Thursday, November 16, 2006

Como nossos pais

Felipe anda encantado por tuning, drift e reaggae. Tirando o terceiro, dos outros pouco ou nada eu sabia. E só captei as paixões recentes do rapaz graças ao MSN Messenger. Felipe começou a pipocar no canto direito da minha tela, quase sempre no fim da tarde, com frases alusivas a esses termos.

Eu sabia que tuning é a versão moderna de “envenenar” os carros, mais ou menos o que a juventude transviada já fazia nos anos 60 e 70. Fico meio abestalhada quando sei que um sujeito é capaz de gastar 30 mil dinheiros em um carro e atulhá-lo com equipamentos e soluções que, juntos, somam outros 30 mil. E acho que não entendo o que falam quando mencionam coisas como caranga socada e nitro, mas assim é a vida, vamos aprendendo, nem que para isso a fonte de informação seja o cinema, mais exatamente o filme “Velozes e Furiosos”, que parece ter espalhado pelo mundo a febre do tuning.

Reggae eu conhecia, claro. Música jamaicana, Bob Marley, no woman, no cry, Gilberto Gil, Jimmy Cliff. Conhecia as obviedades, óbvio, mas não sabia que a juventude do século 21 tinha se encantado pelo reggae e que o ritmo tinha voltado com força. Desculpem, sou bem alienada mesmo, meus discos são de outrora, meus programas de TV, compilações de seriados já extintos, alguns em DVD e outros, ainda, em fita de VHS. Mas não posso dizer que não sabia o que era raggae quando Felipe pulou outro dia, no cantinho da tela, com uma frase de devoção ao Natiruts que descobri ser o must da moçada reggaera destes tempos.

O que me entortou mesmo foi o drift. Esse eu nunca tinha ouvido falar.

Felipe tem dezessete anos e é o filho mais velho da minha prima Debora. Quando nasceu, tive pela primeira vez a sensação de que os bebês são muito, muito pequenos. Hoje, sei lá, deve ter quase um metro e noventa, e fica trazendo novidades para meu mundo virtual. Achei interessante sua devoção pelo tuning e comentei, assim por cima, com ele. Comentei, ainda, que Felipe falava de um tal drift, e quis saber do que se tratava. Ele franziu a sobrancelha, respirou fundo, levantou-se a falou: “Preciso agir rápido”.

Meu marido não deixa coisas para depois. Se tem que fazer, faz na hora e tanta diligência é algo bom, por um lado, mas me causa certo desconforto quando menciono, assim por cima, que poderíamos começar a ver um carro novo para substituir o meu, porque o homem, por ele, sai e fecha o negócio na primeira concessionária que lhe oferece um bom preço. Enquanto me explicava que drift são provas de arrancada, mania nascida no Japão e que não tem lugar para acontecer – pode ser em um autódromo ou no estacionamento de um shopping – ele separou as revistas que escreve para uma marca de automóveis. Não apenas uma marca, não apenas automóveis. A marca, o carro. Em uma palavra: Porsche. Colocou tudo em um envelope e escreveu na frente: Felipe. “Vou deixar na portaria do prédio dele amanhã. Esse menino precisa saber o que é carro de verdade.”

Não falou muito mais, mas sei. Sei que adoradores de carros e de corridas de carros veneram essas máquinas como se elas fossem mais que meios de transporte. São capazes de falar horas sobre bolas de alavanca de câmbio, frisos laterais, forrações, restaurações, bananinhas, pálpebras. Não sei se entendo tudo o que falam, mas o dialeto deve ser muito diferente do que contém caranga socada e nitro, ou ele não teria providenciado o tal envelope com tanto sentido de urgência. Olhei aquele homem de cenho franzido e não pude deixar de lembrar que ele escandalizou minha família quando lá chegou, cheio de uns hábitos muito modernos para aquela turma da Zona Norte, há quinze anos. Agora, o moderno é o Felipe, com seu tuning, seu drift, seu reggae.

15 comments:

L-A. Pandini said...

Adorei sua coluna. Precisa apenas de uma correção: expliquei que "drift" é uma competição de "derrapagem" e não de "arrancada". Ou melhor: é uma corrida "normal", só que todas as curvas do circuito devem ser feitas com o carro derrapando, pelo menos, com as rodas traseiras.

Um beijo para você!

Alessandra Alves said...

para ver como não entendo mesmo de drift!

Anonymous said...

O Drift é mesmo uma prova de derrapagens como disse o I-a pandini ,não tenho muita certeza ,mas acho que o tempo não é fator principal para avaliação ,e sim o quanto se derrapa ,o angulo ,o estilo, enfim se obtem notas .
Não é uma competição que me agrada,mas os jovens gostam ,como é o caso do tuning ,o tempo passa...

Jonny'O

daniel carlos nava said...

