Tuesday, May 23, 2006

Evo, O mundo é um moinho - segundo ato

Palco vazio. Escuro. À esquerda, um facho de luz avermelhada ilumina Índia, em pé, braços cruzado, batendo nervosamente um dos pés no chão.

Índia (impaciente) - Agora você vai fingir que não está me ouvindo? Claro! Seus problemas são mais importantes, é sempre assim! Você só lembra que eu existo quando grito e ameaço. Vou precisar gritar de novo, para você parar de me ignorar?

Luz avermelhada esmorece. Palco escuro. Áudio:

"Fala pra mim, diz a verdade
O que mudou assim tão de repente
Quero saber de onde vem
Esse medo que machuca a gente"

À direita, um foco de luz branca incide sobre uma bancada de telejornal. O âncora dá a notícia.

Âncora - A cidade e o estado de São Paulo sofreram na semana passada uma série de ataques do crime organizado, em ações realizadas pelo Primeiro Comando da Capital. Na segunda-feira, dia 15 de maio, a população da capital abandonou suas atividades normais e correu para casa antes do anoitecer. A palavra de nosso analista.
Analista - Ao que tudo indica, as ações foram orquestradas de dentro dos presídios, graças ao acesso dos presos a aparelhos de telefone celular. É fundamental que as autoridades tomem atitudes enérgicas para coibir esse crime. Neste instante, a coisa mais importante a fazer é bloquear o sinal de celulares nas cadeias.

Foco de luz se apaga. Palco escuro. Áudio:

"Tá tudo errado, fogo cruzado
E a gente não consegue se entender
Porque não me telefona
Dê notícias de você
Liga ao menos pra dizer
Que o melhor é te esquecer"

Centro do palco. Luz verde-amarelada sobre homem de barba, vestindo terno. Fala dirigindo-se à platéia.

Homem (sereno)- Nesse momento de comoção e medo, a atitude mais correta nos parece o debate sereno. Tivemos longas e profundas conversas, ficamos à disposição para enviar ajuda. Nosso papel, nessa circunstância, é o apoio firme e resoluto às ações de manutenção da ordem, dentro da mais estrita legalidade.

Luz verde-amarelada esmorece. À esquerda, luz avermelhada sobre a Índia.

Índia (irritada e irônica) - Tudo bem, vai me ignorando, vai! Eu sei a hora certa de usar minhas armas, também. Você acha que eu estou criando caso, inventando uma crise só para aparecer e me aproveitar disso? E se for? Você vai ficar só bancando o papai-sabe-tudo, pra sempre?

Luz avermelhada esmorece. Palco escuro. Áudio.

"É a sua indiferença que me mata
É uma invasão, um nó dentro de mim
Coração divide em dois na sua falta
Uma parte é o começo a outra o fim"

À direita, um foco de luz branca incide sobre uma bancada de telejornal. O âncora dá a notícia.

Âncora - A seleção brasileira desembarcou ontem na Suíça, para quinze dias de preparação antes da estréia na Copa do Mundo. Vamos saber de nosso analista se o clima de "já ganhou" pode atrapalhar o Brasil.
Analista - Bem, amigos, o Brasil é sem dúvida a grande força, o inimigo a bater, o campeão que todos querem derrotar. A coisa mais importante, agora e no próximo mês, é manter nossa atenção constante na bola. Sem vaidades, sem intrigas: só a bola interessa!

Foco de luz se apaga. Centro do palco, luz verde-amarelada sobre homem de terno.

Homem (olhando para a platéia, bem-humorado) - Eles representam nosso orgulho verde-amarelo, são o Brasil vencendo lá fora, impondo seu estilo, marcando seu território. Com determinação e disciplina, ninguém derrota o Brasil! (baixando o tom de voz, como se revelasse um segredo) Estou falando da seleção de futebol, não da Petrobras, caso alguém não tenha entendido...

Luz verde-amarelada esmorece. Palco escuro. Áudio.

"É a sua indiferença que me mata
Que me mata, que me mata
Coração divide em dois na sua falta
Na sua falta, na sua falta"*

Luz avermelhada na esquerda.

Índia (serena, mas mantendo o tom irônico) - Isso, faz bem. Vai lá pro seu futebol. Quem sabe ele te faz esquecer do resto, quem sabe ele te faz esquecer de mim.

