Thursday, July 05, 2007

Barcelona, 5 de julho de 1982

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Já escrevi muito sobre este dia, especialmente quando da morte de Telê Santana. Quem viu aquela seleção brasileira jogar nunca se contentou com Dunga. Nunca há de se contentar. Mil vezes aquele título perdido... Hoje, faço da data uma homenagem a Reginaldo Manente, autor da foto que melhor traduziu o sentimento de derrota que invadiu todos os corações brasileiros.

Tive a honra de trabalhar com Reginaldo Manente, grande figura, apesar de palmeirense. Esta foto, estourada na capa do Jornal da Tarde de 6 de julho de 1982, rendeu prêmios ao jornal e ao fotógrafo. Perguntei a ele como tinha acontecido o registro. Ele me contou que o jogo tinha acabado, ele havia feito vários filmes do jogo e dos jogadores brasileiros, rendidos em campo, após a derrota. Mas sentia que não tinha "a" foto. Começou a vasculhar a arquibancada com os olhos e viu o menino chorando. Apontou a teleobjetiva e fez uma seqüência do garoto.

Sem palavras. Pra quê?

12 comments:

Andréa N. said...

Linda mesmo, a foto. Agora, como assim "apesar de palmeirense"????

:)

Marcio Gaspar said...

Uma foto histórica, sem dúvida... e o jogo de ontem, infelizmente, confirmou o meu temor, expresso no comentário do post anterior: o Dunga consegue, SIM, ser um técnico (??!!) ainda pior e mais irritante do que o Parreira.

Anonymous said...

Este dia foi de machucar o coração,de verdade.
Nunca mais torci da mesma maneira,aquela coisa de mergulhar de cabeça.

Só quando é a FERRARI.

Jonny'O

Alessandra Alves said...

andréa n.: e você também é uma querida, apesar de palmeirense...

marcio gaspar: com minha habitual tendência a procurar pêlo em ovo, fico me perguntando. por quê? por quê? por que esse cara está lá? qual é a lógica de colocar para técnico da seleção alguém que NUNCA foi técnico?

jonny´o: acho que todo mundo que sobreviveu ao sarriá tem essa percepção. nunca mais tivemos o mesmo fervor pela seleção. eu, pelo menos, nunca tive. cheguei a sofrer pra valer pelo corinthians até uns anos atrás. agora, nem isso.

Felipe Atch said...

O futebol já não é mais mais o que já foi um Dia!!! Hoje se chora é de raiva!!!!

Ron Groo said...

Eu tinha 9 anos de idade. Me lembro que sai de dentro de casa para ir chorar debaixo da escada. E eu nem entendia de futebol...
Mas Lady Alessandra, eu estive fora por alguns dias do seu blog e agora vim aqui para saber...Qual foi tua posição na corrida de longa distância que disse que teria pela frente no domingo passado? Mesmo sem saber nada do evento (teve divulgação?) eu torci muito por você sim... Como ficou? Me conta que a curiosidade corroi mais que acido. Hehehe.
Hoje fiz um post sobre um de meus escritores prediletos Nelson Rodrigues...e vim aqui esperando encontra algo sobre a Flip. Você tem alguma posição sobre a Festa? Gostaria de poder ir, mas é sempre em época que não estou de férias...ai ai...E de Nelson, você gosta? Amanhâ passo aqui para saber então qual foi sua colocação. E o meu está de portas abertas.
Ron Groo

Alessandra Alves said...

ron: a prova de domingo passado foi ótima, disputada nas ruas do ipiranga, um visual diferente dos percursos mais habituais, na cidade universitária ou na região do ibirapuera. já fiz essa prova várias vezes e gosto muito do trajeto, das subidas e descidas, de terminar ao lado do museu, um lugar muito bonito.

fiz os 10 km em 50min30, o que me valeu o 20º lugar na minha faixa etária (128º entre as mulheres, 1.875º na classificação geral). considerando-se que correram 5.253 atletas (1.006 mulheres), fiquei satisfeita com meu resultado. não foi meu melhor tempo do ano, já corri 10 km este ano abaixo dos 50min (49min50), na prova da Tribuna de Santos, mas está legal. a próxima é no domingo, dia 15 de julho. depois passo para falar mais de flip e nelson rodrigues, ok?

Celinho Boy said...

Dia desses eu tava ouvindo a tua bela voz, alessandra, no podcast. Agora só falta ver a senhora gesticulando.

sobre a foto, esta aí é clássica, mesmo não ter assistido a esse jogo. Dia desses eu li uma flashback em que eles entrevistaram justamente o menino que foi fotografado.

quanto ao Dunga, sinceramenet espero coisa melhor que ele está apresentando. Mas já imaginaram se o Brasil ganha a copa América. Tudo pode acontecer, mas por enquanto não sei até onde vai essa seleção cujos estrelas se renegam a jogar, enquanto os veteranos da Argentina querem de todo custo ganharem o torneio. Abraços Alessandra, futura musa do do jornalismo automobilistico, he, he... Beijos

Luizano said...

Brasil x Itália de 1982 é o nosso "O que vc estava fazendo quando Kennedy foi assassinado".
Uma derrota tão inesperada quanto o tiro que matou o presidente, bem como a perplexidade de todos que presenciaram, como bem representa a foto ai do post.

Valeria said...

Tinha 15 anos, estava no colegial, e, pela primeira e única vez na vida eu usei uma camisa da seleção brasileira. Sim, foi a única copa em que usei uma camisa da seleção pra torcer.
Além de eu detestar amarelo, nunca gostei de usar uniforme.
Mas, aquela seleção merecia.
Nenhuma outra seleção jamais mereceu de novo.
E, do jeito que andam as coisas, acho que jamais merecerá.

Interessante é a reação das pessoas. Em 2006 nós xingávamos técnico e jogadores por termos perdido o jogo, depois de jogarmos mal e sem brio. Em 1982 nós os lamentávamos, por terem lutado com tanto brilho e mesmo assim termos perdido.

Saudades do Telê, da sua simplicidade e humildade. Típica dos que conhecem o próprio ofício. Saudade do jeito despachado, simpático, dele estar (de agasalho) na beira do campo mascando palito de dente.

Adriano said...

Este 5/07/82 foi o maior silêncio coletivo que já vi na vida.
Tinha 12 anos na época e estava junto com meu primo assistindo o jogo. Ele morava no Parque CECAP em Guarulhos ( aquele na beira da Dutra ), e quando acabou o jogo, descemos chorando para o playground e... silêncio absoluto! Ninguém apareceu na janela, ninguém xingou, nada... Apenas o silêncio. Para mim a seleção nunca mais despertou em mim a mesma paixão.
Somente Nelson Piquet e SPFC me estimularam a torcer apaixonadamente.

Valdemar said...

Querida Alessandra:

O Futebol-Arte e família te convidam para a missa de 25 anos da passagem deste modelo de futebol, que após o 5 de julho de 1982, só apareceu em raríssimas ocasiões. A seleção brasileira nunca mais foi a mesma. O futebol nunca mais brilhou com a mesma intensidades daquelas tardes espanholas... foram noventa minutos que já duram 25 anos. E o placar continua o mesmo: Itália 3x2 Brasil. Pelo visto, esses noventa minutos nunca mais vão acabar. Nunca mais sairão de nossa memória. Permanecerão eternizados numa doce lembrança daquilo que não foi. Mas que também alimenta nossos sonhos toda vez que vemos exemplos, ainda que isolados, como Maradona, Platini, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, e principalmente, Zidane.