No caso do tuning, há algumas barbaridades que não consigo me segurar. Aqueles aerofólios enormes na parte traseira de unos, celtas e outros carros de tração dianteira são de matar.

L-A. Pandini said...

Daniel, seu comentário sobre aerofólio traseiro em carros com tração dianteira me remeteu ao relato de um amigo durante a Mil Milhas de 2004 (ou 2005).

Nos treinos, meu amigo reparou que as picapes Montana apoiadas pela GM e inscritas na corrida estavam com aerofólios traseiros. Já incrédulo, perguntou a alguém da equipe qual era o efeito do acessório na estabilidade do carro - era uma daquelas asinhas bem vagabundas que se vêem nos Celtas, Unos e etc "tunados". Resposta: "Efeito nenhum. Mas, como o tempo não piorou, resolvemos deixar as asas lá, só para fazer um tuning".

Meu amigo, evidentemente, teve engulhos e decidiu se retirar do local antes de manifestar seu inconformismo.

Débora, a mãe do FELIPE said...

Alê, uma das coisas mais importantes quando se tem filhos é comprovar a veracidade da frase: VIVENDO E APRENDENDO.
Quando são pequenos conhecemos um mundo de novidades que na nossa época nem em sonho existiam.
Com o passar do tempo um universo de descobertas reais e virtuais são oferecidas aos filhos e aos pais com importâncias diferentes, mas com significados iguais. E a cada final de fase fica uma nova e rica experiência compartilhada amistosamente.
Uma das coisas mais gostosas é curtir juntos algumas músicas, bandas, shows e filmes que são eternos e que um dia já fizeram parte de nossa adolescência e hoje fazem parte da deles.
Com certeza o Gabriel logo,logo trará uma modernidade diferente daquela que o Beto trouxe há 15 anos e que hoje traz o Felipe. E você dirá, "como o tempo passou rápido".
Vale muito a pena experenciar cada fase dos filhos
com parceria,confiança,muito papo e amizade.

Alessandra Alves said...

jonny´o: se é assim mesmo - depende de notas de juiz - estou fora. não chego ao ponto de dizer que isso não é esporte, como alguns radicais, mas não me atraem as modalidades que dependem de julgamento. fica tão subjetivo, concorda?

daniel e pandini: eu também acho algumas coisas esquisitas e, em geral, não gosto desses acessórios, mas um papo com o felipe, pós-coluna, me deu uma senha sobre o tuning. vivemos a era da personalização (ou "customização", mais um estrangeirismo desnecessário). se a moçada compra uma calça jeans e quer dar sua marca pessoal, fazendo um desfiado, cortando um pedaço do tecido ou aplicando alguma coisa, a lógica é a mesma para os carros. acho que o tuning é uma necessidade de se destacar na multidão. tudo bem que uma calça custa bem menos que um carro, mas acho que a lógica é essa.

dé: obrigada pelo belíssimo depoimento! eu já vivencio isso, de leve, com o gabriel. imagine que, outro dia, ele quis ouvir um cd no carro e estava adorando enquanto as músicas eram rock pauleira nacional, tipo detonautas, cpm 22 e rodox. quando entrou uma música dos titãs, e eu disse "ah, dessa eu gosto!", o moleque vira e fala: "eu acho essa a música mais chata do disco!". em compensação, de beatles gostamos todos lá em casa! e assim vamos aprendendo a conviver com sintonias e diferenças, o que é maravilhoso!

Anonymous said...

Concordo Menina Alessandra.
Mas enfim, é uma nova onda,coisa de jovens,sempre eles ,alias ,que de vagar e sempre vão mudando e quebrando tabus, as vezes cola ,as vezes não,sempre foi assim,tomara que o drift seja apenas uma onda ,dessas bem volateis.

Jonny'O

William said...