Fim do segundo ato.
*Indiferença, Zezé di Camargo e Luciano

25 comments:

Alessandra Alves said...

e aí, vamos continuar a discutir evo, bolívia, gás, imperialismo brasileiro, factóides, falácias, racismo...

... ou vamos apontar nossa indignação contra o marcola, o lembo, o nagashi, a vivo, a claro, a tim, a oi, o iml, as entidades de defesa dos direitos humanos...

... ou simplesmente vamos deixar a bola rolar?

Daniel Carlos Nava said...

Primeiro, cortar o consumo e pagamento de gás por quebra de contrato (de preferência inutilizando a infraestrutura de prospecção e refino deixada para trás).

Segundo, apertar o controle sobre os presidiários, com aumento da disciplina e fazendo com que o preso trabalhe.

Terceiro, torcer, sim, pela Seleção Brasileira.

Pedro Alexandre Sanches said...

Alessandra! e aí, diz o Galeano em "As Veias Abertas da América Latina", as minas de Potosí foram saqueadas pelos europeus, que "exportaram" para seus domínios não sei quantas mil toneladas (não tô com o livro aqui, depois falo o número exato, é impressionante) de prata e de ouro. Potosí, ele explica, ficava onde hoje é a Bolívia...

e eu me (te) pergunto, pensando na Índia saqueada e acusada de "histérica" por uma multidão de machos "serenos": quantos levantaram a voz contra a pilhagem da Índia, quando a pilhagem aconteceu?, quantos levantam ainda hoje? quantos levantam e levantarão a voz contra o decreto da Índia, de que "o meu petróleo (o meu sangue?) é meu", enquanto o decreto está acontecendo?

e depois a Índia é que leva a fama de des(v)airada, né?

Pedro Alexandre Sanches said...

encontrei aqui: entre 1503 e 1660, a europa "entubou" 185 mil quilos de outro e 16 milhões de quilos de prata. tudo vindo aqui da América Lat(r)ina.

outra, segundo Darcy Ribeiro: quando os europeus "caíram" sobre nossas costas, éramos entre 70 e 90 milhões de habitantes (indígenas, se é preciso ser explícito). um século e meio depois, éramos (porque, sim, qual de nós não possui sangue indígena correndo por dentro?) 3,5 milhões de índios.

agora parece até que só sobrou um, o evo. e o que não falta é gente disposta a estrangulá-lo.

Alessandra Alves said...

pedro, veja que coincidência: o pandini também está lendo "as veias abertas" e eu, claro, sou a próxima da lista. engraçado é que a gente comprou esse livro um pouco antes de "estourar" o caso bolívia-petrobras, e logo que aconteceu começaram a aparecer textos e refências ao eduardo galeano na imprensa daqui.

há quem se apresente para atacar o gesto do índio (da índia?), alegando que fere um contrato, e eu não discuto esse ponto. fere mesmo, mas a questão me parece profunda como mostram os dados do galeano: é um histórico de opressão. uma hora, cedo ou tarde, para cima do brasil de lula ou de outro país e de seu governante, isso ia ter que estourar.

e essa lógica, pedro, é a mesma que a gente tem discutido em outras circunstâncias. oprime a favela, oprime a escola pública, oprime o negro, oprime o homossexual, oprime a mulher. uma hora, a bolha estoura, a panela de pressão explode.

vou aproveitar para retomar os comentários lá de baixo, do primeiro ato (também não sei como as discussões persistem nos tópicos de baixo. se eu descobrir, um dia eu te conto).

mas eu queria retomar o testemunho do ico, que esteve no encontro de viena (para quem não conhece, o ico, ou luiz fernando ramos, é um jovem e excelente jornalista brasileiro que mora na áustria). achei muito interessante o testemunho dele, sentindo-se platéia de um show de hugo chávez e notanto mais "sinceridade" nas colocações de morales. valorizo porque é a palavra de quem estava lá, ao vivo, mas isso me remete a uma análise óbvia: a de que a gente vê tudo pelo nosso próprio viés. fosse algum fanático de esquerda, em vez de assistir a um "espalhafatoso" chavez, era capaz de ter visto um "convincente", "firme" ou "resoluto" chavez. a lente de cada um determina a nitidez da imagem.

agora, pedro, e que tal a trilha sonora do segundo ato? hehehehe

o seu segundo comentário me fez lembrar, claro, de baby consuelo cantando jorge ben: todo dia, era dia de índio.

