Thursday, July 06, 2006

Nações x Corporações

O Brasil tinha acabado de ser eliminado da Copa do Mundo, e a preocupação maior de parte dos jogadores brasileiros não parecia ser a derrota, mas a disputa para ver quem cumprimentava primeiro o adversário Zidane. Consta, até, que o brasileiro Robinho foi ter com o meia francês, no intervalo, talvez para garantir a primazia da camisa do craque ao fim do jogo. Companheiros no Real Madrid, na temporada passada, os dois se abraçaram fraternalmente depois do apito final. Robinho não foi o único da seleção brasileira que ficou babando pelo francês. Leio há tempos que Zizou é um tudo-de-bom legítimo: joga aquela bola toda e ainda é muito do bem.

Meu amigo de blogosfera, Pedro Alexandre Sanches, escreveu em um comentário aí para baixo que alguns jogadores brasileiros pareciam gostar mais de Zidane que dos compatriotas. Muito se comentou da falta de rivalidade entre brasileiros e franceses nesse jogo fatal de quartas-de-final, mas esse não foi o único ponto que revelou um inequívoco tô-nem-aí de parte do time brasileiro.

• Terminado o jogo, Adriano e Ronaldinho Gaúcho foram para uma balada germânica.
• No dia seguinte à desclassificação, Ronaldo, o Fenômeno, foi embora para a Espanha, a bordo de sua Raica e de seu jatinho. Na falta de um avião, dois.
• No jogo contra o Japão, com o Brasil já classificado e escalado com meio time reserva, o lateral Roberto Carlos assistia à partida deitado no gramado, como se observasse uma pelada (de qualquer tipo) na praia.
• O mesmo Roberto Carlos, por cansaço, distração ou desleixo, arrumava as meias na hora do gol de Henry, o que tirou o Brasil da Copa.

Falta de interesse, de hombridade, de patriotismo. Excesso de dinheiro na conta. Razões não faltam para explicar a postura apática do Brasil nesse e nos outros jogos dessa (Euro)Copa. Vou puxar mais um: globalização. Quantas e quantos campanhas publicitárias e motes corporativos não temos ouvido, nos últimos anos, louvando o século 21 e sua realidade “sem fronteiras”?

É o que mais se ouve, de propaganda de celular a discurso de presidente de multinacional. Analistas de geo-política também rezam na mesma cartilha: não temos mais nações, temos corporações. Faz muito sentido que um analista de marketing brasileiro, nessa altura, esteja feliz por ver a Itália na final, rindo-se intimamente pela desclassificação do Brasil. Faz sentido se esse analista de marketing for um engravatadinho que trabalha na Puma, inimiga juramentada da Nike.

Onde entram os jogadores brasileiros nessa? Ora, pegue 90% desses profissionais: são oriundos da classe pobre, com histórico de infância e adolescência de restrições de toda sorte (na Copa passada, o fanfarrão Vampeta deu uma entrevista que não me sai da cabeça: vivendo no interior da Bahia, ainda criança, reclamava de fome para a mãe e ouvia dela o seguinte conselho: “vai dormir que passa.”). Não soubessem jogar bola – e não tivessem encontrado algum “bom” empresário em seu caminho – poderiam estar no noticiário não pelo fiasco na Alemanha, mas pelo motim em alguma penitenciária. Mas sabem jogar bola, e são catapultados do sono-famélico (ou da fome-sonolenta) para o estrelato, sem escala.

Logo partem para o exterior, onde passam a viver em um país com condições sócio-econômicas infinitamente melhores que o seu, de origem. Enquanto isso, suas famílias ficam no Brasil, viram novos-ricos da noite para o dia, viram alvos de seqüestro, protegem-se em carros blindados, mudam-se para condomínios fechados. Tal e qual qualquer novo rico, classe média alta – grades e grifes por todos os lados. Ronaldo, em pré-ocaso de carreira, já avisou: fica morando em Madrid mesmo, depois de se aposentar. Jogo a primeira pedra? Eu não. Você joga?

