Sunday, June 24, 2007

Deu bandeira

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Na semana passada, um amigo me perguntou, em certo tom de cobrança: "Você não vai falar da Ana Paula de Oliveira?"

A auxiliar de arbitragem foi às manchetes nos últimos dias com a divulgação da notícia de que será capa da revista Playboy. Confessei certo desânimo no assunto, mas concordei que era um bom debate.

O desânimo vem da enorme carga de machismo que circunda o assunto. A começar pela função exercida por Ana Paula. Sendo "bandeirinha" de futebol, ela já chamou bastante atenção por furar um território quase exclusivamente masculino. Ao longo da carreira, suas atuações são habitualmente destacadas, em especial quando comete erros. Já foram vários e, em muitos casos, determinantes para o resultado. De qualquer forma, é difícil saber se Ana Paula erra mais que outros auxiliares ou se seus erros recebem maior atenção, por ela ser mulher.

Ao aceitar a proposta da Playboy para posar nua, Ana Paula parece ter "traído" a causa feminina, como se tivesse sucumbido ela mesma ao machismo. É difícil não associar uma coisa à outra: revistas masculinas talvez sejam o símbolo máximo da mulher tratada como mercadoria. Na mesma conversa que originou este post, ponderei: já houve mulheres que posaram nua e nem por isso adquiriam o estigma de mulher-objeto, e o exemplo que me veio à mente foi da ex-jogadora Hortênsia. O amigo retrucou, dizendo que Hortênsia era uma espécie de Pelé em sua função, já estava na condição de fazer o que quisesse sem ganhar julgamentos desabonadores.

É muito complexo isso, não? Com minhas raízes feministas, tendo a desprezar qualquer abordagem superficialista da mulher, e o caráter das revistas masculinas segue esse parâmetro. Por outro lado, penso que essa própria associação de idéias seja machista em si. Por que uma mulher que ganha dinheiro aparecendo nua tem necessariamente de ser associada à idéia de mercadoria?

O que vocês acham?

19 comments:

Felipe said...

Passou pela sua cabeça que ela está fazendo isso com quase toda certeza por dinheiro ? a teoria é muito bonita, mas ninguém filosofa de barriga vazia.

Henrique Bartsch said...

Quem leu a Falha hoje, viu a entrevista da Mônica Veloso, que tem acertado muito bem o coelhinho no Renan sem franjinha. Eu achei que o principal propósito da matéria, foi aumentar o cachê para uma futura aparição peladona.
A bandeirinha só ouve desaforo de homem de calção e camiseta, coitada. e dizer que só ela erra, é como dizer que a única banda podre da política é o Renan.
A Mônica já tem a garantia do boi alheio, mas a bandeirinha não tem destas regalias.
Lembram de uma garôta que soltou um rojão que acertou num goleiro no Maracanã? Podem lembrar do fato, mas dela jamais. Em cima de um fato como êsse, faturou o dela, que deve ter sido muito bem vindo.
Como diz o velho bordão popular, cavalo selado só passa uma vez.
Sorte das garôtas, que tem várias opções de revistas, inclusive para fazer leilão, enquanto nós pobres homens só temos a G-Magazine.
E além do mais, as mulheres podem fingir as caras sensuais que quiserem, enquando os homens tem que sair em estado interessante. Será que o photo shop já dá jeito nisso? Ah, deve dar.
Mas acho é que neste assunto que a ministra deveria dizer o relaxe e goze.

Cynthia said...

Eu não acho nada, só espero que venda muita revista...

Anonymous said...

Tudo tem um preço,e consequencia.
Se o dinheiro satifaz por inteiro as ambições de uma pessoa ,quem sou eu para dizer alguma coisa.
Cada um que cuide do seu e pague o preço ,mas por fafor ,sem hipocrisia ,essa historia de nu artistico é coisa de quem acredita na propria mentira.
Hoje em dia ,tá tudo meio que em pé de igualdade ,mulheres e homens pelados ,garotas e garotos de programa para todos os gostos,está uma verdadeira festa.
Hedonismo ,está é a doutrina camuflada que reina na sociedade.

Jonny'O

Alexandre said...

Com ou sem Playboy a carreira dela já estava indo para o vinagre...
Ela apenas e tão somente resolveu acelerar o processo de uma maneira em que seu bolso fosse o maior beneficiado.

Luizano said...

Ela já havia dado uma entrevista para a própria Playboy, em que dizia que não tinha posado ainda por temer prejudicar a carreira de bandeirinha, como resolveram puni-la rebaixando-a para a 4ª divisão do futebol, praticamente encerraram a carreira dela, logo não havia mais o impedimento.

Agora concordo com o Jonny, cada um é livre para fazer o que quiser da vida e aceitar as consequências dos seus atos.

