Friday, February 03, 2006

Obrigado, até logo



Pilotar uma Ferrari deve ser o sonho de nove entre dez moleques que gostam de automobilismo (o outro sonha com a Gisele Bündchen). Imagine ter a oportunidade de fazer isso durante três dias e terminar tal temporada “de sonho” dizendo que não gostou da experiência. Foi isso que aconteceu com o italiano Valentino Rossi, sete vezes campeão do mundo de Motociclismo, que nesta semana pilotou o carro de Fórmula 1 da Ferrari durante os testes da pré-temporada. A expectativa criada para tal teste foi grande a ponto de arrastar 135 repórteres para o circuito espanhol de Valencia.
Embora tenha saído da pista agradecendo pela oportunidade, o fato é que The Doctor não apreciou mesmo os tais testes. E a fonte é mais do que confiável: seu pai, Graziano Rossi. O motivo do descontentamento, segundo o Rossi Sênior, foi o malfadado primeiro dia de testes, quando Valentino rodou na primeira volta. O piloto gostaria de ter tido mais uma oportunidade naquele mesmo dia, coisa que a Ferrari não lhe deu. Para um piloto forjado na vitória – já que Valentino ganhou tudo o que disputou, desde a mais tenra idade – a rodada em Valencia, sem direito a apelação, deve ter soado como um atestado de incompetência. Depois que voltou à pista, nos dias seguintes, o desempenho de Valentino não foi nada mau. Ficou pouco mais de um segundo atrás do melhor tempo de Schumacher. Só que um segundo, na Fórmula 1, como dura... É o tipo de situação que deveria voltar à mente de todos, sempre que surge a tentação de chamar qualquer piloto da Fórmula 1 de braço duro.

7 comments:

Véio Gagá - BH said...

Alê, embora acesse sites de autombilismo diariamente, gosto muito mais de motociclismo em geral. Eu mesmo já competi em modalidades off-road de velocidade.
O que isso tem a ver com seu post?
É que, segundo minha experiência em competições, mesmo regionais, de automobilismo e motociclismo, bem como de leituras sobre o ambiente da F1 e da MotoGP, tenho a impressão de que a "brincadeira" do Rossi com a Ferrari, enquanto era realmente uma "brincadeira", por mais séria que fosse, não mostrava o que é verdadeiramente o ambiente da F1. Rossi só percebeu como funcionam as coisas no Circo quando efetivamente se apresentou com os colegas de espetáculo, sob os olhares do respeitável público. Isso realmente deve ter causado estranheza ao "bambino d'oro". Por outro lado, mesmo sabendo que na F1 um segundo é uma eternidade, acho que o Vale foi bem no teste, afinal há que se considerar a experiência na carreira de todos os participantes, e neste quesito é quase obrigatório darmos um desconto ao Valentino, notadamente se considerarmos que ele ficou à frente de pilotos de F1 com muito mais experiência e conduzindo carros que com outros pilotos ficaram à sua frente, por exemplo: uma McLaren ficou à sua frente e a outra atrás, o mesmo acontecendo com uma Sauber e uma Toyota. Na realidade, o tempo marcado pelo Rossi demonstrou duas coisas: 1- Ele tem talento natural para a velocidade; 2- Ele ainda precisa de muito treino e de muita confiança para uma equipe realmente investir nele, sem a certeza de um retorno em forma de resultados, já que em forma de publicidade sempre haverá este retorno.

Abraço,

Véio Gagá - BH said...

Completando o comentário: 1- O ambiente de qualquer modalidade de automobilismo, mesmo de corridas de kart no quarteirão, é sempre mais "entojado" do que o ambiente no motociclismo.
2- Quando falei que o VR foi bem no teste, foi concordando com você e acrescentando alguns comentários.
3- Não é ele que precisa de confiança, mas alguma equipe precisa confiar nele (meu texto tinha ficado estranho nessa parte).

Abraço,

joão said...