OK, a porta está aberta para a contestação mais imediata: então, porque os franceses, os italianos, os alemães, os portugueses, que também jogam, em sua maioria, fora de seu país, ostentam suas camisas pátrias com orgulho? Não será porque representam a França, a Itália, a Alemanha, Portugal, países que se globalizaram depois que já eram fortalecidos como nações? E não são esses países, mais alguns outros do Hemisfério Norte, que mais se locupletaram com essa nova dinâmica mundial (tão diferente e tão parecida com a expansão marítima pós-Colombo?).

Ainda na primeira fase, a imprensa mundial noticiou e, em grande medida, desceu a lenha nos jogadores da seleção de Togo, que ameaçaram não entrar em campo caso não recebessem tal quantia em dinheiro pela participação na Copa. “Mercenários!”. Ah, claro, Togo é uma nação fortíssima, que enche seus habitantes (e atletas) de orgulho. Vistam a camisa de seu país, seus desertores! Então, me (lhes) pergunto: nós, do Brasil, estamos mais perto de Togo ou da França, da Itália, da Alemanha, de Portugal?

12 comments:

L-A. Pandini said...

Boa! A elite-classe-média-branca-que-se-acha-muito-esclarecida precisa ouvir e ler algumas verdades. Se até o Cláudio Lembo já fez a parte dele, por que não nós?

Aproveito para registrar. Se um grupo de pessoas ou uma igreja resolve coletar donativos ou mantimentos e distribui-los para os pobres, ou manter uma escola, uma creche, um berçário, um atendimento médico, isto é chamado de "caridade".

Se uma grande empresa faz o mesmo, chamam de "responsabilidade social" - ainda que muitas vezes os gastos sejam muito maiores com impressos e ações de divulgação e marketing do que com a responsabilidade social em si.

Se o governo (qualquer governo, mas mais ainda o de um presidente oriundo da classe operária) resolve fazer a mesma coisa, é chamado de "populista", "paternalista", "assistencialista", "comprador de votos" e outros impropérios.

ico said...

Alê, falou tudo: as corporacoes superaram o chamado "amor à camisa" e certamente boa parte dos jogadores se preocupa mais com o retorno a seu patrocinador pessoal do que em honrar o país pelo qual joga.

Só para lembrar de uns fatos: teve uma olimpíada na qual o Guga, de quem eu gosto muito aliás, quase nao jogou porque tinha contrato com a Diadora e o COB tinha contrato com roupas Olympikus. No fim, ao invés de empresas, dirigentes e jogador chegarem a um consenso, acabou que ele rompeu com a Diadora e passou a usar Olympikus nao só na Olimpíada, mas no resto do circuito tb. E o tal do espírito "o importante é competir", onde é que fica.

Mais: essa turma de profissionais da bola têm contratos com marcas, independente da marca do clube que defende. Assim, por exemplo, o Gordonaldo joga no Real Madrid, que é Adidas, mas usa chuteiras Nike. E o Kaká tinha chuteiras de três listas no time canarinho.

Pois eu li que a Adidas impôs ao time alemao que, durante a Copa, todos os jogadores usassem chuteiras deles, independente do contrato que tinham. Ou o cara aceitava, ou nao jogava (e um dos afetados foi o tal do Klose, que tem contrato com a Mizuno, acho eu). E a mídia alema aqui destacando o patriotismo do time, o vestir a camisa... Me desculpe, mas o verdadeiro nome da Selecao Alema é Adidas FC. Bem feito que perderam...

Viva Togo!

mario lago said...

- boa noite alessandra. se não me falha a memória, em "blade runner", o filme, a estória antevendo a históia iniciava descrevendo o contrôle do mundo pelas corporações num mundo sem fronteiras. confere?

Daniel Carlos Nava said...

Luiz, esqueceu de um detalhe. Caridade se faz com o próprio dinheiro, não com o dos outros. Eu doaria todo o dinheiro do meu vizinho para caridade sem problema. Só nao sei se ele iria gostar.

Quanto a jogar pela seleção do seu país igual ou mais que no clube, normalmente isto ocorre com jogadores mais jovens. Ou, no caso particular do Zizou, quando já está anunciado sua despedida, quando se quer fechar com chave de ouro. Ou não se lembram que este mesmo time da França nada fez em 2002? Por que isto? Para se destacar e conseguir um contrato melhor, o que não está errado. O problema é ter alguém como o RC, entre outros, que não estava interessado na competição. Que peça dispensa. Não há demérito nisso. Acho que até seria uma atitude louvável.