Eu do meu lado vou comprar a revista e aguentar a minha namorada na no pé do ouvido um bom tempo reclamando.

Caíque. said...

Jonny'O tens muita razão.

Gustavo said...

Bem, a decisão de posar compete exclusivamente a ela e várias coisas podem ser comentadas:

- Claro que ela posará com itens ou adereços que remetam a sua função, inevitável mas deplorável na questão profissional. Se a ambientação fosse outra e não necessariamente ligada a atividade profissional, ela não teria tantos problemas com a comissão de arbitragem ou órgão fiscalizador.

- Claro que ela estará capitalizando sobre um erro crasso que causou a punição.

- Claro que por uns 30 dias ela será a mulher-mercadoria do momento, caminho tão comum as neo-clebridades e pesssoas que não tem nada a somar e nem nada a dizer. Ela poderia ser um incentivo ao desbravamento de profissões que ainda não fazem parte do rol usual de escolha das mulheres. Poderia batalhar pela atividade, aprimorar-se, assumir os erros , enfim....mas a opção tão fácil de ganhar tantas centenas de milhares de reais falou mais alto e ninguém poderia culpá-la por isso.

- Enfim: dinheiro e fama movem o mundo; é meio frustrante as vezes tanto estudo, tanto aperfeiçoamento profissional, tanto sacrifício e renúncias pessoais para assistir a pessoas faturarem patrimônios em questão de horas consequência apenas de fama obtida muitas vezes por caminhos para lá de duvidosos. Um corpo bonito, uma participação em um programa qualquer, namoro com famoso, gravidez de um famoso....etc, etc, tudo rende altas somas nesse mundo veloz e de caráter tão duvidoso...."pão e circo" para o povo.

Garcia said...

Olá Alessandra... primeira vez que comento por aqui...

O que aconteceu com ela foi o seguinte:

Primeiro ela começou bandeirando extremamente bem, acertava lances capitais e dificílimos do jogo sendo até alvo de um estudo que definiu que mulher tem melhor visão periférica e homem enxerga mais longe (para se marcar um impedimento, onde é necessário olhar a saída da bola e também jogadores que estão à frente a primeira opção é melhor), enfim, foi tida como a melhor auxiliar do Brasil.

Este ano ela cometeu alguns erros, o principal deles na Vila Belmiro no jogo entre Santos x São Paulo, que lhe rendeu um leve gancho (teria que levar o gancho mesmo, pois homens também estavam levando) e em seguida acabou com a graça do Botafogo na Copa do Brasil com um show de erros. O que começou a chateá-la foi alguns comentários do tipo "ela devia estar da TPM" do vice presidente do Botafogo José Carlos Montenegro, que também preside o ibope. Na carona desse asno, inúmeras pessoas usaram um tom meio mahcista para criticá-la...

Com base nisso, as declarações de que jamais posaria nua pois atrapalharia sua carreira foram mudando de leve e a esperta Playboy percebeu que era a hora certa de contactá-la, o resultado veremos em breve nas bancas, pois depois de tanto desrespeito hoje ela pensa mais em encher a bolsa de grana do que em seguir com pretígio em sua carreira, onde ela sabe que pelo simples fato de ser mulher, não conseguirá...

Certíssima ela, não?

andre said...

julgar a relação das pessoas com o mercado é sempre um desafio complexo; moral?, amoral?, pragmático?
acho que bandidagem não merece complacência, mas esse definitivamente não é o caso da ana.

Celinho Boy said...

Henrique Bartsch, uma correção: o disparo do foguete não atingiu coisa nenhuma o goleiro Rojas. tudo não passou duma farsa para prejudicar o Brasil e eles, chilenos, obterem a vaga pra itália. No exame do corpo de delito que fizeram no goleiro, notaram que não tinha restícios de pólvora. Pior, depois vieram fotos que mostraram que na verdade ele carregava uma lamina. moral da história: Chile fora das eliminatórias de 1994, Rojas banido do futebol e Rosenery ganhando a vida como vendedora até (vejam só)de fogos de artifício. Alguns links:
Fogueteira:http://pt.wikipedia.org/wiki/Fogueteira_do_Maracan%C3%A3
Rojas:http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Rojas
Episódio do Rojão:http://www.gazetaesportiva.net/historia/futebol/copa/1990/brasil.php