Alessandra, só prá ilustrar o que disse o Pandini sobre o Drift (veja só, com "D" maiúsculo!), no Youtube existem vários vídeos. Selecionei este especialmente prá você. http://www.youtube.com/watch?v=WKRC51PSsgY&NR
Embora tenho gostado dessa trilha sonora anos 80, o bom do drift mesmo é escutar o berro do motor e o cantar dos pneus, ou seja, só ao vivo mesmo. Aqui no Japão realmente é muito comum, embora seja ilegal praticá-lo em vias públicas. Existem circuitos, quase autódromos, feitos especialmente para a prática. Onde você vai com seu próprio carro e paga por hora de utilização, bastando apenas apresentar a carteira de motorista. Embora, é claro, seja praticado principalmente à noite e em vias montanhosas (como a Anchieta), o que dá uma idéia de como é perigoso. Não é difícil parar num acostamento, olhar prá baixo e encontrar carros capotados. Conheço inclusive muitas pessoas que já se acidentaram, alguns fatalmente...
Acho que esse seja o grande problema, principalmente no Brasil, onde não existem locais apropriados para a prática, o que se torna perigoso prá quem o faz e principalmente para as pessoas que estão à volta. O drift não é uma "racha", não existe competição prá ver quem anda mais rápido. Inclusive, não se costuma passar dos 80 km/h. O importante é mostrar o controle sobre o carro nas curvas, com derrapagens controladas (como aquela ultrapassagem do Piquet sobre o Senna, lembra?). Bom, é isso. Espero ter ajudado à esclarecer pelo menos esta entre tantas outras dúvidas que começam à aparecer prá todos nós à medida que vamos envelhecendo. Acho que a melhor forma para conseguirmos conviver melhor com os jovens, embora não estejamos tão velhos assim, é justamente isso. Tentar descobrir do que eles gostam, o que é, como funciona e por quê. À partir do momento que começarmos a mostrar entendimento e interesse pelo que eles fazem e achem importante, mesmo se não gostarmos ou aprovarmos, talvez se torne mais fácil prá eles também ficarem mais "abertos" para ouvirem e se interessarem pelo que nós gostamos e pensamos sobre o mundo. Todos nós já passamos por essa fase e já que supostastamente estamos mais experientes agora, cabe à nós começarmos à buscar esse entendimento. Me empolguei, rsrs.

Alessandra Alves said...

william: putz! obrigada pelas informações e pelo vídeo. agora já não posso mais dizer que nunca vi nada de drift. enquanto lia suas explicações sobre drift, me lembrei de uma passagem do filme/desenho Carros em que o veterano ensina o novato a fazer uma curva e trata-se basicamente disso - saber controlar o carro enquanto derrapa. concordo com suas colocações sobre o embate entre o velho e o novo. os mais experientes, ontem, hoje e sempre, tendem a rechaçar o que lhes parece diferente, estranho. procuro não ser assim, em busca desse entendimento que você mencionou. viva o diálogo!

L-A. Pandini said...

Que fique claro: não tenho nada contra o surgimento de novas modalidades de competição automobilística e motociclística. Aliás, existem algumas bastante antigas, como arrancada, que nunca me emocionaram, ainda que eu as considere interessantes pela variedade técnica.

Mas a minha preferência sempre será pelas corridas de pista (de preferência em circuitos mistos), com automóveis e motocicletas preparados para andar mais rápido que os outros. Ou os ralis nos moldes do WRC.

Edu said...

Pra entender o Drift você tem que assistir "Initial D". Eu odeio desenho japonês, mas eu achei excelente, tenho até ele gravado aqui em algum canto. O drift nasceu das corridas de estrada do japão, ilegais, óbvio. O Japão montanhoso e invariavelmente coberto de neve. Isso é o drift.

Depois do drift as fábricas voltaram a se interessar em carros com tração traseira. Há discussão sobre técnicas de pilotagem, sobre o comportamento dinâmico dos automóveis.

Mas a cultura é o que resta quando acaba a inteligência.

Hoje em dia não é bem uma corrida. A praga do politicamente correto torna as corridas algo imoral. Torcer pro Schumacher dominando a F-1 é feio, passível de censura moral. Essa idéia que divide o mundo entre dominadores opressores e dominados oprimidos, e se está dum lado ou do outro. No Chile, proíbiram o F-1 de andar na rua como em SP, pois incentivaria os jovens a correr na rua.

Por isso o Drift, de uma corrida ilegal, comercialmente virou uma ginástica olimpica do automobilismo, onde ganha quem recebe a maior nota do jurado. A voz do povo é a voz de deus, como o Bernie não descobriu isso antes? Se derem uma idéia dessa é capaz que o véio acata, um monte de gente iria adorar. Você decide: Quem ganhou a corrida?

Marcog said...

Pandini, procure por um vídeo (japonês, pra variar), de um cara fazendo drift em um porsche branco. Tem um pequeno box no canto da tela, com uma câmera focada nos pedais. Independente da competição, ver a tocada de um cara dirigindo dessa forma, sem muito exagero na "desgarrada", é sempre bonito de se ver.

Anonymous said...

minha cara alessandra alves tive conhsimento a este blog grasas a um amigo ke adora tuning e drift komo eu ke fikou atordoado ao ver exta koisa ke nem palavras para decrever têm porke uma koisa é n saber nd de tuning e o ke envolve o tuning e tar praki a dizer estas tontalhas.
se n sabe o ke é tuning nem drift vai estudar.
e maix uam koisa se nao gosta nao estraga.

Anonymous said...

e para toudas ax pessoas ke aki falam mal do tuning e do drift ke vao po KAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRAAAAALLLLLLLLLHHHHHHHHHHHOOOOOOOOOOOOOOOOO
SEUS FILHOS DA PUTA MAL DIZESTES DE TUNING!!!!
KISS MY ASS SUKERS
e tambem ke um dia komam a minha poeira kuando passar kom o meu lindo carrinho seus filhos da puta invejosos