mario lago said...

saudações tricolores!!! e verde- amarela também!!!!!
- já estou procurando uma sirene a ar, hering amarela, lavando a bandeira de torcer (o que sofre a coitada!) e tentando sacar a tabela advinhando onde e com quem assistirei os jogos de meio de semana...
- já me indiguinei o suficiente com evo e lula, pelo que deixei de lado (provisoriamente - até a mudança de governo) meu projeto de adaptar gás ao V-8 que me implode as finanças...vai ficar encostado também...
- dificil tem sido abaixar o vidro (muito!) escuro do carro, com esse frio que anda fazendo, a cada viatura e blitz que cruzo em meus caminhos, pelo medo de ser previamente (o atual atira antes pergunta depois) metralhado...
- enquanto isso, vou mantendo a luz aceza, pois não, daqui não saio, daqui ningúem me tira... nem lula, nem dirceu, nem marcola, nem pcc, nem evo, nem esta absurda carga tributária que nos esfola a cada santo dia...

Daniel Carlos Nava said...

Pedro,

Seguindo a sua lógica, somos 160 milhões de indígenas.

Pedro Alexandre Sanches said...

sim, daniel, acho que somos... com o agravante de que os "menos" índios nutrem um ódio danado (e bem camuflado) dos "mais" índios...

Ian. said...

oi adriana,
eu no trabalho louco pra comentar no seu blog e descubro que eles nãoseiporquê bloqueiam esta linda caixa de comentários. esta onda de venas abiertas está me atiçando também, o meu exemplar tá aqui me cobrando, 'já que você me roubou daquela biblioteca da escola que mais parecia um mosteiro, pois ninguém podia mexer nos livros (isto os professores, imagina os alunos 'ah, mas eles não sabem ler mesmo') então venha me ler.'.

legal você ter citado o amigo jornalista na áustria, uma outra visão fora desta festa das gazelas aqui desesperados porque tão fazendo óbvio nos nossos vizinhos. me e faz lembrar da ótica inversa, meus colegas de trabalho leitores da veja. au.

mario lago said...

alessandra, complementando: nem aquela dupla de rábulas canalhas, mercadores sórdidos, que devem ser sumariamente expulsos de nossa ordem, faz com que desista da beleza e do amor que sinto por esta terra, meu lugar.......

Cynthia said...

Sou uma enstusiasta das teorias da conspiração, muito divertidas e que, se não são verdadeiras, colocam as pulgas atrás de nossas orelhas. Já tem muita gente especulando que foi muito providencial a onda de terror em SP, porque nos desviou do gás de Evo... E pra completar a onda de sorte, a seleção já chegou na "pacata Weggis" (tô de saco cheio dessa expressão).

Alessandra Alves said...

mario, vou aproveitar seu comentário e discorrer um pouco sobre a ironia do post, baseada no fato de que toda indignação contra evo, de duas ou três semanas atrás, simplesmente parece ter se desmanchado no ar. me parece a repetição da mesma história, ano após ano: a imprensa (os ditos "formadores de opinião") inundam suas páginas, blocos de noticiários, telas de portais com assuntos que ganham a dimensão de importantíssimos e urgentíssimos - muitas vezes, são mesmo - até serem substituídos pelo importante e urgente da semana seguinte.

foi-se evo, veio o pcc, está chegando a copa, e daí? ninguém fala mais da bolívia, varre a bolívia para debaixo do tapete até que ela se faça ouvir novamente, usando (e eventualmente abusando) de outro radicalismo. daqui a pouco, também não falamos mais de pcc, varremos o pcc para debaixo do tapete e assim segue a mídia, sempre uma campeã de audiência.

mas me fala uma coisa, mario: que V8 você tem? mustang? você faz parte do clube do V8? puxa, faz tanto tempo que não falo disso, desde os meus tempos de assessoria de imprensa da ford.

quanto ao seu carro com vidro "filmado", vou dar uma cutucada, com todo respeito. tá vendo, agora, que não adianta se esconder? ("as grades do condomínio são pra trazer proteção/ mas também trazem a dúvida se é você que tá nessa prisão").

fico feliz em ver gente como você e eu e outros, felizmente, mantendo a fé no brasil.