Na hora que uma pessoa vai posar nua ela pensa em muitas coisas. começando pelo ganho que irá obter, depois se pré-julga se deve mostrar tudo, suas consequencias e possíveis comentários favoráveis e contrários. E em especial as razões para tirar a roupa, muitas vezes pensando em pessoas mais próximas e em si próprio. Mais: no caso dela, gostaria de saber que tipo de ação tomará a comissão de arbitragem. Sinceramente se eles mandarem ela pra rua será duma caretice tamanha. O respeito e a autoridade eles tem que mostrarem em campo, não comentendo erros crassos, em especial não sendo "Edilsons" da vida.
Sobre ela posar nua é uma decisão que ela pensou bem nos prós e contras. Várias outras mulheres também posaram nuas e não se tornaram objetos de desejo, seja por causa do ensaio ser um fiasco, seja porque isso passou. Mas muitas ganham a vida com ensaios. Pam Anderson já posou 12 vezes, sabiam? Se ela cometeu erros, tudo bem, deve pagar por eles. De posar nua, jamais. Existem coisas bem piores que uma bandeirinha ficar nua. É a sujerada que corre dentro dos clubes e até quem sabe de federações de futebol.

Alessandra, te coloco nua saia justa se te indagar se posarias nua caso uma proposta fosse apresentada. Faço tal pergunta pois muito de nós pode um dia por alguma circusntância sofrer esse tipo de assédio, né.
Beijos e tudo de bom pra ti.

Henrique Bartsch said...

Caro Celinho...agora vc me fez lembrar do episódio do foguete, que apenas citei só para dizer que não é fácil dizer não a uma chance de ganhar uma grana e depois voltar ao anonimato.
Em muitos casos, em uma sessão de fotos, a pessoa vai ganhar, sem exagêro, o equivalente a uns dez anos de salários mal-pagos. Aproveitando este papo, em meu blog coloquei uma sugestão para que no caso de escândalos, ao invés de CPI, operações de Polícia Federal, que os envolvidos tivessem que sair pelados em publicações nacionais. Acho que o cenário iria mudar.

E tadinha da Alessandra. Ela acendeu a fogueira, mas nem por isso precisa jogar fagulha nela, eheheh....

Alessandra Alves said...

ora, vejam! soltei a bomba e saí de fininho, mas vejo que os amigos se animaram no debate. que bom!

desculpem pela falta de comentários, mas a correria anda grande por aqui. ainda volto para comentar um por um, mas não posso fugir da raia diante da pergunta do celinho boy.

bah, tchê, mas que pergunta! diante de qualquer circunstância polêmica, procuro sempre me colocar no lugar do outro, que está sendo julgado (e, em alguns casos, condenado). o que eu faria se estivesse no lugar dele (a)?

brinco sempre que gostaria de escrever um livro, mas para isso, antes, precisaria ficar famosa, para o livro vender bastante. e, para ficar famosa, precisaria posar nua antes! e só seria convidada a posar nua se virasse celebridade, participando do bbb, por exemplo. argh!

mas é só brincadeira mesmo. pode não parecer, mas sou bem tímida nesse ponto e ficaria muito constrangida de encontrar as pessoas do meu dia-a-dia e imaginar que boa parte delas já me viu pelada!

mas isso não é um conceito para todos, é uma postura pessoal. acho, como você mesmo disse, uma grande caretice julgar moralmente uma pessoa por posar nua, seja mulher ou homem. isso parece coisa da inquisição, dos papas que cobriram os afrescos de michelangelo, por causa dos corpos nus.

e se fosse por muito dinheiro? quanto é muito dinheiro? se fosse um dinheiro que me permitisse nunca mais na vida me preocupar com dinheiro, acho que reveria meu constrangimento. mas acho que ninguém me pagaria US$ 1 milhão, que é aquela cifra mágica para nunca mais se preocupar com grana, né?

Edu said...

Um belo dia notei que um monte de marmanjo me seguia, com olhares na altura da retaguarda. Estava lendo um negócio, por isso olhando pro chão. Tinha alguma coisa errada.. Subindo a vista dei de cara com o x da questão: Com uma bunda. Parecia de uma vaca, de tão grande que era. A bunda pertencia a Ellen Roche. Ha! Eu vi a bunda da Ellen Roche a menos de 1 m dos meus olhos. Posso dizer: Eu não vou! Fazer o que. Acho que a vulgaridade não cabe nem numa mulher-objeto. Ela estava com aquele shortizinho e um topzinho, num ambiente onde todos estavam, bem ou mal, vestidos.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Uma coisa é a estática, outra é a dinâmica. A estática foi aprovada pela fotogenicidade da moça. Porém, com carga aplicada nota-se a falta de sincronia do conjunto. O caminhar estava mais pra marcha soldado do que para que coisa mais linda, mais cheia de graça. Imaginei acordar do lado daquilo e vi que teria que sair correndo antes que ela acordasse.

Cada um é mais ou menos o que escolhe ser. Posar nua não faz da mulher uma mulher-objeto. Um outro exemplo é a Débora Rodrigues, que ficou famosa por causa da Playboy e esta prestes a se tornar mamãe de uma família.

Celinho Boy said...