A rodada no primeiro dia deve ter assustado os cabeçudos da Ferrari. Me parece aquela idiotice que, vez por outra, acontece no futebol. Preservar para não queimar (o que resulta na queima por falta de preservação). Mas o Rosse tem capacidade para andar; resta saber se vai querer...

Alessandra Alves said...

Bom, antes de mais nada fico feliz em ver que meu convite ao debate deu certo. Tirei para dançar, vocês aceitaram, vamos lá.

Veio gagá, você tocou num ponto que eu já havia tangenciado na minha coluna sobre a possível ida de Valentino para a Ferrari, no www.gptotal.com.br: a diferença de ambiente entre o Mundial de Moto e a Fórmula 1. Eu concordo com você e acho que reside aí um dos principais entraves à transferência do Rossi para as quatro rodas. Nas motos, até as rivalidades me parecem diferentes. Rossi não se dá com Biaggi, e vice-versa, mas a pendenga entre eles conserva um sabor de cordialidade malandra, como se eles alimentassem isso até para criar fatos na imprensa. Na Fórmula 1 de hoje, não há nem espaço para isso. Espontaneidade zero, tudo programado. A Fórmula 1 de hoje não é a cara do Valentino, um verdadeiro clown.

Concordo também com a sua colocação de que o desempenho de Valentino comprova (como se precisasse, né?!) que ele tem talento para a velocidade. É claro que alguma adaptação seria necessária, mas ele tem, na minha opinião, aquele algo a mais para buscar a diferença. Aí eu acho que reside o maior entrave para a transferência dele. Quando ele faria essa adaptação? Vai sair da moto, adotar um ano sabático só para treinar? Quem bancaria isso? Não em termos de grana, no sentido de sustentar a pressão que recairia sobre Vale e a equipe. Cada treino, uma centena de repórteres na pista? É palpite, mas eu acho que Rossi não vai topar isso. Nem mudar de uma vez, nem investir um tempo maior nessa adaptação.

Outro aspecto que vale a pena analisar melhor é essa minha colocação de que não devemos sucumbir à tentação de criticar pilotos menos cotados da Fórmula 1, porque aquilo é mesmo muito difícil. Tudo lá é um desafio permanente: se o cara está em uma equipe de ponta, tem a pressão; se está em uma pequena, tem a falta de competitividade do carro,tem a falta de perspectiva de sequer aparecer na TV durante a corrida, e tem a pressão. Definitivamente, não é só sentar e acelerar, impressão que pode surgir para quem olha de fora.

João, também concordo com você sobre a "preservação" do Rossi, por parte da Ferrari. Não vamos nos esquecer de que aquilo é quase uma questão de Estado. Uma equipe italiana, que é uma legenda da Bota, tentando finalmente alçar à glória um piloto italiano, depois de tantas décadas. Há alguns meses, quando a inglesa Katherine Legge testou uma Minardi - e também rodou na primeira volta - ela também só voltou à pista no dia seguinte. Mas, nesse caso, não acho que fosse o caso de preservar para não queimar. Pode até haver uma questão técnica nessa preservação, nos dois casos: as equipes podem ter recolhido os carros para averiguação, ver se foi defeito e não falha humana. De qualquer forma, essa não é a dinâmica à qua Rossi está acostumado.

Renato Bellote said...

Olá Alessandra,

Parabéns pela coluna no GP total e pelo blog, bem criativo.
Também utilizo as letras para contar histórias e fatos, mas voltados ao antigomobilismo.
Quero convidá-la para conhecer meu blog, e, no perfil, o endereço eletrônico das colunas que assino.

http://nagaragem.blig.ig.com.br/

um grande abraço,
Renato Bellote

Anonymous said...

Valentino provavelmente se lembrou de Julio Cesar:
"Antes ser o primeiro em uma vila do que ser o segundo em Roma".

guru said...

Concordo inteiramente com as últimas colocações. Rossi não irá abraçar o desafio....