Tuesday, July 08, 2008

Que pátria?

Bem, apesar do atraso por conta da Telefônica, segue o link para a minha mais recente coluna no GPTotal. (Procure no menu do meio da página, já que não é mais o destaque da home). Uma discussão que nasceu aqui no blog e virou o tema principal da coluna: qual a relação entre o esporte e a pátria? Um representa o outro? Quando torce contra o "Brasil", você se coloca contra o Brasil?

10 comments:

Marcus said...

Adorei a coluna, Alessandra (pra variar). Fiquei realmente tocado com a forma como você interage com seus leitores, o quanto eles lhe fornecem uma pauta para o que você escreve.

Olha, eu estou torcendo para que a seleção brasileira de futebol não se classifique para a Copa de 2010, e faço isso por amor, não ao meu país, mas à linda escola de futebol brasileira. Eu quero que essa escola volte a brilhar, e isso só será possível com uma hecatombe que derrube o atual grupo que comanda a CBF.

No caso da Fórmula 1 é diferente. Eu não sinto mesmo muito entusiasmo por Felipe Massa. Numa competição individual (apesar de que F1 também é por equipe; mas enfim, você entendeu) é mais fácil você se desligar um pouco da parte nacionalista da história.

Jean - BH said...

Torço pra um esportista de acordo com minha identificação e admiração pelo talento dele. No caso da seleção de futebol, desde a copa de 86 não torço mais. E na maioria das vezes me pego até torcendo contra. Em 2002 torci muito pra Argentina devido ao bom futebol q apresentavam.
Na F1 sigo a mesma regra, ma ainda consigo torcer pelos brasukas. Afinal dadas as condições do automobilismo brasileiro atual, já é uma vitória chegar a F1. Isto vale tb nos esportes individuais (natação, atletismo etc). Nâo vejo como uma questão nacionalista e sim de identificação.

Jonny'O said...

É Alessandra esse post promete.

Antes de mais nada ,parabéns pela coluna ,está maravilhosa e vou ser sincero ,esperei por ela com alguma ansiedade ,já que você deu a dica na semana anterior.

Só queria colocar mais um pontinho neste caso do torcedor brasileiro já deixando bem claro que não se trata de uma posição generalizada ,há casos e casos .

O torcedor brasileiro no fundo é arrogante ,se o esportista não for um fora de serie ,perfeito ,matador ,não é digno de sua torcida ,na verdade esse torcedor por mais que torça o nariz para os exageros de uma rede globo ,na pratica ele faz quase a mesma coisa ,claro ,disfarçado .

Nunca escondi minha torcida pela Ferrari ,é desde criança ,1974 achava que o Clay Regazzoni era o melhor piloto do mundo ,achava que qualquer nome que tivesse "Clay" era especial ,pois na epoca meu pai dizia que o melhor lutador de boxe era o Cassius "Clay".

E depois foram muitos os pilotos que sem saber exatemente o por que torcia e pronto qualquer que fosse sua nacionalidade .

Mas foi impossivel para mim, me segurar na cadeira no final do GP da inglaterra ,naquele momento todas as diferenças que tenho com o Rubinho (e são muitas) desapareceram e pulei e festejei muito seu belo segundo lugar.

Na hora do vamos ver ,todo mundo corre pro colo da mãe !

Celinho Boy said...

Bem, Alessandra, sobre teu texto, tenho que dizer o seguinte:

às vezes acho que o nacionalismo ou patriotismo brasileiro não consegue ter válvula de escape(bem a calhar com f-1).
Durante muito tempo, nós dizíamos que a melhor coisa que tínhamos era a música, o futebol e as praias. Veio o regime militar, que reprimiu todo mundo, o futebol passou a ser a válvula de escape nacional-patriótico. Posteriormente outros esportes vieram. A música, bem, sofria com a repressão(embora o regime usasse a música para exaltar o regime). Acho que só sobrou as praias, he, he.
Depois, com a redemocarização, o país sempre procurava uma forma de exalar seu orgulho.
Agora, os tempos são outros. A música, sem comentários, o esporte (em especial o futebol) deixou de ser aquela forma de expressão patriótica. Afinal, politicagem, perda de identidade com a seleção ou com país que vive e com um romantismo ingênuo: de que seleção tem que jogar à 70, que o Felipe tem que ser um Senna, um Piquet. Não podemos esquecer que o esporte deixou um pouco de lado aquele cunho patriótico para entrar em cena o poder econômico e até a própria globalização.
Bem, se a gente olhar pro lado(ou seja) os demais setores, fica difícil procurar motivos para se orgulhar. Passa pela política, pela polícia, passa pelas pessoas e também pela cultura. Razões há, mas fica difícil exibir.
Acho que preciso refletir melhor sobre isso.

PS - Acho que há muito oportunismo. Seria um patriotismo oportunista, ou seja, torcer no momento da vitória. Quando perde, o país é melhor em tudo. Me lembro quando o Felipão teve a árdua tarefa de levar a seleção para a Copa de 2002. O que fez muita gente? Torceu contra só porque ele não convocaria "iluminados". Com a taça do penta, agora seus críticos o querem de volta para resgatar a mísitca da amarelinha. Ou antes do Felipe Massa ser líder, tinha gente que torcia o nariz pra ele. Agora torcem pra ele. Isso se ele deixar de pontuar por duas corridas.
Outra coisa: sobre torcer contra o seleção ou contra o Felipe talvez muito mais não gostar de alguém do que patriotismo às avessas. Muitos não torcem contra a seleção por causa do técnico. Pode ser também contra o Ricardo Teixeira ou até dos jogadores que jogam fora do país(tem gente que até sugere se chamar jogadores de dentro do país). Bem, no caso do piloto, aquela coisa dele não ter ainda algo que lembre Senna o Piquet. Não adianta: estes 2 pilotos ainda continuam no nosso imaginário. Mas a atual Fórmula 1 não permite isso. O resultado: ainda continuamos acreditando na vinda dum Messias que nos faça gostar da Pátria, em qualquer modalidade que seja. Foi com a seleção de 70, foi com fitipaldi, com Senna, com Piquet, com Guga, com Oscar...
Beijos Alessandra.
Gostei da discussão.