Edu, ela ficou famosa porque era militante do MST e havia aquela polemica se ela iria ou não aparecer com algum adereço do movimento. O caso dela lembra muito o da Rosenery citado pelo Henrique. A diferença é que a ex- militante do MST corre fórmula Truck. Trabalhava no Fantasia, quando foi posta pra escanteio pela Carla Perez.

De fato Henrique, a Rosenery admitiu que não conseguiu gerir a fama com o episódio, chegando ao ponto de vender cahorros quentes e fugir do assédio da imprensa.

alessandra, lá nos EUa eles oferecem uma cifra bem mais generosa. O problema é conseguir uma grande celebridade pra estampar a capa da revista. Chegaram a oferecer 4 milhões de dólares pra Gisele bundchen e ela disse não. Parece que lá existe uma cultura duma celebridade temer aparecer em capa de revista pelo fato disso prejudicar sua carreira. dificilmente veremos Nicole Kidman ou Heather Graham estampando uma capa de revista, né?

"mas é só brincadeira mesmo. pode não parecer, mas sou bem tímida nesse ponto e ficaria muito constrangida de encontrar as pessoas do meu dia-a-dia e imaginar que boa parte delas já me viu pelada!"

Isso me fez lembrar uma declaração da Sabrina "vitrine" Parlatore de que não faz tais ensaios pois não gostaria de ver um porteiro olhando uma revista dela, uma coisa assim. É isso que citastes que faz muitas pessoas não querem aparecer nuas. Muitas acreditam que dá pra ganhar a vida com o trabalho sem precisar tirar a roupa e mostrar para os outros o que os namorados ou amigas podem ver.

Por outro lado, muitas celebridades, tipo Juliana Paes, deixam fermentar suas carreias pra cobrarem um cachê mais alto e venderem mais revistas. Outras, tipo Babi, posam nuas pela necessidade financeira, embora outrora se recusassem a aparecer. No auge da carreira quando apresentava o Erótica MTV, ela foi muita assediada, resistiu, mas com a demissão do SBT, virou presa fácil da Playboy.

Gostei muita da tua resposta, Alessandra. E adoro este teu ecletismo de assuntos. Gostei muito da tua discussão sobre F1 + racismo + jazz. Muito oportuno teus posts anteriores sobre o Hamilton e a Billie Holliday.
Ah, pena que não deu pro Gremio contro Boca juniors, mas pelo menos ganhamos o Gre-Nal em pleno Beira-Rio.
Beijos Alessandra e um abraços do tamanho de São Paulo.

Che said...

Ela é bonita e gostosa, que mal há em sair na Playboy? Vou comprar a resvista!

Ron Groo said...

Sabe Alessandra, acho que não tem nada que desabone a nossa bandeirinha. Mas sabe como é!Me irrita que alguém tenha como meta na vida este tipo de coisa. Deveria ser consequencia, mas de todas as menininhas que despontam para o sucesso, um dos desejos, ainda que não confessados é sair na playboy...Me irrita.
Deixa eu fazer uma perguntinha?
Quem eu devo embulachar para ter um comentáriozinho seu em meu blig?
Ou de quem eu devo puxar o saquinho? (isto eu não faço KKKK)
To brincando sei que você tem outras ocupações....
ron Groo
www.bliggroo.blig.ig.com.br

belino said...

Alessandra,

Acho que o lance é mais simples do que parece: ela se aproveitou dessa cultura de "mulher-objeto" por estar dentro dos padrões Playboy (mulher bonita e em destaque pelo que faz) e ainda com um baita apelo de mídia espontânea, presente em muitos dos papos que rolam pela cidade.

Sei que vem lá a Playboy, oferecendo uma boa grana e ela aceita, pensando somente na sua vida. Posso estar enganado, mas não acho que ela leve em conta essa questão de ser tratada como objeto pela revista.

Enfim. Deixa a moça ir lá, tirar a roupa e fazer o pé de meia. Fazer o que, ne?

Abs

Ron Groo said...

Você não pode ver, claro. Mas estou fazendo reverencias a seu comentário. Disse tudo e mais, ilustrou. Tenho vontade de pegar este comentário e esfregar na cara da tal professora de quem comento. E ainda por cima teve a petulância de dizer que EU era tapado e que se não o fosse não teria ela melhor salário que eu. Dinheiro é importante sim, mas ainda tenho minha integridade intacta. (apesar da carenagem arranhada)
Vou torcer sim por você e sei que voce fará contrário da ultima frase de meu post. Saindo do sofá e deixando alguns quenianos (tem lá?) prá trás.
Ron Groo
Ps I - Queniano=Ferrari com Shumacher no atletismo.
Ps II - O titulo éra uma alusão a uma canção do Iron Maiden, que ninguém é bom moço e tem bom gosto 24 horas por dia...KKKKK