Pedro Alexandre Sanches said...

alessandra, faço a meia-volta, mas acho que na mesma linha da sua argumentação: e quando os astros globalizados estão lá, competindo em plena euforia da copa, e imaginando o dia em que vão voltar para o brasil, para os braços da mídia e da "torcida" que há semanas não pára de colocar defeito, resmungar, agourar, dizer "não falei?", palpitar, julgar, julgar, julgar?... deve dar um certo desânimo só de pensar em voltar, não?... se for sem a taça, então...

no mais, os astros do futebol nunca me deixam de evocar alguma imagem parecida, ainda que em versão bem mais "glamurosa", com aquela das "escravas brancas" que os "países pobres" costumam exportar aos montes para os "países civilizados"...

Gustavo Alves said...

Mano,

Este POST é quente! A começar pelo aspecto político-econômico-social que você incluiu.

Quero, antes de mais nada, colocar que não acho que o aspecto P-E-S seja o que mais pesou. Comento melhor abaixo.

Quanto ao comentário do Daniel Nava, eu discordo. O Renda Mínima é um projeto social da mais importante ordem. E deixo qclaro que não sou lulista, votei nele na última eleição e nunca mais voto nele. O PT me decepcionou. Porém a magnitude que este projeto atingiu melhora muito a condição de vida dos mais miseráveis.
Problemas de corrupção, recursos desviados, etc: aposto que tem, como em todo sistema. Isto deve ser corrigido.

Quanto ao "Tô nem aí!", faltou comando. O Parreira vai ter muita dificuldade em vender palestras para empresários.
A seleção de 2002 era formada por jogadores da mesma ascensão que a atual.
Mas o Felipão pôs estímulos morais e nacionalista na cabeça dos jogadores. Valores morais transmitidos em sociedades cultas. Mostrou a importância histórica que ganhariam. Mostrou a importÂncia que uma Copa tem para milhões de brasileiros. Elevou o emocional. Fez isto através de vídeos.
Mas culpar o Parreira é pouco. Este marketing, que entrou no esporte, está abraçando a bola como um polvo. Agora há outros fatores mais importantes do que a disputa em jogo.

Está tudo muito bizarro.

José Everson said...

Prezada Alessandra

É a primeira vez que escrevo aqui no seu blog e olhe só, me deparo com o post acima. A partida final da copa acabou cerca de uma hora, e uma nuvem negra com raios e trovões pairou sobre a cabeça de Zidane. Perplexidade. Confesso que fiquei chateado pelo ser humano Zinedine Zidane, filho de Argelinos e cidadão francês. Por qual motivo ? A pobre condição humana de estarmos sujeito a falhas, algumas em momentos que deveriam ser de profunda satisfação. Como humanos todos nós, independente de classe social, raça e credo; estamos sujeitos a esses infortúnios, todos. Zidane falhou? Com certeza. E vai ser massacrado nos proximos dias. Não da minha parte, porque quero colocar em prática uma coisa rara hoje em dia, sem demagogia: Quero praticar empatia, a arte de me colocar no lugar dos outros e entender seus sentimentos. Não no aspecto violento que num momento infeliz, marcou a carreira de Zidane em sua última partida; mas no aspecto de avaliar o que o ser humano Zidane está sentindo agora, nesse momento, que pode ser uma profunda solidão e arrependimento, mesmo diante de uma bem sucedida carreira que se encerra hoje e provavelmente no momento, pouco tá importando. Temos a triste mania de criticar sem observarmos nossos próprios erros, talvez por isso vivamos em um mundo cada vez mais violento e cheio de traumas. Portanto é preciso nos darmos ao exercício de entender os outros que de uma hora para outra passam de heróis a bandidos, em consequência de uma falha. Talvez assim, melhoremos nosso dia a dia, bem como o de outras pessoas.