daniel, pedro: retomando a história do índio. eu concordo inteiramente com o pedro quando ele fala que boa parte das reservas contra evo morales têm raízes no racismo. preconceito contra aquilo que nos parece diferente (pele morena, cabelo escuro e escorrido, hábitos estranhos aos nossos) e, mais ainda, contra o que queremos esconder (sim, somos 160 milhões de indígenas - é nossa origem, é o começo da nossa história) e em grande medida esse tipo de aversão seguidamente me evoca cazuza ("são caboclos querendo ser ingleses"). nós, elite privilegiada, estamos constantemente trancando em nossas senzalas íntimas todos os nossos traços de sub-densevolvimento, de hábitos arcaicos, de paradigmas ultrapassados. vê-los escancarados em um governante articulado, eleito pelo voto direto, fiel a suas origens e propósitos cria um choque terrível, fortíssimo. a aversão pode ser prima-irmã, ou irmã-gêmea da atração, já repararam? será que evo morales não parece incômodo a tanta gente justamente porque é tão parecido com o que somos nós, povos latino-americanos?

peraí que tem mais.

Alessandra Alves said...

mas, pedro, há alguns comentários atrás, você lançava uma pergunta, sobre por que tanto ódio de evo morales, expresso pela mídia e por parte da opinião pública, ainda antes de abordarmos o tema do racismo.

fiquei pensando sobre esse ódio aparentemente gratuito nos últimos dias. eu tenho um tipo de trabalho bem low profile, embora seja jornalista e, muitas vezes, sinta que algumas pessoas se esforcem para tentar reconhecer minha fisionomia, quando preencho uma ficha por exemplo e digo que sou jornalista. "será que conheço da TV?", parecem dizer esses olhinhos curiosos. não, não conhecem.

e eu tenho uma baita medo da notoriedade. não tem nada a ver com perda de privacidade, mas está muito ligado ao julgamento (eita, de novo uma palavrinha complicada) que se pode fazer de quem é ou fica por um período famoso.

eu entendo e gosto que meus amigos e minha família destaquem minhas qualidades dizendo, sei lá, que sou na maioria do tempo uma pessoa de bom astral. eu entendo, nem sempre gosto, que eles ressaltem meus defeitos, apontando que eu sou caxias demais com coisas como arrumação e exercício físico. eles me conhecem, falam com propriedade.

mas me exaspera a idéia de que alguém, que mal me conhece, diga que me ADORA ou que me ODEIA! porque essa pessoa pode me adorar porque pensa que eu sou fanática por cachorros (o que eu não sou!) e me odiar porque acha que eu sou palmeirense (que também não sou!).

as pessoas "públicas" ficam muito sujeitas a isso. há algum tempo, vi a reprise de um roda viva com paulo autran e tônia carrero na qual ele, que já está numa idade na qual se permite ligar o botão do dane-se, dizia que não tem mais paciência com críticos nem com fãs. amores injustificados e ódios gratuitos circundam as ditas personalidades o tempo todo, ainda mais quando eles são autênticos, polêmicos, histriônicos etc.

ian, adriana? well, acho que era comigo mesma, então lá vai: olha, as empresas estão muito em cima dos acessos, por isso tem sido cada vez mais comum o bloqueio a blogs, chats, foruns etc. pelo que entendi, você roubou um exemplar do "veias abertas" da biblioteca da sua escola, certo? nossa, eu era tão CDF, na escola, que a rebeldia máxima que me permiti foi roubar a plaquinha de madeira com a inscrição "3° colegial" que ficava na porta da minha sala, no último ano. você virou meu herói.

olha, isso que você falou dos leitores de veja é uma das coisas que me irritam profundamente. o cara fala e repete e até dá números e fica tããããããão evidente que ele está só devolvendo via oral o que leu na revista da semana! o problema é que isso está me dando um bode tão grande que estou radicalizando contra alguns veículos de imprensa. coloco em dúvida tudo que leio neles (e, claro, não precisa ser assim, não deve ser assim, mesmo que se tenha uma posição contrária ao que tal veículo traz, a gente deve ler no mínimo para refletir e até para olhar as questões de outros ângulos).

cynthia, pelamordedeus! só falta você me dizer que acredita que o brasil entregou a copa de 98 para a frança, que paul mccartney morreu em 1966 e que colin chapman, o fundador da equipe lotus, vive até hoje incógnito em uma fazendo do mato grosso! mas faço coro com você: a "pacata weggis" já deu no saco. mas, imagina o que deve ser aquilo: seria como se os beatles, em 1967, desembarcassem em amparo, cidade natal da minha avó. nunca, nem antes, nem depois nem em tempo algum weggis/amparo teve/terá tanta notoriedade!

