o pouco que sei desse evento está relacionado a scarlet o´hara!!!

ron groo: e do jeito que a moda do politicamente correto está pegando, capaz de fazerem cotas também para outras "diversidades". mas, se o exemplo da honda nos basta, em termos de correção política, já podemos saber que não ia dar certo.

ico: mas até que não estava tão vazio assim, você não achou. sua piada, ao fim da coluna no gptotal, foi sensacional! beijos!

Edu said...

Vá lá... Se meu pai sustentou uma família até hoje, uma grande ajuda veio por parte dos americanos. E onde trabalhei até hoje, sempre foi com alguma ligação a eles.


Vamos lá. Eu fui torturado esses dias por 4 horas de sociologia. Eu odeio sociologia, mas não havia entendido o motivo até então. Sociologia é um recorte de várias coisas: Filosofia, religião, psicologia, etc. Falta a sociologia uma linha reta, vai desviando pelo caminho mais fácil e fica tudo muito confuso. Por mais simples que pareça eu não entendo nada. Será que tem algo a se entender?

São Paulo, na Primeira Espistola aos Coríntios, explica melhor a divisão de tarefas (deveres) dentro da igreja do que a tal socióloga em relação a industria. Sinceramente eu me lembro bem de uma explanação de C.S. Lewis sobre o assunto. Qual o significado da igualdade? Uma coisa pode ser igual por simples semelhança, como as notas de 1 real. Ou podem ser iguais em finalidade. As peças de uma máquina são completamente diferentes, mas só assim a máquina funciona. A importância de cada uma pode ser igual, inclusive mesmo que o valor não seja.

O EEUU é apenas uma das peças da máquina. Nenhuma nação detém o monopólio da razão, nenhuma sozinha conseguiria conduzir o mundo. Tem a parte ruim, mas em certos (e importantes) aspectos os EEUU representam o que há de melhor. Se o resto do mundo não fosse movido por esse ódio anti-imperialista, certamente beijariam os pés do Bush como fizeram lá na Albânia.

A Venezuela que quer ser a Albânia do bloco capitalista retruca comprando vários Hummers...

Whiteazav said...

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