Sunday, May 24, 2009

Quem ri por último


Mônaco e Indianápolis no mesmo domingo. Tem sido comum a coincidência e, sinceramente, haja traseiro para aguentar tanto sofá. Quase duas horas de Fórmula 1 pela manhã e mais de três horas de Indy à tarde... Neste 2009, outra coincidência: as duas provas consagraram dois pilotos considerados, em momentos diferentes, cartas fora do baralho.

Button, cinco vitórias em seis corridas na atual temporada da Fórmula 1, parecia caminhar, até o ano passado, pela mesma trilha que levou várias ex-promessas da categoria à frustração permanente. No GP do Brasil do ano passado, seu combalido Honda pegou fogo ao final da prova. Seu pai, o já folclórico John Button, teria dito, entre jocoso e resignado: "Deixa queimar essa m...".

Se, naquele momento, alguém dissesse que Button teria o desempenho arrasador deste ano, a bordo de um carro da Brawn GP, o interlocutor perguntaria: "O que é Brawn GP?". Se soubesse que Brawn GP seria a sucessora da Honda, a incredulidade poderia dar lugar ao deboche.

Enquanto os supostos oponentes da Brawn se revezam (Red Bull, Toyota, agora Ferrari), a equipe de Button e Barrichello vai somando pontos. Uma lavada no Mundial de Construtores (86 pontos da Brawn contra 41 da Red Bull, 26,5 da Toyota e 17 da Ferrari). Ainda faltam onze corridas, mas nada, por enquanto, faz pensar que a Brawn possa ser ameaçada. E, Button, cinco em seis, deve rir por último bem antes do fim do campeonato.



Poucas horas depois da consagração de Button em Monte Carlo, o brasileiro Helio Castroneves viveu uma virada histórica. 37 dias após ser julgado inocente das acusações de sonegação de impostos nos Estados Unidos, Helinho venceu as 500 Milhas de Indianápolis pela terceira vez em sua carreira. Subiu no alambrado, como nas primeiras vezes, o que lhe rendeu o apelido de Homem Aranha, bebeu o tradicional leite da vitória (tenho certo nojinho dessa cena recorrente), e desabou no carro, chorando. Para quem já era dado como presidiário, por grande parte da imprensa, com a perspectiva de cumprir 35 anos no xadrez, foi mais que uma vitória. Foi uma verdadeira redenção.

Victor Martins fez uma excelente cobertura das 500 Milhas deste ano. Vale a pena visitar o blog do jovem repórter. As fotos deste post são de duas feras das lentes brasileiras. A de Button, do Luca Bassani. A de Helinho, do Beto Issa.

9 comments:

Ron Groo said...

Ninguém faz festa como os americanos.
O sentimento cívico, o respeito pelas instituições; o hino cantado em uníssono por um autódromo inteiro e lotado; o silêncio respeitoso ao toque de silêncio da corneta.
A mãe do proprietário do Indianápolis Motor Speedway pedindo para que “ladies and gentlemans” ligassem seus motores.
Tudo aplaudido.
Como também aplaudiram o piloto brasileiro Vitor Meira, que voltou a pista após ter seu carro incendiado no reabastecimento.
E as palmas ainda mais sinceras quando outro brasileiro, Helio Castronneves, recebeu a bandeira quadriculada – pela terceira vez - por ter vencido a mais importante corrida de automóveis daquele país:
A Centésima edição das 500 milhas de Indianápolis teve um vencedor estrangeiro e nem por isto se ouviu vaias ou apupos.
Não se viu ninguém frustrado e nem xingando diante das câmeras.
Será que seria muito pedir aos torcedores tupiniquins que aprendessem um pouco daquilo que vimos antes, durante e depois da prova?
E aplicar aquilo a outro esporte que não o automobilismo? Será que dá?
Sinceramente, me deu uma inveja danada...
Parabéns ao Hélio.
Dizem que vencer lá equivale a um campeonato.
Se ninguém é realmente grande no automobilismo sem ter vencido Mônaco, Indianápolis ou Le Mans, então ele é três vezes grande.
Que fiquem os problemas para trás, que ao passado pertencem.

Anonymous said...

Assino embaixo Groo!!

Na verdade Indianapolis é uma verdadeira festa ,uma festa americana onde o heroi pode ser um Brasileiro ou Colombiano ,sem qualquer problema .

Agora Helinho é tri!!!Falta mais uma para chegar ao limite dos deuses Foyt ,Unser pai e Mears .

Jonny'O

Rafael said...

O Button esta de parabens por Monaco, mas ele que me desculpe, o dia de hj é do Hélio!
Pena que a historia do rapaz é conhecida por uma parcela infima da população. Merecia uma materia de 10minutos no JN!heheh

Lvcivs said...

Alessandra, primeiramente parabéns a vc aos colegas pela excelente transmissão da chatíssima corrida!

Não concordo com a consagração do Button. Ele nunca fez nada demais na F1 mesmo com carros bons. A vitória na Hungria 2006 foi fruto do auê da chuva. Ele não tá fazendo mais do que a obrigação com esse carro fantástico da Brawn GP.

Na minha opinião piloto bom tira leite de pedra mesmo com carro ruim, coisa que atualmente só vejo Hamilton e Alonso estão fazendo.

Anonymous said...

Nunca fez nada demais?
Em primeiro lugar, ele nunca teve um carro capaz de brigar por vitoria, até esse ano.
E o quase podio em Sepang 2002 de Renault? Que não veio por um problema na ultima volta. Mas a surra que ele deu no trulli naquela temporada? Os muitos podios na bar, o coro no villeneuve. Isso não é nada?

Anonymous said...

Em meu blog (www.alvarodegas.blogspot.com) Eu comparei Helinho a Edmond Dantes, o protagonista de "O Conde de Monte Cristo". Ele esteve no Castelo de If, de lá figiu para conquistar tudo e todos.

Valeu Helinho.

Degas.

Anonymous said...

Alessandra, Está corrida provou que F1 esta negra para os novatos, não existem testes, então sexta feira é o dia de testes, as viúvas do bruninho estão derramando muitas lagrimas, mas aconselho o mesmo a voltar a correr F2, pois é um piloto pouco rodado, veja o que o Piquet era rei e na F2 e está apanhando muito F1.

PAULO said...

www.automobilismoemdebate.zip.net

Mani said...

Desculpe por mudar de assunto..Mas alguém aqui tem noticias de por onde anda MAURO CHAZANAS???????????