Daniel Carlos Nava said...

Alessandra,

Não acho que seja preconceito contra o Evo por ser indígena. Basta ver que ninguém fala mal do Alejandro Toledo do Peru. A diferença é que o Toledo tem uma administração responsável.

ian said...

foi mal, alessandra.
adriana alves é o nome da minha ex-mulher.
spirits in the material world.

mario lago said...

- bom dia alessandra!!! seally season in flash back!!! colin chapman se encontra ainda na áfrica do sul, protegido que foi pelo regime do então apartheid, onde se escondeu por problemas com o fisco britânico e com a promotoria pública italiana por acidentes fatais com suas baratas. dizem, até, que com linda ex-esposa de um campeão de f-1 dos idos 70... hé! hé! hé!
- que nada, algo bem menos romântico. mas, estou tentando comprar de uma dupla de irmãos caipiras, bons amigos, um mavericão GT, 302 canadense, vermelho, que depois de reformado vai ficar bandido...ronco glágláglá grave... só falta o $$$$$!
- li algo, em algum lugar, sobre ser a imprensa o quarto poder das repúblicas. ouvi de alguém, não sei quem, que hoje, com a informação global instantânea, não exatamente nesta ordem....
- concordo. nos grandes centros estamos presos. sempre.
bom fim de semana a todos!!!! valeu!!!!!!!

Pedro Alexandre Sanches said...

daniel, tá certo, tem o alejandro toledo, que é "responsável"... mas aí, puxa, vou empatar de novo, porque tem o néstor kirchner, que andou cometendo lá seus atos "irresponsáveis" - mas não tem cara de índio nem de bugre...

ou, se for para embaralhar mais ainda, tem o lula, que é estritamente "responsável" (nos ditos contratos) - mas não parece nem de longe com um europeu daqueles bem "bonzinhos"...

enfim... bato na tecla do racismo, ainda. claro que não é a única das mazelas (nossas e dos nossos governantes). mas tá aí, é mazela, só não vê quem não quer...

Daniel Carlos Nava said...

Pedro,

O Lulla e o Kirchner são criticados, sendo o argentino mais que o brasileiro. Ambos possuem uma máscara "responsável", mas são tão ruins como o Chaves, o Chapolim venezuelano. Estão apenas em um estágio anterior. Responsabilidade fiscal baseada em aumento de impostos é fácil (nisso incluo também o FHC). Seria como se eu assumisse várias dívidas e não tivesse como pagá-las. Para não me comprometer iria até a tesouraria da empresa que me paga e os obrigasse a aumentar meus ganhos.
Meu sonho de me mudar para a Argentina finou-se com a eleição deste sujeito por lá.
Aliás, melhor votar em Lulla novamente. Quando isso aqui virar uma Cuba, peço asilo político nos EUA. Só tenho que descobrir como construir uma balsa que vá de Santos até Miami.

Pedro Alexandre Sanches said...

alessandra, gostei imensamente do final do seu primeiro comentário, do "choque terrível" e da "aversão" sendo prima-irmã ou irmã-gêmea da "atração". uma belíssima interpretação, que aliás já está inscrita em sua "ficção" sobre a atração tempestuosa entre a índia e o barbudo...

concordo também com a linha de raciocínio que você tomou para falar da interpretação "privada" que damos às coisas "públicas", quase sempre eivada (evo!) de superficialidades, redundâncias, intolerâncias... ao que eu sei esse, puxa, costuma ser um prato cheio para a psicologia, que vê os "famosos" como espelhos de projeção que nós, "anônimos", utilizamos para (não) ver a nós próprios... nesse sentido, a intolerância e a falta de vontade que atiramos contra os "públicos" (os políticos, principalmente), seria prima-irmã ou irmã-gêmea da intolerância que sentimos por nós mesmos (e que tentamos inutilmente expulsar para "muito longe" de nós, projetando, sei lá, no lula ou no roberto carlos ou no ronaldinho...), da nossa imensa dificuldade de conhecer a nós mesmos, de nos auto-conhecer... com esse monte de bode expiatório que tem por aí, quem vai "perder tempo" se olhando no espelho?...

enfim, alessandra!, êêêita, ói nós citando o marcelo yuka (e a maria rita) ao mesmo tempo, sem saber, ahaha. sensacional.