Blog F1-V8 said...

Olá Alessandra!
Amamos o tema da sua coluna nesta semana. Tratando dos APÁTRIDAS do esporte. Este é um tema pertinente e vez por outra pensamos nele...
Neste momento lembramos de uma entrevista do Nico Rosberg. Ele diz que nasceu na Alemanha, terra da sua mãe e com 2 semanas foi para Mônaco. Quando começou a correr, identificou-se com a Finlândia, nação que seu pai Keke tem naturalização (ficamos chocadas ao saber que Keke Rosberg é SUECO e não finlandês). E que realmente sentia inveja dos pilotos brasileiros que cantavam o hino do Brasil com respeito e carinho e ostentavam a sua bandeira com orgulho...

Para o caso dos brasileiros que NÃO torcem para MAssa, este é um processo novo, de pessoas que acompanham o automobilismo mais de perto e acabam identificando-se com outros pilotos, de outros países. Eu diria que é até um fenômeno pós-Senna, pós-Schumacher... É complexo, mas também pode ser explicado pelo elitismo do automobilismo nacional que encurrala seus maiores fãs em locais privilegiados e coloca em contato com pilotos apenas os "favorecidos" por credenciais plásticas, que muitas vezes nem de carro de corrida gostam. Talvez esta distância, esta frieza em relação ao público brasileiro que fazem com que estes pilotos nacionais tenham poucos fãs por aqui.

Também atrelado ao fato que sempre dizem que torcida demais coloca muita pressão nos atletas e acabam responsabilizando este excesso de torcida por eventuais fracassos. Por isso, manter a distância seria a melhor solução. Mas, na nossa opinião sincera, este é um argumento furado. Lembro-me de Piquet e Senna, das expectativas colocadas sobre eles, do quanto eram adorados (lembro-me de ter ganho macacões iguais aos de Piquet e Senna quando tinha 3 anos) e como essas suposta pressão não fazia a mínima diferença quando eles colocavam o capacete e aceleravam seus carros!

Alessandra Alves said...

que imenso orgulho sinto por meus leitores! assim que der - a correria está braba! - volto para comentar cada uma das respostas.

herik said...

Gostaria de - como se diz no mineirês - "deitar falação" sobre o assunto. Mas prefiro, agora, fazer uso da síntese.

Em um país onde seu povo é extremamente individualista, com pouco respeito ao que é público, onde o "jeitinho" é tido como uma coisa boa, entendo que qualquer manifestação de amor à Pátria soa como hipócrita. A verdadeira Pátria e o sentimento de nacionalismo só pode haver se existir uma Nação de verdade.

Prefiro, hoje, admirar quem ou o que merece ser admirado e reverenciado.

Ron Groo said...

Bem Alessandra, pessoalmente, nunca torci por um piloto apenas por ele ser brasileiro. Nunca consegui por exemplo me empolgar com o Rubens... Nem esta corrida na chuva que ele fez...
F1 para mim é um esporte apatrida... Carros de um país, gasolina de outro, pilotos de outro ainda... Globalizado demais... E para ser mais 'patriotico' deveriam ser carros nacionais... Ferrai na Italia, Aston na Inglaterra, Mercedes Alemã e... Gurgel no Brasil? Vixe...
Já nos outros esportes onde ainda se pode respitar um ar patriotico a questão monetaria/marqueteira conseguiu acabar com a paixão.
Digo do Futebol mais propriamente... É um esporte onde os empresários que comandam - até a seleção - inventam um craque por quinzena e temos de engolir convocações absurdas e gente chamando 'patos' de craque! Perdoe-me o trocadilho...
De resto vai seguindo-se, até onde a vista alcança e a conexão deixa... né?

Daniel Médici said...

Alessandra,

Legal a sua coluna, algo que, apesar de fundamental, pouco se coloca em discussão.

Só queria acrescentar algumas considerações históricas... No fim do século XIX, foram criadas as Olmpíadas, o futebol e o automobilismo, num momento em que a lógica econômica (vamos poupar o termo 'capitalismo') incentivava as manifestações nacionalistas na Europa - o nacionalismo, ese filho da Revolução Francesa, esse poderoso substituto do fervor religioso...

Isso quer dizer que, basicamente, qualquer forma de competição esportiva moderna surgiu impregnado de nacionalismo. Não podemos esquecer que os 'Grand Prix' só foram criados em reação à limitação de pilotos por país que poderiam ser inscritos nas corridas como a Copa Gordon Bennett, por exemplo.

E nem por isso a nacionalidade desapareceu. Afinal, cada país só pode realizar um Grande Prêmio por ano, a bandeira da pátria do vencedor é erguida no pódio, toca-se o hino... Enfin.

E com todas as mudanças que a mentalidade ocidental sofreu no último século, chegamos a um ponto em que a prática esportiva continua forte, mas as bases de criação do conceito 'esporte' já não estão mais presentes. Será que o esporte vai acabar? Será que ele só vai trocar de roupa?

Não tenho respostas, no momento.

herik said...

E depois do estamos presenciando nestas semanas, pergunta: Que pátria?