Alessandra Alves said...

pandini: sua colocação me faz lembrar um diálogo que tive certa vez, já não lembro com quem (confesso: ficou o milagre, mas não o santo). eu abri o vidro para dar umas moedinhas para um pedinte e a pessoa, que estava ao meu lado, logo concluiu: "você dá logo o dinheiro para a pessoa não te assaltar, né?" ao que eu respondi com um "não, eu dou porque eu tenho e ela não tem." estamos embrutecidos demais? enxergamos tudo pela visão do toma-lá-dá-cá? eu te dou uma moeda e você não me assalta?

eu realmente não enxergo como assistencialismo um programa que possibilita a uma família colocar mais comida dentro de casa, porque vejo esse efeito multiplicador na sociedade, de movimentação no varejo etc. não vou me alongar nisso, o suplicy já falou o suficiente e tem uma argumentação sólida a respeito do renda mínima (os números do ibge estão aí para provar como a economia, em especial o varejo, cresceu no nordeste durante o governo lula). também não considero assistencialismo um programa que amplia o acesso a energia elétrica e água potável nas residências do sertão. mesmo que o sujeito não se sensibilize com a mudança colossal na vida de uma família, que isso representa, há de considerar que esse é um investimento estrutural, sim.

ico: muitíssimo bem lembrado o caso do guga na olimpíada. é da mesma família, sem dúvida. no caso do guga, eu enxergo, talvez ingenuamente, até um certo patriotismo dele. queria jogar, rompeu com o patrocinador. (pode ser que já estivesse em litígio com a diadora, pode ser que tenha enxergado nos jogos olímpicos um excelente meio de divulgação, e de faturar mais, sei lá...).

mario: sobre blade runner, puxa, que filme legal! faz muito tempo que não vejo (já devo ter assistido umas três ou quatro vezes, inclusive aquela do final sombrio que depois foi modificado). pelo que me lembro é isso mesmo: um mundo dominado pelas corporações. caminhamos para isso? se estivermos, meu único consolo será encontrar harrison ford em alguma esquina por aí (hehehe).

daniel: sobre assistencialismo, caridade etc., acho que já coloquei minha posição acima. sobre pedir dispensa da seleção, eu concordo com você. se aquilo não interessa ao jogador, que saia. mas você se lembra que o ronaldo, fenômeno, pediu dispensa da seleção no ano passado, da copa das confederações, e foi muito criticado por isso? o próprio parreira deixou o camisa 9 de castigo, cortando-o também dos jogos das eliminatórias, em seguida ao torneio realizado na europa. eu não sei como soaria - na imprensa, na sociedade em geral - se um jogador pedisse dispensa da copa do mundo. louco seria o mínimo de que chamariam o fulano.

pedro: rapaz, que imagem forte você evocou! jogadores de futebol = escravas brancas. antes, você falou sobre o desânimo que deve dar nos jogadores, de eventualmente voltar consagrados depois de tanta crítica, palpite, mau-agouro etc. olha, não sei se isso vale para os nossos, que acabam se embalando no clima de vai rolar a festa que toma conta dessas ocasiões. porque, no fundo, a seleção é composta por uma maioria de gente de origem humilde, que se compraz de verdade em ser carregada nos braços do povo, mesmo que esse mesmo povo estivesse xingando os caras e as mães dos caras, antes. mas o que acontece em países/nações de histórico diferente?

sabia que na itália, em 82, a seleção foi tão atacada pela imprensa, saiu tão desacreditada que o time e o técnico fizeram um pacto contra os jornalistas, criando uma espécie de movimento apelidado de "silenzio stampa"? no duro, os caras não falavam com a imprensa do próprio país. voltaram - jogadores e técnico - nos braços do povo e a imprensa, acredite, foi hostilizada no aeroporto!

gustavo: brou, você tocou num ponto-chave. pouca diferença há, em termos de convocados, entre as seleções de 2002 e 2006. por que, então, foi tudo tão diferente? você deu a resposta, com a qual eu concordo: a diferença estava no comando. o felipão conseguiu incutir naquele grupo alguma noção da responsabilidade que eles carregavam, que vencer a copa não era garantir só mais um bom contrato. nossos jogadores têm uma formação geral deficiente, como de resto a maioria do nosso povo. no entanto, temos vários exemplos de grupos bem sucedidos, com meninos de rua, famílias carentes, excluídos de toda sorte, que se unem e desempenham bem em alguma atividade porque são aglutinados por um facilitador (ONG, empresa etc.) que entra no vácuo deixado pelas autoridades. o felipão sabe ser esse aglutinador. o parreira, nem de longe.