Pedro Alexandre Sanches said...

daniel, faço algumas avaliações até parecidas com as suas, mas chego à conclusão oposta: acho que lula, kirchner, evo, chávez (enquanto caminhar pelos trilhos da legalidade), bachelet, toledo, tabaré etc. são bons, ótimos, "responsáveis" como nunca antes tivemos tantos governantes, ao mesmo tempo.

"ruins" (aliás, péssimos), na minha opinião, eram (ou são) costa e silva, médici, pinochet, hitler, mussolini, fidel, saddam, bush (alguém duvida que ele é uma espécie camuflada de ditador sanguinário?), collor (esse confiscou a poupança do brasil e depois chegou a construir cachoeira dentro da própria mansão, coisa de que nunca ouvi nem o mais raivoso detrator acusar o lula)...

Alessandra Alves said...

ian: agora, fiquei com mais medo ainda! você confundir meu nome com o da sua ex-mulher me parece tããããão estranho. hahahaha

mário: acho que você vai gostar de saber (eu, em princípio, não gostei muito, mas já estou me acostumando. logo, logo, vou estar curtindo). minha família entrou para o mundo mágico dos carros antigos. meu marido comprou um fuscão 73, muito do ajeitadinho. a coisa mais engraçada foi a reação da moça que trabalha lá em casa. "oh, seu beto, fiquei tantos dias sem ver o senhor, e agora que vejo o senhor ficou pobre!" hahahahahahahahahaha

pedro e daniel: tá dando nó essa discussão, hein?! taí, daniel, o pedro mais ou menos falou o que eu estava pensando. será que a gente não engole o alejandro toledo só porque ele tá quietinho? achei o exemplo do kirschner perfeito. ele, com todo o respeito, bateu o pau na mesa logo no começo do governo e não se viu essa grita toda. mas, olha, tenha certeza de uma coisa: eu também (me) questiono muito em relação às atitudes extremas, sejam do evo morales ou dos presos de são paulo. a questão da resposta do oprimido em relação ao opressor me fala muito de perto, mas isso não quer dizer que tenhamos de achar normais ou aceitáveis todos os radicalismos e abusos. a resposta que você chamou de irresponsável, vinda de evo morales, pode até não se justificar pelo histórico de opressão da bolívia, mas se explica, isso eu tenho convicção.

pedro: minha alma é ou não é o "ouro de tolo" do século 21?

mario lago said...

pôxa alessandra, que legal cara!!!
tenho duas pumas gte 1976, uma de corrida, prontinha para andar na superclassic e outra para as ruas (esta ainda arrumando).
também comecei do zero e hoje fico torcendo para sobrar uma graninha e assim ir arrumando as bagacinhas... e ou, um dia, colocá-la novamente na pista... legal cara, legal mesmo!logo logo, vc que gosta de carros e de corridas não vai conseguir ficar de fora e também vai comprar algum brinquedindo...
- ninguém merece apenas sofrer, não é mesmo, corintiana???? hé! hé! hé! valeu!!!!!!!!

Pedro Alexandre Sanches said...

éééé, alessandra! "minha alma" é o "ouro do não-tolo" do século xxi, haha...

Alessandra Alves said...

putz, pedro, pode crer! o "ouro do não-tolo", que bom, melhorou, né?!

hahahahaha

Daniel Carlos Nava said...

Alessandra,

O Toledo ficou "quietinho" porque sabia que tinha problemas demais no Peru para entrar nesse populismo do século XXI. Ele diminuiu os entraves estatais no que pode e a economia peruana teve um bom crescimento. Infelizmente para o povo do Peru, quando este crescimento deveria ser refletido sobre a renda da população ele não estará mais no comando e provavelmente tudo que ele fez será desfeito.
Já o Kirchner está afundando a Argentina com seu populismo barato. O crescimento atual se deve apenas à recuperação da quebra do país (que foi maior do que deveria ser por sua estrutura).

Pedro,
O Chaves, o chapolim venezuelano, só está na legalidade na Venezuela por ter alterado todas as leis a seu favor. A pena para a oposição se abrir a boca lá e um sumiço por uns tempos.