Sunday, April 26, 2009

Mais do mesmo


Tudo bem, as primeiras voltas do GP do Bahrein foram interessantes, mas, ao fim e ao cabo, foi uma corrida decidida pela estratégia. De novo, como nos tempos de Schumacher na Ferrari, foram mais as paradas de box e as escolhas de pneus que determinaram o vencedor.

Ultrapassagem bonita, de encher os olhos, só a de Fernando Alonso sobre Jarno Trulli, por fora. Mas Trulli tinha acabado de reabastecer, enquanto o espanhol tinha o carro bem mais leve.

O grande mérito de Jenson Button - reconhecido na comunicação via-rádio da equipe com ele, ao final da prova - foi ter ficado à frente de Sebastian Vettel e de Lewis Hamilton logo na primeira volta, colocando-se logo atrás das Toyota. Com a progressiva queda de rendimento dos carros japoneses, Button não teve maiores dificuldades em levar o equilibrado carro da Brawn ao primeiro lugar.

Estranha essa Toyota. Seus pilotos marcaram pontos praticamente em todas as quatro corridas (exceção: Trulli, na China). Está em terceiro no Mundial de Construtores, a apenas um ponto da Red Bull. Fizeram dobradinha no treino classificatório. Mas, começada a prova, os carros vão perdendo rendimento. Apesar de terem feito 1-2 no treino, as duas Toyota eram os carros com menor velocidade final. Parece estar faltando motor ali.

A corrida do deserto comprovou a evolução de algumas equipes, como a McLaren, que conquistou o quarto lugar com Lewis Hamilton (Kovalainen não conta), a Renault (Alonso, oitavo; Nelson Piquet, décimo, conseguindo sua melhor colocação no ano) e até da Ferrari (Felipe Massa foi tocado na largada, teve que trocar o bico do carro, levou uma volta de Button, foi um desastre, mas Kimi Raikkonen, pelo menos, terminou em sexto).

A BMW, em compensação, parece andar para trás. Não apenas deixou de evoluir como parece ter piorado. Uma das primeiras equipes a desenvolver o KERS, a BMW não parece levar vantagem alguma pela utilização desse item, como acontece com McLaren, Renault e Ferrari. Kubica só não foi ao pódio em Melbourne por ter sido atingido por Vettel. Heidfeld chegou em segundo na corrida maluca da Malásia. Ontem, terminaram em penúltimo e último, respectivamente.

E Rubens Barrichello? Por que reclamou tanto de Nelson Piquet, que não lhe dava passagem? Ora, por que o compatriota deveria facilitar sua vida, se estavam ambos disputando posição? Doze pontos atrás do companheiro de equipe na tabela, Rubens vê um campeonato, que parecia talhado para sua redenção, transformar-se em sua derrocada final. Se for batido por Button (como foi até agora, nas quatro corridas e em três treinos classificatórios), Barrichello sedimentará de uma vez a sina de segundo piloto. E, desta vez, não haverá Schumacher. Mas haverá uma desculpa. Sempre há.

8 comments:

Anonymous said...

Button ultrapassou o Hamilton não o Vettel. Piquet já tinha terminado corrida no ano.

Alessandra Alves said...

anônimo: obrigada, corrigido.

Fernando Frey said...

Alessandra, acho que voltamos a ver o velho Rubinho chorão comendo poeira. Só que desta vez do Button e não mais do Michael Schumacher como foi em tempos de Ferrari. Até quando ele irá deixar de ser assim e realmente partir "pra briga" pra finalmente conquistar um título na F1? Well, quanto à Ferrari, sem comentários. Dá vergonha de ver, como ferrarista a situação da escuderia. Se não mudar as coisas em Barcelona, as cadeiras irão rolar......quem viver, verá. Um abraço

Daniel Médici said...

Alessandra,

Tive a mesma impressão geral sobre a corrida, algo um tanto sem sal, uma maneira Ross Brawn de vencer que não parece ter sido afetada por regulamentos.

Que me perdoem a etnocentria, mas acho que a Fórmula 1 precisa de ares europeus para começar a fazer sentido.

Anonymous said...

BMW, a nova Honda?
abracos
RDV

Ron Groo said...

Curioso, nossos textos tem exatamente o mesmo teor.
E eu só cortei a parte sobre a decisão na estratégia porque na ultima hora considerei que a ultrapassagem de Button nas primeiras curvas foi mais decisiva.
Porém com um olhar mais frio talvez eu pensasse o contrário.

E sim... Mas que sina do Barrichello hein.
Agora reclamar que o Nelsinho não deu passagem num trem normal de corrida é coisa de velho ranzinza, que sentiu a pressão de não ser nem sombra do piloto que um dia pensou que fosse.
Nãom não é impressão. Não gosto mesmo do Rubinho...

William said...

Que sina do Rubinho. Antes tinha carro, juventude, e um M Shumacher, agora tem carro, um parceiro normal, mas não tem juventude. Assim fica fdificil pra ele.

Alfredo, Florida - USA said...

That's it,
Grande transmissão pela Band News novamente, parabéns!!!