josé everson: seja bem-vindo! lindo, tocante o que você escreveu. o gustavo, que estava assistindo ao jogo comigo, está de prova. na hora da agressão do zidane, eu comentei: "precisa ver o que o italiano falou para ele...". outros presentes, na hora, retrucaram com a lógica: não justifica. OK, concordo, nunca se justifica uma agressão, mas a gente costuma só valorizar a agressão que nos chega até os olhos. é a velha lógica da agressão do opressor e do oprimido. quem pode garantir que a atitude besta do zidane não foi uma gota d´água em um oceano de humilhações que ele tenha recebido?

a boataria da copa aponta para dois possíveis motivos. o italiano teria chamado a irmã de zidane de puta. que beleza de mundo machista! (o que, infelizmente, não me surpreende, especialmente em se tratando de futebol.)

o outro boato: o italiano teria chamado zidane de "terrorista islâmico", em alusão à sua origem argelina. pior foi a maneira de retrucar, do italiano: "sou um ignorante. não sei nem o que é terrorista, nem islâmico."

sem comentários.

Valeria said...

Alessandra, na verdade o futebol hoje já não se joga por time ou país, mas, pelo salário e só.
Infelizmente os jogadores não estão nem aí com o fato de que decepcionaram milhões de pessoas.
Pra mim estamos mais perto de Togo que da Europa.
Uma amiga sugeriu, antes da eliminação do Brasil, que na seleção brasileira só deviam jogar os q jogam em times brasileiros e não os que jogam em times de fora do Brasil. Na ocasião respondi q os melhores jogam lá fora,pois o salário é melhor. Agora já não sei se o modo dela pensar não está correto.
O fato é que vivemos num mundo e num país capitalista. E os interesses corporativos estão se sobrepondo a outros tais como patriotismo, hombridade, esse tipo de valor.
Porém, não sei se esse "novo mundo' é melhor. Acho que não.

Pedro Alexandre Sanches said...

alessandra, o pano de fundo desa cabeçada do zidane é de fato interessantíssimo, né? se a gente tirar o véu, está tudo zanzando ali dentro: humilhação, violência, discriminação, preconceito, racismo, tabu da prostituição, ignorância (celebrada pelo agredido?)... mas é como você falou, a gente se distrai e se absorve com o "babado" da cabeçada e o impacto da cena visível, e deixa pra lá o pano de fundo atrás da ponta de iceberg...

mas, puxa, também achei lindo o comentário do josé everson, tão linda essa palavra "empatia", né? e é tão da visão de mundo de cada indivíduo, a decisão se vai participar da cena tentando entendê-la ou se vai preferir isolar-se da cena, distribuindo julgamentos e críticas por todo lado, sem nem tentar se inserir no contexto... (ah, usei aqui a palavra "crítica" no sentido corriqueiro, o negativo. porque, no dia-a-dia, a gente se esquece que crítica pode ser negativa, mas também pode ser positiva - empatia? -, né?)

kowalski said...

Na verdade o Zizou também provoca. Inclusive ele é o primeiro a provocar como bem mostra a imagem focada nele e no Materazzi. Este primeiro agarra o francês, que irritado se vira e fala algo. Segundo o zagueiro foi:
- Se você quer a camisa eu te dou no final do jogo.
Além disso Materazzi também disse que Zidane teria sido arrogante nos outros diálogos dentro do campo.
Isso faz parte do jogo, da querra psicológica que rola ali dentro, ainda mais numa final. Com certeza ele não foi o único a ser insultado, porém perdeu o controle num momento de muito stress. Um dos atributos que esses caras devem ter é muito controle emocional e ele não teve naquele momento.

Daniel Carlos Nava said...

Valeria,

Quanto a estarmos em um país "capitalista" (entre aspas, pois um país capitalista pressupõe uma classe média forte), todos os campeões até hoje eram no mínimo tão capitalistas quanto o Brasil. E devemos lembrar que a seleção de Togo exigiu um pagamento aos jogadores para entrar em campo.

Como disse no post anterior, para ser campeão em uma Copa é necessário que os jogadores tenham algum tipo de incentivo. A maioria dos brasileiros não tinham, já que estão em um ponto da carreira em que não há mais evolução e nenhum pensava em encerrar a carreira, como alguns franceses.